CAPÍTULO UM

Foi numa sexta feira chuvosa e fria, atípica na Geórgia, que recebi uma ótima notícia. Ronnie havia se recuperado totalmente do traumatismo craniano. Pelo menos era o que a enfermeira dizia.

- Ela está ótima! Em breve estará voltando para casa ! — Ela disse, mas notando minha cara triste, continuou — Mas... O senhor não parece muito animado com isso ...

Na verdade, eu estava morrendo de saudades de Ronnie. Por mais que a visitasse todos os dias no hospital, graças aos meus meses de férias antes de trabalhar, gostaria de poder falar com ela de verdade, já que depois que ela entrou em estado consciente, não me deixaram mais vê-la…

Haviam 5 anos que conhecia Ronnie. Por mais que nosso primeiro ano de namoro tivesse sido tumultuado, por causa da morte do pai dela e tudo mais, tivemos outros quatro anos maravilhosos juntos, nos formamos na faculdade no mesmo período e estavamos passando férias em Tybee Island e estavamos até pensando em nos casar... Até que, bem, O Acidente aconteceu. Ronnie desde então estava internada no hospital, e há uma semana havia voltado do coma...

- Não é nada... É que gostaria muito de vê-la, de falar com ela... — eu disse para a enfermeira. Talvez dessa vez atendessem meu pedido.

Ela já se lembrava de muitas coisas. De sua infância, de sua família, de sua mudança para a Geórgia, da morte de seu pai, de algumas amizades da faculdade, menos...

- O senhor sabe que a situação é um tanto complicada... Não sabemos qual seria a reação dela ao ver um suposto estranho conversando com ela... — disse ela a resposta que eu já cansei de ouvir.

Sim, Ronnie já lembrava várias coisas em dois meses... Mas não lembrava de mim, de nossos momentos juntos, e talvez nunca mais lembrasse. Eu preferia ter sofrido o acidente dela e morrido a ter que enfrentar essa realidade. Era por isso que eu estava tão desanimado. Mesmo que ela voltasse e eu pudesse conversar com ela, ela não saberia quem eu era. Eu tinha que reverter isso o mais rápido possível. Tinha que me reaproximar dela. E foi quando eu disse à enfermeira :

- Você não está entendendo. Eu preciso vê-la. Você não tem noção do quanto eu estou sofrendo. Eu venho aqui todos os dias para tentar falar com ela, tentar convencê- la de que tudo o que tivemos existiu , e o que eu consigo são notícias que ela se lembrou de alguma época de sua vida que não tenha sido comigo. Você não sabe o quanto isso dói. Você amar tanto uma pessoa e ela nem lembrar que você existe. Não desejo isso nem aos meus piores inimigos. Mas por favor... Deixe essa minha dor passar, nem que seja por cinco minutos.

- Tudo bem, você tem só cinco minutos. Mas não force muito a barra, pode botar tudo o que já progredimos em risco — e ao dizer isso, eu vi uma lágrima caindo de seu olho, por mais que ela disfarçasse.

Eu agradeci, abrindo um grande sorriso. Antes se eu tivesse falado tudo isso no primeiro dia que não me deixaram vê-la .

Entrei no quarto dela, tão calmo, sem nenhum barulho. Obviamente ela estava dormindo. E estava tão linda... Igual ao dia em que a conheci. Lógico que já se foram sete anos, mas parece que para Ronnie o tempo nunca passou. E ela nem tinha mais cicatrizes do acidente, como antigamente. Seu cabelo estavam muito bem tratados, assim como sua pele. Seu corpo, só com roupas de hospital que marcavam sua perfeita silhueta, estava escultural como sempre. Fizeram um bom trabalho para recuperar sua aparência.

E por causa disso eu não resisti. Quando me aproximei para notar o que mais estava igual a Ronnie, conseguia sentir um cheiro doce de jasmin, que fez minha vontade de beijá-la ficar ainda maior. Nossos lábios estavam quase se encostando, e eu me aproximava cada vez mais. Não estava com medo do que estava fazendo, já que Ronnie sempre teve sono de pedra. Eu não esperava que ela acordasse justamente naquela hora, mas foi exatamente o que aconteceu.