A Nova Vida
2 A Minúscula Cidade
Notas iniciais
Mesmo com tudo resolvido em me mudar para Forks, minha mãe insiste em me dizer como agir, como me comportar lá, coisas como ser uma 'boa garota' e tentar me dar bem com todos, ela fez questão em dizer que se houvesse algum tipo de problema em Forks, eu seria mandada para um tipo de internato o mais longe possível, repleto de freiras e tudo mais. Mas eu já estou acabando o ensino médio e finalmente não terei que escolher entre Phoenix e Forks, por mais que Forks fosse a ultima das opções. Venho pesquisando algumas universidades, meu pai faria de tudo para conseguir me mandar para o lugar mais distante possível do Jacob, ele tinha escolhido uma universidade no Canada, sem chances eu iria pro Canada! Ainda não me decidi, mas estou entre Stanford na California e Yale em Connecticut, por menos que pareça, eu tiro notas boas o bastante para entrar em Stanford ou Yale, são universidades caras, mas minha família não tem problema com dinheiro. Mas é cedo demais para pensar nisso, primeiramente preciso pensar em algum trabalho extra-curricular tanto Yale quando Stanford exigem trabalhos extra-curriculares, mas vai ser muito difícil achar algum em Forks.
Agora é a hora de pegar o avião e eu tô mais que nervosa, eu estou quase tremendo enquanto minha mãe me olha estranho
– Sem problemas por favor, querida. -ela diz sorrindo
– Mãe, pelo amor... Vocês estão se livrando de mim, já chega de discurso.
– Renesmee! Nós não estamos nos livrando de você!
– Ah, é mesmo?! Vocês não conseguem nem encarar isso de frente, mãe!
– É só por um tempo querida, você pode voltar.
– Não, não vou -digo sorrindo com a ideia de ir para Stanford
Oque me deixa mais puta nisso tudo, é que minha mãe ainda acredita que depois de mandar para longe, eu ainda vou querer voltar. Talvez eu sinta saudades e queira, mas eu rezo para que isso não aconteça. Pensando bem, talvez eu volte... Ainda não consegui superar minha leve 'quedinha' pelo Jake, oque me faz revirar os olhos só de pensar que eu posso estar gostando daquele idiota.Ele disse que me ligaria, mas cansei de esperar, ele tem a vida dele e agora, finalmente, eu tenho a minha! Ele mesmo tendo a vida dele, ainda fica em cima de mim, ou ficava, como é o caso agora, já que vou passar um bom tempo sem vê-lo, meu pai fez questão de pegar meu celular, então, sem mensagens nem conversas. Talvez eu prefira Forks em vez de Phoenix, por mais que eu ame o clima de Phoenix e o sol perfeito de toda manhã, mas em Forks eu não vou ter meus pais em cima de mim me dizendo oque fazer e como fazer, oque sempre acontecia quando eu saia com
minhas amigas, eram coisas como "Não faça isso" "Não faça aquilo", eu realmente me surpreendo em como meus pais me viam antes de tudo acontecer, me surpreende como ele nunca conseguiram ver quem eu realmente sempre fui.
Talvez eu devesse estar feliz em subir nesse avião, eu deveria, pois estou meio que me libertando, mas não estou, realmente vou sentir saudades dos meus pais, mas é por uma boa causa, livrando a pele do Jacob. Eu nunca esperaria isso de mim mesma, me fuder por causa de alguém, mas eu fiz isso por ele, acho que ele meio que me mataria se soubesse que eu fiz isso pra salva-lo.
Quando cheguei em Forks não tive surpresa alguma, além de ser manhã e não ter a se quer um sinal do sol, estava chovendo. Bufei só em pensar que o resto dos dias seriam daquele jeito, eu só consigo repetir na minha cabeça que faltam apenas 3 meses até a formatura, eu realmente não faço ideia de onde vou trabalhar para me ajudar no meu currículo, mas pedi algumas dicas do Charlie enquanto ele me trazia para sua casa, ele disse que em Forks é meio difícil de achar, mas iria me ajudar. Estou pensando em algo como biblioteca ou ajudante da secretaria no colégio de Forks, por enquanto, até Charlie me dar dicas em que posso trabalhar, essas são as únicas coisas em que consigo pensar, sou ótima em coisas que envolvem leitura e papeis, mas não me considero nerd.
