A Morte de Aang

1 A Morte do Avatar


Notas iniciais
Espero que gostem

— Katara, por favor, vá chamar nossos filhos e amigos para passarem alguns dias conosco.

— Claro Aang. Mas por que essa ideia tão repentina?

—Apenas sinto saudades

Diz O Avatar com um dar de ombros. A morena assente e dá um beijo em seu marido, que sorri e lhe retribui com paixão. Apesar da idade avançada à paixão e o amor ainda eram intensos. Katara sai da casa e vai à procura de seu falcão mensageiro escrevendo uma mensagem para Sokka em Cidade República. A morena coloca o bilhete no falcão e ele segue rapidamente seu caminho da Ilha até a casa de Sokka.

— Sokka chegou um falcão da Ilha

Suki fala entrando na sala do casal e sentando-se no sofá ao lado do marido

— Vamos ver o que minha irmã e Aang estão aprontando

Sokka desenrola o pergaminho e começa a ler em voz alta

Queridos Sokka e Suki

Aang e eu gostaríamos que vocês viessem passar alguns dias aqui na ilha. Iremos chamar a todos. Gostaria que mandasse uma carta por Falquito II para Zuko, Mai e Izumi e que chamem a Toph, Lin e Suyin. Eu me encarrego de chamar meus queridos sobrinhos e meus filhos

Beijos, Katara

—Parece que a Gaang vai se unir novamente

—Parece que sim. Agora se levante e vá chamar as Bei Fong que eu irei escrever as cartas

— Por que eu tenho que chamar as Bei Fong?

— Porque você não sabe escrever uma carta boa o suficiente para mandar para a Dama do Fogo e sua família

— É um ótimo ponto. Tudo bem irei falar com as Bei Fong

Sokka dá um beijo rápido em sua esposa e segue para o conhecido caminho para a casa de Toph.

—____________________________________________________________________________

Katara finalmente havia mandado a última carta para Kya e Piandao e estava voltando para casa quando encontra Tenzin e Pema

— Bom dia mãe

O dobrador fala abraçando a mãe

— Bom dia meu filho. Bom dia Pema

Katara solta o filho e abraça a nora

— Devo avisa-los de que iremos receber visitas

— Quem mãe?

—Todos

Katara fala com um sorriso simpático no rosto enquanto Tenzin faz uma expressão de desconforto devido à vinda de seu irmão, que mesmo agora adulto, ainda implica com ele. A morena deixa o casal e segue o caminho para casa e, ao chegar lá, encontra Aang arrumando a mesma para recepcionar os convidados. Quando O Avatar percebe a presença da amada para seus afazeres e abraça sua esposa que imediatamente lhe retribui o carinho.

— As cartas já foram enviadas. A partir de amanha acredito que eles irão chegar

—Então temos mais um tempo a sós

— Meu amor nós sempre temos um tempo a sós

O Avatar sente um aperto no coração ao ouvir as palavras de sua esposa, mas disfarça revirando os olhos e a puxa para um beijo calmo e cheio de paixão fazendo com que ambos fossem levados ao passado lembrando-se do beijo na casa de chá.

Antes que pudessem cogitar aprofundar o beijo são interrompidos por um pigarreio que vem da porta.

— Espero não estar interrompendo nada

— Não se preocupe Sokka não é nada que nós já não tenhamos feito

Aang fala puxando o amigo para um abraço

—Sokka deixe-os em paz

— Suki como está?

Pergunta o Avatar soltando o amigo e indo abraça-la

— Tentando não ir à loucura com o marido que tenho

Ela fala correspondendo ao abraço enquanto Katara abraça o irmão

— Katara você não vai me defender?

Fala Sokka fingindo indignação

— Eu não. Concordo plenamente com a Suki

Os três amigos começam a rir e Sokka fecha a cara

— E então onde estão os outros

Aang pergunta aflito. Katara sente um aperto no peito e envolve o marido pela cintura.

— Bem Toph e Lin virão amanha, pois têm que deixar tudo pronto para a saída da “Chefe de Polícia Lin Bei Fong” e Toph prometeu que vai tentar convencer Suyin a vir. E os Acólitos me deram estas cartas, suponho que sejam as respostas do resto do pessoal.

Sokka fala sentando-se no sofá e todos imitam seu gesto.

