A Ordem dos Shinigamis
4 Halloween: A Protetora
Notas iniciais
Quincy ST, Georgia. 30 de Outubro.
It's been a long day without you my friend and i'll tell you all about it when i see you again. – Cantarolou Damien enquanto aguardava a liberação do trânsito. Já se passaram quase quinze minutos que este chegou na avenida, e esta estava bloqueada por conta de algum acidente que aconteceu próximo ao sinal – O que diabos está acontecendo alí na frente? – Inclinou a cabeça para fora da janela,procurando ter alguma noção do que estava acontecendo alí.
Por conta da movimentação, acabou não tendo muito sucesso, o que levou este a sair do carro e ir até os curiosos para ver como estava a situação.
– Ei, o que está acontecendo aqui? – Perguntou Damien, dando passos calculados entre a multidão até ficar de frente com a vítima, revelando ser Drake — O que houve? Está bem?
Drake parecia não ter noção alguma do que estava acontecendo. Era como se estivesse em uma sessão de hipnose, seus olhos não transmitiam vida. Damien o fitou curioso, ele já havia visto uma situação bem parecida antes, mas não recordava até ver uma marca avermelhada em seu pescoço.
– Eu vou levar ele até o Hospital! – Antes de alguém tentar intervir, Damien envolveu Drake em seus braços e o carregou até o carro.
Archibald Street
– Você tem certeza que quer fazer isso? – Perguntou Sebastian antes de girar a maçaneta.
– Sim. – Respondeu Judy forçando um confiante tom de voz.
Sebastian girou a maçaneta vagarosamente esperando por alguma intervenção de Judy, revelando aos poucos o interior da sala de estar da casa dos Mormont. A casa ainda estava completamente tomada pelas cinzas do incêndio causado pela criatura no inicio do ano, não deixando algum móvel e objeto intacto.
– Tenho que descobrir o que aconteceu por aqui, não posso ignorar isso por muito tempo. – Disse Judy enquanto encarava todos os destroços da casa.
O celular de Sebastian começa a vibrar, este apanha e lê a mensagem recebida de Damien, respondendo em sequência.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Judy sem perder o foco nos destroços.
– É apenas Damien querendo saber onde estamos, ele já está vindo. – Guardou o celular – Então, os peritos já disseram onde começou o incêndio?
Judy retira de seu bolso o papel que continha o exame da perícia sobre os acontecimentos, indicando com os dedos para a Sala de Jantar.
– Tudo começou alí. – Deu passos vagarosos em direção a Sala de Jantar, percorrendo os olhos por todos os cantos procurando algum vestígio pessoal – Também foi verificado que o fogão estava em uso, provavelmente minha mãe estava alí antes de ser atacada pela criatura. – Fez uma pausa, olhando para a cozinha – O fogão..
– O fogão? O que tem o fogão? – Perguntou Sebastian com uma das sobrancelhas arqueadas
Judy se aproxima em passos rápidos de onde estaria o fogão, mas se depara com alguns destroços sobre ele – Você pode me ajudar?
Sebastian aproximou sem se hesitar, segurando juntamente com Judy nos destroços e forçando no sentido oposto para liberar – Pode me responder?
Ambos conseguem retirar o destroço após algumas tentativas – Quando nos mudamos, meus avós presentearam meus pais com um cofre.. – Encarou Judy o fogão, empurrando o mesmo pra liberar a vista para a parede – E eles deixaram aqui atrás. Eu sempre quis saber o que eles escondiam aqui, mas minha mãe disse que apenas na hora certa.
– Tá, mas que hora seria essa? – Gesticulou as mãos agitadamente.
– Eu não sei, Sebs. E pelo visto nunca saberei. – Soltou um suspiro profundo, levando ambas as mãos até o azulejo da parede e deslizando os dedos em busca de alguma abertura – Certo.. – Empurrou o azulejo que dava abertura ao cofre, abrindo-o lentamente – Pelo menos ele ainda está intacto.
– Como? – Aproximou Sebastian com uma expressão incrédula no rosto, olhando atenciosamente para todos os detalhes do cofre que incrivelmente sofreu nenhum dano causado pela explosão.
