A Nova Geração
5 Capítulo 4 - Recomeços
Notas iniciais
Layla POV
Nunca me senti tão mal em casa. De repente sabia de tudo o que estava perdendo estando lá, não podia abrir mão de tudo que conheci, queria tanto ter liberdade!
Que os Willy me perdoem, mas eu não gosto dos vampiros...nunca consegui perdoar o que fizeram com minha mãe, os deuses impõe regras ridículas a eles, regras que destroem sua própria espécie, mas eles aceitam de cabeça baixa.
Eu tinha só 4 anos, meu pai já estava morto por causa da maldita guerra, minha mãe não suportaria me perder e foi inevitável para ela ir contra sua conduta e roubar sangue do estoque do líder, durante um período de racionamento, quando eu estava à beira de morrer de sede.
Os vampiros deveriam entender, como não podia ser óbvio que deveriam presar pela sobrevivência da sua espécie que estava próxima do processo de extinção?! Mas, o medo de punições mais severas dos deuses sempre fala mais alto e quem vai contra as regras tem que ser julgado.
Desde então sou órfã, os Willy, único clã contra a morte de minha mãe, me acolheram como sua filha, e sou realmente muita grata a isso, hoje tenho até uma irmãzinha, ela tem apenas 9 anos e ainda não entende nada do mundo, espero que quando ela tiver minha idade não sejamos mais submetidos ao isolamento e ela possa conhecer o mundo.
Mas, agora eu vou embora. Com os olhos marejados, peguei minha mala com minhas escassas coisas e a pus nos ombros, decidida. Tinha passado meu último dia, pelo menos presa, com minha família e chegara a hora da minha partida definitiva, abri sorrateiramente a porta do meu quarto, eles nunca me deixariam ir se eu contasse meus planos.
Fui surpreendida ao passar pela cozinha, Annie, minha irmãzinha estava acordada vasculhando o armário quase vazio, antes que pudesse me livrar da mochila, ela me descobriu.
– Ly, você vai fugir?! Vou contar pro papai e pra mamãe!
Ela falou alto demais, enquanto esfregava os olhos, tentando constatar que o que via era real.
– Shhh, não é isso! Eu vou só dar uma volta, logo vocês vão poder se juntar a mim...
Respondi num sussurro audível
–Eu sou pequena, mas não sou burra! Sei que você vai fugir.
Já estava começando a me preocupar, ela sempre era teimosa.
–Annie, por favor...não conta nada pra eles! Eu não aguento mais ficar aqui.
Olhei para ela com um olhar suplicante, esperava que entendesse que realmente precisava sair dali.
–Tá bom... Eu não conto, mas só se você vier nos visitar às vezes e me trazer um chocolate, sempre quis experimentar.
Me segurei para não dar risada e acordar meus pais, chantagem era sempre o jeito dela de resolver as coisas.
–Ok... vou tentar te trazer algum chocolate de vez em quando...
Ela abriu um sorriso e começou a seguir em direção ao quarto, fingindo que não tinha visto nada. Suspirei, aliviada e segui em direção a saída.
–Toma cuidado.
Annie sussurrou baixinho para mim antes de entrar no seu quarto. Por mais que às vezes fosse chata, eu gostava daquela pestinha. Espantei os pensamentos da minha mente e sai rumo a minha nova vida.
Sol POV
Eu já estava agradecendo que aquele vampiro sinistro estava indo embora, quando Melanie resolveu que seria uma boa ideia trata-lo como amigo e pedir dicas! Ele parecia tão surpreso quanto eu.
– Você realmente me surpreende, ruivinha, mas vocês não têm que fazer nada, eu já estou cuidando dos problemas da minha raça.
– Então isso significa que você também tem um plano? Ótimo, podemos juntar nossas ideias e formar uma equipe!
Lúcifer olhou para ela como se fosse um alienígena, mas um alienígena bem engraçado...
– Não me leve a mal, mas não vou formar uma equipe com aliados dos meus inimigos – olhou para Reece e eu – E eu poupei a vida de vocês, não faria sentido leva-los em direção a morte, não durariam um dia contra os deuses.
Melanie estava preste a abrir a boca novamente, mas Lúcifer estava com pressa
– O papo foi bom, mas tenho outras coisas para fazer, adeus.
Ele aperou o passo antes que algum de nós o interrompesse novamente.
– Da próxima vez que um vampiro tentar te matar e resolver ir embora, não chame ele de volta!
