A Ordem dos Cavaleiros

9 O Imperador e seus Lordes


Notas iniciais
A luta de Tiago e Charlie Hunter termina com mais perguntas e respostas para o Cavaleiro e seu mestre, enquanto isso, os Lordes se reúnem com seu Imperador.

Enquanto isso na capital do Império de Ember, Charlie Hunter encontrava o imperador encapuzado em sua sala.

— Já se curou? – perguntou o Imperador encapuzado, sentado em sua sala de reuniões.

— Eu não sou ferido há muito tempo, mas minhas feridas cicatrizaram rapidamente, afinal, sou imortal e um shinobi – respondeu Charlie Hunter.

— Como você foi ferido? – perguntou o Imperador.

— Peguei uma nevasca – mentiu Hunter.

— Se não quiser dizer, posso descobrir sozinho, você veio aqui só pra isso? – questionou o Imperador de Ember.

— Não seja tão duro, eu decidi me tornar um de seus lordes – respondeu Hunter.

— O que fez você aceitar? Depois de ser preso aqui pelo ultimo Mentore e libertado por mim, você disse que queria procurar um adversário digno de você e por isso não queria perder tempo andando em grupo. – questionou o Imperador mais uma vez.

— Pra ser honesto, eu nunca sinto dor, mas sempre causo e gosto de ser assim. Eu sempre fui como uma onda maior que destrói tudo que encontra, mas encontrei alguém interessante recentemente, uma pedra que pode ficar mais dura do que um diamante – explicou Hunter.

— Você encontrou alguém parecido com você? – perguntou o Imperador.

— Talvez, mas parece alguém que eu seja capaz de enfrentar com toda a minha força, não agora, mas daqui a alguns anos, se for moldado do jeito certo, ele se tornará um inimigo formidável – explicou Hunter.

— Nesse caso acho que vou mandar matá-lo enquanto ele ainda não é uma ameaça – concluiu o Imperador.

— Se você tentar atacar minha presa, prepare-se para as consequências – disse Charlie Hunter, preparado para enfrentar o imperador.

— Acha que consegue? — perguntou o Imperador de forma arrogante.

O Imperador foi encarado por Charlie Hunter que resolveu dar um passo à frente, e quando se deu por conta, viu uma espada próxima a seu pescoço, ao olhar para o lado percebeu que a espada estava nas mãos de Amon.

— O que pensa em fazer? – perguntou Amon com sua espada no pescoço de Charlie Hunter.

— Um cachorro apareceu – Hunter debochou da lealdade de Amon.

— Disse o único palhaço que não tem graça – retrucou Amon.

— Acalme-se, Amon, ele não me atacaria em meu próprio castelo, ele é louco, mas nem tanto – concluiu o Imperador.

— Se você diz. – Amon aceitou a ordem de seu líder e guardou sua espada.

— Alessandra te mandou aqui? – perguntou o Imperador a Amon.

— Bom, ela disse que eu deveria vir aqui porque é meu dever como o mais forte dos lordes, foi um saco ouvi-la reclamando sobre eu ser preguiçoso demais – explicou Amon.

— Entendo, de qualquer maneira. Agora, Lorde Hunter, saiba que se tentar nos trair Amon irá matá-lo – concluiu o Imperador.

— Vai ser um saco, mas acho que você gostaria de me enfrentar, certo? – questionou Amon.

— Realmente seria interessante, mas eu preferiria enfrentar o próprio Imperador ou o Caspian da República – respondeu Gui-gon.

— De qualquer forma, se ajoelhe – mandou o Imperador.

— Apenas para essa cerimônia – disse Amon.

— Já posso ir? – perguntou Amon.

— Sim, obrigado pelo seu esforço, Amon – respondeu o Imperador.

— Vivi a Cavalieri Dellóscurita (viva aos cavaleiros Dellóscurita) – disse Amon em voz baixa.

O Lorde saiu da sala e voltou para seus aposentos onde adormeceu novamente, e na sala do Imperador, Charlie Hunter colocou um manto de cor preta com o símbolo dos Cavaleiros Dellóscurita que pertencia apenas aos Lordes Dellóscurita:

— Onde houver luz sempre haverá trevas e onde houver humanos sempre haverá conflito, você jura seguir ao seu imperador pela busca da paz pela verdadeira dor? – o imperador começou a cerimônia.

