A Ordem de Drugstrein
92 Outro Exame para Mestre - Parte 5
Capítulo 091
Outro Exame para Mestre (Parte 5)
— Thays! Thays, cuidado!
A Cyren despertou de seu choque devido a morte que havia causado mesmo sem a intenção apenas após Gorgar alertá-la quanto ao mestre inimigo tentando passar por suas defesas.
Seu primeiro sentimento com relação àquilo foi de raiva. Aquele homem estava tentando aproveitar-se de um momento de fraqueza dela enquanto seu companheiro de ordem havia perdido a vida há poucos segundos.
Antes da Cyren realmente agir, entretanto, percebeu que o que ele fazia na verdade era o mais sensato. Ela era a ameaça naquela situação. Um oponente que nenhum deles conseguiria vencer sozinho e que poderia facilmente matar os magos mais fracos em um instante e, justamente para protegê-los, aquele mestre tentava eliminar a ameaça o mais rápido possível.
Thays sempre quis chegar naquele ponto como maga. Poder enfrentar qualquer oponente sem medo de ser subjugada facilmente por alguém com um poder muito maior que o dela. Então porque não se sentia realmente feliz com aquilo?
Aqueles magos que a enfrentavam deviam estar se sentindo tão aterrorizados quando ela quando enfrentara Sellene Rovkraz ou Rantred Eisen. Naquele caso, ela era a maga cruel que havia assassinado um de seus amigos.
E o pior de tudo aquilo era que, mesmo entendendo como eles deviam estar se sentindo, ela não podia simplesmente deixá-los sair dali e seguirem com suas vidas. E foi exatamente por isso que Thays conjurou um poderoso crisis katris contra o mestre que tentava desesperadamente superar suas defesas.
A explosão de fogo avançou vigorosamente enquanto as esferas do crisis sapris afastavam-se e assumiam seu lugar às costas de Thays. O alvo do feitiço saltou para trás quase que por uma reação instintiva enquanto conjurava um escudo de energia. Apesar da grande força ofensiva, ele conseguiu defender-se de maneira satisfatória e quase sem sofrer ferimentos.
O próximo passo da baixinha de cabelos azulados foi conjurar um ryado que se espalhou pelo chão, congelando tudo a sua volta e estendendo seus braços gelados para todos os oito inimigos restantes.
Sem uma aura poderosa ou reflexos o suficiente para escapar, os magos e até mesmo um dos mestres acabaram ficando presos pelo gelo que se espalhava pelo ambiente. O próximo feitiço de Thays foi um tangrea visando atingir a todos os presentes.
Três dos magos foram atingidos e acabaram perdendo a consciência no momento em que sentiram a poderosa descarga elétrica. A garota que chorava pela morte do amigo – ou talvez mais que um amigo – estava entre eles. Os que permaneceram em pé para o combate apenas o fizeram porque receberam ajuda da mestre de cabelos ruivos.
— Eu não quero ferir gravemente e muito menos matar mais nenhum de vocês – disse Thays, alto o suficiente para que mais pessoas além daqueles cinco ouvissem o que dizia. – Mas não vou poupar esforços para vencer esta batalha e acidentes podem acontecer, então sugiro que saiam daqui enquanto ainda podem.
Ela não tinha mais realmente vontade de lutar e nem tampouco reais esperanças de que aquelas palavras teriam algum efeito em seus inimigos, mas tinha que tentar. Apesar do sentimento de culpa que a consumia, a Cyren realmente não pretendia perder o combate e preparou-se para atacar novamente assim que percebeu que o inimigo realmente não se renderia.
* * *
Com gelo e eletricidade as duas mestres de Zeneth tentavam derrubar Katherine o mais rápido que conseguissem. A Sttiken, no entanto, utilizava toda sua experiência e poder para se defender ou esquivar enquanto aguardava a melhor oportunidade para contra-atacar.
E esta oportunidade surgiu no momento em que Katherine defendeu-se de mais uma descarga elétrica com um aurus pinn conjurado apenas com seu braço esquerdo e percebeu que Lilla Sayer havia demorado um pouco mais do que o normal para atacá-la em conjunto com Mira.
A mestre de elite aproveitou muito bem aquela chance para conjurar um crisis katris com sua mão livre. As chamas avançaram em linha reta contra Mira, que conseguiu saltar para trás e se proteger instantes antes da grande explosão. Apesar disso, foi arremessada para trás com força e caiu no chão, por onde rolou sobre o próprio corpo algumas vezes antes de finalmente parar caída no solo pedregoso.
Lilla, por sua vez, tentou compensar sua falha utilizando uma grande quantidade de aura em seu próximo feitiço ryado, que avançou na forma de uma massiva rajada congelante.
