A Nossa Secessão
6 Reyna Arellano: Luke Castellan precisa de um abraço. E de um terapeuta
Notas iniciais
3 de Julho de 1863:
A vista do Acampamento Júpiter nas proximidades de Charleston era reconfortante depois de se passar dez dias voando de um campo de batalha para o outro com quase nenhuma oportunidade de descanso. Apesar de tudo, o lugar não era o mesmo de antes da guerra. O Campo de Marte estava repleto de tendas brancas usadas pelos filhos de Apolo e curandeiros para tratar dos feridos, e as casas das Coortes estavam praticamente desertas, com um ou outro campista que ficara para trás para se recuperar de alguma ferida ou de uma missão muito longa. Os templos pareciam perigosamente esquecidos e eu mordi os lábios pensando na fúria dos deuses que se abateria sobre nós se eles não estivessem ocupados de mais com a nossa guerra.
Talvez seja por isso que tenhamos perdido o filho de Netuno, pensei, amargurada enquanto Cipião pousava com suavidade diante da principia. Estava em casa.
— Obrigada pela ajuda. — sussurrei para o pégaso, me reclinando sobre seu pescoço para alcançar sua orelha. Ele balançou a cabeça, satisfeito e eu desmontei. Tirei da bolsa que trazia comigo uma maçã e ofereci para ele — Tome. Você mereceu.
Cipião relinchou, contente e pegou a maçã com a boca. Acariciei seu focinho e me virei para o prédio. Ouvi o seu trote leve se afastar pela Via Principali enquanto ele se dirigia para os estábulos.
Os guardas da entrada bateram com suas lanças no chão em sinal de reconhecimento e um deles deu um passo a frente, indicando que tinha algo a me dizer.
— O graecus está te esperando lá dentro, General.
— Obrigada. — agradeci, passando por eles para entrar no prédio de mármore de dois andares.
O interior da principia estava frio. Enquanto caminhava pelo enorme salão decorado com diversos artefatos militares e cortinas de veludo, senti os olhos de Lupa no mosaico acima da minha cabeça me seguirem pela sala, como se ela me julgasse pela minha mais recente falha. E eu merecia esse julgamento. O que estava pensando ao deixar Octavian no comando de uma Coorte? Eu sabia muito bem que tipo de pessoa ele era, devia ter arrumado um jeito de mantê-lo afastado do cargo. Talvez usado a desculpa de que o acampamento precisava de um agoure. Mas agora era tarde de mais para isso e eu tinha assuntos mais urgentes para tratar, como o adolescente loiro parado diante de um estandarte, como se analisasse a melhor forma de roubá-lo sem que sua falta fosse percebida. Não fora só eu que percebera isso. Aurum e Argentum o observavam com os dentes arreganhados.
— Luke Castellan. — chamei e o jovem se virou para me olhar. Sua expressão séria era acentuada pela cicatriz que cortava o seu rosto. Os dois galgos ergueram os olhos ao som da minha voz.
— General Arellano. — ele cumprimentou com respeito, tirando o chapéu que acompanhava seu uniforme de coronel do exército da União.
— Por favor, me chame de Reyna. — pedi colocando a minha adaga de ouro imperial sobre a mesa central — E então? Quais são as notícias do seu lado da batalha?
Luke se prostrou com uma postura relaxada diante da mesa enquanto eu me sentava na cadeira de espaldar alto. Com as mãos atrás do corpo, ele ficou levemente nas pontas dos pés antes de se acomodar sobre os calcanhares enquanto pensava como prosseguir.
— Os gregos estabeleceram uma base no Monte Mitchell. — ele começou — Foi para lá que levaram Percy Jackson.
— Quem? — perguntei, apesar de já suspeitar qual seria a resposta.
— O filho de Poseidon. — Luke respondeu e eu indiquei que ele prosseguisse — Annabe... General Chase me enviou como mensageiro para alertar Quíron sobre o nosso sucesso e recomendando diversas movimentações de tropas no norte. Fiz uma cópia da carta para você enquanto esperava pela sua chegada.
— Sinto muito pela demora. — alfinetei.
— Não estava criticando. — ele respondeu com calma.
Reprimi um suspiro.
— Perdoe-me. Esses últimos dias tem sido estressantes para todos. — falei com polidez — Os seus serviços tem se provado muito útil e de grande valor, Coronel Castellan. Não fosse a incompetência de um dos meus tenentes, o filho de Netuno estaria em nossas mãos nesse momento.
