Ao chegarmos ao local, encontramos Tómas e Amanda lutando contra um manticore e não estavam lá saindo muito bem: o monstro é bem difícil de derrubar, é forte e persistente, nenhum dos ataques investidos contra ele por parte de nossos amigos não funcionava muito.

_Vocês virão comigo!_ gritava a criatura_ Meu mestre quer vocês!

_Não nos vencerá tão fácil, seu merda do tártaro!_falou Tómas enquanto desferia um golpe em direção ao braço do manticore.

Eu, Louise, Leandro e Christina corremos na direção deles. Eu fiquei entre Amanda e Louise.

_Louise, ataque de longe com seu arco e flecha, ficará mais difícil para ele te alcançar!_ disse Amanda, então ela se virou para todos enquanto Louise se afastava._ Cerquem o monstro!

Fizemos o que ela nos disse e logo ele estava cercado por cinco semideuses.

_Noah, Christina, Leandro... ataquem ele juntos, eu e Tómas o faremos logo após de vocês! Louise, atire a flecha em pontos fracos!_ Amanda gritou outro comando.

Demoramos um pouco para habituar-nos com essa estratégia, porém, quando conseguimos nos acostumar, foi fazendo grande efeito. Enquanto o manticore se distraia com os golpes meus, os de Christina e os de Leandro, Tómas e Amanda aproveitavam a deixa. O monstro, com raiva, ficava cada vez mais previsível e vulnerável aos nossos ataques, o que facilitava para Louise e suas flechas. Apesar dessa vantagem, ainda sim ele conseguia nos machucar, e quem acabou arcando mais com isso foi o Tómas, talvez o monstro não tenha ido com a cara fechada dele.

(...)

Estamos dentro do trem, após a nossa luta com o manticore – que durou um pouco mais de uma hora – nós embarcamos no próximo trem para São Francisco, tivemos sorte de que o nosso trem fosse chegar um pouco mais tarde.

_Ainda bem que temos uma filha de Apolo conosco._ disse Amanda, que estava sentada ao meu lado, já que Louise se encontrava com o Tómas, tratando de seus ferimentos, dois bancos atrás de nós. Havia duas fileiras com cadeiras alinhadas de duas em duas, atrás de nós estava Leandro e Christina, e atrás deles, estava Louise e Tómas. E de novo, tivemos sorte por Louise ter trago um kit de primeiros socorros. Todos nós estávamos com alguma faixa ou esparadrapo nos braços e, às vezes, nas pernas também, ela cuidou de todos os nossos machucados, o que não foi muito difícil: além dela ter saído quase que ilesa, por ter ficado atacando de longe com seu arco e flecha, ela sabia como lidar com esse tipo de coisa (já que seu pai, Apolo, é o deus da cura) e gostava. Amanda se encontrava com uma tira de pano amarrada na região de seu Bíceps e Tríceps do braço esquerdo, com um arranhão próximo ao seu olho direito e os braços sujos, como os de todos nós estavam.

_Pois é, era perigoso se esses nossos machucados inflamassem e viessem a ser sérios problemas._ respondi.

_Exato._ murmurou ela, que se virou para a janela (já que estávamos na fileira esquerda e ela se sentava ao banco esquerdo) e suspirou pesadamente. Foi quando vi melhor o arranhão deixado próximo ao seu olho.

_Não se preocupa com o fato de que esse machucado, perto de seu olho, venha a se torna uma cicatriz visível?_perguntei. Apesar de estar em um local de seu rosto meio discreto, era longo: estendia-se desde a altura da sobrancelha até chegar a sua bochecha.

_Nem um pouco, isso será como algo que me lembrará de que venci uma batalha, por mais que não tenha sido uma de tão grande importância, me lembra a cicatriz que o Luke possui em seu rosto e eu acho que tem uma certa beleza nisso._ respondeu ela, que virou-se para poder olhar-me nos olhos. Ela sorriu com a lembrança do namorado, mas ainda vi preocupação em seus olhos cinzentos, e sabia que não era por causa de um mero machucado bobo que havia sido deixado em seu rosto.

_Maldição, garota! Olha onde toca essa droga!_ gritou Tómas para Louise, arfando de dor causada pelo ardor do álcool presente no pano que ela usava para passar em seus ferimentos, com o objetivo de limpá-los. A maioria das pessoas no trem olhou para os dois, inclusive nós, mas tenho certeza de que Tómas não dá a mínima para isso.

_Estou te ajudando, Tómas. É isso ou ficar com os cortes abertos para se infeccionarem e causaram algo mais grave, o que quer?_perguntou Louise, calma, ainda passando o pano na perna dele.

_Eu quero que você queime nos Asfódelos._respondeu, entre dentes.

_Fico lisonjeada, agora, deixe-me cuidar disso._ ela ainda continuava calma, não ligando para as palavras duras de Tómas. Ela sorria enquanto o limpava, parecendo gostar de que isso incomodasse tanto ele, pensando bem, era divertido. O inabalável e malvado Tómas urrando de dor por causa de um pouco de álcool em suas feridas.

_Pronto, pode ir._disse Louise após terminar de cuidar dele, que saiu sem nem agradecer pelo trabalho prestado por ela.

_Se importa se eu for me sentar com Louise?_perguntei, sussurrando para Amanda.

_Nem um pouco, pode ir._respondeu a filha de Atena, sorrindo.

Foi como se eu e Tómas trocássemos de lugar: eu fui me sentar ao lado de Louise e Tómas se sentou com Amanda, já que era o único assento vazio — não levarei em conta essa coisa de que ele é afim de Amanda, porque mesmo se não fosse (ainda não acho que seja verdade) ele teria que se sentar ali mesmo.

_Ei, o Tómas mandou eu te agradecer._ falei

_Ok, não precisa mentir, Noah. Ele nunca faria isso e a falta de educação dele não me incomoda, sei que no fundo de sua alma, está agradecido pelo que eu fiz, só tem vergonha de admitir. Se eu fosse como ele, também teria, badboys tem uma reputação a zelar._ disse Louise, rindo um pouco.

_Está bem. Cansou-se de cuidar da gente, logo depois do nosso desentendimento com o manticore?_perguntei.

_É, um pouco, acho que vou dormir. Importa-se?_ agora ela que perguntou, com uma voz graciosa. Vou te falar, quando qualquer novato entra no Acampamento meio-sangue, a primeira vista, acharia que ela é filha de Afrodite de tão linda e doce que é.

_Claro que não, você merece um descanso._respondi, não ia negá-la um cochilo, apesar de que queria poder conversar um pouco com ela.

_Obrigada._ ela agradeceu, enquanto encostava sua cabeça em meu ombro e segurava minha mão. Fiquei extasiado, eufórico, uma alegria tomou conta de mim, poderia não ser grande coisa visto de fora, mas é a garota de que eu gosto que segura minha mão e apóia a cabeça em meu ombro.

_D-de nada._ burro, não gagueja!

_Durma, Noah. Você também merece descansar um pouco._ disse sorrindo, quando encostou sua mão em minha cabeça, empurrando-a para de encontro com a dela, com a mão que não ostentava a minha.

_Tudo bem._ e fechei os olhos, sorrindo.