A Nova Era dos Heróis

11 Capítulo 11-O Protetor


Notas iniciais
Marina descobre a identidade do cara que a salvou do Mascarado e ele está muito preocupado com a sua segurança.

Acordei com muita dor na cabeça e nas costas. Eu estava sem meus óculos, via tudo embaçado. Estava num colchão e com cobertor. Me levantei um pouco e vi na minha frente um barril com fogo encima, essa era a única iluminação que via. Estava numa espécie de quarto abandonado. Além desse colchão, havia esse barril, e duas sacolas pretas ao meu lado.

Virei minha cabeça pra direita e vi uma cortina preta enorme cobrindo alguma coisa. Me levantei calmamente e fui até ele, para ver se atrás tinha uma janela, porque havia pouca ventilação. Empurrei a cortina e quase que eu cai! Era uma queda enorme! Eu estava num prédio e essa cortina tampava a cidade e a claridade do Rio de Janeiro. Era um prédio muito, muito alto e eu quase morri.

Era de noite já e me perguntava o que fazia aqui. Foi então que me lembrei que um garoto de camisa laranja enfrentou aquele mascarado que me atacou. Ele pelo que vi sabia voar, e tinha uma força absurda, para quebrar paredes e lançar o mascarado rapidamente ao chão.

Ele tinha me salvado, e me trouxe até aqui. Quem será que ele é?

Me virei procurando uma saída, meu irmão já deve ter acordado e meus pais, já devem estar em casa, não quero imaginar a preocupação que eles devem estar sentindo agora. Me virei e procurei uma saída. Havia uma porta do lado do colchão e tentei abri-la. Ela estava emperrada. Dei um forte empurrão e por muita sorte não morri de novo!

Eu estava com um pé apoiado no quarto, o outro estava em direção ao precipício que me aguardava. O prédio estava em construção, quando foi abandonado. Haviam rampas e escadas, a escada estava do meu lado, mas como eu não imaginei que abrindo essa porta eu poderia cair, agora eu estava lutando para voltar ao quarto, mas minha mão estava suada e ela escorregava na maçaneta da porta e...

– Quer uma ajuda? – Ouvi alguém perguntar atrás de mim.

– Quem quer que seja, por favor, me puxa de volta, por favor!

Senti uma mão segurando meu pulso, com delicadeza mas me puxou com força, pra dentro do quarto abandonado.

– Obrigada... Eu não consigo te ver bem. – Via que ele tinha uma barba meio grande

–Esse grau serve? – Ele tirou um óculos do bolso do moletom e me entregou, ele se virou e foi até a cortina abri-la. Coloquei o óculos e fiquei surpresa ao saber quem foi o cara que me salvou duas vezes.

Alto, forte, topete curto, costeletas e barba grande. Não o teria reconhecido se não fosse pela voz e estatura.

– Matheus! É você?!

– Me reconheceu? Que bom.

– É que você não vai à escola há quase um ano! O que houve?

– Acho que você sabe, depois de te salvar você já sabe do que sou capaz.

Sorri e o abracei.

– Pô mano, quanto tempo.

– Fico feliz em te ver também.

Ele estranhamente não era o mesmo Matheus de antes, que vivia alegre e engraçado. Ele está mais sério, e parece que malhou bastante desde que saiu do colégio. Essa barba também, parece que ele virou lenhador. Nos sentamos no colchão e puxei assunto.

– Como você sabia onde eu estava? Na hora que o mascarado me atacou.

– Eu estava voando e te vi sendo atacada, não sabia que era alguém com poderes, se soubesse, o teria matado na hora. Eles me caçam constantemente, não tenho paz em nenhum lugar da cidade. Já pensei de fugir, mas aqui há muita gente atacada, na verdade somente aqui, por enquanto. Nunca entendi o que quer.

– Você já o enfrentou?

– Suspeito que não seja apenas um, já lutei bastantes vezes, e em várias horas, eu noto a diferença no estilo de luta e defesa, mas só vejo esse mesmo poder. Manipular as sombras, e usá-las como meio de ataque e fuga.

Eu tinha muitas perguntas à fazer à ele. Não ia sair daqui sem saber mais.

– Porque você saiu do colégio? Por causa desses poderes?

– Exatamente. Eu não conseguiria continuar vivendo do jeito que vivia. Esses, ou esse maluco mascarado está atacando muita gente. E eu descobri esses poderes quando ele me atacou. Eu não sabia do que era capaz, mas na hora da adrenalina... É como se eu tivesse aberto a porta para meus poderes surgirem. Voar, super-força... Não podia desperdiçar isso.

– Mas e sua família? Como eles reagiram?

– Não posso ter família. Não posso ter amigos. Porque qualquer um que fique perto de mim está correndo perigo. Pode ser que eu não possa salvar a pessoa em questão, pode ser que o mascarado venha e te faça refém. Eu não quero isso. Se eu amo mesmo as pessoas, elas tem que ficar afastadas de mim. Forjei a minha morte à minha família. Não podia contar a verdade, eles iriam tentar me proteger e se eu fugisse eles iriam me procurar.