— Não coloque o peso dessa falha apenas nos ombros de seu exército, Reyna. Annabeth pode ser uma adversária formidável. — ele afirmou.
— Para outras falhas, talvez, eu pudesse usar essa desculpa. Mas a da última missão tem nome e endereço. — murmurei com amargor.
Luke assentiu, tirando um envelope de dentro do casaco e colocando-o sobre a mesa.
— Se importa de lê-la em voz alta, por favor? — pedi.
O oficial sorriu, relanceando um olhar para os galgos prostrados de cada lado da mesa. Ele era esperto o suficiente para entender o motivo do pedido, mas não demonstrou receio ao quebrar a cera que selava o envelope e retirar o papel bem dobrado que estava lá dentro. Com calma, ele começou a ler, mas eu não prestei muita atenção ao seu conteúdo. Estava atenta às reações dos dois cães, para garantir que eles não atacassem o meu convidado. Se bem que, se ele estivesse bancando o agente triplo, talvez ele merecesse a punição que eles lhe reservavam.
Luke terminou e não houve nenhuma agressão por parte de Aurum ou Argentum. Sorri, satisfeita e estendi a mão para receber o papel. Assim que o oficial o entregou para mim, acenei com a cabeça em um agradecimento e deslizei a carta dobrada para dentro do uniforme militar.
— Agora, sobre o seu acampamento. — comecei — Conseguiu encontrar a passagem que eu mencionei?
O adolescente negou com a cabeça.
— Fui enviado em missão antes que pudesse checar a informação. — ele respondeu sério e, pelo que pude identificar, uma pontada de raiva — Não voltei ao acampamento até o momento.
— Entendo... — murmurei, mas minha cabeça pensava em outra coisa — Quantas pessoas você acha que estão defendendo sua posição em Long Island?
— Poucas. — ele respondeu — Eu diria que a mesma quantidade que está defendendo o Acampamento Júpiter. Grande parte das nossas tropas está espalhada em linhas de frente no norte e no sul.
— Você acha que as pessoas que estão lá seriam capazes de repelir um ataque? — prossegui.
— Depende da força enviada. A maior parte dos semideuses estacionados lá são espiões, curandeiros ou ferreiros, mas todos sabem lutar tão bem quanto qualquer outro soldado.
— Se nós conquistássemos o acampamento de vocês, acredita que a guerra acabaria?
Luke pensou um pouco antes de responder, sério.
— Demoraria um tempo ainda. — ele falou por fim — Os gregos tentariam de tudo para reclamar o que é deles, mas se os romanos conseguissem manter sua posição por tempo suficiente, talvez eles começassem a se render.
— Talvez? — questionei, insatisfeita.
— Tudo vai depender do quão cabeça-dura as Generaais La Rue e Chase se mostrarão nesse momento. — ele deu de ombros — Annabeth talvez recuasse para se reagrupar e talvez até propusesse uma trégua para planejar um contra ataque à altura. Clarisse, por sua vez, tomaria tal ataque como uma afronta pessoal. Ela e o restante dos filhos de Ares não iam desistir até que todos estivessem mortos ou que o acampamento fosse reconquistado.
— Entendo... — murmurei pensativa juntando as mãos à frente da boca — Mas no momento, especulações como essas não são muito úteis se não encontrarmos a brecha de que precisamos para invadir o Acampamento Meio-Sangue.
— Concordo. E eu estarei voltando para lá ainda hoje. Preciso entregar essa mensagem para Quíron. Vou pedir um tempo para descansar e tentar buscar a fenda.
— Obrigada. — acariciei atrás da orelha de Argentum, que pareceu satisfeito com a atenção, apesar de não desviar os olhos do garoto diante dele.
Ficamos um tempo em silêncio. Minha mente estava a mil com as informações que Luke me providenciara e eu já começara instintivamente a bolar estratégias e missões novas que poderiam nos auxiliar a ganhar dos gregos. E deuses, como precisávamos daquela vitória. Forcei-me a conter o fluxo de pensamentos que invadira a minha cabeça e já começava a me provocar um pouco de dor atrás dos olhos. Poderia pensar em tudo isso mais tarde, durante o jantar de preferência, depois de um bom banho e algumas horas de sono.
