A Nova Seleção
26 Eu ainda posso te surpreender
Notas iniciais
"Na verdade é muito mais fácil alcançar a felicidade do que adotar a felicidade." – Gossip Girl
Selecionada Luna Scarlett
Minhas mãos tremiam diante de tanta ansiedade. Eu tentava me controlar em não sair correndo ou apertar a mão de Helena e parecer menos corajosa do que queria aparentar ser. A propósito, Lena estava aparentemente tranquila, erguendo levemente as sobrancelhas enquanto descíamos várias escadas, atravessando guardas em seus postos. Meus olhos saltaram quando adentramos um salão escuro e repleto de cadeiras vermelhas com um gigante telão no centro. Sebastian nos deixou alegando ir buscar pipoca. Lena e eu nos sentamos nos confortáveis acolchoados vermelhos e ficamos ouvindo a respiração uma da outra.
– O que você acha desse encontro? — Indagou ela, relutante.
– Interessante, confesso. — comecei. — Sabe, ele mesmo disse que não tinha tempo e tals, mas será que ele não quer acabar logo com isso?
– Não precisa ser insegura, Luna — sorriu amigavelmente. — Ele é legal, só deve estar sem tempo. Sabe, príncipes e suas responsabilidades. Normal.
– Entendo — suspirei.
Helena era tão segura de si! Uma pontada de inveja passou por mim, mas logo tratei de afastá-la. Passei a mão pelo meu vestido verde-claro e solto e fitei Helena.
– Ainda não posso acreditar que fizeram aquilo com você — disse ela. — Foi tão desumano! — Exclamou.
– O que é tão desumano? — Sebastian chegou com três baldes enormes de pipoca.
– Deixa que eu te ajudo. — Helena se levantou e pegou um dos baldes.
Sebastian entregou um para mim e sentou na cadeira do meio.
– Peço novamente desculpas, meninas. — começou. — Sei que é injusto com vocês, mas prometo compensar com um encontro á sós com cada uma de vocês.
– Não precisa se desculpar — murmurei.
Sebastian piscou para mim e pegou um controle do bolso. Eu não tinha ideia do quão encantadores príncipes podiam ser. Quando pudesse, pediria para ele nunca mais piscar para mim; eu ficara tão envergonhada e corada como um tomate e apostava tudo que ele vira. O príncipe não tinha nada a ver com aqueles que saiam pegando princesinhas por ai, ele mostrara ser um cara extremamente bacana.
Durante a seção do filme, Sebastian se revezava em colocar o braço em nossos ombros ou comentar algo engraçado, ele até dissera sobre meu cabelo: "Eu jamais pensaria que era uma peruca, aliás, você fica linda de qualquer jeito Luna!"
A comédia de uma hora e meia, aproximadamente, fez com que eu ficasse corada a cada elogio ou risse dos comentários bestas que Sebastian fazia. Helena sorria e brincava bastante, parecíamos um trio inseparáveis de amigos. Já no final, percebemos que sequer tínhamos assistido ao filme.
– A companhia das senhoritas foi a melhor parte do meu dia — ele disse, beijando a mão de cada uma.
– O nosso também. — Respondeu Helena olhando para ele com um belo sorriso nos lábios.
Caminhamos para fora da sala, conversando. Fiquei extremamente triste quando o encontro acabou e Lena e eu voltamos para nossos quartos.
Selecionada Monyra
Meus olhos doíam e o cansaço me atingia de forma rápida. Eu não me atrevia a espiar as horas no relógio da biblioteca, pois certamente passara da hora de dormir e se eu fosse pega por um guarda, certamente me encontraria em confusão. Contudo, eu não podia dormir rodeada de livros — por mais que este fosse meu desejo incontrolável, já que minhas pálpebras insistiam e aquele era um sonho ainda não realizado.
Coloquei meu romance na estante e me apoiei, fechei o casaquinho que colocara sobre a camisola cinza e brinquei com a pulseira nova no pulso. Um barulho não me impediu de continuar a caminhar vagarosamente pelas estantes cheias de histórias e uma forte vontade de dormir fez com que meu corpo tombasse para o lado, sendo segurado milagrosamente de cair com tudo no chão.
– Eu sabia que te encontraria aqui — uma voz masculina me despertou aos poucos.
