A Minha Vida Mudou novamente
21 Capítulo 7 - Perdidos - Parte X
Notas iniciais
[...]Ela moveu os olhos para alguém atrás de nós e depois o voltou para mim.
Ah claro! Os passos no corredor! Era alguém da nossa família.
- SUA IDIOTA! – gritei também – Tá maluca? Você que anda me perseguindo! Pensa que eu não sei que você quer meu corpinho? – passei uma das mãos em meu peitoral e pisquei para ela, abrindo um largo sorriso.
- Fica na sua CULLEN! Quem você pensa que é? Eu que já percebi o jeito que você me olha! Praticamente tentando me devorar! – seu pequeno rosto claro foi para o vermelho.
- VOCÊ É LOUCA! EU VI COMO VOCÊ SUMIU CINCO MINUTOS ATRÁS COM AQUELE PSICOPATA! – gesticulei com as mãos para cima, me odiando por estar sendo um chato e grosso. Respirei profundamente e fechei os olhos com força. – Quer saber Swan? Não me importa! FUI! – gritei novamente. Meu coração se apertou e bateu no fundo de minhas costelas. Eu a magoara.
Eu li em seus lábios perfeitos a forma como ela sussurrava meu nome.
- Vá CULLEN, eu o odeio! – com mais um olhar eu me deixei sair da varanda em disparada. E nem percebi quem era a pessoa que nos olhava brigar. Tudo bem, mais tarde eu perguntaria para Bella, se é que ela ainda queria saber de mim. Porque apesar de tudo eu fui rude demais.
E então eu deixei que o vento forte e a chuva me invadissem, e tentei esquecer o que acontecera.
Bella POV.
Após Edward sair da varanda, onde estávamos bem aconchegados e felizes, escutei um soluço, um alto soluço.
Não eram soluços de alguém bêbado, mas sim de choro. E quando olhei para frente, percebi então quem era.
Os grandes olhos verdes me fitavam apreensiva e os cabelos agora cor bronze mexiam com o vento forte.
- Ness? – perguntei como uma idiota. Era claro que era minha Ness, minha irmã; E o que ela fazia ali? Chorando desesperada, os ombros curvados e baixos, a cabeça pendia para o lado. – Meu Deus, o que aconteceu? — perguntei chegando perto dela e a envolvi com os braços, seu corpo estava encharcado e ela pingava. – Você vai pegar um resfriado! – resmunguei. Não a queria doente.
- Não importa! – rebateu com os dentes trincados, seu maxilar até tremia de tanto frio que estava. Embora eu soubesse intensamente que ela ainda se sentia sozinha, eu queria do fundo do meu coração que isso acabasse. Eu queria que ela fosse feliz sem medos e anseios. Queria que ela tivesse paz, queria que fosse calorosa e não fria, às vezes, com medo de se magoar de envolver-se conosco.
Éramos irmãs e só isso importava, eu estaria com ela em tudo e a apoiaria em tudo.
A abracei, sem perguntar mais nada, pois eu sabia que ela não queria perguntas agora, e sim que só alguém a segurasse e deixasse que ela chorasse.
Até ela se acalmar eu pensei;
Pensei em como seria daqui para frente onde nós teríamos os pais casando e depois voltaríamos a Forks. Para morarmos lá numa das grandes mansões perto da floresta.
E se não desse certo? E se não fossemos felizes? Agora teríamos que conviver para sempre. E se tudo acabasse? Carlisle e Esme se separassem?
Parei de pensar no e se, quando a voz grossa me chamou a atenção.
- Vamos Bella? – olhei para frente e vi Emmett me encarando brincalhão – ou terei que seqüestrá-la novamente? – ele gargalhou alto jogando a cabeça para trás. Tentei ignorar a piadinha sem graça e me concentrar em Ness.
- Me ajude aqui, Emm. – pedi e ele veio prontamente, colocando a figura magra em seu colo.