— Em que mais posso ser útil? — o garoto perguntou, prestativo, com um tom ao mesmo tempo respeitoso e relaxado, voltando a relancear um olhar para o estandarte.
— Tenho uma última pergunta para você, que pode parecer de cunho pessoal, mas que eu devia ter feito quando aceitei a sua ajuda. Se importa? — falei erguendo os olhos novamente para ele. Ao que ele concordou, prossegui — Por que trair os seus irmãos gregos?
Senti que a pergunta o pegou desprevenido e o choque levou um tempo para passar. Eu esperei pacientemente pela resposta, observando Aurum farejar o ar.
— É... complicado. — ele se limitou a falar, baixando os olhos para o chão de azulejos.
Surpreendentemente, os cães não rosnaram. Ele não estava mentindo, então. Apenas se esquivando da pergunta. Tornei a me recostar na cadeira e me permiti trapacear um pouco, emprestando para ele parte da segurança que eu sentia por estar de volta à minha casa. Observei sua postura relaxar novamente enquanto ele mordiscava o lábio inferior, lançando um olhar intenso para o nada sobre o piso.
— Por causa do meu pai. — ele admitiu por fim — Hermes é um canalha. Ele abandonou a mim e a minha mãe e deixou que a saúde dela se deteriorasse até o ponto dela enlouquecer completamente. Depois veio Zeus. Ele tentou matar a própria filha para evitar que os romanos a capturassem! Colocou a menina em um coma!
Senti a sua raiva me atingir como uma onda e, pega de surpresa, quase deixei que ela me afetasse, acordando a minha própria fera adormecida. Admito que não esperava razões tão pessoais para uma traição como essa. Talvez um desejo por poder, ou quem sabe uma desavença com algum outro oficial. Mas aquilo? Aquele ódio que ele guardara era muito grande, a ponto de ambos os galgos sentirem e recuarem, assustados. Ele não percebera que levantara o tom, mas eu não me importei. O Coronel tinha ativado a minha curiosidade, e interrompê-lo para pedir que falasse mais baixo poderia fazê-lo se retrair e não me contar o que eu precisava saber. Aparentemente, Luke não tivera muitas pessoas com quem podia contar nos últimos anos. Eu não teria problemas em conseguir respostas enquanto me mostrasse aberta a ouvi-lo.
— Os deuses gregos não se importam com seus filhos! Eles nos abandonam a nossa própria sorte desde que nascemos! Nenhum lobo vem nos buscar na porta da nossa casa para nos treinar! Se você tiver sorte, algum sátiro vai aparecer para te arrastar até o acampamento, mas se nós morrermos no meio do caminho, eles nem sequer se manifestam!
Fiquei em silêncio. A dor dele era profunda. O rancor que ele sentia pelo pai era algo que eu nunca me deparara antes, nem mesmo em mim mesma. E eu posso dizer que tenho uma boa cota de problemas paternos. Senti vontade de abraçá-lo pelo simples fato de entender pelo que ele estava passando, mas Luke interpretou o meu olhar de outra forma.
— Não me olhe com pena, Reyna. — ele falou com rancor. Não havia sinal do garoto cordial e prestativo com quem eu estava me reunindo minutos atrás.
— Não estou te olhando com pena. — respondi com calma — Isso se chama compaixão, Luke. Eu entendo o que você está passando.
Em resposta, ele deu uma risada seca.
— Não, você não entende. Você nasceu destinada a pompa de Roma. — ele abriu os braços para indicar o salão ao seu redor — Quero dizer, olhe para isso aqui! A construção mais bonita que temos no nosso acampamento é o pavilhão do refeitório, que tenta imitar o Parthenon! — ele ficou com um sorriso triste e resignado no rosto — Os deuses de vocês pregam a ordem. Os nossos só tacam o foda-se.
— Não fale sobre o que você não conhece. — respondi — Não é porque somos romanos e estamos destinados a herdar as maravilhas do império que a nossa vida é perfeita. Cada um tem a sua história, e garanto que poucas são mares de rosas.
— Pelo seu tom, diria que você se encaixa nesse grupo majoritário. — ele rebateu com um sorriso frio, cruzando os braços. Uma forma típica do corpo tentar se proteger de ofensas.
Relevei seu comentário com um aceno de mão.
— Apesar disso, agradeço o seu apreço pela nossa organização. — continuei — Mas espero que você não acredite que a nossa vida é fácil só porque lobos vêm nos buscar na porta de casa.