— Abra-as logo então

Aang fala aflito preocupando Katara. Sokka abre a primeira carta e a lê

Querida Suki

Agradecemos imensamente o convite de Aang e Katara, podem contar conosco. Meu neto Iroh II irá conosco, precisaremos de um berço. Bumi, que está aqui na nação do fogo e Kysu, que está na ilha Kyoshi receberam as cartas e pediram para eu avisar a vocês que eles virão conosco de balão. Chegaremos em três dias, talvez mais. Precisamos deixar tudo pronto para a saída de Izumi.

Abraços Zuko.

— Ah que maravilha, iremos conhecer o futuro senhor do fogo!! Tenho que lembrar-me de pedir aos Acólitos um berço para o quarto de Izumi.

Sokka olha para a irmã com um olhar que significa “cala a boca” e abre a segunda carta lendo-a também em voz alta.

Oi tia Katara, eu e Kya recebemos nossa carta e iremos até ai juntos. Como o único transporte disponível aqui na Tribo Do Norte é o barco iremos demorar uns seis dias para chegarmos.

Abraços Piandao.

— Que ótimo todos virão.

Suki fala e Aang assente, mas a preocupação de sua esposa apenas aumenta.

— Bem se sintam a vontade, vocês sabem onde fica o quarto de vocês. Quando o jantar estiver pronto iremos chama-los.

— Sim senhor Aang. Mas nada de gracinhas com a minha irmã.

As mulheres reviram os olhos e Aang dá risada

— Ok Sokka, agora vá.

O Avatar encaminha os amigos para a porta e depois volta para a sala onde sua esposa o espera sentada no sofá. Ele se senta ao seu lado e ela se aconchega em sue ombro

— Meu amor me conte o que lhe aflige. De algumas semanas pra cá você passa pouco tempo meditando, não pergunta mais sobre o andamento da Cidade República e passa tempo demais comigo e com Tenzin.

— Não é nada. Eu só percebi que eu estou ficando velho e não disponho mais de tanta energia. Então, como não há nenhum problema, prefiro gastar minhas poucas energias cuidando de você e Tenzin.

— É apenas isso mesmo?

— Sim meu amor, é apenas isso.

A morena assente e fica abraçada ao marido, tentando a todo custo afastar a inquietação que batia em seu peito. Eles ficaram ali abraçados em silêncio cada um perdido em seus próprios pensamentos até que um dos moradores do templo veio avisar que o jantar já estava pronto.

— Vamos chamar nossos hospedes?

Aang pergunta se levantando e estendendo a mão para a esposa

— Sim vamos

Katara segura à mão de seu marido e eles se dirigem calmamente para o quarto onde estavam seus amigos. Ao chegarem lá Aang bate na porta

— Sokka, Suki o jantar está pronto.

Sokka abre a porta com um sorriso enorme no rosto

— Finalmente. Eu já estava morrendo de fome!

— Novidade

Katara retruca e todos riem. Os quatro amigos seguem para a sala de refeições onde encontram Tenzin e Pema

— Boa noite

— Ah que é isso Tenzin. Deixe de cordialidade e venha dar um abraço em seu tio

Sokka fala dando um abraço em Tenzin tirando-o do chão fazendo com que todos os presentes rissem

— Ta-também é b-bom vê-lo T-tio So-sokka

Tenzin fala com dificuldade devido ao aperto

— M-mas se-será que po-podia m-me so-soltar?

Sokka ri, mas logo solta o sobrinho que é cumprimentado, de maneira normal, pela sua tia Suki enquanto Sokka cumprimentava Pema.

— Bem agora que todos se cumprimentaram sentem-se e comam

Aang fala sentando-se em seu lugar habitual na ponta da mesa e logos todos estão sentados comendo os vegetais

— Então cadê a carne?

— Não tem carne

— Como assim não tem carne!? Vocês esqueceram que vocês iam receber a mim: Sokka o cara da carne e do sarcasmo?

— Não Sokka nós não esquecemos, mas nós achamos que vocês só viriam amanha.

Aang fala calmamente enquanto Sokka faz uma carranca

—Katara como você consegue viver sem carne!?

O moreno pergunta exasperado e todos riem

— Eu consegui da mesma forma que Suki conseguiu abandonar as Guerreiras Kyoshi, eu fiz por amor.

