Bridget acordou no meio da noite, apertada para ir no banheiro. Faltavam poucos dias para completar seu nono mês de gravidez, e o bebe apertava sua bexiga mais do que nunca. Ela se mexeu na cama, com preguiça de se levantar. Bridget olhou para a mão, a luz da cidade era suficiente para enxerga-lá. A aliança parecia pesar quilos em seu dedo, mesmo depois de duas semanas, era difícil acreditar que estava casada.

Ryan estava adormecido ao seu lado. Ele estava deitado de lado, virado para ela. Seus cabelos estavam amassados pelo travesseiro, e seus ombros subiam e desciam lentamente com a respiração.

Ela passou a mão pelos cabelos do garoto, o que fez ele murmurar no sono. Ryan dormia como uma pedra. Bridget sorriu, depois rolou na cama, ela estava apertada demais para ignorar a vontade de ir ao banheiro.

Ela se levantou, andando as cegas pelo quarto. Ela sentiu uma pontada forte. Bridget soltou um pequeno arquejo, colocando as mãos na barriga. Ela cambaleou um pouco pro lado, batendo na cômoda e derrubando algumas revistas.

– Droga – ela disse, se abaixando para pegá-las.

Foi quando ela fez esse movimento, a meio caminho do chão, que Bridget sentiu uma dor cortante, e algo arrebentar dentro de si.

Bridget arquejou, ela se apoiou na parede, para se levantar. Um liquido quente e transparente escorria por suas coxas.

–Agora? – ela sussurrou para sua barriga, um sorriso no rosto. Ela havia lido tudo o que precisava saber sobre parto, estava pronta.

– Ryan – ela disse, o garoto não respondeu. – Ryan! – ela chamou mais uma vez, mas seu marido continuou profundamente adormecido. – Ryan! Acorde! – ela disse tacando uma das revistas nele.

O garoto acordou com um sobressalto, na meia luz, ele podia ver Bridget, usando pijamas, parada na frente dele, com aquela enorme barriga, batendo o pé nervosamente e com as mãos na cintura e a sobrancelha cerrada. Do jeito que ela ficava quando ele fazia algo errado.

– O que aconteceu? – ele esfregou os olhos.

– Minha bolsa estourou Ryan – ela disse, Ryan não entendia o porque do sorriso em seu rosto.

– Ah, nós compramos outra amanha de manha, venha dormir, ainda é de madrugada – ele disse se ajeitando nos travesseiros.

– Não essa bolsa Ryan! – ela exclamou, humor de uma mulher prestes a dar a luz não era dos melhores. – A bolsa do bebe! O bebe está vindo!

Quando Ryan processou a informação, ele saltou da cama como um foguete, e começou a correr pelo quarto, de um lado para o outro.

– Oh céus – ele exclamava. – Fique calma querida, eu preciso chamar alguém, nós deveríamos... está doendo... oque....

– Ryan – ela disse.

– Espere Bridget, você pegou tudo... a mala do bebe...?

– Ryan – ela disse mais uma vez.

– Acalme-se amor, vai dar tudo certo...

– RYAN! – ela gritou, isso fez com que ele finalmente olhasse para ela. – Você é o único que precisa ficar calmo. Relaxe, ainda vai demorar algumas horas para o bebe nascer. A mala dele está pronta a semanas... vá acordar os outros, eu estou esperando no carro – ela disse pegando um livro, as chaves e saindo do quarto.

Bridget mudou sua opinião sobre calma dentro do carro, quando as contrações começaram.

– Vamos logo Ryan! – ela exclamava entre um grito e outro – Eu não quero ter esse filho dentro de um carro.

A cada grito que ela dava, Ryan encolhia os ombros, sofrendo com a dor dela. Ao lado de Bridget, estava Kiyoko, no banco de trás, ela segurava as mãos de Bridget e a acalmava, no banco da frente estava Cheryl, ela tinha a cabeça virada para trás, dizendo palavras de conforto para sua irmã.