— Não disse que era fácil. — Luke rebateu, sério — Disse que era melhor. Já experimentou viajar de um lado a outro do país acompanhado de um sátiro? Eles são definitivamente melhores do que faunos, mas não chegam nem perto de guerreiros formidáveis e corajosos.
Seu comentário fez brotar um sorriso no canto dos meus lábios. De fato, tentar imaginar um fauno de armadura e espada na mão não era lá uma das coisas mais fáceis do mundo. Pelo menos aqui no acampamento Júpiter, eles não passavam de pedintes constantemente esfomeados.
— Você realmente acha que as coisas melhorariam para os gregos se os romanos ganhassem a guerra? — perguntei me apoiando sobre a mesa.
Luke deu de ombros. Parecia mais confortável agora que se abrira e sua postura era menos rígida, como se tivesse tirado um peso dos ombros.
— Só tem um jeito de descobrir. — ele falou.
Passos ecoaram no salão e nós dois nos viramos para a entrada. Um dos guardas legionários que guardava a principia se aproximava com passos rápidos.
— Desculpe interromper, General Arellano. — ele falou assim que se aproximou o suficiente da mesa para ser ouvido — Mas General Grace e General Zang chegaram e aguardam lá fora para o conselho de guerra.
Assenti e tive que conter o impulso para fechar os olhos. O conselho de guerra. Eu me esquecera completamente do verdadeiro motivo de ter retornado para o acampamento.
— Muito bem. — falei, tentando disfarçar o cansaço e a falta de vontade na voz — Peça para que eles entrem. — o soldado tornou a se afastar e Luke esticou o braço para alcançar o chapéu sobre a mesa — Você fica, Coronel Castellan. — adicionei — Quero que os meus generais saibam de onde vêm as informações que lhes passo. Mas já vou logo avisando. Eles não vão gostar muito de você pelo simples fato de ser um traidor. Principalmente Jason. Tente não perder a cabeça.
Luke sorriu.
— Sou filho de Hermes, General. Meu pai é deus dos comerciantes. Sei muito bem como agir em situações de negociação. — ele desviou o olhar para a porta — E só para você ter uma noção do despreparo dos gregos: os nossos conselhos de guerra são feitos ao redor de uma mesa de baralho.
Jason e Frank entraram logo em seguida, com os uniformes em muito melhor estado do que o meu. Os dois conversavam em um tom normal, mas ao entrarem no salão, suas vozes foram ampliadas o suficiente para eu saber que eles discutiam recentes atitudes de Octavian. Ao verem Luke, porém, trajado com as fardas da União, prostrado na frente da cadeira vazia, os dois estacaram no meio do caminho. Uma mistura de surpresa e desconfiança invadindo seus olhos.
— Generais, por favor, se aproximem. — pedi em um tom neutro que disfarçava o meu cansaço — O Coronel Castellan não morde e está desarmado.
Os dois trocaram olhares de dúvida, como se se perguntassem se eu ainda podia ser considerada sã depois de convidar um grego para dentro do prédio da principia, mas obedeceram e logo Jason ocupou o seu devido lugar na cadeira ao meu lado com os olhos fixos em Luke, enquanto Frank se colocava na minha frente, curiosamente buscando manter uma certa distância do filho de Hermes, como se a condição de grego fosse contagiosa.
— Se importa se eu perguntar o que está acontecendo exatamente? — perguntou o filho de Júpiter se virando para mim — Por que temos um oficial da União dentro da principia?
— Este é Luke Castellan. — informei com paciência — O agente duplo que nos forneceu as informações quanto a localização do filho de Netuno.
A expressão de Jason ficou séria, e ele analisou o jovem a sua frente de cima a baixo com olhos que emanavam desprezo. Frank, por sua vez, relanceou ao garoto um olhar de esguelha.
— Infelizmente Octavian não soube ver a oportunidade que tínhamos e atrapalhou tudo. — continuei com amargor — Mas ele vai nos ajudar a invadir o acampamento Meio Sangue.
— Como podemos ter certeza de que ele está trabalhando exclusivamente para nós? — o pretor perguntou, desconfiado.
— Aurum! Argentum! — os cães ficaram de pé, olhando-me com seus olhos de rubi — Luke, por favor, responda à pergunta do General Grace.
