A Nova Profecia
4 Capítulo 3 - Nate
Depois de arruinar a festa da patricinha Destiny Parrot, achei melhor deixa-los com os consertos. Ok, foi eu quem causara o fogo na árvore. Mas não foi totalmente a minha culpa. Após dezenas de brigas com Thierry na rua ou em qualquer lugar que nos encontrávamos, finalmente entendi o motivo por trás daquilo.
Enquanto encarava Thierry, pude ver seus olhos se tornarem como fogo. Essa era uma característica de alguns campistas quando eles ficavam realmente irritados. Resolvi deixa-lo e conversar com Joshua Hall distante dali, sobre o grande problema que ele teria de enfrentar.
No Acampamento Meio-Sangue, sentado sobre a madeira da varanda e observando Grover Underwood jogar com o sr. D e com outros dois campistas, ouvi Joshua chegar. Me virei em sua direção, observando-o. Ele parecia bem nervoso com o que estava acontecendo.
— O que houve? – Grover perguntou ao amigo sátiro.
— Lhe contarei em breve – Joshua disse, cumprimentando os campistas e o sr. D. – Preciso falar com você – ele me chamou para longe. Caminhei até um lugar onde não teriam campistas nem ninfas ouvindo o que tínhamos a dizer.
Ele se certificou que ninguém havia o seguido.
— Por que você fez aquilo?
— Queimar a árvore?
Ele parecia nervoso. Eu podia até entender – eu era filho de Zeus. Não era o único, havia a semideusa grega Thalia Grace e o semideus romano, Jason Grace. Porém, o pior era eu estar vivo, sabendo que Zeus quebrara a promessa pela segunda vez. E um filho de Zeus não era algo tão bom no acampamento, sabendo o que podemos fazer (bom, o filho de Hades, Nico di Angelo, era a pior presença no local).
— Tinha mortais lá... Como vão explicar que, em um dia sem tempestade, um raio atingiu uma árvore logo lá?
— Esse é o menor dos seus problemas – respondi. – Você foi designado para proteger Destiny Parrot, aquela semideusa metida e riquinha. Não está fazendo isso mal, mas agora tem outro problema.
— E ele tem nome – pareceu reclamar. – Thierry Thompson. Não seria outro sátiro a cuidar dele?
— Poderia ter sido, mas algo me diz que ele vai ficar sob sua responsabilidade até que venha ao acampamento – sorri. – Destiny e Thierry não se dão bem. O que vai fazer?
— O que tenho feito até agora, protege-los dos monstros até que seja a hora certa.
— Boa sorte com isso – foi sincero. Então, outra sensação me fez pensar em uma possibilidade intrigante.
Enquanto estava lá na festa, senti a presença de um quarto semideus, mas a presença era fraca demais para ser percebida – poderia ser um filho de Hipnos, Deméter ou um deus menor. Mas de certa forma, aquilo me deixava com uma sensação ruim, do mesmo modo quando Nico estava no acampamento. Era uma sensação de morte e dor.
— Tem um quarto semideus nessa história – Joshua disse. – É lá da escola de Destiny, mas não sei quem é.
— O que vai fazer quando descobrir?
— Contar a Quíron. Um semideus não consegue cobrir tanto sua aura... Mesmo um filho de deus menor, ele deveria ter a mesma aura de Destiny ou de Thierry. Mas esse meio-sangue? Tem algo que o protege.
A conversa parou por ali. Ia caminhando na direção do chalé de Zeus, indagando sobre quem era esse meio-sangue e o porquê de cobrir tão bem sua presença. No caminho, vi Percy Jackson – o famoso filho de Poseidon, que agora tinha vinte e um anos – e sua namorada, Annabeth Chase – uma bonita filha de Atena, mas tão assustadora quanto minha meio-irmã ou Clarisse la Rue.
Lembro-me de quando cheguei ao acampamento – tinha dez anos e estava bem assustado, sendo reclamado rapidamente por meu pai e não tão bem recebido pelos demais campistas. Com Percy Jackson, eu não me sentia tão mal quanto naquela época, já que nós éramos filhos dos Três Grandes e compartilhávamos de sensações parecidas. Agora, com o filho de Hades? Quero manter-me distante dele.
— Nate? – Percy franziu o cenho ao se aproximar de mim. – Achei que estivesse no colégio.
— Também achei – respondi. Percebi que não era melhor ficar tratando-os como os demais, e isso incluía Destiny. – Digo, aconteceram algumas coisas, então achei melhor voltar.
— Brigou com alguém? – Annabeth perguntou, como uma boa amiga que ela era. A conhecia há muito tempo e isso me deixava confiar nela. E praticamente, somente nela, em Percy e em Quíron.
Neguei, com a cabeça.
— É sobre os semideuses que Joshua precisa trazer – acabei falando.
— Os semideuses? – agora, ela parecia confusa e curiosa. – Joshua não deveria observar apenas uma menina?
— Sim. É esse problema. Tem outros dois semideuses por perto, um na mesma sala da garota – respondi. – Só que esse meio-sangue sabe acobertar o cheiro dele. Mas sem dúvidas era um semideus.
