A Nova Era dos Heróis

19 Capítulo 19-O Poder dos Poderes


Notas iniciais
Ernesto descobre o seu verdadeiro poder e se reencontra com seus amigos.

Comprei gaze e álcool pra tentar curar o corte da Vanessa, não era médico, mas é a única coisa que saberia fazer numa situação dessas. Voltamos até o colégio, levei a Vanessa pro pátio, cobri os cortes com cuidado e coloquei álcool encima.

– Valeu Ernesto. Valeu mesmo.

– Relaxa. Acho que agora vou ligar pra Marina.

– Por causa daquele lance com as pinturas?

– Sim, não sei mais o que devo fazer, ela era a única que sabia, através das pinturas.

– Entendo. Liga então.

Liguei pra Marina. Tomara que ela atenda dessa vez.

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Acordei ouvindo o toque do meu celular, mas ele não estava comigo... Ele vinha do Matheus! Ele acordou e desligou o celular! Breno tinha saído, provavelmente para comprar mais comida. Já era quase meio dia! Dormimos muito...

– Matheus! Me dá meu celular!

– Você morreu lembra? Nem vi quem era, mas ninguém pode saber que você ta viva. Na real eu vou quebrar o celular. — Ele se levantou, estendeu o braço e estava prestes a lançá-lo ao chão.

– NÃO! O Ernesto ficou de me ligar pra saber mais sobre as pinturas! Pode ser ele!

Ele ligou o celular e este tocou de novo, ele jogou pra mim e eu vi seis chamadas dele perdidas. Deve ter acontecido algo com a Vanessa! Eu atendi ao telefone dessa vez.

– Alô? Ernesto!

– Até que enfim atendeu! Por onde esteve?

– Eu explico depois, agora me diz, como a Vanessa está? Foi hoje?

– Sim, foi hoje Marina, mas ela ta bem graças a Deus, eu to com ela do meu lado, eu tava curando os cortes. Ela tem habilidades especiais, e parece que eu também tenho as mesmas que a dela.

– Qual habilidade?

– Ela atravessa paredes e controla objetos com a mente.

– Que demais! Eu to com uns amigos, um deles vai buscar vocês dois, a gente ta escondido num tipo de guarida.

– Quê?

– Ele vai te fazer uma surpresa maneira, tchau! Não sai daí! Espera... Onde você ta?

– No pátio do colégio.

– Tudo bem, agora espera aí!

E desliguei.

– O que o Ernesto falou?

– Ele e a Vanessa estão bem, a Vanessa pode atravessar paredes e levitar objetos, assim como o Ernesto.

– Espera, o Ernesto tem os mesmos poderes que a Vanessa? Porra ele tem quatro poderes agora? Como assim?

– Pois é, mas anda! Vai logo! Você tem força suficiente pra trazer os dois pra cá.

– Tenho pra levantar os dois, mas eles têm força pra me segurar? Vou trazer um por um.

– Tudo bem, mas vai e não demora!

– Pode deixar.

O Matheus saiu voando pelo quarto e foi buscar o Ernesto.

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Eu estava sentado, esperando a surpresa da Marina e a Vanessa estava melhorando, pelo menos o sangue parou de sair.

– Você nunca tinha sentido algo estranho em você?
– Não. Esses poderes são novidade pra mim, só hoje mesmo. E você? Nunca tinha notado alguma coisa relacionada a esses novos poderes?

– Também não... Na verdade eu acho que eu só ganhei esses poderes quando...

– Olha! O quê é isso?

A Vanessa apontou pro céu e tinha uma coisa voando rapidamente pra cá, e ia se aproximando cada vez mais até que parou na nossa frente, inexplicavelmente ele não destruiu o chão, ele reduziu sua velocidade com uma velocidade absurda! Era ele! Nosso grande amigo desaparecido à mais de um ano!

– Matheus! Wow! Cara! Como é bom te ver! – Fui e dei um abraço enorme nele.

– Fala Ernesto! – Ele retribuiu com tapas nas costas.

– Matheus! Você não morreu! – Disse a Vanessa abraçando-o.