Katherine cogitou a hipótese de simplesmente se defender daquilo com um aurus pinn. Levou apenas uma fração de segundo para mudar de ideia no último instante.
Contrariando qualquer expectativa da mestre de elite de Zeneth, a Sttiken avançou sendo impulsionada por sua aura. Seguiu em frente mesmo após ter o corpo castigado pelo gelo. O braço esquerdo era utilizado para amparar o feitiço adversário, mas defendia-se apenas com a forte aura de Katherine e começava a se congelar gradativamente.
A Sayer sentiu-se confiante de que a adversária havia a subestimado e feito um movimento arriscado demais e que aquilo iria custar a ela aquele combate. Com isso em mente, forçou-se a utilizar a maior quantidade de aura que conseguiu naquele feitiço e a rajada de gelo intensificou-se, aumentando tanto em tamanho quanto em intensidade.
Katherine ignorou a dor em seu braço esquerdo e continuou avançando, quando chegou a menos de três metros de sua inimiga colocou ainda mais aura em suas pernas e avançou aquela última fração de terreno em um instante. Enquanto o fazia, movimentou o braço esquerdo para o lado rapidamente, criando uma breve abertura na rajada de gelo. Esticou seu braço direito, então, e tocou o peito de Lilla com sua mão espalmada.
O tangrea que a Sttiken conjurou foi fulminante, atingindo a outra mestre a queima roupa e praticamente sem chance de defesa. O impacto foi tão forte que fez com que ela fosse arremessada uns três metros para trás e caísse no chão de costas.
Enquanto usava sua aura para descongelar e recuperar o braço esquerdo, Katherine aproximou-se e abaixou-se ao lado de sua oponente caída. Constatou que o coração da mesma havia parado de bater após o terrível choque que recebeu. Conjurou um breve ressin apenas para que o órgão voltasse a funcionar novamente. Ela havia julgado a adversária como uma boa pessoa e a desejava como prisioneira e não como cadáver. Quando aquela guerra acabasse, Zeneth certamente deixaria de existir, mas seus magos poderiam integrar outras ordens ou guildas e continuar a defender os domínios humanos em Wesmeroth.
Virou-se para Mira, que estava sendo curada por um mago branco alto e magro de sua ordem. Uma garota que possuía os maiores seios que Katherine já havia visto colocava-se em frente ao mesmo na intenção de protegê-lo e o mestre da equipe avançava para atacá-la.
A Sttiken suspirou enquanto terminava de curar seu braço e preparava-se para voltar ao combate. Havia derrotado sua adversária mais perigosa, mas haviam outros a serem vencidos.
* * *
O raio de energia destrutiva seguiu em linha reta no momento em que foi conjurado por Kayan. Assim que percebeu que seu adversário pretendia defender-se com um escudo de energia, o mago negro uniu seu braço esquerdo ao direito e enviou ainda mais de sua aura para seu feitiço.
O contato do durhan tangrea contra o aurus pinn causou um impacto estrondoso que fez com que alguns dos magos que estavam a mais de trinta metros de distancia se assustassem e se recolhessem pouco antes de retomarem seus devidos combates.
Enquanto o Atreius forçava seu feitiço contra o escudo do adversário, diversas bifurcações surgiam em forma de arcos voltaicos que também dirigiam-se contra Zillan. Mesmo aquelas fagulhas do durhan tangrea seriam suficiente para penetrar a carne e ferir os músculos de um mago comum, mas a aura do granmestre de Zeneth era tão poderosa que conseguia repelir aqueles fragmentos do feitiço com facilidade.
Normalmente aquele tipo de impasse começava a se provar desvantajoso para o mago que atacava, uma vez que feitiços ofensivos geralmente consumiam mais energia que os defensivos. Algumas ofensivas, entretanto, começavam a enfraquecer as defesas do oponente a partir de certo ponto e era com isso que Kayan contava quando continuou forçando sua aura a fortalecer o máximo que podia seu durhan tangrea.
Apesar dessa determinação em enfraquecer as defesas de Zillan depois de algum tempo, Kayan passou a desconfiar de que seu adversário planejava alguma coisa, pois sua aura estava começando a se manifestar de maneira diferente.
Uma das coisas mais difíceis que havia para um mago fazer durante um combate intenso era conseguir conjurar um feitiço ofensivo ao mesmo tempo em que não deixava sua defesa ceder e ser atingido pelo feitiço que o pressionava. Zillan, entretanto, não era um granmestre sem motivos e sua experiência e habilidade em combate permitiram que ele diminuísse a aura enviada ao seu escudo por um instante para conjurar um feitiço de sua própria autoria chamado clayn crisis.
O mago de mais de sessenta anos deu alguns passos para trás e sentiu um amortecimento em seu braço esquerdo enquanto ele diminuía a força de seu aurus pinn em prol de lançar o feitiço com a mão direita que ele apontou em direção ao solo. Assim que terminou sua conjuração, voltou a fortalecer sua defesa no exato momento antes dela ser completamente destruída pelo feitiço ofensivo de seu oponente.