Aang abre um sorriso enorme e dá um beijo casto em sua esposa. Sokka para de reclamar e abraça Suki com carinho. Tenzin e Pema se olham desejando que o amor deles seja tão forte e bonito como os dos casais diante deles. Os amigos terminam o jantar, o casal mais jovem se despede e vai dormir. Os outros quatro vão para um canto da ilha e, com a dominação de fogo, Aang faz uma fogueira e eles se sentam ao redor.

— Vai ser bom nos reunirmos novamente

Sokka fala olhando para as estrelas

— Às vezes sinto falta das nossas aventuras. De sair pelo mundo montado no Appa

Suki fala fazendo com que Sokka suspire e Aang deixa uma lágrima cair. Ele sentia falta de seu amigo peludo que havia falecido há um ano

— Sinto muita falta do Appa, mas fico feliz que encontramos uma fêmea para ele. Agora há doze filhotes e quatro adultos na Ilha

Aang fala abraçando Katara

— Bem graças a mim

Sokka fala se vangloriando e Suki dá uma cotovelada nele

— E a Suki, todas as gerações futuras poderão saber sobre nossas aventuras.

Sokka fala fazendo referencia à triologia de livros que ele e Suki haviam escrito, mas que todos haviam contribuído para as historias, “Avatar O Último Mestre Do Ar”.

Aang sorri satisfeito. Todos irão saber o que ele havia feito pelo mundo

— A conversa está ótima, mas vou me deitar. Amanha chegarão Toph, Lin e talvez Suyin, será um dia cansativo. Aang você vem comigo?

O Avatar assente dá boa noite aos amigos e segue com sua esposa para casa. Eles fazem o caminho todo de mãos dadas e em silêncio. Chegaram a casa trocaram de roupas, se deram um beijo de boa noite e dormiram abraçados como sempre faziam.

Quatro dias haviam se passado desde a chegada de Sokka e Suki. Toph e Lin já haviam chegado, mas infelizmente Suyin não se juntou a elas. Hoje estava programada a chegada de Zuko e dos demais que viriam de balão.

Aang acordou cedo como sempre e foi meditar, Katara acordou logo depois e foi se assegurar que tudo estava pronto para a chegada dos amigos e ao olhar em direção a Cidade República já conseguia avistar o balão se aproximando.

Quando deu meio dia o balão pousa na Ilha e dele descem Zuko, Mai, Bumi, Kysu e Izumi com um pequeno embrulho nos braços, Iroh II.

— Zuko quanto tempo

A dominadora diz abraçando o amigo

— Muito tempo mesmo

Katara solta o amigo e vai cumprimentar sua esposa, que lhe retribuiu um sorriso, o que era algo fora do comum para Mai. Depois de cumprimentar Mai Katara dá um abraço apertado em seu filho.

— Como vai o meu Comandante Bumi?

— Bem mãe, mas cadê o pai?

— Primeiro me de um abraço e depois se preocupe com seu pai

Bumi revira os olhos e da um abraço apertado em sua mãe que o retribui da mesma forma

— Seu pai esta no templo meditando, mas logo estará aqui.

Bumi assente e se deixa ser cumprimentado pelo tio, que o abraça da mesma forma que havia abraçado Tenzin, enquanto Katara vai cumprimentar Izumi e Iroh II.

— Deixe-me ver esse bebê

A morena fala estendendo as mãos para pegar a criança e quando o fez sentiu a mesma coisa que quando pegou Kya, Tenzin, Lin, Izumi, Piandao e Suyin só que mais forte.

— Ele vai ser um dominador poderoso

— Como à senhora sabe Tia Katara?

— Digamos que é um dom. Eu soube dos meus filhos, das filhas da Toph, de você e dos filhos de Sokka.

Izumi assente agradecida, pega seu filho de volta e é logo cercada por uma roda de mulheres querendo pegar o lindo Iroh II.

Enquanto todos se cumprimentavam Aang estava meditando quando escuta as vozes de suas vidas passadas

— Olá Avatar Aang

— Avatar Yangchen

— Lembre-se o fim, seu fim, é inevitável. Você não pode mudar os ventos, mas pode ajusta-los para alcançar seu destino. Esta é minha sabedoria para você

A imagem de Yangchen some e deixa Aang meio confuso, mas antes que ele possa pensar o Avatar Kuruk está na sua frente.

— Avatar Aang, tudo o que você fez não se passaram de simples gotas. Mas o que é o oceano se não um conjunto de gotas. Você deve partir com seu oceano completo. Esta é a minha sabedoria para você

Aang tenta refletir antes da chegada de Kyoshi, mas não foi possível, pois no minuto em que Kuruk desapareceu Kyoshi surgiu.

