A Nova Era dos Heróis
14 Capítulo 14-O Bote
Notas iniciais
Chegamos enfim na sede da Snake. Especificamente na Quinta da Boa Vista. Era de noite já e os guardas noturnos estavam espalhados por aí. Subimos as grades silenciosamente. Era bem de noite. Não dava pra ver quase nada. Mas as lanternas dos guardas e alguns postes nos davam a luz necessária para enxergarmos.
– Onde é? – Katrine perguntou.
– Naquelas pedras dentro do lago. Mas precisamos da chave.- Respondi.
– E quem tem a chave?
– Algum guarda com certeza.
– Eu vou pegar um guarda, pode deixar. – João se ofereceu. – Eu vou balançar a luz de alguma lanterna levemente em círculos, vocês vão reconhecer. Eu vou indo pras pedras, fiquem por perto.
Esperamos atrás de uns arbustos antes da descida da colina. Vi a lanterna de um guarda indo pro céu e de repente desligada. Tomara que nenhum outro guarda tenha visto isso. Vi a luz em círculos na escada que leva até a tora de madeira que vai até as pedras. Fomos andando agachados até lá e o João estava com a chave. A luz do poste ia diretamente até a tora. Não podíamos passar, deve ter algum atirador de elite por aqui.
– Vamos ter que nadar devagar. Vamos dar a volta, sem nenhum barulho. Vocês conseguem?
Todos assentiram, e lentamente entramos na água. Passamos pela luz e voltamos a superfície, nos segurando na grande pedra que sustentava as outras. Guilherme levantou primeiro, olhei pra trás e vi o guarda que ia virar a lanterna pra cá! Mandei todos se abaixarem e o Guilherme se escondeu. Seguramos a respiração por uns vinte segundos antes do guarda virar novamente. Subimos todos enfim.
João arremessou a chave pro Guilherme que já estava na pedra com a fechadura. Ele girou a chave e um quadrado do chão deu uma leve subida e foi pro lado. Era a entrada.
– João você fica, você ta com a melhor arma para acabar com alguém se vier pra cá. Confio em você.
– Relaxa pode ir. Ninguém vai passar despercebido por aqui.
– Vamos entrar. — O Rossi foi na frente, depois Guilherme e antes de mim a Katrine. A pedra se fechou sozinha. Não tinha escadas tivemos que descer o longo cano ate o fim arrastando as mãos e os pés pelo cano. Quando pisamos no final vimos a luz amarela se acendeu. Era um longo corredor cheio de bifurcações, mas como eu o Guilherme já viemos pra cá, sabíamos o caminho correto.
Na última esquina eu mandei pararem porque sabia que lá estava um guarda esperando. Peguei duas pedrinhas do chão e as lancei pro corredor à frente. O guarda resmungou e foi andando até a esquina, felizmente ele se virou pra direita, e nós estávamos a esquerda. Cortei seu pescoço rapidamente e peguei o passe para entrar. Abri a porta e eu e Guilherme entramos primeiro, estávamos com as roupas de policial, eles podiam não desconfiar.
Era um lugar grande e circular cheia de computadores e armários... Haviam dois caras andando por aí, mas vi o que realmente me interessava. O elevador vermelho, que nos levaria para as cobaias humanas. Fomos descendo e quando passamos entre os guardas, os imobilizamos rapidamente e os dois estavam caídos no chão.
– Podem vir. Peguem essas roupas.
Katrine e Rossi se vestiram e fomos até o elevador vermelho. Apertamos o botão correto, os outros nos levariam à morte certa. Quando a porta se abriu um guarda a minha frente nos barrou.
– Espera aí! A moça e o grandão não têm a autorização para entrar aqui! Seus crachás são amarelos! Apenas os vermelhos entram!
– Ah, tudo bem, é só pintar... – Meti a faca no pescoço do guarda. – Com o seu sangue, seu desgraçado de merda. – Ele morreu na hora. Peguei o passe vermelho dele e dei pro Rossi. A Katrine me deu seu crachá e o cobri de sangue, enganaria o tempo suficiente para tirarmos as fotos com o celular do guarda e sairmos. Havia uma saída alternativa nessa sala.
– Estão prontos?
– Vamos. Nessa.
Abri a porta que dava a um conjunto de corredores cinza com as paredes transparentes. A Katrine foi encarregada de tirar as fotos, colocando o celular no seio esquerdo, ninguém ia se atrever a pegá-lo.
– Não vamos. Conseguir fotos decentes. Com os guardas aqui. Vamos ter que matá-los. – Rossi disse.
– Tem razão, Katrine. Vamos matar os guardas, quando alguém tocar o alarme, pois eles são fracos mas não são burros, você tira as fotos o mais rápido possível ok?
– Sim, eu dou conta.
– Já é. Dispersar.
Eu, Guilherme e Rossi fomos entrando em salas diferentes. Nos olhamos através do vidro e o Guilherme acenou com a cabeça. Começamos o ataque. Eu dava coronhadas e chutes certeiros nos guardas a minha volta, um quase me deu um tiro, mas o Guilherme lançou sua faca nele através da porta que estava aberta, Rossi arremessava armários nos guardas, mesmo levando tiro, não parou até esmagar cada um deles. Achei que tínhamos matado todos sem acionar o alarme, mas estava errado, um filha da puta partido ao meio pelo Rossi tinha um controle remoto com o alarme. E ele soou.
