A Ordem dos Cavaleiros

39 Arco Arcádias - Os Nobres de Ember


Notas iniciais
O inicio do plano para a tomada de Arcádias começou, mas devido a complicações, Gabriel acaba descobrindo a verdade sobre aqueles com maior influência dentro do sistema de Ember

O cavaleiro seguiu andando, como ordenado por Tiago, ele continuou investigando todo tipo de lugar para construir o forte, no entanto, como o planeta era totalmente desconhecido e mudava a cada instante, Gabriel decidiu encontrar a capital primeiro, quando foi abordado por algumas moradoras locais que estavam em um caminhão voador.

— Ei, você, o que está fazendo? – perguntou a garotinha que estava na janela do caminhão.

— Estou tentando ir para Gashk, procurar um trabalho para sustentar meus irmãos idiotas – disse Gabriel.

— Como eu pensava, você deve estar procurando um trabalho mesmo estando no fundamental? ISSO É MUITO LEGAL! – disse a garotinha animada.

— Fundamental? Eu já sou um adulto, minha cara amiguinha – retrucou Gabriel.

— Mesmo sendo pequeno como um carcereiro de gaiola? – questionou a menina.

— QUEM VOCÊ TÁ CHAMANDO DE MICRO PROJETO DE SER HUMANO? – gritou Gabriel.

— Ei, eu não disse isso. Idiota! Como pode gritar com uma menina que estava tentando te ajudar. Eu convenci minha mãe a voltar porque queria te ajudar. — A garotinha se irritou.

— Cale-se, não preciso de ajuda – retrucou Gabriel.

— Ei, Mayu, esse é aquele mendigo baixinho que você disse ter visto, e fez a mãe voltar para cá? – disse um garotinho que estava procurando por sua amiga.

— MENDIGO? BAIXINHO? É ASSIM QUE VOCÊ ME ENXERGA? SUA FORMIGA ENXERIDA! – gritou Gabriel.

— MICROBIO! – retrucou Mayu.

— Sua...Espere um pouco, vocês estavam indo para onde? – perguntou o encapuzado.

— Estamos indo para a capital, para vender algumas mercadorias na cidade – explicou o menino.

— Espere, a capital é para lá? – perguntou Gabriel.

— Sim – respondeu Mayu.

— Seu senso de direção está bem como sempre, Gabriel Constantini – debochou Rá, o extreme do aprendiz de Yoda.

— Cale-se, isso é uma espécie de maldição sua – retrucou o hospedeiro de Rá.

— O que é isso em seu pescoço senhor? – perguntou o menino ao ver o colar que guardava a armadura de Gabriel

— Isso? É uma relíquia de família – disfarçou o aprendiz de Yoda.

— Relíquia? Como a da mamãe e do papai? Então você também é um dos membros da nobreza de Ember? – perguntou a garotinha animada.

— Nobreza? Ela deve estar falando das famílias fundadoras de Ember que possuem autoridade total em todos os planetas de Ember, os chamados Sharaf Leh. Esses dois são filhos de nobres – pensou Gabriel.

— Brion e Mayu, o que estão fazendo aí fora? Já encontraram o mendigo – perguntou a mãe das crianças.

— Sim, ele tá...Cadê ele? – perguntou Mayu ao perceber que o encapuzado desapareceu.

— Deve ser sua imaginação. Claro que isso ia acontecer no dia em que o mestre Kairos nos pede para participar de uma reunião, não bastava todos os carros terem dado defeito e termos que nos colocar nesse caminhão de merda – reclamou a mãe.

— Estranho, ele sumiu – disse Brion, enquanto levava sua irmã de volta para dentro e deu ordem ao motorista para voltar ao caminho original.

O cavaleiro se escondeu dentro do caminhão para despistar a família que estava levando suas mercadorias. Naquele momento, Gabriel se chocou com o que viu dentro do caminhão.

— O que é isso? – questionou Gabriel.

O caminhão estava cheio de escravos dormindo, eles estavam famintos, acorrentados e cheios de ferimentos. Os escravos eram homens, mulheres e crianças, eles estavam em péssimo estado.

— Ei, quem é você? Veio nos salvar? – perguntou uma criança acorrentada, que acabou acordando os demais escravos.

— Um salvador? Isso não é possível, você é um Dellóscurita? – perguntou uma das mulheres.

— Esperem. Ele não é um salvador, olhem para o pescoço dele, ele está com os Sharaf Leh – disse um velho escravo cheio de cicatrizes.

— Espere...É VERDADE, ELE ESTÁ COM ELES!!!!!! ESSAS JOIAS NO PESCOÇO E CAPUZ BRANCO, ELE É UM SHARAF LEH – gritou uma das crianças.

A situação parecia que ia sair de controle, Gabriel imaginou todos os cenários, os escravos acabariam chamando atenção dos verdadeiros nobres que estavam no caminhão, ou eles tentariam atacá-lo na esperança de encontrar uma chave ou algo parecido para que fugissem, no entanto, o que aconteceu não foi isso.

— Eles... Não estão gritando, chorando ou tentando me atacar? Por quê? – pensou Gabriel.

Os escravos apenas se levantaram e ficaram sem se mexer, eles pareciam soldados aguardando ordens, estavam preparados para matar qualquer um deles ou seguir qualquer ordem feita por um nobre. Esse mesmo olhar, estava nas crianças que estavam acorrentadas.

— Entendo. – Essa situação poderia prejudicar qualquer pessoa com um psicológico fraco para ver esse tipo de cena, mas não era o caso de Gabriel, porque ele tinha convicção de que se ele perdesse o controle ou libertasse os escravos, a missão poderia falhar. Para que tudo corresse conforme o planejado por Tiago, ele devia fingir que não viu nada e simplesmente ignorar os sorrisos das crianças que estavam esperando ser salvas, e a tristeza nos olhos de todas as pessoas que estavam acorrentadas ao acreditar que ele era um nobre, por confundirem seu cristal de armadura com a relíquia dos nobres.