— Avatar Aang, você semeou na terra coragem, amor, bravura, compaixão e paz. Seu tempo de colher seu frutos no mundo espiritual está próximo. Está é a minha sabedoria para você.

Aang respira controlando os batimentos do coração já aguardando a voz do próximo Avatar

— Olá Avatar Aang

—Olá Roku

— Sua chama da vida está quase apagando, mas lembre-se sempre: a morte não é nada mais que uma troca de missão. Está e a minha sabedoria para você

Antes que Aang possa processar o que lhe foi dito ele sente uma mão em seu ombro e abre os olhos virando-se para ver quem havia lhe interrompido

— Meu amor eu sei que não devia lhe interromper, mas você já havia saído do Estado Avatar e Bumi acabou de chegar e quer vê-lo.

— Tudo bem. Eu já havia terminado

Aang se levanta e vê seu filho mais velho o esperando. Ele vai em sua direção e o abraça com força

—Bumi como está?

—Bem pai, estava com saudades.

O Avatar fica abraçado ao filho por mais uns segundos e depois o solta só percebendo agora a presença dos outros recém-chegados. Depois de ter cumprimentado todos eles saíram do Templo e foram para a sala de refeições almoçar. Aang decidiu pensar no que suas vidas passadas lhe disseram mais tarde, já havia entendido a mensagem principal, que ele logo iria partir.

Depois do almoço cada um foi para seu quarto descansar, mais tarde se encontrariam de novo. Katara sentiu que Aang estava mais abatido do que o normal, mas decidiu não perguntar nada. Ela sabia que se fosse algo importante ela seria a primeira a saber.

Ao cair da noite eles foram jantar, não na sala de refeições, mas ao ar livre. Aang fez a fogueira e, enquanto todos sentam ao redor, Zuko assa a carne. Depois de assar a carne Zuko e Sokka distribuem entre os presentes, com exceção de Aang, Pema e Tenzin que comem a comida normal da Ilha. Todos comem em meio a conversas e risos, aproveitando a comida e a presença dos amigos. Assim que todos terminam Sokka começa a contar a história preferida de todos ali presentes: O dia em que ele e Katara encontraram o Aang. O principal motivo de esta história ser a preferida é que se não fosse por esse dia nada disso teria acontecido, eles nunca teriam se conhecido e consequentemente nunca se tornariam amigos.

Depois que a história acaba aos poucos o grupo vai se dissipando restando somente Suki, Toph, Zuko, Sokka, Katara e Aang que se entre olham e começam a rir.

— É como nos velhos tempos

Zuko fala e Aang solta um suspiro

— Nunca pensei que eu sentiria tanta falta de fugir da Nação do Fogo

Sokka fala e todos concordam e deixam os pensamentos fluírem para o passado repassando os momentos preferidos.

— Bom se vocês me dão licença eu irei dormir. Te espero no quarto Sokka

— Eu também irei

— Irei com vocês

E assim ficaram apenas Sokka, Katara e Aang.

— E então garoto no iceberg qual o motivo dessa reunião de amigos e familiares?

— Não sei Sokka, apenas senti no meu coração que queria todos próximos.

O Avatar fala com um dar de ombros

— Então está bem. Acho que agora eu vou dormir. Boa noite maninha, boa noite careca.

Sokka fala e sai deixando o casal para trás

— Vamos dormir também?

A morena pergunta ao marido que assente, se levanta e apaga a fogueira. O casal segue abraçado para casa. Fazem sua rotina normal, se deitam e dormem abraçados como sempre.

Aang acorda com os primeiros raios de Sol e decide ir meditar e tentar se comunicar novamente com suas vidas passadas. Katara acorda algumas horas depois e vai para a sala de refeições onde encontra Zuko, Mai, Izumi e Iroh II.

— Bom dia a todos

Katara fala sentando-se a mesa

— Bom dia

Os residentes da Nação do Fogo a respondem.

— Será que eu posso pegar o futuro Senhor do Fogo?

Izumi sorri gentilmente e entrega seu filho à dominadora que o aconchega em seu colo. Izumi volta a comer enquanto a morena brinca com o bebe lembrando-se de seus próprios filhos nessa idade. Katara está perdida em pensamentos quando escuta a buzina de um navio

— Kya!!

