Notas iniciais
Era tão duro para Sakura ver o túmulo que fizeram para sua mãe, ela sentou ao seu lado com flores na mão, e ficou lá calada e sozinha, seu coração estava despedaçado, ela queria poder voltar atrás,

Capítulo 20

Era tão duro para Sakura ver o túmulo que fizeram para sua mãe, ela sentou ao seu lado com flores na mão, e ficou lá calada e sozinha, seu coração estava despedaçado, ela queria poder voltar atrás, mas não podia, não se pode voltar no tempo, Kai a observou de longe sem dizer nenhuma palavra, ele caminhou com dificuldade para junto dela, o ferimento doía um pouco.

_Sakura!

_Kai?! Será que verei minha mãe de novo?

_Um dia.

_Eu queria estar com ela. Queria ter ido com ela.

_Não diga isso, tenho certeza que sua mãe não iria querer isso, e eu não....

_Você o quê, Kai?

Sakura olhou para Kai com os olhos brilhantes.

Kai sentiu suas bochechas ficarem quentes, ele sabia que estava ficando vermelho então virou a cara.

_Kai. – Os olhos de Sakura estavam cheios de lágrimas — Eu sinto que está chegando o dia da volta de meu pai.

_O quê?

_Posso sentir, uma energia muito negativa se aproximar, esse veneno que pegou o Inuyasha é um sinal de que ele está vindo, meu dia está chegando.

_Não fale isso. De onde você tirou essa idéia de que sua hora está chegando?

_Não sei se quero viver mais.

Kai sentou ao lado de Sakura, colocou sua mão no rosto de Sakura.

_Por quê?

_De que adianta viver, se todos têm medo de você, se a sua vida é apenas fugir, se quando você pensa que está feliz, essa felicidade vai embora.

_Sakura!

_Eu não tenho razão para viver.

_Claro que você tem: você tem a Kagome, o Inuyasha, e eu...

Kai acariciou o rosto de Sakura, por alguns instantes e se levantou depressa.

_Seu idiota. — Kai saiu andando sem olhar para trás, deixando Sakura sem entender nada.

A dor que tomava conta do coração de Sakura não passou e não iria passar, ela sempre se lembraria da mãe e do pouco tempo que teve ao seu lado.

Kai retornou para casa, Kagome estava sentada ao lado de Inuyasha que aparentemente estava dormindo.

_E a Sakura, como ela está?

_Péssima, ela nem parece a mesma pessoa, temos que sair daqui.

_Não até o Inuyasha estar melhor.

_Você só se preocupa com esse demônio, será que você não percebe que ele poderia ter nos matado? _Kai aparentava estar muito nervoso, ele estava tremendo.

_Kai o que foi?

_Eu estou cansado, eu quero ir para casa, acabou. O demônio que matou Tenshi está morto, eu não preciso mais lutar.

_Aquele demônio que você matou...?

_Sim, foi ele que matou o Tenshi. Eu estou cansado, estou confuso.

_Não podemos deixar a Sakura.

Kai sentou no chão colocou a cabeça entre os joelhos, Kagome percebeu que ele estava nervoso, ele havia conseguido o que sempre quis, vingança, mas na verdade isso não diminuiu sua dor, e nem fez seu pai feliz.

Ao amanhecer do dia seguinte Inuyasha foi o primeiro a abrir os olhos. Kagome estava deitada do seu lado, Kai dormia em um canto escuro da casa, Sakura estava dormindo abraçada a um travesseiro no sofá.

_Kagome..._ Inuyasha passou a mão nos cabelos de Kagome, ele estava confuso. Eram tantas as imagens que estavam tomando conta de sua mente, tantas lembranças que estavam até lhe dando dor de cabeça. Olhou para o ferimento no braço dela, ferimento causado por ele. Por muito tempo não teve medo do dia em que se tornaria um demônio completo, mas agora ele estava com muito medo, machucara logo a pessoa que ele mais amava no mundo inteiro. E mesmo assim ela não saiu de perto dele, mesmo assim ela estava ali, velando o seu sono. O que será que ela faria se descobrisse quem ele realmente era? O que será que Kai faria? O que ele deveria fazer agora que sabia a verdade? Tantas perguntas, tantas lembranças na sua cabeça. Antes não tivesse se lembrado de tudo, antes continuasse sem saber quem era, agora que sabia sentia-se mais angustiado ainda. Olhou para Kagome, ela dormia tranqüilamente, a face estava serena como a de um anjo. Ela sempre dormira assim, desde criança e isso sempre o encantara. Agora começara a pensar se não tinha se sentido atraído por ela desde o início simplesmente porque no fundo ainda se lembrava dela. Será que com ela teria sido o mesmo? É óbvio que não. Ele estava muito diferente, era como se fosse outra pessoa, ou melhor, ele não era mais uma pessoa. Mesmo assim Kagome dizia que o amava. O que teria visto nele? Mais uma lembrança surgiu em sua mente e o fez sorrir. Era de quando Kagome e ele eram apenas duas crianças.