Kayan apenas pode ver as chamas que saíram da mão direita de seu oponente e, aparentemente, entraram no solo pedregoso do local. Tudo o que ele sabia era que aquele era um feitiço novo, provavelmente desenvolvido pelo próprio Zillan e que poderia ser muito perigoso. De fato, caso o Atreius não tivesse aprimorado tanto suas capacidades de leitura de aura, provavelmente seria pego totalmente desprevenido pelo que viria a seguir.
De maneira fulminante e poucos segundos após a conjuração do feitiço de Zillan, a terra sob os pés do mago negro começou a tremer. Ele sentiu a poderosa aura que vinha a seu encontro uma fração de segundo antes do enorme jato de fogo surgir do solo. Aquele gêiser flamejante subiu a mais de vinte metros de altura e levou consigo boa parte da terra e pedras do solo.
Evitando por muito pouco de ser atingido, Kayan saltou para trás o mais rápido que seus reflexos e aura permitiram, abandonando sua ofensiva no processo.
Aquele era um feitiço único e impressionante, ele tinha que admitir. Podia apenas imaginar como funcionava, mas talvez nem mesmo Thays, que era especialista em controlar o fogo precisamente, pudesse saber como exatamente ele funcionava.
Assim que as chamas se extinguiram, Kayan pode ver Zillan apontando ambas as mãos para o solo e o fogo que saia das mesmas e se infiltrava na rocha. Aguardou alguns segundos para que a ofensiva se completasse, mas nada foi visto além do sorriso debochado do granmestre.
Era impossível para Kayan determinar com precisão quanto tempo o inimigo poderia manter aquele trunfo apenas no aguardo para utilizar na melhor hora possível. Também não havia meios de descobrir quanto da aura do granmestre era consumida ao manter o feitiço ativo.
Sem nenhuma daquelas informações, tudo o que restava ao mago negro era pagar para ver, então decidiu pagar enquanto atacava da melhor maneira que poderia. Colocou sua mão esquerda sobre o antebraço direito e a puxou enquanto a lâmina com cerca de cinquenta centímetros de comprimento surgiu através da conjuração de um giudecca.
Kayan avançou em meio a um rápido movimento que seria capaz de pegar a maior parte dos mestres de surpresa. Zillan, porém, não era um mestre qualquer e teve tempo o suficiente para apontar ambas as mãos contra o Atreius e conjurar um poderoso crisis katris.
O mago negro era capaz de conjurar feitiços da esfera da terra sem tocar o solo, mas com um contato direto feitiços mais poderosos e mais rápidos eram possíveis e foi exatamente por este motivo que ele saltou para frente e apoiou a mão esquerda no chão enquanto girava em torno do próprio corpo em meio a uma cambalhota. Nesse meio tempo a terra cinco metros a sua frente elevou-se formando um grande muro circular cujo o raio externo estava voltado para si mesmo.
A explosão de fogo foi devastadora ao ponto de estremecer a terra e causar tanto barulho que poderia ser ouvido do outro lado do campo de batalha. A parede de Kayan foi completamente destruída no processo, restando apenas uma valeta de onde a terra para construí-la foi removida. Grandes pedaços de rocha chocavam-se contra o corpo do jovem mago negro, mas sua aura protegia-o de qualquer tipo de ferimento enquanto ele avançava rapidamente para sua ofensiva.
Uma estocada fulminante foi desferida no momento em que o Atreius se aproximou suficiente do Marcaw, que conseguiu reagir a tempo de conjurar um aurus pinn e defender-se do golpe com capacidade para ser fatal. Uma onde de impacto contendo partículas escuras pode ser visto no exato momento em que os dois feitiços se encontraram.
Zillan decidiu que não deveria, em momento nenhum, subestimar o poder de Kayan e foi com isso em mente que ele defendeu-se utilizando ambas as mãos. Foi uma decisão sensata, uma vez que ele pode sentir a força do feitiço através de seu escudo de energia. Uma vez bloqueado o impacto inicial, porém, ele percebeu que poderia manter-se protegido mesmo que utilizasse apenas uma mão e foi exatamente o que fez.
Com a mão direita livre, Zillan conjurou uma massiva rajada de fogo que almejava o abdômen de Kayan. O mago negro, habituado a duelar em curtas distâncias, conseguiu esquivar-se a tempo o suficiente para minimizar o dano para apenas uma queimadura superficial.
Uma vez que havia escapado do crisis inimigo movimentando-se para sua direita, Kayan continuou sua trajetória mesmo que isso significasse remover a pressão de seu feitiço contra seu oponente. Sua movimentação, entretanto, completou-se com um giro e um novo golpe desferido com o giudecca.