– Merda! Katrine Rápido!
Ela foi tirando fotos de tudo rapidamente, folhas de vítimas, panfletos, soros imobilizadores, camas de tortura e muitas outras coisas.
– Entrem no elevador azul no fim do corredor quando o reforço chegar!
Entrei numa sala e vi um homem de joelhos e cabeça abaixada, braços acorrentados e esticados pra cima, tinha que libertá-lo.
– Ei! Cara! Acorda! Estamos fugindo! – Dei tiros nas correntes e ele levantou a cabeça lentamente.
– Esta não é a sede... Cof, cof!
– Como é?! Mas eu mapeei tudo e...
– Essa é apenas uma das muitas bases espalhadas, não deveriam ter se arriscado tanto.
– Já os desmascaramos, isso basta, vamos! Qual é o seu nome?
– Poti. Guilherme Luiz Poti.
– Qual é o seu poder? Confie em mim, eu também estou sendo perseguido.
– Eu... Vejo através das paredes, e leio a mente das pessoas.
– Sério?
– Sim, e agora... – Ele forçou a visão pra porta – Temos que correr, eles estão chegando.
– O quê eles fizeram com você?
– Eu conto tudo! Juro! Mas... Cof... Temos que correr!
– Sim, certo, vamos, consegue se levantar?
Ele tentou, mas caiu duas vezes.
– Esquece, eu te carrego. — O apoiei em meus ombros e fui correndo até o elevador azul, todos estavam me esperando.
– Eles estão ali! – disse o Poti apontando pra porta.
– Vão vocês primeiro! Eu subo depois! – Avisei aos três no elevador.
– Não! Você vai morrer! – Disse o Guilherme.
– Vão! Eu dou cobertura! – Respondi.
O Rossi apertou o botão e antes da porta se fechar, o Guilherme saiu.
– Não porra!
– Eu tenho que te contar uma coisa Miguel.
– E isso lá é hora pra acertar alguma coisa?! Pega sua arma e se prepara!
– Não, apenas olhe.
Olhei pra ele, ele recuou um pouco em posição de luta. A porta foi arremessada e de lá saíram dois caras mascarados, o que arremessou a porta pulou pra nossa direção. O Guilherme puxou o braço pra trás e o jogou pra frente.
O braço dele se esticou! Se esticou muito! Sua mão cresceu! E acertou em cheio o mascarado! Jogando-o pra parede! Ele deu o bote que faltava nesses desgraçados!
– SEU MERDA! PORQUE NUNCA ME CONTOU!
– Até agora a gente não estava precisando. Vamos! Esconda o Poti e chame o elevador!
– Juro que se sairmos vivos eu te espanco!
Um mascarado já era o outro ficou lançando coisas no Guilherme, mas seu corpo todo era elástico ele se esquivava fácil e lançava coisas ao mascarado com seu braço gigante. Eu tentava acertar seu queixo com tiros mas ele entrava nas paredes como se fosse sombra e se esquivava fácil também, chamei o elevador e agora era só esperar.
Quando o mascarado enfim acertou o Guilherme ele se virou e desligou as luzes do teto, apenas as luzes de dentro das salas iluminava o lugar. O mascarado saia de todos os lugares já que a sombra era maior, mas o Guilherme crescia junto com ele. Ele estava do tamanho da sala agora e socava e arremessava armários no mascarado.
– O elevador chegou!
Guilherme se defendeu do contra ataque do mascarado, pegou sua cabeça e a atirou no chão. Ele se jogou pra dentro do elevador diminuído de tamanho rapidamente. A porta se fechou antes do mascarado se levantar. O elevador subiu depressa e paramos num bueiro perto de onde nosso carro estava chegando, ele estava dando voltas. Quebramos o teto do elevador e saímos correndo até lá, entramos rapidamente, mas o mascarado apareceu gigante nas sombras.
– Não há saída Miguel! Me perdoa!
Guilherme saiu do carro e ficou gigante. Ele estava muito estranho, seu tórax e suas coxas estavam muito finas porque tinham roupa, mas fez todo o resto crescer. Parecia um alien.
– Corram!Agora!
– Não! GUILHERME! — Eu tentei sair mas Rossi me impediu.
– Não adianta. Só vai. Atrapalhar.
Fiquei olhando para meu amigo que ficou pra trás, dando socos e chutes no gigante das sombras, quando outros dois mascarados apareceram! Um deles arremessou umas correntes pegando fogo no Guilherme e o outro começou a eletrocutá-lo!
O gigante das sombras foi encolhendo a medida que a energia elétrica fazia luz no local, o fogo das correntes do outro mascarado queimava as árvores em volta, e Guilherme com todas suas forças tentou se levantar mais de uma vez, mas caiu de joelhos, olhou pra mim e disse.
– Me perdoa cara...
Ele caiu de vez encima das árvores queimadas. Os outros dois mascarados cessaram seus poderes enquanto Guilherme retornava ao tamanho original. Um deles se virou pro nosso carro, mas não nos seguiu. Desceram até o Guilherme e foi a minha última visão antes de virarmos a rua.
– Merda, merda, merda!
Todos ficaram em silêncio.
Snake, agora vocês não tem perdão. Eu vou caçá-los de novo. Vou destruir todas as suas bases. Eu vou acabar com vocês. Não adianta se esconder. Acabou, eu vou destruir todos vocês.
Guilherme, eu te vingarei.
Com prazer.
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