FLASHBACK

Tenshi e Kagome estavam voltando da escola, ela estava tagarelando desde a saída sobre a prova que tinham feito e sobre as provas que ainda iriam fazer no restante da semana. Tenshi já estava cansado de tanta conversa. Será que Kagome não se tocava de que ele não queria mais ouvir falar na tal prova? Ia abrir a boca para ralhar com ela quando Kouga surgiu do nada e parou bem na frente de Kagome.

_O que está fazendo andando com esse perdedor do Tenshi?

_Estamos voltando para casa.

_E por que você tem que voltar com ele? Ele é um perdedor que não consegue nem escrever o nome direito. Deve ter errado a prova toda.

_Pelo menos eu não colei como você, Kouga. Só sabe trapacear e quem trapaceia não vai muito longe, aprendi isso com o meu pai.

_Pois fique você sabendo, Tenshi, que eu vou muito longe, ainda vou ser o melhor caçador deste mundo inteirinho e quando for famoso e tiver muito dinheiro vou me casar com você Kagome.

_A Kagome vai casar é comigo por isso é melhor você ir tirando o cavalinho da chuva e deixe a gente em paz.

_Quem foi que disse que ela vai casar com um idiota como você?

_O meu pai! Eu ouvi muito bem ele dizendo para minha mãe que combinou com o pai dela. Kagome é minha prometida, portanto para de dar em cima dela.

_Você está inventando essa história.

_Não estou não!

_Está!

_Não estou!

_Será que vocês dois podem fazer o favor de parar de brigar? Eu nunca vou me casar. Acho esse negócio de casamento uma idiotice.

_Viu só como era mentira do seu pai, seu bobo!

Kouga mostrou a língua para Tenshi que resolveu partir pra cima dele, Kagome o segurou e olhou feio para ele e em seguida para Kouga.

_Vai embora daqui Kouga, ninguém te chamou aqui. Você é muito chato.

_Eu vou te mostrar quem é chato.

Kouga levantou o braço para bater em Kagome, mas Tenshi segurou seu braço.

_Encosta nela e você vai desejar não ter nascido.

_Desta vez eu não vou segurar o Tenshi.

_Eu vou embora sim, mas não pensem que isso acabou.

Kouga saiu correndo e Tenshi começou a rir.

_Viu só Kagome, o idiota saiu daqui se borrando de medo. – ele olhou para ela e percebeu que não estava rindo. – O que foi? Por que tá me olhando com essa cara?

_De onde você arrancou aquela história de que eu...eu...eu – Kagome ficou vermelha – vou me casar com você? Você inventou, não foi?

Tenshi também ficou vermelho e olhou para os lados.

_Eu não devia ter dito. Meus pais não sabem que eu sei, escutei sem querer o meu pai conversando sobre isso com a minha mãe. Lembra-se da festa que aconteceu na sua casa no fim de semana passado?

_Lembro. Meu pai e o seu ficaram conversando no escritório por horas.

_Pois é, eles estavam combinando isso, eles nos comprometeram um com o outro.

_Se isso fosse verdade, já teriam me contado.

_Eles vão contar, quando estivermos mais velhos, ouvi meu pai dizer alguma coisa de quinze anos. Sabem que somos amigos, então esperam que queiramos casar um com o outro independente do compromisso deles.

_Não acredito nisso! Querem que eu case num casamento arranjado. Eu não quero me casar. Maridos não deixam as mulheres fazerem o que querem. Eu quero conhecer o mundo, viajar, não quero me casar e eu nunca vou me apaixonar por menino algum, muito menos você.

_E você acha que algum dia eu vou me apaixonar por você ou por qualquer outra menina? Claro que não. Só estive pensando, se formos obrigados a fazer isso mesmo, se eu tiver mesmo que me casar com alguém então fico feliz que seja com você, porque eu prefiro passar a minha vida inteira do lado de alguém que eu conheço, do lado da minha melhor amiga do que do lado de qualquer outra garota.

_Pensando por esse lado, você tem razão. Antes você, que eu já conheço, que eu sei que é legal comigo do que alguém como o Kouga. Deus me livre de casar com ele.

_Então você não vai se importar de casar comigo.

_Se não tiver outro jeito, mas você não pode querer ficar mandando em mim.

_Pode deixar, vamos ser amigos ainda, por isso não vou ficar mandando o tempo todo em você, nós vamos decidir as coisas juntos e se você quiser viajar, não vai ter problema.

_É bom mesmo.