— Eu vou aguentar! Eu prometo que sim! Pelo bem da missão, eu não vou fraquejar agora! Não foi isso que Yoda e meu pai me ensinaram. Eu tenho que aguentar! – pensou Gabriel.

— Ei, você veio nos salvar? – perguntou uma pequena garotinha acorrentada.

— Qual o seu nome, pequenina? – Gabriel estava se mantendo o mais focado possível para não tentar salvar ninguém por enquanto.

— Meu nome é Sakura Ymir – apresentou-se a garotinha com um sorriso, porque percebeu pelos olhos de Gabriel que ele era uma boa pessoa.

— Ymir? Já ouvi esse sobrenome em algum lugar, mas isso não importa agora – pensou o aprendiz.

— Muito prazer, eu sou Gabriel. Escuta, Sakura, eu não posso ajudar ninguém por enquanto, não estou aqui para isso. Tenho uma missão – disse Gabriel enquanto acariciava a cabeça da escrava.

— Entendo, mas você parece uma boa pessoa e também parece muito inteligente. Por isso acredito que você não terá problema em concluir sua missão, senhor – disse a garotinha.

— Serio que eu pareço isso tudo? – disse Gabriel em lágrimas, que estavam escorrendo ocupando quase todo seu rosto.

— Claro que sim! Alguém capaz de chorar assim só por ser elogiado não pode ser má pessoa e, como não está marcado com marcas de fogo, quer dizer que não é escravo, ou seja, você deve ser muito inteligente – disse a garotinha que não entendeu o motivo das lágrimas de Gabriel, enquanto mostrava a marca em seu braço.

— Você acha que sou inteligente só por não estar acorrentado? É isso que ensinam nesse planeta? – questionou o aprendiz de Yoda, enquanto abraçava a criança.

— Isso é um abraço? É bem quentinho – disse a garotinha, que também abraçou Gabriel.

— Você acha que estou chorando pelo seu elogio? Entendo, você ainda é pequena demais para entender o motivo, mas tudo bem. – Mesmo naquela situação, acorrentada, marcada, cheia de feridas, Sakura desejou sorte para Gabriel em sua missão, e esse era o motivo das lágrimas que tapavam o rosto de Gabriel, porque mesmo naquela situação, ele não podia fazer nada.

O caminhão chegou ao Muro de Sangria, a muralha que separava o centro da capital dos demais lugares, onde apenas nobres poderiam entrar. A ocasião desta reunião foi por conta das ordens de Kairos, um dos grandes líderes do Império de Ember. Ao chegar a Catedral de Hitmensu, a família que estava com Gabriel desembarcou do caminhão, passando em cima do corpo do motorista, que conseguia manter o silencio, mesmo sendo pisado por saltos da mãe de Mayu. O cavaleiro ficou perplexo de ver que aquela família tratava aqueles que não eram nobres como lixo, e decidiu não utilizar INT para esconder, porque em um local como esse poderia estar lotado de Cavaleiros Dellóscurita, e eles provavelmente estariam usando CEE para vigiar o lugar, por isso ele decidiu manter o disfarce de nobre.

— Mãe, aquele mendigo realmente sumiu? Eu queria ele como escravo, por que ele sumiu? – choramingava Mayu enquanto estava sentada em um homem, que estava sendo usado como montaria.

— Não se preocupe, vamos encontrar outro para você, certo, meu amor? – disse a mãe.

— Claro que sim, o pronunciamento de Kairos deve ser depois do leilão de escravos – o pai consolava a filha.

— Mas mudando de assunto, Brion, não vai subir em sua montaria? – perguntou a mãe de Mayu.

— Senhor Brion Bivalvan, estarei muito feliz em te servir hoje! — disse um velho escravo que foi selecionado para ser a montaria do filho da família.

— Não se preocupe comigo, você deve estar muito cansado – disse Brion.

— Ei, você, fique no chão – ordenou ao escravo a mãe de Brion.

— SIM. – O velho se abaixou.

— Você sabe que eu odeio essas coisas, mesmo assim, me arrasta para cá – retrucou Brion.

— Deixa de ser estraga prazeres, você só está assim porque deixamos você com aquela miserável da Sakura. Eu sabia que era uma péssima ideia – resmungou Vanessa.

— Esqueça esse menino, Vanessa, ele sempre foi estranho, não tem porque perder tempo com ele — disse o pai de Brion.

— É obvio que eu não desistirei dele, ele vai começar a pensar como um membro da alta sociedade – retrucou a mãe.

— Faça como quiser, continue tentando colocar juízo na cabeça desse moleque, só não quero mais ter que pedir à minha escrava pessoal para limpar o sangue dele durante suas “lições”– disse o pai.

— Brion, você precisa sorrir mais, fique mais alegre, irmãozinho. Quem sabe podemos comprar um escravo novinho para brincar com você – disse Mayu.

— Eu acho bem desconfortável sorrir em um lugar desses – disse Brion pensativo.

— Só dessa vez, velho, pode se retirar daqui – ordenou a mãe de Brion.

— Sim, senhorita. – O escravo saiu como foi ordenado.

— Bom.....Eu vou tentar gostar desse lugar – disse Brion desconcertado, porque diferente dos membros da sua família, ele nunca gostou do modo como eles tratavam os outros, por isso, sempre estava apanhando de sua mãe.

Notas finais
Esse arco talvez seja um pouco mais sombrio que o anterior Mas enfim, espero que estejam gostando da história até aqui e espero que gostem bastante do Arco de Arcádias!