– Eu disse que era um cofre que meus avós deram, certeza que é dos tempos do Titanic. – Judy deixou escapar uma risadinha – Mas agora, qual deve ser a senha?
– O que vocês estão fazendo? – Perguntou uma mulher que os observava de braços cruzados na entrada da cozinha — Roubando o cofre de uma casa incendiada não estão. Quem são vocês?
Sebastian ergueu ambos os braços quando é surpreendido pela voz da mulher, virando-se lentamente para encará-la — Me desculpe, ela é a filha.. – Seu tom de voz baixou quando seus olhos foram de encontro á ela. Era bela, morena, aparentava ter no mínimo vinte e três anos de idade, seu vestido era bem comportado porém moderno. Era uma típica afo-americana com uma beleza padrão.
– Eu morava aqui. Sou a filha dos donos. – Completou Judy com olhar curioso – Eu que lhe pergunto, o que você está fazendo aqui?
– Ah, me desculpe. Eu sou Thalia, afilhada de sua ex-vizinha Elizabeth. Conheceram ela? – Perguntou direcionando seu olhar para Judy.
– Espera, você disse Elizabeth? Aquela senhora que morava na frente da minha casa que após o acidente dos meus pais começou a agir estranhamente comigo? Sabe de alguma coisa, quem garante que não foi ela que invocou aquele Ghoul para me atacar? – Respondeu Judy ríspidamente, aproximando-se de Thalia e a encarando enquanto esperava por resposta.
– Como ousa falar assim dela? Você a matou! Sabia que a missão dela era te proteger? E é assim que você a retribui? E como podemos culpar ela de invocar uma criatura sendo que a mesma o matou? Pois é, pense antes de falar besteira! – Rebateu Thalia, aproximando de Judy para encará-la face a face.
– Já chega! – Interrompeu Sebastian, separando as duas. – Assim nós nunca saberemos o que realmente aconteceu naquela noite. Primeiro, Thalia, como assim ela estava querendo proteger Judy?
– Tia Elizabeth foi uma grande amiga dos Mormonts quando eles ainda eram da Ordem. Quando Judy nasceu, eles a escolheram como sua protetora já que sua segurança estava ameaçada. Sim, assim como eu, você era uma das protegidas da Elizabeth. – Thalia respondeu, rodeando Judy enquanto a encarava – O pior é que pelo visto não saberemos o que estava por trás dos ataques, Judy.
– Espera, isso.. isso tudo está muito confuso. Por que ela nunca me disse nada?
– E foi preciso? Seus pais sempre estiveram com você, uma protetora se revela quando os pais não podem mais manter os filhos em segurança. Uma espécie de Tutor.
– Eu já ouvi falar sobre isso. Ela deve estar certa, Judy. – Disse Sebastian sussurrando próximo ao rosto de Judy – Eu agradeço pelas informações, Thalia. Mas agora precisamos ficar a sós. – Indicou com os braços a saída do local, sem deixar de esboçar um sorriso desajeitado no rosto.
– Tudo bem. Você é? – Se aproximou Thalia com os braços estendidos para cumprimento
– Sebastian.. Sebastian Miller – Cumprimentou em despedida
– Prazer em conhecer você, Sebastian. Thalia Malone.
– Prazer foi todo meu, Thalia. – Sacudiu a cabeça ao notar o que havia dito – Desculpe.
O buzinar insistente de um carro podia ser ouvido, tão alto que naquele momento toda vizinhança já sabia da presença do individuo que estava alí dentro.
– Quem diabos está fazendo isso? – Perguntou Judy enquanto coçava uma das orelhas, caminhando em direção a porta de entrada. – Damien?
– Judy! – Respondeu Damien saindo do carro, acenando para os três que saiam para vê-lo – Eu preciso de vocês dois aqui, agora!
– Damien? O que aconteceu? – Perguntou Sebastian enquanto se aproximava
– Aconteceu algo que vocês precisam ver. – Indicou com a cabeça para o interior do carro, voltando seu olhar para Thalia que o fitava com um olhar interrogativo – Quem é ela?
– É Thalia, acabamos de conhecê-la. Não se preocupe, ela sabe sobre nós. ֪– Sebastian olhou para o interior do carro, deparando-se com Drake imóvel – O que aconteceu com ele?