Quando cheguei Sue me deu um abraço e me fez algumas perguntas sobre meus pais, mas deu para perceber que aquela não era as perguntas que ela queria fazer, ela realmente queria saber porque os meus pais me mandaram para Forks, já que todos sabem que eu odeio esse lugar. Sue é bem legal comigo, bem mais normal do que a minha família. Eu fiquei com o quarto da minha mãe, na verdade, ex quarto, se é que isso existe, mas já que ela não mora mais aqui, acho
que é meu. Meio apertado, mas com certeza, mais arrumado que o meu. Ainda preciso arrumar minhas coisas, mas não estou com a mínima vontade.
Sue me chamou a um tempo para ir almoçar, fiquei igual a uma louca procurando meu celular, até lembrar que ele não existe mais. Então, acho que com isso, eu preciso descer.Escuto algumas vozes do andar de baixo, com certeza Leah e Seth chegaram de eu sei lá onde. Prefiro descer as escadas devagar sem querer chamar toda a atenções para mim, mas é impossível. Seth e Leah estão na porta discutindo sobre algo e rapidamente param e começam a me encarar.
– Digam “oi” para a Renesmee… -Sue diz sorrindo para mim tocando o ombro do Seth.
– Oi. -Leah diz séria, como se estivesse sendo obrigada a dizer isso.
– Oi! -Seth diz sorrindo
– Oi… -digo descendo o resto dos degraus e sorrindo pro Seth.
Nossa! Que longa conversa, bem produtiva, foi a conversa mais longa que eu já tive com os dois, sem brincadeira alguma. Geralmente no pouco tempo que eu passava em Forks, Seth e Leah mal olhavam pra minha cara, oque mais me deixou assustada foi o Seth ter sorrido daquele jeito para mim, posso jurar que vi seus olhos brilharem… Mas deve ser besteira, talvez ele tenha se sentido no dever de sorrir para mim, pelo mesmo modo que sua irmã havia aberto a boca para falar comigo.
Charlie está lendo jornal na mesa da cozinha, enquanto nos espera.
– Procurando algo? -pergunto me aproximando
– Já tem algo na cabeça? -ele pergunta parando de ler o jornal e me olhando.
– Talvez a biblioteca… Ou alguma ajuda no colégio…
– Eu posso falar com o diretor sobre isso…
– Mesmo? -eu digo arregalando os olhos.
– Claro!
Sem pensar duas vezes eu simplesmente corro ate o Charlie e lhe dou um abraço. Ter o Charlie nisso, deixa tudo mais fácil, já que ele é policial e além de tudo, conhece todos da cidade,vai ser perfeito.
Charlie decidiu que vai ainda hoje no colégio fazer minha matricula e falar com a diretora, sei que esse pequeno ‘trabalho’ no colégio pode não ser muito, mas é só por enquanto, enquanto eu vou me adaptando a tudo, depois procuro algo mais sério, ou sei lá. Na época do meu ‘probleminha’ com a policia, Charlie estava afastado, então não pode fazer nada para que não me procurassem ou me incriminassem por algo que não fiz. Mas ele mesmo assim, não pode fazer nada sobre isso, mas me deixou claro que tudo já tinha passado, mas sim, ainda precisava da identidade falsa, mesmo que a ideia de que aquilo tinha sido ideia da minha mãe, estivesse o assustando.
Estou no sofá cansada obviamente, Leah está ao meu lado dando risadas enquanto mexe no seu celular, eu me sinto super inconfortável aqui, tipo... Me sinto uma estranha, espero que isso fique melhor com o tempo, pelo menos que com o tempo ela não me olhe com nojo.
Choro de criança estão vindo do quarto dos fundos, com certeza deve ser o Thomas, não sei como não percebi a falta dele.
– Leah! Por favor! Vá ver seu irmão. -diz Sue, enquanto faz algo na cozinha.