— Eu estou trabalhando exclusivamente para os romanos. — ele respondeu, colocando as mãos nas costas e retomando a postura do inicio da nossa conversa — Tenho meus motivos para ter feito o que fiz, mas isso não me torna menos dedicado à causa.
Nenhuma reação dos galgos. Virei-me para encarar o filho de Júpiter, que mantinha a sua surpresa muito bem contida sob uma grossa camada de desconfiança enquanto encarava o oficial em busca de qualquer sinal de que os estava enganando. Frank foi mais direto. Com um pigarro leve, chamou a atenção de todos para si.
— Ele é filho de Mercúrio, deus dos ladrões. — o general falou após reconhecer a insígnia do caduceu na manga do uniforme — Acha seguro confiar nele?
Ergui as sobrancelhas.
— Os meus galgos parecem mais confortáveis perto dele do que vocês dois, e eu confio nesses cães com a minha vida para detectar mentiras e possíveis ameaças.
Frank olhou para Aurum, que casualmente lambia o focinho, expondo os dentes afiados como navalhas, e deu de ombros.
— Agradeço por ter nos mostrado a sua fonte, Reyna. — falou Jason por fim — Mas não acho adequado que ele permaneça em uma reunião do conselho de guerra.
— Concordo com você. — me voltei para o grego — Obrigada por tudo, Luke. Faça uma boa viagem de volta e nos veremos de novo assim que você conseguir a informação que precisamos.
Ele assentiu, pegou seu chapéu sobre a mesa e bateu uma continência rápida. Saiu com passos firmes, mas ao mesmo tempo sem pressa alguma. Quando a porta finalmente se fechou atrás dele, os olhos dos dois garotos se voltaram para mim.
— Tem certeza de que é uma boa ideia buscar ajuda em meio aos ranques gregos? — o pretor insistiu — Estamos tão desesperados a esse ponto?
— Luke veio me procurar. — respondi — Na verdade ele foi capturado e simplesmente se ofereceu para trabalhar para nós.
— Falando em mensageiros capturados. — comentou Frank — Conseguimos mais dois seguindo para nordeste, vindos do oeste da Carolina do Norte. Alguma ideia do que eles poderiam estar fazendo por lá?
— Luke afirmou que os gregos estabeleceram uma base de operações no Monte Mitchell. — respondi — É capaz desses dois terem saído de lá.
— Vou pedir para que as águias da Quinta Coorte sobrevoem a região em busca de um acampamento. — afirmou Jason — E já pedi para que Hazel fosse levada para o local para buscar por sinais de névoa.
— Se eles tiverem aprendido a manipular em grandes escalas estaremos ferrados. — comentou Frank.
— Perderemos uma vantagem, mas com Luke infiltrado ela não será muito significativa. — rebati.
— A não ser que ele seja descoberto. — treplicou o filho de Júpiter — Aí sim teremos problemas.
Deixei o ar escapar pelo nariz em um bufo contido.
— Então é bom aproveitarmos ele enquanto podemos. — me limitei a responder — Frank, e quando à mãe do filho de Netuno?
— Está nas proximidades de Lexington. — ele replicou — Se tudo der certo, teremos ela aqui em menos de uma semana.
— Ótimo. E quanto a Octavian? — continuei.
— Ele é um problema. — Jason coçou a nuca, irritado — Acredita que mesmo depois de ouvir um sermão, ele ainda teve a audácia de sugerir enviar a Medusa atrás do filho de Netuno.
Frank assobiou, admirado. Eu me limitei a arregalar os olhos, incrédula com a estupidez do agoure.
— E o que você fez quanto a isso? — perguntei, séria.
— Ameacei colocá-lo em probatio. — o garoto se deixou escorregar na cadeira — O que mais eu podia fazer?
— Eu sou a favor de trancá-lo na colina dos templos e substituí-lo por alguém mais decente. — sugeriu o filho de Marte em um tom duro.
— Para fazermos isso teríamos que convocar um tribunal, e o senado não está disponível no momento. — suspirei — Apesar de que eu queria ter tido essa ideia antes dessa guerra começar.
— Só vamos torcer para que ele não faça mais nenhuma merda. — murmurou Jason.
— Ele vai fazer. — rebateu Frank — Ele sempre faz, porque tem essa mania ridícula de achar que está no comando e que ele cria as próprias regras.
— Por enquanto vamos falar de outras coisas. — cortei, pegando a cópia da carta de Luke me entregara — Temos assuntos mais urgentes para discutir.
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