Annabeth franziu o cenho, tentando entender onde eu iria chegar.
— Joshua não sabe quem é?
— Nem eu sei quem é – respondi, mentalmente me xingando por não conseguir sequer saber quem era o meio-sangue. – Mas tem uma aura de morte.
Annabeth e Percy se entreolharam, então, ela olhou em minha direção.
— Você acha que pode ser um filho de Hades?
— Tem outros deuses ligados à morte, mas não excluo essa hipótese.
Percy não parecia muito contente com isso. Sabia que ele e Nico eram amigos, mas outro filho de um dos Três Grande, principalmente de Hades, não era muito bem uma grande notícia. No entanto, a loura, Annabeth, parecia animada com a possibilidade de outro filho de Hades.
— Eu vou procurar saber quem é esse meio-sangue.
— Deve saber o que ele é, para encobrir o cheiro – Annabeth disse. – Ou há magia nisso.
Aquilo meu deu uma ideia. Uma ideia bem louca, mas me deu. Despedi-me deles, pensando em como eu faria o filho de Hades (ou o meio-sangue mórbido) ser revelado.
Após o domingo quieto, com alguns colegas meus – Carl Lewis, filho de Apolo, e os irmãos Stoll –, a segunda-feira chegou e fui para a escola com a ideia em mente. Que melhor oportunidade do que uma Fúria na escola? Joshua não concordara com a ideia, mas eu não ligava.
Logo durante as primeiras aulas, que eram de Educação Física para o segundo ano, eu decidi fazer algo que os Stoll adorariam fazer. Me afastei da piscina, sem vontade alguma de entrar na água da aula de natação. Vi uma águia voar sobre nós. Bom, a ave águia é o símbolo de Zeus e as águias tendem a me respeitar e obedecer.
De longe, eu observei Destiny, Joshua e a menina que andava com eles.
— Cadê você, querida Fúria? – disse, em um tom baixo. Eu a chamei umas três vezes, até que pude senti-la próxima de nós. Joshua percebeu e Destiny parecia estar alerta, enquanto a amiga deles ia para longe.
Vi a águia pousar perto, observando os três, mas seus olhos se mantinham fixos na menina.
— O que foi? – perguntei à águia.
— Aquela menina... Parece que está prestes a morrer, senhor.
Minha atenção foi para a garota de cabelos negros e longos, que parecia ir ao banheiro feminino. Bom, se ela estava para morrer, não podia fazer nada. Ela era uma simples mortal e era seu destino. Meu problema agora era o semideus escondido. Eu me ergui, procurando a Fúria com o olhar e a encontrei sobrevoando, nada feliz com o fato de eu tê-la chamado.
— O que você pretende filhote de Zeus? – ela vociferou.
— Você odeia semideuses – disse. – E tem um na escola que está se mantendo escondido de nós. Por que não me ajuda a encontra-lo?
— Por que eu ajudaria você?
— Porque eu sou poderoso – respondi. Ela parecia ter se lembrando de uma memória nada legal. A benevolente olhou para Destiny, que ria e brincava com o cabelo de uma das suas colegas. – Você quer aquela patricinha?
O monstro parecia doido para ter a alma de Destiny. Eu não iria permitir, como um bom semideus, mas não parecia uma má ideia não ter que aturar Destiny no acampamento.
— Pois bem, não vai tê-la – esperei que o monstro se fosse. Caminhei até a menina e o sátiro. – Do que estão falando?
Ela me olhou, assustada.
— Você fala comigo – disse.
— Por que não falaria?
— Porque talvez você tenha me ignorado na minha própria festa – lembrou.
Joshua parecia estar irritado com a presença da Fúria. Destiny não parecia vê-la, apesar de ser semideusa. Talvez estivesse cega com seu narcisismo.
— Nate não é muito social – Joshua disse, disfarçando.
— Depende da pessoa – admiti. – Mas prefiro uma noite relaxante, sem ninguém falando em meu ouvido, e com o barulho de uma tempestade.
Ela hesitou, ajeitando a trança do cabelo. Como todas as meninas, usava o maiô da escola e uma saia adequada. Mas parecia diferente em Destiny e eu sabia o porquê. Ela bufou, mexendo as mãos, inquieta.
— Cadê a Carrie?
— Quem? – perguntei.
Ela me olhou, sem paciência.
— Natasha Turner, a minha colega de classe. Uma garota com potencial, mas ela prefere a companhia de livros e de seus desenhos aterrorizantes.
Joshua parecia interessado e surpreso com seu comentário.
— Ela desenha o quê?
— Monstros – Destiny respondeu, deixando Joshua realmente branco. Ele olhou para mim, como se pensasse em uma possibilidade. Mas aquilo era uma grande baboseira, uma garotinha daquelas não teria a mesma aura de Nico di Angelo.
Ouvimos um estrondo vindo dos banheiros. Joshua fez um alto “mé”, mas ninguém pareceu se importar.
— É o banheiro feminino! – Destiny apontou para o lugar de onde viera o barulho e onde havia poeira. – Natasha está lá.
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