_Já é bom deixar bem claro uma coisa Kagome, eu não quero nada dessas frescurinhas românticas. Também não quero nada de beijo, entendeu?

_E você acha que eu vou querer beijar você, isso deve ser muito nojento. Não sei como os adultos agüentam.

_Tem razão. Então no nosso casamento não vai ter nada de beijo. Fechado?

Tenshi estendeu a mão para Kagome e ela apertou-a fechando o acordo.

_Fechado.

FIM DO FLASHBACK

_ ”Naquela época nós nem imaginávamos o que estava por vir, estávamos preocupados apenas com o fato de um dia sermos obrigados a nos casar e combinávamos de não nos apaixonar. Como se pudéssemos controlar nosso coração. Olhe só o que aconteceu Kagome. Estamos apaixonados um pelo outro e o que poderia ser motivo de alegria se tudo tivesse corrido o curso normal, não é mais... Nós dois não podemos viver esse amor, não comigo desse jeito, eu posso machucá-la de novo, posso fazer mal a você. No passado seus pais faziam gosto de nos casarem, mas hoje, eles me matariam só por falar com você. Eu preferia não ter me lembrado de nada, isso apenas piorou a minha dor e fez meu sentimento por você aumentar ainda mais.”

Inuyasha tocou no rosto de Kagome e o acariciou com as mãos, depois deu um beijo na bochecha dela e sussurrou em seu ouvido.

_Amo você Kagome!

Kagome remexeu-se e olhou para ele, ao perceber que ele estava acordado sorriu e Inuyasha não pôde evitar sorrir também ao ver o sorriso dela.

_Você acordou! Que bom! Tive tanto medo de não ver você de novo.

Kagome o abraçou, nem se importando com o fato de que eles estavam deitados juntos, Inuyasha retribuiu o abraço e ficou pensando se deveria contar para ela que tinha recuperado a memória, deixou de pensar no assunto quando Kagome tirou-lhe o fôlego com um beijo.

_Me perdoe Kagome, por favor.

_Pelo quê?

_Por tê-la ferido. – Inuyasha disse isso enquanto tocava no braço ferido de Kagome.

_Por isso? São ossos do ofício. Já me feri de maneira muito pior nas caçadas que fazia.

_Você não se feriu em uma caçada. Fui eu quem te feriu.

_Você não era você mesmo, por isso não pode ser responsabilizado.

_Eu me lembro de ter pedido a você para fugir. Por que não fez o que eu pedi?

_Porque eu não iria te abandonar, de jeito nenhum, mesmo que eu tivesse que morrer para te trazer de volta. Você precisava de mim.

_Você é uma boba mesmo! Eu tinha avisado você sobre o que poderia acontecer se eu me tornasse um demônio completo, você deveria ter fugido, você e os outros, ou então, deveriam ter me matado, pelo menos este sofrimento acabaria.

_Nunca mais diga uma coisa dessas! Nunca mais! É por isso que eu me arrisquei daquele jeito, para não te perder, pra evitar que você morresse. Eu não agüentaria viver sem você.

_Não diga esse tipo de coisa Kagome! Por favor! Você sabe muito bem que o que sentimos um pelo outro está errado, eu não sirvo pra você. Não sou um rapaz normal, eu sou um demônio Kagome. Essa é a verdade.

_Você é um meio-demônio.

_Não existe muita coisa de humano em mim. Acho que na verdade não existe nada do que eu costumava ser.

_Como não existe? E sua consciência? E seu coração? E o amor que diz sentir por mim? — Kagome olhava para Inuyasha com lágrimas nos olhos. – Podem me dizer o que for, mas você é muito mais humano que muitos humanos que estão por aí. É por isso que eu amo você.

_Quanto mais eu penso, menos consigo entender como você pôde ter se apaixonado por mim. Não vê que nós só vamos sofrer se ficarmos juntos.

_Eu não me importo com isso. Você pode dizer o que for, mas eu não vou mudar minha convicção.

Inuyasha tocou levemente o rosto de Kagome e olhou nos olhos dela. Só de olhar neles ele sabia que ela não estava mentindo, os olhos dela sempre foram sinceros, desde que eram crianças.

_Como você se tornou essa mulher tão teimosa e ao mesmo tempo tão doce?

_Fala como se já tivesse me conhecido antes.

_E de onde um demônio como eu conheceria você?

_Não sei. É que, ás vezes, você parece com...

_Com quem?

_Com ninguém, deixa pra lá.

_ ”Será que ela sabe quem eu sou, ou desconfia?” Kagome, preste atenção em uma coisa, vai chegar o dia em que teremos que nos separar.

_Não quero ouvir sobre isso.