— Eu lhe dou a minha palavra – disse Charlie Hunter.

— Baseado na quantidade de poder, você recebeu o número quattro (quarto) que será marcado com ferro na parte de seu corpo que desejar – explicou o Imperador.

— No lado esquerdo do meu peito, Mentore, quando será feito? – perguntou Hunter.

— Nesse momento – respondeu o Imperador.

— Você agora será conhecido como Stanza Lorde (Quarto Lorde) – explicou o Imperador.

— Sou o quarto? – questionou Hunter.

— Vivi a Cavalieri Dellóscurita – respondeu o Imperador ignorando o que disse o novo Lorde número 4.

— Vivi a Cavalieri Dellóscurita – Hunter desistiu de argumentar.

A Cerimônia de entrada terminou e a partir daquele momento ele foi nomeado Stanza Lorde dos Cavaleiros Dellóscurita, e agora ele teria acesso total a tudo relacionado ao Império de Ember, a credo Dellóscurita e aos livros escritos por antigos membros desse mesmo credo, ao sair o Mágico se encontrou com Amon, do lado de fora da sala em uma sacada do castelo.

— Aquilo foi perigoso, o que fez você pensar que eu não atacaria você? – perguntou Charlie Hunter.

— Você é louco, mas sempre pensa antes de agir e essa é uma das características que todo mágico possui – respondeu Amon.

— Apostou sua vida em algo assim? – questionou Hunter

— Não, se tentasse algo eu te mataria na hora, a verdade é que mesmo imortal você não quer me enfrentar porque sabe que eu sou mais forte que você – concluiu Amon.

— Você se superestima, mas não é tudo mentira – retrucou Hunter.

— De qualquer forma, você foi libertado da prisão pelo imperador, mas você não liga pra nada disso, nem para o credo ou pela sua posição como número quattro entre os lordes, você só quer lutar e matar – deduziu Amon.

— E por que acha que eu me uni a vocês? – perguntou Charlie Hunter.

— Você só quer matar inimigos fortes para se sentir vivo, e pretende usar nosso credo para poder enfrentar o Rei dos Reis – respondeu Amon.

— Tem razão, mas se você deduziu isso sozinho quer dizer que o Imperador também deve ter percebido, mas ele sabe que possuo talento e por isso me quer lutando a favor de Ember – concluiu o Mágico.

— O garoto foi quem te feriu? – perguntou Amon ignorando o argumento de Charlie Hunter.

— Ele está próximo de conseguir dominar o Kamui – respondeu Hunter.

— Kamui? Parece que ele será uma ameaça, devo eliminá-lo rapidamente – disse Amon.

— Se tocar nele, provavelmente, teremos um problema – retrucou Hunter.

— Tanto faz, mas você pelo menos sabe quem ele é? – questionou Amon, com preguiça de lutar.

— Ainda não, mas eu sei que terei uma batalha de verdade contra ele no futuro e isso me faz querer matá-lo nesse momento, mas tenho que esperar para que ele possa me dar essa luta, até lá ele deve perder e ganhar batalhas para se fortalecer – explicou Hunter.

Lorde Amon Stark se despediu e desceu as escadas, onde ele encontrou Alessandra, uma mulher loira com olhos verdes, que estava subindo do primeiro andar até o penúltimo por ter sentido a presença de Amon e Hunter, resolveu subir as escadas e esperar no penúltimo andar lorde Stark e o jogou contra a parede.

— O que foi agora? – perguntou Amon de olhos fechados.

— Nada demais, mas senti a sua presença na sacada do andar de cima com o novo Stanza Lorde, podemos realmente confiar nele? – questionou Alessandra.

— Perceptiva como sempre, não é à toa que é a melhor usuária de Cee entre os lordes – respondeu Amon tentando mudar de assunto.

— Você sabe que eu posso sentir a presença de tudo o que se mexe nesse planeta, mas eu quero que responda minha pergunta – Alessandra voltou ao assunto anterior.

— Irritada como sempre, mas te respondendo, é lógico que não – Amon respondeu.