Ela gritou o caminho inteiro até o hospital. No carro de trás vinham os outros moradores da casa, e Shinigami-sama havia ido até a casa de Maka e Soul, para avisa-los.

– Chegamos – disse Ryan parando o carro.

– Otimo – Bridget disse com a voz fraca – me ajudem a descer.

No quarto de hospital, estavam todos envolta dela. Blue Star, Kiyoko, Lila, Dan, Wes, Cheryl e Ryan, Liz, Patty e Kid. Enquanto a medica examinava Bridget, que apertava forte a mão de Ryan.

– Ok, você está pronta para começar o parto. – a medica disse – Quem aqui não for o pai, por favor, se retirem.

A multidão começou a esvair pela porta branca. Kiyoko deu um tapinha no ombro de Ryan antes dela mesma sair.

Estamos prontos para começar – a medica disse a seus ajudantes, depois jogou algumas roupas de hospital para Ryan. – Vista isso por cima da roupa se vai ficar aqui dentro – ela disse.

Ryan segurou a mão de Bridget, e ela a olhou com um sorriso no rosto, seus olhos dourados brilhavam como ouro.

– Vamos começar — a medica disse para Bridget. – Faça força e empurre.

– Se for cabecinha está tudo bem, se forem pezinhos, vamos ter que entrar na faca – a enfermeira comunicou, e Bridget assentiu, nervosa.

E assim se passaram pelo menos três horas. Entre gritos, lágrimas, e muita dor, Bridget ficou deitada cama, fazendo força e sentindo uma dor que ela nunca imaginara antes.

– Vamos garota – disse a medica. – Mais um pouquinho, eu já posso ver a cabecinha.

Ryan suspirou de alivio, então ele olhou para Bridget, como se pedisse permissão, e ela assentiu.

Ele largou da mão de sua esposa e foi para o lado da medica.

– Ombrinhos – ele disse, sorrindo como uma criança. – Mãozinhas, Barriguinha... Oh, é um garoto! .... Joelhinhos, Pezinhos!

– Pode descansar – a medica disse a Bridget. E a garota reencostou nos travesseiros.

As enfermeiras lavaram o bebe e o enrolaram em uma manta branca. Ryan logo recebeu a criança nos braços. Ele era do tamanho de seu antebraço, seus olhos ainda estavam fechamos, e ele tinha um tufo de cabelos brancos, e uma listra negra, isso fez com que Ryan risse. Ryan não podia acha-lo mais bonito.

Ele foi até Bridget, carregando o pequeno embrulho nos braços, ela estendeu os braços e pegou seu filho no colo, seus olhos se encheram de lágrimas no mesmo momento. O bebe apertou seu dedo com aquela minúscula mãozinha.

– Olá querido – ela disse. Ouvir a voz da mãe fez com que a criança abrisse os olhos. Grandes olhos dourados, assim como os de Bridget.

– Ele é lindo – ela disse em um sussurro.

– Como vamos chama-lo?- Ryan perguntou sentando-se na beirada da cama.

– Eu estava pensando em.... Haru.

– Haru, eu gosto – ele sorriu.

Algumas horas depois, Ryan e Bridget estavam no quarto, Ela estava amamentando o recém nascido, quando seus amigos entraram. Eles já tinham recebido a visita dos seus pais.

Logo que ele soltou do peito de Bridget, ele olhou para Kiyoko, dando um sorriso banguela.

– Posso segurá-lo? – ela perguntou.

Bridget entregou a criança para Kiyoko, Ryan pode jurar que viu uma lágrima escorrendo dos olhos de Kiyoko.

– Eu tenho um sobrinho – ela disse brincando com as mãozinhas dele.

– Eu também – Cheryl disse se aproximando, para depois pegar o bebe no colo.

– Eu não consigo acreditar que um de nós já tem um desses. – Blue Star disse, abraçando Cheryl por trás enquanto ela segurava o recém nascido.

Isso fez com que todos rissem.

Notas finais
espero que tenham gostado (: