A Nova Babá
9 Acordo
Notas iniciais
– Eu sei mais entenda, Dereck a adora como uma mãe e eu penso no melhor para meu filho, apenas diga se aceita — ele falou ainda a encarando.
A loira piscou os olhos tentando entender o que de fato estava acontecendo, viu o loiro passar as mãos pelo cabelo ainda a encarando, respirou fundo e pigarreou.
– Não — ela falou firme e o viu arregalar os olhos — O senhor está louco? Está bêbado? Não posso me casar com alguém que mal conheço — ela afirmou enquanto cruzava os braços, o viu suspirar e se aproximar do sofá se sentando ao lado de Bob que rosnou para ele.
– Pensei que eu tivesse alguma chance de conseguir um "sim" — ele sussurrou, a loira descruzou os braços levantando uma sobrancelha e se aproximou do sofá , puxou a coleira do cachorro com calma conseguindo o afastar um pouco de Jack , se sentou ao lado do loiro que observava o chão a sua frente.
(...)
Jack observava o chão ainda sem acreditar no que havia feito, realmente estava louco, desesperado, a chegada de Thooth mexera com ele, sabia que Dereck sentia falta de uma mãe e agora com Thooth querendo revê-lo tinha medo de perder o filho.
Levantou o rosto passando a mão pelo olho cansado, virou a cabeça encontrando os olhos azuis de sua antiga babá o observando atentamente.
– Sei que está confusa, me desculpe — ele falou retomando sua postura séria, ela já havia o visto desesperado não queria que agora o visse frustrado.
– Tudo bem — ela falou sorrindo sincera — Mais pode me dizer o por que disso tudo? — ela perguntou e o viu massagear a nuca cansado.
– É uma longa história — ele sussurrou sorrindo envergonhado.
– Acabou de me pedir em casamento, acho que não tenho mais surpresas por hoje e quero saber — ela falou divertida.
– Hoje foi um dia bem conturbado, a mãe de Dereck apareceu depois de muito tempo e agora quer vê-lo, por isso fiquei desesperado, ele sente falta de um carinho materno, tento dar atenção a ele mais é complicado, e pensei que se ele rever a mãe talvez ele queira ir embora com ela e acho que não aguentaria, por isso pensei em você — ele falou levantando a cabeça e a encarando, a viu arregalar um pouco os olhos — Dereck a adorava e talvez se você se torna-se a nova mãe dele , teria uma chance disso tudo não acontecer , por isso optei por lhe pedir em casamento — ele terminou de falar rapidamente, um silêncio se apoderou pela pequena sala, ele suspirou irritado, já estava passando dos limites, ele Jack Frost se abrindo com uma garota qualquer.
– Bom — Elsa falou chamando a atenção do loiro — Eu entendi mais mesmo assim, o senhor realmente achou que essa história daria certo? — ela perguntou e o viu confirmar com a cabeça, a campainha tocou chamando a atenção dos dois, a loira se levantou abrindo a porta dando de cara com um garoto pouco mais de dezesseis anos, ele a estendeu o pacote e ela abaixou o olhar para sua própria mão onde o dinheiro que havia pego antes já estava completamente amassado, o entregou e agradeceu fechando a porta, foi em direção a cozinha com a sacola na mão, pegou dois pretos dividindo o conteúdo, sorte que sempre pedira comida a mais para que ficasse na geladeira durante a semana , mais dessa vez teria de comprar mais comida amanhã, voltou para a sala encontrando Jack próximo a sua estante observando suas fotos — O que está fazendo? — ela perguntou chamando a atenção do loiro que se virou com as mãos nos bolsos da calça social.
– Nada — ele a respondeu um tanto mal-humorado — Acho que vou embora — ele falou remexendo no bolso e tirando as chaves.
A loira pousou os dois pratos sobre a mesinha de centro da sala, e se aproximou de Jack parando a sua frente — Sei que o senhor não teve um bom dia mais acho que tenho uma solução — ela falou e o viu levantar uma das sobrancelhas.
– Qual seria? — ele perguntou e a viu sorrir lhe dando as costas e indo em direção a mesinha pegando os dois pratos e lhe estendendo um, ele encarou o prato a sua frente, o Yakisoba coberto de molho e alguns legumes parecia apetitoso para qualquer pessoa faminta, mais não para ele que de fato não era fã desse tipo de comida, suspirou derrotado, seria errado não aceitar, pegou o prato e a viu se sentar no sofá, se sentou ao seu lado.
– O senhor me contratar novamente — ela falou antes de colocar um pouco de macarrão na boca, o viu a encarar.
– O que? — ele perguntou a encarando, a viu terminar de mastigar.
– O senhor mesmo disse que Dereck gosta de mim, não acha que ele ficaria feliz em me ter de volta como sua babá? — ela perguntou sorrindo.
– Talvez — ele respondeu colocando uma garfada com um pouco de macarrão na boca.
– Posso lhe fazer uma pergunta? — a loira falou lhe chamando a atenção, ele concordou com a cabeça — Quando me despediu me disse que foi por conta das coisas fantasiosas que colocava na cabeça de Dereck — ela falou revirando os olhos como se estivesse entediada — Por que?
Jack colocou o prato sobre a mesinha a encarando — Não gosto dessas coisas, sei que isso tudo que você contava são coisas de criança, mais quanto mais uma criança
acreditar nessas coisas não estará preparada para a vida senhorita — ele falou sério, a viu franzir a testa e repousar o prato sobre a mesinha.
– É uma lógica um tanto ridícula, o senhor não acha ? — ela perguntou se levantando — Eu acreditei em tudo isso quando era criança, meus pais me contavam histórias todos os dias, e mesmo assim eu estive preparada para a vida — ela falou séria, o viu se levantar e parar a sua frente.
– Não acho — ele a respondeu se aproximando.
– Eu posso ter acreditado em tudo isso quando era criança , mais eu sei o que a vida é capaz, ou o senhor acha que sou uma sonhadora ? Que ainda espera o príncipe encantado em um cavalo branco ? Dereck é uma criança, o que o senhor quer mostrar para ele em seus seis anos de idade? Que o mundo é perigoso? Consumista? Que temos que desistir de muitos sonhos e deixarmos de ser nós mesmos para seguir uma vida sensata e lógica, pois eu não acredito que esse é o método para se criar uma criança, o senhor brinca com Dereck de bonecos e carrinho quando está em casa, acha que ele isso é o suficiente, se pode imaginar que esses bonecos tem vida na hora de uma brincadeira porque não mostrar ao seu filho um outro lado da imaginação.
Jack a encarou, estava pasmo, a viu levar as mãos aos cabelos soltos e agarrar uma mecha a contorcendo entre os dedos nervosamente — Não quero dizer que seus métodos de babá são errados, mais me entenda, eu também acreditava em tudo isso , em finais felizes quando era criança, e agora, olhe para mim, meus pais faleceram e minha mulher me deixou tudo em pouco tempo, e isso mostrou que a vida não é um conto de fadas senhorita — ele falou se aproximando ainda mais da loira, a viu piscar os olhos e parar de mexer no cabelo, ficaram em silêncio por alguns segundos que para os dois foram horas, Elsa suspirou tentando recuperar as palavras.
– Dereck tem apenas seis anos, precisa de um mundo só dele agora, um mundo onde ele possa sonhar, mesmo que esse mundo não exista, aprendemos as coisas com o tempo, assim como amadurecemos aos poucos, acha que daqui a alguns anos ele ira querer se sentar e brincar de Peter Pan ou sair com os amigos e conhecer o mundo? — ela pousou uma mão sobre o ombro do loiro o apertando, o viu abaixar o olhar para ela.
– Vai querer voltar a trabalhar para mim senhorita? — ele perguntou e a viu sorrir.
– Claro, mais com algumas condições — ela falou e o viu bufar irritado.
– Quais seriam? — ele perguntou e a viu se sentar no sofá.
– Permitira que eu continue contando histórias para Dereck — ela falou e o viu concordar um tanto mal humorado — E que eu possa levar Bob comigo.
– O que? — ele perguntou rapidamente, já estava torcendo o braço por ter aceitado que ela continuasse com suas invenções.
– Bob, meu cachorro — ela falou e logo sorriu assoviando, um latido soou e em segundos o cachorro apareceu ao seu lado pousando as patas em seu colo.
– Não — Jack falou firme, a viu sorrir e abraçar o enorme cão que pendia a lingua para fora da boca.
– Acho que Dereck adoraria um animalzinho de estimação e Bob não é nenhum pouco malvado, ele pode ficar comigo no meu quarto e de manhã o solto no quintal que há no fundo da casa — ela falou e o viu bufar irritado.
Jack encarou o animal e em seguida a garota, céus e se não aceitasse , talvez Dereck ficasse feliz com algum animal, ele nunca tivera dado um ao filho, e com isso a criança continuaria em sua casa.
– Com uma condição — ele falou e a viu desfazer o sorriso — A senhorita continuara trabalhando para mim por tempo indeterminado e passara os finais de semanas comigo e com Dereck e claro recebera a mais — ele falou e a viu balançar os ombros.
– Por mim — ela respondeu soltando a cabeça do cachorro — Chegamos a um acordo?
– Fechado — ele falou se levantando e lhe estendo a mão , ela a apertou e ele sorriu.
– É muito bom fazer negócios com o senhor — ela falou sorrindo soltando a mão do loiro que lhe deu as costas andando em direção a porta e a abrindo.
– A senhorita pode voltar amanhã — ele falou saindo pela porta e a fechando, a loira sorriu se jogando no sofá, como pode haver alguém assim como ele, um completo maluco, em algumas horas ele é um tanto insano, em outra grosso e por fim estranho, e que conversa era aquela que haviam tido, discutiram e em questão de segundos a discussão acabou e se entenderam, bocejou se levantando e pegou os pratos, a comida já estava fria e ela havia perdido o apetite, a guardou na geladeira e apagou as luzes indo em direção ao seu quarto.
(.....)
Jack fechou o livro o colocando ao lado da cama sobre o criado mudo, sua mente estava inquieta e a conversa com a loira ainda estava em sua cabeça, assim como o resto de seu dia, havia reencontrado Thooth, acabado seu namoro com Sophie e pedido uma completa estranha em casamento, talvez estivesse trabalhando demais e um tempo em casa seria bom, se virou na cama encarando o rosto adormecido do filho, havia colocado o pequeno para dormir com ele como a muito tempo não fizera, o viu sorrir durante o sono e sorriu o imitando, talvez as coisas não fossem tão ruins
como ele imaginara em sua mente, desligou o abajur e fechou os olhos, sua única preocupação ao acordar seria ter de aguentar a senhora Miller.
(...)
O carro branco estacionou em frente a bela casa, um rapaz loiro desceu dando a volta no carro e abrindo o porta-malas, retirou as três malas as colocando ao lado do carro, viu a porta do carro abrir e descer uma garota loira com uma calça jeans escura e uma regata verde, ela puxava uma coleira com força e em questão de segundos um Husky siberiano desceu os encarando com grandes olhos azuis.
– Ainda não acredito que trouxe seu cachorro — ele falou se aproximando da loira .
– Meu patrão permitiu, e nem começa, Bob é um amor de cachorro — ela falou enquanto acariciava a cabeça do cão.
– Ok — o loiro falou sorrindo.
– Kristoff obrigada pela carona — ela falou se aproximando e abraçando o loiro.
– Sem problema cunhadinha — ele a respondeu e a viu desfazer o sorriso e lhe dar um soco no braço — Adoro seu senso de humor — ele falou enquanto massageava o local que ardia um pouco.
Ela sorriu pegando uma maça e a puxando em direção a entrada da casa, Kristoff a seguia levando as outras duas, parou em frente a porta tocando a campainha, a mesma foi aberta por uma mulher de longos cabelos loiros.
– Elsa? — Rapunzel perguntou assustada.
– Seu irmão me contratou novamente — ela falou sorrindo enquanto era envolvida por um abraço carinhoso da loira.
– Dereck — o grito de Rapunzel ecoou pela casa e em questão de segundos uma criança apareceu um tanto sonolenta em frente a porta, Elsa sorriu para ele , Dereck correu em direção a loira pulando em seu colo.
– Você voltou — ele falou alegre o que fez a loira sorrir.
– Sim — ela o respondeu beijando a ponta de seu nariz, a loira o colocou no chão e logo a criança foi derrubada pelo enorme cachorro que lambia seu rosto alegre.
(...)
Jack fechou a porta da casa com calma, havia tido um dia e tanto, por mais que metade desse dia ele tivesse passado fugindo de sua ex-sogra, retirou o casaco o pendurando, escutou passos e se virou vendo Rose aparecer na sala com um roupão.
– O senhor chegou, teve um dia dificil? — ela perguntou e o viu sorrir.
– Me conhece muito bem Rose — ele a respondeu enquanto abria os botões da camiseta- Onde está Dereck? — ele perguntou e a viu sorrir — Preciso falar o do porque não ter vindo almoçar com ele hoje, realmente não pude.
– Está lá em cima — ela o respondeu.
– Como que foi hoje? — ele perguntou se sentando no sofá.
– Tudo ótimo, o senhor precisava de ver a alegria que ele ficou quando a senhorita Elsa chegou e ainda mais com aquele cachorro o pequeno não quis nem ir a aula — ela falou sorrindo alegre, o viu levantar uma das sobrancelhas — Não se preocupe , ele foi a escola, mais a senhorita Elsa teve de levá-lo e busca-lo junto com o cachorro, foi o único acordo que conseguimos fazer — ela falou e o viu sorrir de lado e balançar a cabeça.
– Vou ver como ele está — o loiro falou se levantando e dando um breve boa noite a governanta, subiu as escadas parando em frente o quarto do filho, bateu na porta ninguém o respondeu, a abriu entrando no quarto, andou em direção a cama e sorriu, Dereck estava deitado com Elsa ao seu lado, ambos em um sono profundo, acariciou os cabelos do filho e se abaixou lhe dando um beijo na bochecha, voltou seu olhar a loira que abraçava a criança carinhosamente, sabia que ele havia agido um tanto rude com ela todo esse tempo, mais mesmo assim tinha de agradece-la por estar vendo Dereck sorrir como a muito não fazia, se inclinou próximo ao rosto da garota — Obrigado — ele sussurrou antes de lhe desferir um suave roçar de lábio em sua pele quente, talvez fosse melhor não acordá-los, se levantou saindo do quarto, precisava comer algo e tomar um belo banho.
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