- Coma alcoólico? – perguntou sério, coisa que acontecia raramente.
- Não, ela só está cochilando, vamos embora Emm. – pedi calmamente e comecei a andar em busca dos outros.
Ao chegar onde acontecia à festa, eu parei chocada.
Tudo estava uma verdadeira bagunça. Cadeiras espalhadas por todo lado, pessoas bêbadas rindo alto e o que mais me chocou foi perceber que Jacob se encontrava no meio deles rindo e quase em coma.
Ele gargalhava alto jogando a cabeleira preta para trás.
- DROGA! – resmunguei a um Emmett totalmente boquiaberto.
- Só falta ele, Bella. Os outros já estão no carro bem alcoolizados.
Assenti, indo em direção a Jake, que ao me ver sorriu alegremente cantarolando meu nome.
- Belinha. Belinha. Belinha.
- Vamos embora, Jake. – pedi estendendo a mão e pegando a dele, a qual era gélida.
- Não Beeeellaa! – pediu com um arrastar de palavras;
- Vamos agora Black! – gritei. E com isso, todos os homens que tinham restado naquele lugar me olharam.
- Ele não quer ir mocinha! – um homem alto e magro disse pra mim.
- Você é a mãe dele por acaso? – perguntei brava, ainda segunda Jake pela camisa.
— Não e você é? – sussurrou em meu ouvido e isso me deu arrepios de medo.
- Não lhe interessa! – gritei tentando trazer Jake comigo.
Ele reclamou, reclamou, mas ao fim cedeu, deixando com que eu o levasse até o carro.
Ao adentrar o perfeito e fedido carro com cheiro de álcool eu olhei para trás tentando localizar Edward de uma vez por todas.
Quando nossos olhares se cruzaram ele sorriu abertamente para mim, e eu suspirei tateando sua mão de leve.
- Edward e Bella namoram, Edward e Bella namoram – cantarolou algum imbecil bêbado. Caralho, eu e Edward nos olhamos com os olhos arregalados um para o outro.
Estávamos perdidos.
- SEU BÊBADO LOUCO! — Alice gritou rindo e jogando a cabeleira desarrumada para trás. Ela até poderia ter razão se não fosse por estar mais bêbada do que ele. Os olhos já minúsculos se encontravam menores ainda, a boca rosada estava borrada e o lápis preto também estava borrado, tudo uma bagunça, incluindo a cabeleira preta. – você nem sabe onde está; quanto mais sabe se os dois aí – apontou para mim e em seguida para Edward – tem um caso ou não.
- Muito menos você sabe onde se encontra – resmungou ele.
- Lógico que sei, — riu novamente – em casa!
Nossa, bando de família louca, pelo amor de Deus! Respirei aliviada, pelo menos ninguém descobrira.
- Alice, eu sei que você concorda plenamente comigo, então não minta! MENTIR é FEIO! – Jake gritou com os braços para o alto, e a boca escancarada. Alice por sua vez bateu-lhe no braço, o estalo foi tão forte que estremeci. Ela era pequena, mas nem por isso não tinha força.
- ninguém fica com a bundinha do Edd. – Alice falou indignada e Edward por sua vez revirou os olhos.
- que BAGUNÇA! – Nessie gritou. Ainda não tinha esquecido o momento em que ela me procurara para chorar, e mais tarde, quando estivesse sã, eu perguntaria.
- Você cale a droga de sua boca, Swan! – ralhou Jake. Dessa vez foi eu quem atirei meu punho para trás e dei-lhe um bem dado soco no queixo, o grande moreno estremeceu.
Estava pronta para mais um soco, quando eu senti a mão em meu braço.
- Não adianta bater nele agora, Bella. Está bêbado, não vê?
- Tudo bem Emm – suspirei sabendo que não devia mesmo bater nele.
Mas no banco de trás, para minha grande surpresa – ou não – Jake e Nessie se batiam.