A morena fala animada

— Me dê Iroh II e vá ver sua filha

Zuko fala sorrindo. A dominadora lhe entrega a criança e se dirige ao porto onde encontra Tenzin, Bumi, Sokka e Suki. O navio atraca e baixa a rampa. Kya é a primeira a descer e corre diretamente para os braços da mãe

—Mamãe que saudades

— Também estava com saudades querida

Kya se solta da mãe e vai abraçar os irmãos

— Bumi! Tenzin! Quanto tempo

Ela fala envolvendo os dois em um abraço. Kya solta os irmãos e vai cumprimentar os tios. Aos poucos todos foram chegando e Piandao e Kya foram cumprimentar todos

— Izumi!

— Kya!

As duas amigas se abraçam com força

— Não a vejo desde o casamento de Tenzin. Como você está Dama Do Fogo?

— Bem e agora com um herdeiro

— Estou ansiosa para conhecê-lo, mas antes cadê o papai?

Kya fala olhando para os lados em busca do pai

— A última vez que eu o vi ele estava no templo

— Obrigada Tenzin, vou atrás dele.

— Vou com você

Katara fala e ambas seguem para o templo onde encontram o monge meditando em estado Avatar. Kya fica preocupada, mas Katara sabe diferenciar quando Aang entra no estado Avatar espontaneamente e quando entra devido às emoções então ela se senta no chão, sendo seguida pela sua filha, e aguarda.

Depois de alguns minutos Aang volta ao normal, ele estava frustrado, pois não havia conseguido falar com suas vidas passadas.

— Aang tem alguém aqui que quer vê-lo

O Avatar se vira e seus olhos se enchem de lágrimas ao ver a versão mais nova de Katara, Kya sua filha.

— Kya!

— Papai!

A mulher se joga em seus braços e o dominador a acolhe de bom grado. Eles ficam no chão ajoelhados e abraçados por longos minutos

— Podemos nos juntar a vocês

Katara fala com Bumi e Tenzin atrás de si. O Avatar sorri e abre os braços, os cinco ficam ali abraçados numa bolha de felicidade e amor quando escutam um pigarreio

— Será que cabe mais alguém

Sokka pergunta. Aang olha para trás e vê todos os seus amigos ali

— Sempre cabe mais alguém

Então todos eles entram em um abraço coletivo e ficam ali em silêncio apenas aproveitando o momento, era o que Aang mais queria.

— Olha eu realmente não queria estragar o momento, mas eu estou com fome

Sokka fala e todos riem

— Tudo bem Sokka. Vamos pessoal, vamos comer.

Aang fala indo na direção à área da fogueira e todos o seguem. O almoço do dia era sopa. Todos se sentam ao redor da recém-formada fogueira e começam a comer

— Pés Pequenos minha sopa está muito quente

Aang revira os olhos, faz um mini tornado e o manda na direção da sopa de Toph

— Hum! Agora sim está perfeito

— De nada Toph

Toph apenas solta um resmungo e Aang sorri, quantas vezes eles já haviam feito isso?

O resto do dia passou tranquilamente, ficaram todos contando histórias sobre a própria vida, planos para o futuro. O pequeno Iroh II havia sido mimado o dia inteiro e, antes de todos se reunirem para jantar, já havia adormecido. O jantar ocorreu novamente ao redor da fogueira

— Tio Sokka nos conte uma história

— Qual história Bumi?

Bumi pensa um pouco e logo fala

— A da Invasão

Sokka assente e começa a contar a história, Aang abraça sua esposa e a olha com ternura, no dia da invasão eles tinham se beijado pela primeira vez. Sokka termina de contar a história e todos vão dormir.

Aang já em casa deitado na cama abraçado a sua esposa fecha os olhos e ao fazê-lo escuta um coro de vozes de suas vidas passadas “está chegando a hora”...

Katara acorda e se surpreende ao sentir os braços do marido ao seu redor, geralmente Aang acordava cedo para ir meditar. A morena apesar de estranhar o fato se levanta com cuidado para não acordar o marido e vai para a sala de refeições.

— Bom dia

— Bom dia Katara. Onde está o Pés Pequenos?

— Está dormindo por quê?

— Porque o Pés Pequenos Junior veio correndo falando sobre uma blá blá blá meditação blá blá blá espiritual

Katara dá de ombros, ela nunca sabia quando Tenzin tinha aulas com Aang, e senta-se à mesa e começa a comer.