Ele me segurou e me fez sentar delicadamente no chão. Encostei minha cabeça na estante e o encarei, percebendo que ele fazia o mesmo comigo, curioso.
– O que a senhorita estaria fazendo ás duas da manhã fora do seu quarto? — Disse ele, com um sorriso de lado nos lábios.
– Eu nem sabia que estava tão tarde, pode me perdoar? — brinquei, tímida.
– Talvez. — ele entrou no jogo.
– Porque talvez? — Despertei-me completamente.
– Olha, senhorita Stain, se alguém descobrir que você não está sob os cobertores de ouro do palácio — sorriu -, posso me meter numa grande encrenca.
– Ainda não entendi. Mas ficarei te devendo uma.
Ele sorriu novamente. "Qual é, pare de sorrir, está me deixando constrangida!"
– Vou levá-la para o quarto.
Ele me levou novamente para meus aposentos e o agradeci. Se eu soubesse que teria uma ótima aventura para escrever, já teria ficado centenas de vezes dentro da biblioteca. Aconcheguei-me nos cobertores, ciente de um único nome que vira num broche há pouco: Kauê Noszka
Grupos
Selecionada Kamille
– Acho isso muito chato! — Rebateu Barbara. — Essa não é uma ideia atraente.
– Concordo com ela. — Disse Monyra com um livro em mãos.
– Como é que vamos criar uma lei e analisar tudo e apresentar tudo em uma semana? — Falei.
– Calma princesas, o príncipe de vocês chegou.
Um homem calvo, magro e de olhos profundamente azuis, adentrou numa das bibliotecas inferiores. Ele trajava um terninho lilás e um lenço amarelo-gritante no pescoço, sapatos marrons lustrosos e um brinco dourando numa das orelhas. Senti a enorme vontade de rir, mesmo que fosse uma tremenda falta de educação. Aquele deveria ser Blue, nosso instrutor.
Como eu, percebi que as outras meninas também seguravam o riso. Elas também estariam pensando se ele era mesmo... Ou se seu estilo de moda tivesse retrocedido quinhentos anos.
– Sou Vicent Blue, mais conhecido como estilista da rainha Esther, conhecedor experiente de todas as leis e mais outras coisas exuberantes que não veem ao caso!
O cumprimentamos e colocamos nossas ideias na mesa.
– Que tal algo para ajudar os pobres? — Disse Helena.
– Não — ralhou Jasmine. — Qualquer um pode fazer isso.
– E qual é a sua ideia então? — Blue perguntou, curioso.
– Uma lei que aja mais severamente com os criminosos.
– Nossa, você não tem um coração? — Barbara indagou. — Aé.. Você é advogada...
– Ela tem um senso ótimo para justiça, não a subestime — Monyra.
Jasmine bufou e jogou suas madeixas longas e negras para trás dos ombros.
– Se vocês não darão ouvidos á mim, resolvam-se sozinhos! — Exclamou ela. — Sejam criativos! Todo mundo vai fazer algo para ajudar os necessitados e... Agr! Vejo que vocês não entendem meu raciocínio!
– Entendemos sim, querida — Blue chamou a atenção. Tenho o dever de ajudá-las e se todas concordarem, elaboraremos uma lei diferente e inesquecível.
Sorrimos com sua postura confiante. De todo modo, eu estava ansiosa para ver como nos sairíamos afinal.
Grupos
Selecionada Angela
– E qual é a proposta de vocês? — Scott dobrou os braços e estendeu os pés sobre sua mesa.
As meninas e eu estávamos sentadas frente a ele em poltronas confortáveis segurando cadernos e projetos.
– Decidimos por criar uma lei relacionada á Educação — disse Luna. — As crianças das castas Cinco, Seis, Sete e Oito, que fossem menores de onze anos, seriam obrigadas a estudar.
– Mas como fica a situação financeira, já que muitas das crianças trabalham? — Perguntou ele.
Ficamos em silêncio.
– Talvez, as famílias devessem receber cestas de alimentos, isso ajudaria.
Olhamos para o canto da mesa, onde Alyna olhava atentamente para nós.
– Prossiga, senhorita Alyna.
Ela sorriu vitoriosa, porém tímida e continuou. Admiti que a ideia de Alyna, que até aquele momento não se manifestara, era muito boa. Ela estava dando mais ideias e soluções do que qualquer outra no grupo e estava sempre batendo de frente e respondendo sabiamente as perguntas de Scott. Nosso instrutor erguia as sobrancelhas e indicava várias falhas.