Tinha razão. Se seus pais fossem buscá-lo, iriam colocar anúncio em cada poste da cidade, preocupados, e o mascarado poderia usá-los como chantagem.

– Você também deveria fugir.

– Eu? Não, impossível. Eu sou completamente dependente do meu irmão. Sem ele, não sei o que faria...

– Sabe o que eu notei desses mascarados? Eu notei um padrão em seus ataques finais. Ou ele usa aquele olho negro para te fazer desmaiar, ou eles simplesmente quebram o seu pescoço. Eles procuram pessoas especiais, mas não sabem quem são, às vezes atacam pessoas parecidas, ou apenas se confundem. Eu sei disso porque eu vi. Eram dois garotos. Um era o Poti da outra turma. Outro eu não conhecia, mas era parecido com ele. Eles estavam andando quando vi o mascarado atacando-os. Os dois se dispersaram, cada um foi pra um beco diferente. O mascarado foi ao segundo garoto e o imobilizou facilmente, mas deu uma olhada em seu rosto, quebrou seu pescoço e foi atrás do Poti. Ele, pelo que vi, sabia onde o mascarado estava. Como se ele olhasse pelas paredes. Mas o mascarado o pegou, o analisou e o fez desmaiar. Eu sei o que eles querem, só não sei pra quê.

Já sabia onde essa conversa ia dar.

– Eles caçam pessoas com habilidades especiais.

Droga, agora o Matheus suspeita que eu tenho habilidades especiais! O quê eu faço, conto, não conto? Droga! Mas esse Poti... Esse poder! É o poder do Ernesto! Atravessar paredes! O que isso quer dizer! Duas pessoas podem ter o mesmo poder?

– Marina, olha, eu preciso que você confie em mim. Você tem alguma habilidade especial?

Eu hesitei antes de falar, mas ele estava bastante sério, parecia confiável e além do mais, já me salvou duas vezes da morte.

– Eu... Opa, você viu o Poti sendo atacado e não fez nada?

– Não dava tempo. Eu estava aqui encima. – Ele pegou um binóculos do bolso. Ele tinha uma fita atrás, para que ele pudesse ver de longe, voando. – Mas... Você tem, não é?

– Tenho, mas não é algo tão grandioso como voar, e quebrar paredes.

– Qualquer coisa fora do padrão da espécie humana serve.

– Eu pinto o futuro.

Ele engoliu saliva fortemente, senti que estava assustado.

– Isso é absurdamente mais importante do que voar. Marina você não pode voltar pra aquela casa. Ele, ou eles vão te caçar até os confins da Terra. Me explica, como funciona esse poder?

– É algo completamente involuntário, alguma hora de algum dia, minha visão fica toda cinza, meu corpo se mexe sozinho e começa a desenhar! Quando acordo, vejo uma pintura, e no futuro ela acontece, não importa quando, acontece. Tudo se concretizou até agora, inclusive eu tinha pintado um quadro da Terra se explodindo! Eu não sei se isso vai acontecer, mas é bem provável que aconteça porque tudo se torna real e...

– Vai pensando no bilhete que você vai deixar pra sua família, porque você não pode mais voltar pra sua casa.

– Você não pode me proibir de ver a minha família! Não tem esse direito!

– Você não entende. Na verdade nem eu entendo, estou tentando descobrir o quê eles fazem com as pessoas que capturam. Até lá você não sai daqui, por sua segurança. Ninguém vai te procurar num prédio abandonado do outro lado da cidade.

– Não pode me prender aqui!

– Posso e vou, não quero que você morra ou coisa pior. Vou buscar comida. – Começou a voar pra fora do quarto.

– MATHEUS! VOCÊ NÃO PODE ME MANTER PRESA! EU VOU VOLTAR PRA MINHA FAMÍLIA QUEIRA VOCÊ OU NÃO!

– Ótimo. Tudo bem está livre. Pode ir ver o seu irmão, não conte com a minha ajuda.

– É sério? Sério mesmo? Jure!

– Dou a minha palavra que a partir de agora você está livre para ver o seu irmão ou a sua família, mas você não vai me pedir nenhum tipo de ajuda.

– Feito! Conheço gente policial.

– Ok então. – Ele foi se afastando mais.

– Espera! Me tira daqui!

– O trato foi que você está livre. Mas sem nenhuma ajuda minha.

– O QUÊ?

E foi embora de vez. Droga, ele me enganou direitinho! Sei que no fundo ele quer me proteger. Mas essa não é a vida que quero! Bom... Eu não pude escolher ter esse dom... Droga! Tudo ficou cinza! Que saco! Isso não é um dom!

É uma maldição!

Notas finais
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