— O que vai fazer? – perguntou Alessandra, que tomou o silencio de Amon como resposta, e com raiva a mulher acertou um soco na cabeça de Amon.

— Por que fez isso? – perguntou Amon, após se levantar.

— Você é preguiçoso demais, Stark, você realmente é um cara difícil de lidar, simplesmente acabe com ele de uma vez – retrucou Alessandra.

— Eu acho que é você que não tem paciência – disse Amon.

— Você parece alguém que fica esperando sua namorada por dois dias e depois percebe que ela te largou pra comprar um sofá – concluiu Alessandra.

— O que tem demais nisso? Eu posso aproveitar e, quando ela não estiver, entro na casa dela e fico deitado no sofá – retrucou Amon.

— Mas você não pode entrar, ela pegou as suas chaves – disse Alessandra.

— Eu sou um lorde, simplesmente desintegro a porta – respondeu Amon.

— Aí ela chama a polícia, e você é preso. – retrucou Alessandra.

— Eu compro o planeta e mudo as leis para que permitam pessoas com o título de Primo Lorde (Primeiro Lorde) entrem nas casas que quiserem – respondeu Amon.

— Mas aí ela simplesmente se mudaria e levaria o sofá com ela – concluiu Alessandra.

— Aí eu chamaria você, que a encontraria onde quer que ela estivesse – disse Amon.

— Mas eu não te ajudaria porque se você gostar do sofá o trará pra cá, e assim ficaria dormindo o dia todo em vez de cumprir suas obrigações como Primo Lorde.

— Mas eu estaria descansado pra quando tivesse que lutar e assim acabaria com toda República e com a Ordem dos Cavaleiros – disse Amon.

— Mas você nem aparece nas reuniões dos Lordes – retrucou Alessandra.

— Não preciso ir a uma reunião para saber o que tenho que fazer – concluiu Amon.

— Precisa sim, já que você é o primeiro, deveria nos liderar durante as reuniões – disse Alessandra.

— Por isso você vai a elas – respondeu Amon.

— Vamos parar por aqui, antes que percamos a reunião da noite – Alessandra acabou com a conversa.

— Tem reunião essa noite? – questionou Amon.

Após essa pergunta, Alessandra puxou Amon pela orelha direita e o levou para a sala de reuniões onde estavam todos os Lordes esperando.

Enquanto isso na República, Gui-gon e Tiago conversam sobre o acontecido:

— Mestre, o que foi aquilo? – perguntou Tiago, que pela primeira vez se sentia inseguro.

— Se refere à sensação que sentiu quando os lordes foram embora? – Gui-gon perguntou.

— Sim, eu senti algo diferente. – Tiago mostrava que percebeu que seus olhos haviam mudado de cor e seus poderes aumentaram por um pequeno momento.

— Isso se chama Kamui, explicando é uma das variedades do reitsu, vou explicar melhor quando acordar amanhã, já que você deve estar cansado, mas me diga quem eram os lordes que foram até você? – Gui-gon se mostrou interessado nos Lordes.

— Um deles vestia roupas com símbolos de cartas, se parecia com um palhaço, tinha cabelo branco e seu nome era Charlie Hunter, e o outro tinha um reitsu gigante, parecia que podia acabar com toda a minha existência, foi a primeira vez que senti medo, mestre, ele usava uma capa de cor preta, parecia ser feita de Tadenium, o metal mais forte da galáxia – explicou Tiago.

— Continue – disse Gui-gon.

— Ele usava uma armadura da mesma cor e seu cabelo era castanho liso, parecia estar sempre cansado, ele era estranho por assim dizer. – Tiago se mostrava um pouco cansado.

— Vamos descansar por hoje, tem um lugar que quero que vá comigo, se seus ferimentos já cicatrizaram, é claro. – Gui-gon começou a sentir tontura após a explicação de Tiago.

— Tá tudo bem? – perguntou Tiago.

— Quer vir comigo? Responda de uma vez, amanha conversaremos sobre tudo – desconversou Gui-gon.

— Por mim, tudo bem, vou só me vestir como de costume e podemos ir – respondeu Tiago.