Zillan seria atingido em suas costas por um golpe horizontal da lâmina negra caso não fosse ágil o suficiente para mover seu braço esquerdo e o aurus pinn junto a ele no último momento necessário para se defender. Apesar de conseguir evitar qualquer ferimento, porém, sentiu toda a força do golpe e seu braço sendo pressionado para trás.
O granmestre de Zeneth sabia que se aquilo continuasse daquela maneira as chances dele ser derrotado eram muito altas. Ele já havia percebido como seu oponente era ágil e que a velocidade de Kayan era certamente maior que a dele próprio. Ele tinha que colocar alguma distância entre si próprio e seu oponente o mais rápido que pudesse. Com isso em mente, Zillan movimentou-se para frente logo após defender-se do golpe horizontal que almejava suas costas, virando o corpo no processo.
Kayan viu naquele movimento de seu adversário uma grande chance para atacar novamente e acompanhou a trajetória de Zillan com precisão. Uma nova estocada surgiu no momento em que alcançou seu oponente, que foi obrigado a conjurar seu aurus pinn novamente. O mago negro deixou um meio sorriso escapar ao perceber que daquele vez havia chegado ainda mais perto de atingi-lo que das outras duas tentativas.
O Marcaw tinha a convicção de que não deveria manter aquele combate corpo a corpo de maneira alguma e focou seus esforços em afastar-se dali. Tinha duas conjurações de seu feitiço clayn crisis aguardando para serem usadas, mas não poderia fazê-lo enquanto seu inimigo estive tão próximo. Procurou afastar-se novamente e mais uma vez foi perseguido. Aquilo era esperado e ao mesmo tempo em que se defendia com um aurus pinn, conjurava um jinn para criar uma forte ventania que afastaria seu adversário para uma distância suficiente para dar-lhe espaço para um contra-ataque.
Kayan protegeu-se com sua aura no exato momento em que a rajada de vento atingiu-o. Apesar disso, a força do vento foi suficiente para elevá-lo no ar a uns três metros. Sem tocar o solo havia pouco que ele pudesse fazer para se esquivar do feitiço que avançava para castigar seu corpo. Sendo assim, o Atreius desfez a conjuração de seu giudecca e posicionou ambas as mãos em direção ao solo, conjurando um aurus pinn.
As chamas e rochas incandescentes subiram com grande velocidade, atingindo o mago negro com precisão. O escudo de energia de Kayan foi forte o suficiente para evitar que o impacto inicial o ferisse gravemente, mas a elevada temperatura castigava seu corpo independentemente disso.
O Atreius foi lançado ainda mais para o alto ao receber as chamas, que extinguiram-se segundos após o impacto inicial. Kayan caiu em pé a alguns metros de distância do granmestre e aguardou uma nova investida, mas a mesma não veio. Apesar disso, tinha certeza de que não seria fácil se aproximar de seu oponente novamente. Principalmente porque o mesmo conjurava mais dois de seu feitiço surpresa.
— Feitiço interessante este seu – disse o Atreius enquanto recuperava o fôlego.
— Até agradeceria o elogio, caso nossa situação não fosse esta em que cada um deseja matar o outro – respondeu ele, também agradecendo a bem vinda e momentânea pausa.
— Este feitiço tem um nome?
— Sim, mas fui pouco criativo quanto a isto. Chama-se clayn crisis.
— Realmente, pouco criativo, mas expressa bem o que ele faz. Sabe, eu também tenho algo novo a mostrar, mas ainda não dei um nome e não o considero totalmente finalizado em questão de desenvolvimento.
A atenção do granmestre foi redobrada para o que Kayan faria em seguida, uma vez que saber o que um novo feitiço faria certamente tornaria mais fácil lidar com ele.
O Atreius estendeu o braço direito, o punho fechado em direção ao inimigo e uma energia enegrecida surgiu de dentro do mesmo. Kayan, então, pousou a palma da mão esquerda sobre o punho fechado e puxou-a para o lado em um movimento rápido e gracioso. Uma lâmina negra repleta de inscrições rúnicas surgiu junto ao movimento.
Sorrindo ao ver a expressão de surpresa no rosto de seu oponente, Kayan girou em sua mão a espada criada através do novo feitiço que tinha por base o giudecca. Era uma espada bastarda com a lâmina larga e cento e vinte centímetros de lâmina. Apenas o maior alcance já era algo com o que se preocupar, mas o fato de Kayan conseguir manipulá-la de maneira tão habilidosa também era algo que assustava o granmestre.
Sem dar mais tempo para que o oponente pensasse, o Atreius avançou com uma velocidade surpreendente enquanto Zillan mantinha-se determinado a não deixar o duelo chegar a um confronto corpo a corpo.
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