Sue fala mais umas 3 vezes para Leah ir no quarto, pegar o Thomas e ela simplesmente, está nem ai. Me depôs a ir dar uma olhada nele, mas é bom deixar claro que crianças me assustam e eu simplesmente não sei como agir, quando estou perto de uma. Entrei no quarto e observei bem onde o berço se encontrava, Thomas chorava alto, alto até demais para ignorar (como Leah havia feito), me aproximei, para pelo menos ver se ele estava bem.
Dei passos leves até o berço, Thomas é um bebê pequeno, bem, com três anos, acho que não é mais um bebê, mas ainda não sei exatamente porque ele dorme no berço, mas pelo que lembro, Sue e Charlie sempre fazem oque ele quer, talvez não goste da cama. Thomas parou de chorar logo que me viu, sorriu para mim mostrando seus pequenos dentes.
– Você leva jeito! -alguém disse entrando no quarto.
– Quê? -disse me virando para olhar
– Thomas, ele não se dá muito bem com estranhos.
– Acho que ele lembra de mim, mas como?
Seth me encarou por um tempo com os olhos arregalados, como se eu tivesse perguntando algo como difícil de se responder, mas com certeza não foi.
– Não sei -ele mentiu
– Seth, você é péssimo em mentir!
– Eu sei gatinha! -ele disse dando um jeito em suas mangas da blusa, deixando mostrar seus músculos do braço, Seth deve ter uns... 18 ou 19 anos? Não faz muito tempo que o vi pela ultima vez, e ele não era tão gostoso assim. Tento controlar meus pensamentos sobre isso, não quero acabar sendo desastrada e deixar escapar algo.
– Então, é seu irmão... Então... -eu disse me afastando do berço e dando um sorriso sem graça pro Thomas, ele ainda continuava sorrindo para mim.
Seth ficou lá, parado me esperando passar por ele, para colocar seu corpo no meu caminho.
– Fiquei sabendo que você vai estudar aqui dessa vez. -ele diz mordendo os labios.
– É, vou. -digo sorrindo
– Podemos ir juntos. -ele diz me encarando com um sorriso torto no rosto
– Pensei que você frequentava aquele colégio na reserva, aquilo realmente existe? É estranho.
Desde que me lembro, Leah e Seth viviam na reserva, nunca fui interessada nesse lugar, me parece meio obscuro, ou sei lá. Para aquele lado só tem arvores e mais arvores. É onde o pai do Jake vive com uma das irmãs dele, Rachel... Não é uma das melhores pessoas do mundo e com certeza, nunca vai ser, aquela garota me dá arrepios. Sempre me perguntei porque Jake se mudou para Phoenix junto com meus pais, ele sempre me disse que era porque em Phoenix era bem melhor de se ter uma vida melhor ou algo assim, mas vamos combinar, que é uma mentira, ele nunca foi bom em mentir, na verdade, acho que eu que sou muito boa em saber a verdade no rosto das pessoas, é como um dom. Antes de tudo acontecer, perguntei ao Jake porque ele nunca vinha comigo para Forks, sabe, os finais de semana que eu passava aqui, ele nunca se interessou em vim, mas era tipo uma chamada à cada minuto ou mensagens, uma atrás da outra, ele simplesmente enxia meu saco.
– Tô passando um tempo na escola de Forks, sabe, problemas na reserva. -ele realmente está dando em cima de mim? Ele está sorrindo para mim faz tempo e isso me deixa com vergonha.
– Ah.. Então, tchau. -digo tentando sair do quarto, mas onde eu vou, seu corpo vai atrás, me impedindo de sair.
– Quer sair comigo?
– Quê? -digo rindo, só pode ser uma piada.
– Sair, sabe, dar uma volta...
– Você é meio que meu parente...
– Não exatamente, não temos o mesmo sangue.
Seth insistiu tanto, tanto... Que acabei cedendo, revirei meus olhos a aceitar. Deixei claro que seria algo como... Como se ele estivesse me mostrando a cidade, já que eu nunca tinha tempo para sair por ai conhecendo a minuscula cidade de Forks. Não acredito que o Seth está dando em cima de mim, ele não tem vergonha? Isso é meio que errado, não? Deixei claro coisas como: sem mão, sem encarar e por cima de tudo, sem se aproximar demais, chega a ser nojento.
Fale com o autor