– Não, não morri. – Ele retribuiu.

– Quer dizer que você voa né? Haha! – Disse entusiasmado.

– E quer dizer que você tem visão raio-x, atravessa paredes e outras paradas né?

– Pois é, muita coisa aconteceu nesses dias. E essa barba de lenhador aí? E esse topete de sempre? Tem que trocar o penteado haha! – Fui dar um cafuné nele, mas quando encostei minha mão na cabeça dele eu senti um arrepio e o Matheus também recuou um pouco.

– Err... Beleza então, quem vem primeiro? – Ele perguntou.

– Você não consegue levar nós dois? – Vanessa perguntou.

– Sim, eu tenho força pra isso, só não sei vocês. Porque eu puxaria o braço de vocês.

– Quero ver a sua força vei, vai me levanta e sobe um pouco.

– Porra no meio do pátio?

– Tem razão, vamos pra rua do lado.

– Ok.

Fomos pra saída da quadra e o Matheus disse pra eu segurar o seu mindinho, Vanessa ficou na esquina pra vigiar se tinha alguém chegando e eu olhava pela visão raio-x. Ele me levantou com o mindinho! E ainda subiu um pouco no ar!

– Meu Deus! Que foda! Agora sobe mais, e mais rápido! Ah haha! Eu sempre quis voar!

E ele subiu, mas ainda me segurando pelo mindinho.

– Porra! Me segura direito! Com o mindinho não!

– Puta merda! Eu sou um idiota! Tenta subir um pouco, como se fossem barras!

– É difícil! – Tava me esforçando, mas... Merda... PORRA!

Não consegui colocar minha mão na dele e eu caí! Eu estava caindo! Não! Não podia morrer assim! Não! Fechei os meus olhos e senti o vento parar. Abri meus olhos de novo e olhei pra cima, o Matheus não estava me segurando!

– Vanessa! Você ta me levitando?! – Olhei pra baixo e perguntei.

– Não! Eu não estou!

Olhei assustado pros meus pés e depois pro Matheus.

– Você voa?!- Ele perguntou abismado!

– Espera, lança alguma coisa pra mim, eu não quero arriscar o vôo.

O Matheus pegou uns tijolos do chão e veio pra minha frente.

– Lança um tijolo em mim. Com força, no meu tórax.

– Tem certeza?

– Só vai!

Ele se esticou pra trás e arremessou o tijolo no meu tórax, inacreditavelmente não doeu quase nada! Abri os botões da camisa e vi que só estava um pouco vermelho! Não recebi nenhum ataque absurdo!

– Me dá um tijolo.

– Que porra é essa! Você... Tem os mesmos poderes que os meus?! – Ele me deu o tijolo.

– Esse é o último teste. – Arremessei com toda a força que encontrei em meus braços e lancei ao chão, longe da Vanessa, uns vinte cinquenta passos de distância. O chão se partiu! O tijolo afundou o chão e o concreto subiu em volta a Vanessa pulou quando o tijolo atingiu o chão!

– Eu tenho os mesmos poderes que os seus!

– E os mesmos poderes da Vanessa!

– Eu pego os poderes das pessoas! Mas... Como?! – Eu estava muito confuso!

– Merda, você é mais perigoso pra nós. O Mascarado vai te procurar com todas as forças que ele puder. Você é a pessoa mais perigosa e a mais necessária pra Terra. Se te pegarem, acabou tudo, se não, você será o herói mais poderoso da face da Terra,

– Quando foi que eu... – Foi quando lembrei, quando passei a mão na cabeça da Vanessa, eu senti um arrepio, e logo depois, eu descobri esse poder, quando fiz um cafuné no Matheus, senti o mesmo arrepio e agora eu tenho seus poderes! – A cabeça... Quando eu encosto na cabeça das pessoas eu me apodero da habilidade delas! É isso!

– Seu poder é absorver poderes! É o poder mais importante!

– É o poder dos poderes!

– Droga... Vamos, eu te levo até a nossa base. O Breno vai querer te ver.

