Notas iniciais
Breno vai olhar um elemento químico perigoso e as coisas complicam pra todos.

Saí correndo animado para observar cada um dos tonéis. Vi Ácido Sulfúrico, Mercúrio, gases também como Amônia e Cianeto de Hidrogênio. Química era minha matéria favorita no colégio, eu amo química. Entrei inclusive numa máquina de simulação de gravidade zero! Isso tudo debaixo do aeroporto!

Entrei numa sala fechada, era escura iluminada apenas de vermelho por causa do enorme globo que se encontrava no meio da sala. Era uma esfera enorme com um gás agitado vermelho se movendo de um lado pro outro, algumas horas eu via gotas vermelhas também. Em volta do globo tinha uns pinos soltando uma espécie de eletricidade de cor vermelho-vivo.

Em volta haviam muitas pessoas em computadores, digitando rapidamente. Mas eu estava do lado de fora da sala do globo, como um corredor de segurança.

– Com licença, que gás é esse dentro do globo? – Falei com o homem na porta.

– Ah, esse maldito gás... Ele ficou fora de controle, algo completamente fora do normal, ele está agitado e mudando seu estado físico de repente. Nunca vi o Bromo agindo dessa maneira.

– Bromo você disse?

– Sim, é o principal projeto do seu pai. Ele encontrou, numa viajem de pesquisa, bromo em estado líquido, só que ele era diferente. Estava numa pequena cratera vulcânica, mas ele parecia uma gosma, ele o pegou com um aspirador de ácido e o trouxe pra cá. Mas a cada dia ele fica mais feroz, se é que um elemento pode se manifestar desse jeito!

– O que estão tentando fazer?

– Deixá-lo estável, num único estado físico. Está sendo uma tarefa impossível... Não sei quanto tempo esse globo de contenção vai aguentar. Esses cabos de energia servem para juntar dois elementos, no caso, essa energia roxa é para passar o oxigênio, isso deveria manter o Bromo estável. Chame seu pai, ele pode ajudar mais um pouco.

– Eu aviso. – Mandei uma mensagem pra ele. Esse elemento era muito interessante, ele se manifesta. – Posso entrar?

– É muito perigoso, é praticamente suicídio, todos os que estão ali dentro assinaram o termo de responsabilidade.

– De quê?

– De morrer ou coisa pior. Se o Bromo atravessar o globo de contenção, todos lá dentro estarão perdidos, a única maneira de detê-lo seria com altíssima quantidade de ácido sulfúrico, mas só depois de todos lá dentro morrerem.

– Não me importo, me deixa entrar! Eu sou o filho do Sr. Marco, ele me deixou.

– Arf... Se é assim tudo bem.

Ele abriu a porta e eu entrei. Assim que coloquei o pé dentro da sala do globo o gás ficou estável. Assim, do nada. Eu fiquei olhando para o gás. Todos os homens de casaco olharam pra mim assustados. O Bromo de repente se comprimiu e ficou numa forma de bola, no meio do globo.

–O... Quê... Você... Fez? – Um cientista me perguntou.

–E-eu, não sei!

O Bromo explodiu!

Ele estava parecendo uma gosma vermelha! Tentáculos foram formados a partir da esfera, ele estava muito nervoso e agitado! Ele formou uma figura estranha no meio, parecendo um cinco ou um “s” com uma linha ondulada atrás, os tentáculos estavam pulsando fortemente e atacando o globo vorazmente.

– Vamos sair daqui! AGORA! – disse um deles.

Eu estava quase me virando quando vi que um dos tentáculos conseguiu atravessar o globo! Como uma flecha ele acertou um dos homens de branco e ficou balançando-o no ar e atirando-o nas paredes, outros também conseguiram estavam atacando todos. Eu corri até a porta e um tentáculo destruiu o botão de abrir. Ele queimava tudo que tocava! Quase me tocou, mas eu me abaixei. Vi pessoas sendo partidas ao meio, e cabeças derretendo com o bromo. Um cientista pela metade, já agonizando me deu uma granada.

– Não há saída, vamos morrer... GASP... Jogue no centro dele... – e morreu.

– Eu não posso fazer isso sozinho! Eu não sei!

Ele não respondeu mais. Eu olhei que alguns tentáculos se prendiam nos cabos de eletricidade roxa e vi que era hora de usá-los.

Ainda restavam alguns cientistas, eu tinha que ser rápido, eu peguei um dos cabos com uma luva que achei e lancei no Bromo gosmento. Os tentáculos tremeram e eu lancei o frasco dado pelo cientista. Era ácido sulfúrico! Ele caiu bem no meio do Bromo e ele começou a derreter. Ele diminui de tamanho e achei que tinha acabado.

Ele se explodiu! E uma nuvem de gás de Bromo rapidamente inundou a sala. Eu estava sem máscara, minha pele começou a queimar e meus olhos a arder, meu nariz estava sangrando. Quando me lembrei da explicação do cientista. “Esses cabos, servem para juntar dois elementos”. Já estava morrendo mesmo, não custava tentar.

Me arrastando até o meio do Bromo que ainda estava uma bola de gosma, ele me “viu” e atirou seus tentáculos em mim, eu peguei uns dos cabos no chão antes que ele me perfurasse no peito. No ar, vi o Bromo lançando seus tentáculos até mim, vários deles me atravessaram no tórax, e com meus últimos esforços eu consegui colocar o cabo roxo no buraco, junto com o Bromo.

Eu gritei como nunca havia gritado, e o Bromo começou a “gritar” também, ficou se contorcendo como louco e nossos corpos estavam sendo eletrificados com essa energia roxa! Eu percebi que eram meus últimos momentos de vida, e coloquei o outro cabo no peito. A energia inundava toda a sala e o Bromo estavam prestes a explodir, ele estava me puxando para dentro dele, quando senti o Bromo me envolvendo, segundos depois não sentia mais nada.

Tínhamos explodido.

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Eu fui correndo desesperado para ver o que estava acontecendo na sala de contenção do Bromo, algo havia dado errado, eu ouvi a explosão. Quando cheguei, vi a Sala totalmente destruída, o globo estava quebrado, os cabos estavam caídos e fora do lugar, e havia um rastro de ácido sulfúrico no meio. O homem da segurança estava caído, provavelmente apavorado, morrendo de terror, saia muita espuma de sua boca.

– O que está acontecendo? Meu filho mandou uma mensagem pra mim! Daqui! O que houve? Onde está o Breno? ONDE ELE ESTÁ?

– Eu estava do lado de fora... Arf... Ele me pediu pra entrar, disse que tinha sua autorização... Argh... Eu vi... O Bromo fez tentáculos e atacou todo mundo, quando só sobrava seu filho, ele pegou uns cabos, o Bromo o atacou e o colocou no ar... Ele pôs os cabos para juntar elementos em seu peito... E explodiu... Junto com seu filho... Perdoe-me...

O homem morreu. Eu me joguei no chão e comecei a chorar, tinha perdido meu filho... A culpa era minha, eu nunca deveria tê-lo trazido.

– Breno... Meu filho... Não...

A culpa era minha...

Espere! Ele pôs os cabos de junção de elementos!

Será que há uma chance, mesmo que remota...

De ele estar vivo?!

Notas finais
A linha pontilhada indica uma troca de personagem no mesmo capítulo, dá pra saber qual é o novo seguindo apenas o contexto da história.