— Vou acordar o Aang, já volto.

A morena se retira e volta para casa, chegando a seu quarto ela vê Aang já acordado.

— Amor por que você não foi se juntar a nós?

O Avatar abre um sorriso fraco enquanto sua esposa sentava-se ao seu lado

— Porque eu não consigo

A morena fica sem entender o marido e sente um aperto no coração

— Como assim não consegue?

Aang demonstra tentando se levantar e, fraquejando, consegue apoiar as costas na parede, a dominadora preocupada faz menção de sair para chamar alguém, mas Aang a impede segurando seu braço.

— Por favor, não vá. Eu quero passar esses últimos minutos com você

— Ú-último m-minutos?

— Sim meu amor, estou fraco. Cem anos em Estado Avatar consumiram muita da minha energia. Anteontem Yangchen, Kuruk, Kyoshi e Roku me avisaram que minha hora estava chegando. Então antes de eu partir eu queria te dizer que meu amor por ti e maior que o céu e mais profundo que o oceano, ele não pode ser medido e que ter ficado cem anos congelado valeu apena, pois eu pude ter você em minha vida. Você que me deu três lindos filhos.

Então Aang a puxa para um beijo, para o último beijo e quando se separam Aang olha uma última vez para sua esposa e dá um último suspiro. A morena sente uma dor imensurável e abraça o corpo sem vida de seu amado e começa a chorar descontroladamente e nem escuta as batidas na porta

— Eu espero que vocês não estejam fazendo nada inapropriado ai...

Então a cena atinge Sokka, ele vê sua irmã abraçada a Aang e chorando. Ele se aproxima dela e, ao se dar conta que seu melhor amigo havia partido, cai de joelhos no chão com o rosto já banhado pelas lágrimas.

— Meu Deus Sokka! Será que você...

Toph para de fala ao ouvir o choro dos irmãos, ela tenta, inutilmente, encontrar um terceiro som: o choro ou a respiração leve de Aang, mas ela nada ouviu. Pela primeira vez na vida Toph desejou que seus ouvidos estivessem errados, mas ela sabia que eles estavam certos. Ela se encolheu no quarto abraçando os joelhos e antes de desabar em lágrimas sussurrou

— Por que Pés Pequenos?

O quarto do casal está em um coro de choros que deixa Zuko preocupado quando bate na porta. Como ninguém responde ele a abre e fica chocado com o que encontra Toph, que era inabalável, encolhida em um canto chorando, Sokka de joelhos ao pé da cama também chorando e, a pior cena daquele quarto, Katara abraçada ao corpo sem vida de Aang. Zuko fica paralisado e começa a chorar.

Suki percebe que ninguém estava voltando da casa de Aang e então ela vai lá e acaba encontrando a porta principal aberta. Ela escuta choros e soluços vindo dos fundos da casa e preocupada segue o som. Chegando ao quarto principal Suki vê todos chorando e o corpo sem vida de Aang. A guerreira começa a chorar, mas ao contrário de seus amigos ela sai da casa e vai correndo em direção à sala de refeições aonde todos se encontram. Ela chega silenciosamente e olha para Kya, Bumi e Tenzin, os três sorrindo, ele traria a noticia que sumiria com aqueles sorrisos.

— Suki o que houve?

Mai pergunta com uma expressão preocupada, apesar de todos esses anos ainda era estranho vê-la demonstrando qualquer expressão. Suki respira fundo fazendo com que mais lágrimas caiam, ela procura não fazer contato visual com ninguém quando fala com a voz insegura porem alta

— Aang faleceu, ele está no quarto principal da casa.

Todos ficam perplexos e o refeitório entra em um silêncio que é logo quebrado pelo choro fraco de Kya, Bumi e Tenzin. Eles se dão as mãos e vão correndo para a casa

Katara escuta passos apressados no corredor e levanta a cabeça vendo seus três filhos na porta, seu choro vem mais intenso agora e ela faz um sinal para que eles se aproximem. Os quatro se abraçam com força e choram juntos.

Aos poucos estão todos dentro do quarto, que está sem espaço. Todos choram e se consolam. Depois de um tempo Katara finalmente cria coragem e se afasta do marido, com um vazio enorme no coração que jamais será preenchido, e é envolvida em um abraço grupal e finalmente cria coragem para dizer em voz alta com o rosto tomado pelas lágrimas.

— Ele se foi...

Notas finais
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