_Não, quero que escute o que tenho a dizer. Não vamos estar juntos por muito tempo, só quero que saiba que, eu sempre, guarde isso, sempre, amei você e sempre vou amar.

Inuyasha beijou Kagome novamente e pensou consigo mesmo porque o mundo tinha que ser tão injusto. Ele a amava tanto e sabia que a felicidade daquele momento não ia durar muito, logo eles teriam que se separar. Não poderia viver com ela. Será que ele deveria contar a verdade para ela, dizer que era o amigo de infância que ela pensava ter perdido? Separaram se e Kagome o abraçou bem forte, depois falou no seu ouvido.

_Eu quero muito ficar com você quando isso tudo terminar.

Inuyasha separou-se dela e sentou-se assustado, Kagome o acompanhou e também se sentou.

_O que quer dizer com isso?

_Que quando toda essa história acabar, se ainda estivermos vivos no final, eu quero viver com você, ser sua... mulher. Não me importo com o que vão pensar disso. Há muito tempo decidi que só me casaria com alguém com quem eu pudesse viver a minha vida inteira, seria o Tenshi, que era o meu melhor amigo, mas ele está morto e depois, quando ele morreu eu ainda nem sabia o que era paixão e amor de verdade. Agora eu sei o que é. É exatamente o que sinto por você. Não me importo de passar a minha vida inteira do seu lado.

_Kagome... eu não sou humano.

_Já disse muitas vezes que não me importo com isso.

_Acha que seus pais aceitariam isso?

_É claro que não, mas já sou bem crescida e posso tomar decisões sobre a minha vida sozinha.

_Não sei nem ao menos se vou estar vivo no final disso tudo.

_Mas se estiver, promete que vai ficar comigo?

_Eu... eu...não sei se posso prometer isso a você. Eu adoraria viver minha vida inteira do seu lado, não escolheria outra pessoa, mas... não é hora nem o lugar para decidirmos sobre isso. Pode entender? Ainda mais depois do que aconteceu, eu quase matei você, quase matei o Kai, a Sakura... Não dá para prometer nada a você agora.

_Entendo... mas não pense que vai escapar de mim.

_ ”Se eu pudesse, Kagome, nunca mais te deixava.”

_Acho que é melhor acordar o Kai e a Sakura, precisamos nos aprontar para deixar esse lugar.

_Kagome, eu não me lembro de ter visto a mãe da Sakura. O que aconteceu com ela?

_Ela... está morta!

_O quê!? Não me diga que eu...

_Calma! Não foi você. Quando cheguei ela já estava morta. Foi um demônio, Kai disse que foi o mesmo demônio que atacou a ele e o Tenshi alguns anos atrás.

_O mesmo demônio? Precisamos encontrar esse demônio desgraçado.

_Kai o matou! Vingou a morte do Tenshi, mas mesmo assim, não mudou nada, isso não trouxe o Tenshi de volta e, além disso, a mãe da Sakura se foi.

_ “Se você soubesse que eu estou vivo Kagome...” Como a Sakura está?

_Muito triste. Eu tenho tanta pena dela, cresceu sem a mãe e quando a encontrou... – Kagome olhou para Sakura que ainda estava dormindo abraçada ao travesseiro.

_As coisas estão piorando. Quer apostar quanto que foi o pai da Sakura quem mandou esse demônio aqui? Com certeza ele deve estar perto e agora sem a mãe ele acredita que a Sakura vai estar à mercê dele.

_O que vamos fazer agora?

_Eu não sei. Estou muito confuso. Pobre Sakura!

_Mesmo depois do que aconteceu com a mãe, a Sakura ainda teve forças para ajudar você. Se ela não o tivesse purificado...

_E eu tinha dito a vocês que não queria ser purificado. Vocês deveriam ter me deixado e ido embora.

_Já disse a você que nunca faria isso. Além disso, você tinha medo de perder seus poderes de demônio, mas acho que não os perdeu. Então qual é o problema de ser purificado?

_Você nem imagina qual é o problema. Minha cabeça não estaria tão confusa se não fosse por essa purificação.

_Mas o que aconteceu?

_...

_Não pode me dizer?

_ ”Não sei se devo contar a ela.”

_Por acaso vocês dois dormiram juntos?

Kagome e Inuyasha ficaram vermelhos e sentaram-se mais longe um do outro depois do comentário de Kai que acabara de acordar e achara estranho os dois sentados tão perto um do outro.

_Kai, não é nada do que você está pensando.

_Não estou pensando nada, apenas estou vendo os dois juntos e somei dois com dois e achei quatro.

_Está imaginando coisas, eu sou uma garota de respeito.

_É, mas e quanto a ele?

_Olha aqui garoto...

Inuyasha parou o que estava prestes a falar, não iria discutir com seu irmão.

_Ia dizer alguma coisa?

_Não.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.