Os papeis eram invertidos, pois Jake batia como mulherzinha, daquelas que só fingir bater por conta das unhas, e Nessie batia realmente igual a homem, socos de punho fechado.
- PARE, PARE! – pedia o moreno com as mãos levantadas em gesto de paz.
- Eu disse pra não mexer comigo! – gritou ela afundando-se trêmula logo em seguida no banco.
- E eu disse pra você, deixar-me em paz! Eu já disse tudo a você, hoje! Fique longe de tudo, você não pertence a este lugar! – gruniu.
E foi então que eu entendi. Àquela hora minha irmã chorava por Jake, por ele ter dito muitas barbaridades a ela. Eu o queria morto, morto e capado.
- Pare o carro Emmett – pedi calma, estávamos no meio da rodovia, a qual não passava nenhum veículo. Ele gargalhou alto e os resmungos vieram de trás do carro, queriam silêncio, todos eles. Até Edward, ao qual eu vi beber uma dose apenas de álcool.
- Pensa que é fácil assim, Bella? – perguntou-me enquanto acelerava mais.
- Penso Emmett, agora pare o carro. – minha voz subiu uma oitava acima.
Eu estava furiosa e podia muito bem sair arrastando Black pela rodovia, quem ele pensava que era para falar tudo aquilo a minha irmã? É claro que ela pertencia a este lugar, nosso LUGAR!
- Você não pode esperar chegar em casa, não? – perguntou irritado, o rosto com covinhas tenso.
- Claro! – dei de ombros, fingindo não me importar, Jacob ia presenciar uma cena nada boa assim que descermos do carro.
- Para acalmar... – murmurou Emm mexendo no rádio, e sem mais nem menos, a música veio em minha direção trazendo dolorosas lembranças.
Lembranças que eu tentava sempre em vão apagá-las da memória. Lembranças perdidas. Fechei os olhos, implorando para que tudo ficasse para trás e eu esquecesse que um dia ela se foi, eu tinha que ficar só com as coisas boas na memória sobre ela, mas, porque as mais simples coisas ficavam intensamente gravadas como um filme longo e triste?
“estarei para sempre ao seu lado” – o sussurro vinha dela, a imagem inundava minha mente, minha querida, minha salvadora.
As palavras passaram repetidas vezes por minha mente, era como se ela realmente estivesse ali comigo, me embalando.
“Sempre, mesmo que não me veja, eu estarei. Não importa onde, em seus sonhos, ao seu lado, mas Bella, lembre-se sempre das coisas mais importantes da vida. Você, seu pai e sua irmã.” – acho que ela esqueceu de mencionar minha outra irmã.
Mas eu ainda era pequena nesse pequeno sonho, ainda tinha belos cabelos lisos compridos e fortes, o rostinho de boneca de porcelana era refletido pelo mar azul de minha mãe. Azul, minha cor preferida. A pequena pedra que eu carregava junto ao peito. Lápis-lazúli, a cor mais bonita do mundo, a qual fora feita para mim e Rebecca; e a qual eu só usava de semanas atrás até aqui. A pequena jóia rara. A minha jóia rara.
Acordei assustada com o solavanco que o carro fez ao entrar na garagem. Um profundo suspiro saiu de dentro de meu peito e eu me preparei para levantar.
Após ter saído do hospital minha resistência ainda era baixa e qualquer vento ou outra coisa, eu adoeceria, mas naquele momento ninguém me impediria de capar Jacob Black.
Assim que todos saímos do carro, alguns – a maioria – cambaleantes fui até o grande musculoso moreno, ao qual sorriu abertamente para mim e do nada o peguei pelo colarinho com toda a força que eu tinha. Meus olhos saltando e minha pele fumegante de ódio.
- Quais suas últimas palavras, Black? – duas razões, a primeira por ter magoado minha Ness, e a segunda por quase ter nos entregado — mesmo que de brincadeira e bêbado — a nossa família. Jake estava frito na minha mão.
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