– O Breno? Ele não morreu naquele acidente com a usina?

– Não, ele conseguiu escapar.

– Porra, eu tava de luto cara... Vou bater nele.

– Vamos descer, a gente deixou a Vanessa no vácuo.

Descemos e o Matheus a pegou no colo e fomos voando até a base.

Aprendi a voar rápido, sempre quis voar, já sonhei muito com isso, deve ser por isso que eu aprendi rápido. Era algo especial de se sentir, o vento em seu rosto, olhar as pessoas como se fossem formigas, ver o horizonte.

Matheus foi me contando as coisas que aconteceram com eles, o lance do mascarado que o perseguia, que perseguiu a Marina, Breno num acidente nuclear, podendo se transformar em Bromo... Enfim, eu já estava atualizado das coisas anormais que aconteceram com eles.

– É nesse prédio – Matheus apontou pra um prédio abandonado em construção. Muitos andares estavam com cortinas pretas e entramos num dos últimos com a cortina. Lá estavam, Marina e Breno.

– Ernesto! – Marina veio me abraçar e eu a abracei de volta. – Bom te ver mano. Vanessa!

– Igualmente. – Fui até o Breno. – Só não te bato porque eu estou muito feliz em te ver seu grande idiota! – Nos abraçamos – Porra eu tava de luto seu filha da mãe.

– Também te amo cara. Fala Vanessa!– Não conseguia ficar bravo com o Breno. Percebi que nas paredes estavam desenhadas várias coisas, pela Marina né. Fiquei assustado com a minha retratação na pintura feita com sangue.

– Esse sou eu? – Perguntei, e infelizmente toda a alegria de reencontro cessou.

– Sim. Pintei isso hoje de madrugada. Eu acho que você vai...

– Ser esquartejado. Marina me diz uma coisa, tudo o que você desenha... Acontece ou pode ter alguma chance de não acontecer?

– Até agora, tudo aconteceu.

– Droga...

O quarto inteiro ficou em silêncio enquanto olhava minha morte. Decidi mudar de assunto para as outras pinturas.

– Essa coisa do homem das sombras, eu vi no noticiário hoje de manha, um cinegrafista amador filmou um cara gigante lutando com uma sombra que vinha da escuridão das árvores na Quinta da Boa Vista. E essa outra pintura do negro e os animais, hoje no noticiário também passou uma briga entre uma mascarada e uns animais que iam se transformando em outros animais, pelo visto, não era um animal e sim um humano que se transforma em animais.

– Mascarada? Você tem o vídeo aí?

– Sim, muita gente na rua filmou isso de vários ângulos, parece verídico mas ninguém acredita. Eu acredito. Depois de voar, visão raio-x... Transformar-se em algum animal não parece ser tão anormal. Ah Breno.

– Fala. – Me aproximei e toquei em sua cabeça, senti o poder sendo absorvido e o Breno também sentiu alguma coisa. – O que você...

– Eu peguei o seu poder, foi com isso que eu vim pra cá, eu encostei na cabeça do Matheus e agora sou como ele. Agora eu sou como você. Eu posso me transformar em Bromo. – Transformei minha mão levemente em gás de Bromo. Era incrível! Como se eu estivesse acostumado a fazer isso... Enquanto o Breno me olhava com raiva.

– Porra seu recalcado! Roubou meu poder! Você tem o poder mais apelão! Que droga!

– Agora vai virar colecionador de poderes? – Matheus perguntou.

– Menos o da Marina porque... Né... Não to a fim de assinar pinturas com sangue.

– Eu tenho o pior poder, hunf! – Disse a Marina.

Rimos, para quebrar o clima ruim da pintura de sangue. Eu? Esquartejado? Não vou deixar. Agora que sei o que posso fazer não vou deixar que machuquem os meus amigos. Afinal, eu tinha muitos poderes. Isso infelizmente também irá atrair mais atenção do mascarado. Mas eu vou proteger meus amigos com todas as forças possíveis.

E não serei pego de jeito nenhum.

Muito menos esquartejado!

Notas finais
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