– Você parece que quer ver nós fracassarmos — falei por fim.
Ele me fitou e Luna parou de falar.
– O que disse? — Ele franziu a testa.
– Você fala como se nossas ideias fossem idiotas.
Ele sorriu.
– Desculpe-me se causei esta impressão.
Vi um sorriso sacana em seus lábios e ergui uma sobrancelha. Nos encaramos por alguns segundos antes de Melony pigarrear e chamar a nossa atenção.
Durante nossa reunião, sentia o olhar profundo dos orbes azuis de Scott. Perguntei-me se ele tinha vergonha na cara para me olhar tão descaradamente; me surpreendi ao perceber que eu também queria encará-lo.
Sebastian
– E então Sara, você é modelo, certo? — Olhei-a atentamente.
Sara tinha cabelos castanhos-claros, olhos cor de amêndoa e um sorriso tímido. Naquela tarde eu resolvera, após dois encontros no dia anterior, chamá-la. Era muita coisa em minha cabeça. Meu pai me pressionando para escolher logo uma esposa, Scott e Benedct estranhos comigo, ataques rebeldes, minha mãe atarefada demais e Christy brotando em meu quarto todas as vezes em que eu queria apenas ficar sozinho e espairecer.
Ela apertava os braços contra o corpo enquanto caminhávamos pelo jardim.
– Sim.
– Você não gosta de conversar muito, né?
Ela deu um sorriso, como se dissesse: "Desculpe-me".
– As vezes — ela começou.
– Mas como modelo, você precisa ser bem comunicativa. Como é que age?
– Hum.. bem.. minha mãe me ajuda, as vezes, isso quando eu não.. — Ela ponderou.
– Quando você não.... — Incentivei.
– Quando eu não a desaponto.
– Porque uma garota tão legal como você a desapontaria? — Indaguei.
Sarah limpou o suor das mãos no vestido de ceda vermelho e me fitou.
– Eu gosto de ajudar as pessoas e ela não fica muito contente, sabe? E meu pai não apoia muito.
– Você é boa em ajudar as pessoas Sarah, não exite em proibir que os outros tirem isso de você.
Ela sorriu, tímida.
– Obrigada. — Balbuciou.
Sorri, terno.
– Posso ser sincera com você? — Perguntou ela quando paramos para descansar em baixo de uma árvore.
Ajudei-a a sentar e me acomodei-me ao lado dela.
– Claro.
Ela suspirou.
– Eu nunca imaginei que iria conhecer você, sério! — Ela exclamou, contente. — E um encontro? Eu nunca imaginaria!
– Sonho infantil? — rimos.
– Por ai.. — Ela olhou-me com um brilho nos olhos.
Aproximei-me lentamente dela e coloquei minhas mãos em seu rosto, acariciando-o, vi Sarah fechar os olhos com meu carinho e aproximei meu rosto do seu.
– Você me permite beijá-la? — Sussurrei.
– Permito — ela também sussurrou, com um belo sorriso.
Segurei sua nuca, ela tocou meu rosto e selei nossos lábios.
Artigo 1
Agindo sob a proteção máxima de seus líderes, os rebeldes voltaram ao ataque nesta última quinta-feira. Desta vez, a Student Academy Boston (SAB) não foi poupada. Cerca de duzentos alunos e professores/funcionários ficaram feridos, entre eles, o irmão e pai de Audrey Lee Evans, uma das selecionadas. Ambos foram atingidos pelas balas perdidas enquanto visitavam o colégio para doações futuras — a assessoria; Alex Evans chegou a ser socorrido, porém, falecendo no local. Robert Evans era dono de uma rede de resorts espalhados pelo mundo. Agora, toda sua fortuna está nas mãos de sua viúva Charlote White e a filha Audrey, afinal, ela é a herdeira legítima dos bens, apesar da madrasta. Mesmo que perdesse toda e herança, Audrey estaria muito bem amparada. Filha de Ashley Lee, uma das jornalistas mais competentes do país e enteada de Logan Walker, o dono de uma das redes de tevê (Walker TV) mais famosa em Greshtor, ela não tem com o que se preocupar. Estamos destroçados com os acontecimentos que se seguem. Até quando viveremos neste mar de injustiças?
_Reportagem por Emily Monroe
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