– Eu não sei. Eu o encontrei assim no caminho para casa.
Drake começa a se movimentar repentinamente em um ritmo agitado. Era como se estivesse estrando em uma convulsão, porém uma convulsão diferente. A marca avermelhada em seu pescoço começava a brilhar, como se alguma coisa quente tocasse em sua pele. Ao ver Sebastian e Damien sem reação, Thalia se aproxima do rapaz e o arrasta para fora do carro rumo adentro da casa dos Mormont.
– O que você está fazendo? Ele está passando por uma convulsão? – Perguntou Judy aumentando o tom de voz enquanto os perseguia
– Não, mas é tipo isso. Ele foi marcado por uma coisa que está o afetando agora. Alguém sabe fazer alguma coisa para ajudá-lo? Ele parece estar sofrendo muito. – Respondeu Thalia, pondo o rosto de Drake em suas pernas como apoio.
– Não, somos apenas aprendizes e não aprendemos nada sobre isso. Alguém tem um contato de um membro da Ordem? E seu tio Brendon? Cadê ele? – Questionou Damien olhando Judy
– Eu não sei, ele disse que ia entrar em missão. – Respondeu
– Eu acho que sei quem pode nos ajudar.
Disse Sebastian já retirando o celular do bolso, digitando uma mensagem com endereço para Margot.
– Quem pode nos ajudar? – Perguntou Judy, aproximando de seu companheiro.
– Margot.
Os jovens permaneceram acolhendo Drake por mais algumas horas enquanto esperavam pela chegada de Margot. Neste tempo, aproveitaram para atualizarem-se dos acontecimentos recentes de suas vidas, com exceção de Thalia que apenas respondia perguntas básicas. Próximo das nove da noite, Margot estacionou o carro frente a casa dos Mormont e seguiu adentro.
– Sebastian? – Perguntou delicadamente após dar duas batidas na porta de entrada, se deparando com estes na Sala de Jantar – O que vocês estão fazendo aqui? Não deviam estar.. – Arqueou uma das sobrancelhas ao notar Thalia entre eles – Thalia?
– Ei, irmã. – Respondeu Thalia com um sorriso corado para os outros jovens. Levantou-se antes de Margot dizer alguma coisa e a arrastou para um canto privado – Antes de qualquer coisa..
– Calada! – Margot levanta uma das mãos como intervenção – Você não devia se envolver com essas coisas, Thalia. Você sabe o quanto eu lutei para você ter uma vida normal longe de todos esses problemas sobrenaturais, mas por que você ainda insiste?
– Porque eu não quero! Margot.. Eu sempre curti e tive orgulho de ser meia-shinigami, por que você não me deixa ser livre como os outros jovens? Por que não quer que eu morra? Eu já provei pra você muitas vezes que sou mais que capaz de sobreviver!
– Porque é perigoso. Thalia, olha onde você está! – Margot indica com a mão todos os destroços do local – Dois dos melhores membros que passaram pela Ordem foram atacados aqui, e até agora não temos nenhuma notícia de do paradeiro deles. E foi por um simples Ghoul, qualquer um conseguia derrotar um Ghoul! São novos tempos, Thalia.
– Eu já sou maior de idade, irmã. Você não vai poder me parar por muito tempo. – Antes da resposta de Margot, retomou os passos para a Sala de Jantar para se encontrar com os outros aprendizes – Certeza que ela pode nos ajudar?
– É a única da Ordem que eu conheço que estava disponível. – Respondeu Sebastian, virando o pescoço de Drake para Margot conferir – Sabe o que é isso?
– Sim, eu sei. – Diz Margot dando uma encarada fatal em Thalia, agachando-se para ficar próxima da vítima – Ele foi marcado. Essa marca é da Ordem.. Parece que alguém está caçando algum demônio que deve ter alguma relação com ele, já que nós marcamos algumas pessoas para ver se há algum demônio escondido. – Fez uma pausa, fitando eles com a mesma expressão de dúvida – O problema, é que eu não soube de nenhuma missão por aqui em Georgia que fosse para encontrar por demônios.
– É melhor procurarmos mais coisas sobre ele. – Disse Damien procurando por algo no bolso de Drake, retirando o celular que estava em modo silêncio – Talvez isso nos ajude.