Reece reprendeu a ruiva, finalmente voltando a respirar normalmente.
– Mas, ele pareceu ser legal no fim das contas...
Ela deu de ombros e subitamente mudou de expressão
–Temos que segui-lo, não vamos conseguir salvar as raças sem ele!
Reece e eu nos olhamos e tivemos certeza que aquela garota era louca. Falamos em couro.
–Nem pensar...
Tarde demais, ela já corria para o interior da floresta.
–Tenho muitas perguntas para fazer!
Nós dois suspiramos e saímos correndo atrás dela pela segunda vez.
Aurore POV
Os donos da lanchonete definitivamente não eram as pessoas mais normais do mundo, estavam sempre me observando até o fundo da alma, o que me dava calafrios, enquanto eu trabalhava, normalmente limpando o lugar, já que era raro receberem visitantes naquele começo de fim do mundo.
Principalmente agora eles pareciam ansiosos demais com alguma coisa, conseguia ouvir seus pés pisando o chão rapidamente de um lado para o outro e murmúrios penosos impossíveis de se compreender. Faltava cerca de meia hora para o fim de meu expediente e me perguntava se já podia ir embora, mas estava com medo de perguntar aos meus chefes.
Dei um pulo para trás quando a porta do restaurante abriu bruscamente e uma figura musculosa e amedrontadora com uma grande sacola de supermercado nas mãos e cerca de 2 metros de altura, cabelos loiros aparentando seus 20 anos, surgiu destoando completamente do espaço frágil caindo aos pedaços.
Ele também pareceu se surpreender ao me encontrar ali, ele estava com uma sacola em uma de suas mãos como deveria ser um cliente, resolvi usar meus últimos minutos de trabalho para atende-lo
– Com licença, quer pedir alguma coisa?
Ele me encarou confuso, com o mesmo semblante de meus chefes, tentando entender o que eu fazia naquele lugar, minha expressão também começou a ficar cada vez mais nebulosa.
– Mãe, pai, o que tá acontecendo aqui?!
Então era isso... Ele era filhos dos donos da lanchonete, por isso o achei tão familiar, embora tivesse uma aura muito mais jovial e forte do que a de seus pais... Antes que pudesse tirar mais conclusões, a porta do quarto abriu violentamente, e os dois apareceram na frente do filho rápido como mágica.
– Lúcifer, você trouxe o que precisamos?! – A mulher exclamou, seguida pelo pai
– Você demorou, estamos morrendo de sede! Os malditos deu...
O senhor se interrompeu bruscamente ao lembrar que eu estava presente, mas permaneceu ansioso. Do que eles estavam falando, afinal?!
– Sim, Tyr, trouxe... – ele olhou para mim, mais preocupado que confuso – planejavam fazer sua própria comida?
Ele suspirou desapontado, guiando os pais para dentro do quarto e esperando que eu fosse embora. Eu não sairia dali até descobrir exatamente o que estava acontecendo e ter certeza de que eu não era a comida da qual ele falara!
Mas, não tinha coragem suficiente para perguntar diretamente, então fingi que ia embora até perceber que eles estavam fechados dentro do quarto e correr discretamente para detrás da porta.
– O que vocês estavam pensando, os deuses estão quase os descobrindo, combinamos que não se alimentariam mais dos fregueses por um tempo!
– Entendemos o que você disse! Contratamos a garota como funcionária, ela é humana, pensamos que ter alguém normal por aqui ajudaria a despistá-los. Agora, cadê o sangue?!
Ouvi Lúcifer tirar algo da sacola plástica e jogar para os pais. Então era isso, eles eram vampiros! É isso que encontro quando tento fugir dos lobisomens?! Senti minha cabeça começar a doer, aquele parecia ser o emprego perfeito...
Meus pensamentos foram novamente interrompidos pela abertura da porta, dessa vez entraram três pessoas de uma vez, mas só uma delas parecia realmente feliz em estar lá.
– Então é aqui!
Os outros dois que vinham atrás, uma garota e um garoto pareciam atordoados e até horrorizados.
– Como você pode estar feliz?! Acabamos de ver um vampiro tirar até a última gota de sangue de um cara qualquer!
O garoto exclamou inconformado com a mão nos cabelos.
– Acho que é sobrevivência...
A garota ruiva deu de ombros e continuou com sua expressão vitoriosa. A menina asiática de trás finalmente pareceu me notar.
– Oi... Não liga pra eles, são loucos.
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