O Cavaleiro das Trevas vestiu uma camiseta de cor preta, uma calça jeans e saiu do hospital, o doutor Alone já havia dado alta para Tiago, que se despediu dele após encontrá-lo no corredor, percebeu que já havia anoitecido e após sair do hospital, se deparou com seu mestre e ambos foram até uma mansão. Após entrarem pela porta, Gui-gon recebeu um abraço de uma criança, que carregou quase que instantaneamente, e uma mulher estava esperando com um jantar farto na sala.

— Mãe, o pai chegou – disse Renji, filho de Gui-gon.

— Bem vindo, querido, cheguei do trabalho mais cedo e aproveitei para fazer o jantar, até porque hoje temos convidados – disse Miranda, esposa de Gui-gon.

— Espera um pouco, você tem família? Por que nunca me disse? – questionou Tiago.

— Você nunca perguntou – respondeu Gui-gon.

— Qual é a chance de eu aceitar essa desculpa? – retrucou Tiago.

— Os outros já chegaram, amor? – Gui-gon mostrava se sentir bem em casa.

— Ainda não, mas já ligaram, devem estar chegando – respondeu Miranda.

— Pai, quem é o projeto de homem que está com você? – perguntou Renji.

— Projeto de homem? Você é o quê? – ironizou Tiago.

— Criança – respondeu Renji.

— É a mesma coisa – explicou Tiago.

— Muito prazer, Tiago Dragone, meu marido fala sempre de você – a esposa de Gui-gon se apresentou a Tiago.

— Muito prazer, ele fala de mim? – perguntou Tiago interessado.

— Sempre – respondeu Miranda sorrindo.

— Não exagere, eu o critico quase todas as vezes – explicou Gui-gon.

— E diz isso na minha frente? – disse Tiago irritado.

— O papai sempre diz que você é como um filho pra ele – retrucou Renji.

— Um filho que eu nunca queria ter tido, cara chato – respondeu Gui-gon.

— Chato? Você é o mais chato de nós dois – retrucou Tiago.

A conversa estava animada, e a esposa e o filho de Gui-gon estavam rindo bastante por causa das “brigas” de seu marido com Tiago, mas bateram na porta os convidados, eram o Rei dos reis e sua filha, que foram recebidos pela esposa de Gui-gon, que dispensou os empregados naquela noite, e ao entrarem:

— Boa noite, meus amigos – Caspian entrou pela porta, junto de sua filha.

— Boa noite. – Eliza mostrou ter bons modos.

— Você? – Tiago mostrava antipatia por Eliza.

— Animais são permitidos na mesa? – Eliza referiu-se a Tiago

— Provavelmente, você veio – respondeu Tiago.

— Acalme-se, filha, vamos nos sentar – Caspian tentou acalmar sua filha.

— Mas foi ele quem começou – disse Eliza, encarando Tiago.

— Eu? – questionou Tiago, encarando Eliza

Em uma mesa com seis cadeiras, Tiago e Eliza acabaram por se sentar lado a lado, e todos começaram a conversar enquanto o jantar era servido por Gui-gon, mas a princesa e o Cavaleiro das Trevas se desentendiam em quase todas as discussões, pois sempre pensavam de maneiras diferentes e todos acabavam rindo das brigas deles.

O céu escurecia e todos resolveram ir para os quartos de hóspedes, Gui-gon e sua esposa começaram a conversar antes de dormir:

— Obrigado, por me trazer aqui, me sinto até mais sóbrio – disse Gui-gon após ter bebido muito.

— Você trouxe o garoto, até que ele parece ser uma boa pessoa, mas eu duvido que ele só queira ajudar a República – concluiu Miranda.

— Você tem razão, ele tem um motivo pra nos ajudar, ou seja, está nos usando, mas eu já fiz minha aposta – respondeu Gui-gon.

— Aposta? – perguntou Miranda.

— Ele conseguirá seu objetivo e nos trairá ou ele se apaixonará pela República e será o que eu espero que ele se torne – explicou Gui-gon.

— O que seria? — questionou Miranda.

— Eu acredito que ele pode ser mais do que um Cavaleiro das Trevas – respondeu Gui-gon.

— O quê? – Miranda estava cansada de insistir e perguntou pela ultima vez.

— Um Herói – respondeu Gui-gon