Os dedos de Damien deslizaram por todo o menu do celular de Drake. Passando por aplicativos de música, jogo, agendas, redes sociais, até pausar em fotos.
– Espera, por que tem fotos dele e da Quinn nús na cama? – Questionou Damien escapando uma gargalhada
– Nossa, não sabia que a Quinn tinha belos seios. – Sebastian arqueeou uma das sobrancelhas, acompanhando Damien na gargalhada.
– Não sejam nojentos! – Judy retira o celular da mão de ambos, deslizando novamente pelas redes sociais até pausar em uma mensagem recente – Parece que Quinn e ele ficaram juntos hoje, e ele não está nada contente com isso. – Fez uma careta ao ler os xingamentos.
Sebastian permanece rindo até que algo surge em seus pensamentos, o rapaz vagueia por este e relembra algumas coisas dos meses atrás que Quinn contou para eles – Espera.. – Conteve a risada, expressando seriedade repentinamente
– Acho que temos um problema! – Retirou o celular da mão de Judy – Vocês lembram quando Quinn disse que todos os caras que ela dorme aparentemente ficam amaldiçoados depois? Parece que outra pessoa descobriu sobre isso e está a perseguindo.
– Como? – Perguntou Margot engolindo em seco – O que vocês disseram? Que a Quinn amaldiçoa pessoas com quem dorme?
– Sim. – Respondeu Sebastian, assentindo a cabeça.
– Realmente vocês tem um problemão. Principalmente ela, ela está sendo possuida por uma Succubus!
– Uma Succubus? Mas é claro! – Sebastian dá um tapa de leve na testa – Como não pude perceber isso com detalhes tão claros na minha frente?
– Tá, mas alguém sabe onde ela está? Precisamos expelir esse demônio do corpo dela antes que essa pessoa a mate. – Perguntou Judy gesticulando os braços
– Quinn está com o Caleb? Se estiver será bem fácil. – Damien confere em seu celular algumas atualizações nas redes sociais de Caleb, notando uma foto que indicava que ambos foram para uma balada. – Disse que não seria tão difícil. Eu sei onde fica, só vão precisar de identidades.
– Tudo bem, então vamos. – Diz Margot indicando a saída para Judy, Damien e Sebastian – Thalia, você vai para casa. Obrigada pela ajuda. – Disse estendendo o braço para interromper a passagem.
– Eu disse que você não irá me impedir mais. – Responde Thalia com um olhar rispido, acompanhando Damien em direção ao carro.
– Sebastian! – Chamou Judy próximo ao cofre, deixando todos os destroços e o fogão na posição que encontraram – Agradeço também pela ajuda, você não tem noção do quanto isso foi importante pra mim.
– Tudo bem, Judy. Faria qualquer coisa por você! – Sebastian sorriu de canto após as tais palavras, a ajudando a carregar o corpo de Drake até o carro de Damien.
Damien dirigiu em alta-velocidade pela cidade, faltava poucos minutos para a entrada do Halloween e Quinn não respondia nenhuma das mensagens enviadas por eles, Caleb idém. Quando chegaram na rua que ligava até a casa noturna, foi possivel ouvir uma grande gritaria vindo em direção a ela, sinal de que o que esperavam podia estar ocorrendo.
– Está acontecendo alguma coisa lá dentro. – Sebastian abre a porta, e sai correndo do carro antes mesmo de idealizarem algum plano. O despero e a negatividade tomou conta de seus pensamentos naquele momento. Era como se estivesse perdendo uma parte de si – Ei, sabe o que está acontecendo lá dentro? – Perguntou a um dos jovens que estava fitando o local.
– Parece que tem um maníaco lá dentro que estava portando uma arma. Disseram que tinha bomba lá dentro, aí começaram a correr e não sei mais nada. – Respondeu o adolescente que já apresentava alcoolismo.
– Sebastian! – Gritou Judy enquanto corria em sua direção – Alguma notícia?
– Tem um homem lá dentro.. ele já está atacando. – Disse olhando para Judy com a voz meio trêmula – O que vamos fazer?
– Nós vamos salvar nossos amigos! – Respondeu Judy, tentando expressar segurança em seu tom de voz.

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