A Minha Seleção
6 Capítulo 6 - A Morena Misteriosa
Notas iniciais
Participar dessa coisa vai ser uma droga. Da janela eu posso ver todas elas entrando no Palácio e isso me faz soltar um suspiro. Na verdade eu não queria nada mais do que ser normal. Serio, essa coisa de Príncipe é cansativa!
Alem de eu ser obrigado a participar das reuniões mais chatas do reino de Illea eu ainda tenho que aguentar as pessoas me tratando igual a uma criança, cuidando de mim a toda a hora. Não tenho nada contra os criados. Na verdade, tirando a minha família, eles são as pessoas mais importantes para mim. Eu até os amo.
Amor... Eu nunca senti isso por menina nenhuma e isso me assusta um pouco. Meu pai falou que é normal ter essa tal incerteza no começo da Seleção. Ele teve isso, eu vou ter isso e meus filhos vão ter isso. Só que ele não contava que eu iria ter uma irmã chata e rabugenta que, queria por que queria que eu participasse desse negocio. Qual a diferença da Seleção em um casamento arranjado? Sinceramente, eu não vejo nenhuma.
“Tivesse eu os planejamentos bordados dos céus, (...)
Estenderia esses mantos a teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas sonhos;
E estendi meus sonhos a teus pés;
Pisa com delicadeza, pois estás pisando em meus sonhos.”
Quando acabei de ler o poema de William Butler Yeats guardei o livro na prateleira mais alta, de onde eu havia tirado ele. Minha mãe sempre me diz que eu me pareço o suficiente com ela para não deixar de ler quando tenho oportunidade e concordo plenamente com ela. Me retiro da Livraria e vou em direção a sala de espera ao lado da Sala de Jantar.
Simplesmente adoro ler. Deixa-me abismado a forma em que os autores deixam que os leitores entrem na cabeça deles. O jeito que eles transmitem certas palavras me deixa até sem ar.
Meu tipo de leitura favorito são os poemas. Eles têm mil significados e fazem o meu coração palpitar mais alto. É incrível como eles fazem você queres se levantar da cadeira e viver a vida, de verdade.
– Você acha mesmo, mãe? – perguntou Angel entrando na sala. Ela estava vestindo um vestido branco que vinha até os calcanhares. Ele tinha pequenos detalhes em prata e deixava bem a mostra seu cabelo ruivo, que estava solto.
– Claro minha querida. – exclamou minha mãe vindo logo atrás dela com um vestido azul bebe com detalhes mais escuros nas mangas. Ela estava com o seu cabelo preso em um trança e parecia muito mais jovem. – Ahm! Peter você está fabuloso!
– Obrigada, mãe. – falei com um sorriso tímido no rosto. Eu estava com um terno azul marinho e uma gravata da mesma cor (quem escolheu a minha roupa foi Susan). – A senhora também está muito bonita.
– Concordo plenamente! – falou meu pai entrando na sala em quanto arrumava a sua gravata. Vi uma insegurança em seu olhar, que passou por todos na sala e parou em mim. Acho que ele sabia exatamente o que eu sentia. – Estão todos prontos?
– Falta o Raul! – falou minha mãe rolando os olhos pela sala em busca do pequeno. Ela até se abaixou, o que foi inédito para uma rainha, para procurar em baixo da pequena mesa que ficava no meio da sala.
– America ele não está aqui. – falou Maxon com os olhos brilhando e um sorriso gostoso no rosto. Vê-lo assim até me motiva a entrar naquela sala com um sorriso de verdade. Ele encontrou a sua alma gêmea na Seleção e tenho todas as chances do mundo de achar a minha menina “mais querida”, como dizia meu pai.
– Então aonde ele... – antes da minha mãe completar a frase pude ver um raio correndo pela sala, com um aviazinhinho de brinquedo em mãos. Ele estava fazendo barulho de motor com a boca o que me fez sorrir. Queria ser criança igual a ele. – Meu filho, aonde você se meteu?
– Tava blincando mamãe. – falou ele todo enrolado. Raul tinha três anos e falava melhor do que a maioria das crianças da sua idade. Ele estava de terninho preto e seu cabelo estava puxado para trás, de modo em que seu lindo rostinho ficava mais a mostra. Seus olhos eram azuis e seu cabelo era castanho claro igual ao meu.
– Você não podia ter feito isso querido. – falou minha mãe acariciando o seu rosto. Ela estava sorrindo com os olhos e com a boca. – Agora nós vamos conhecer as selecionadas, ok?
– Tudlo Bem.
– Alteza. – chamou Hazel que era seguida de Raphael. – Está tudo pronto para a sua entrada na Sala de Jantar.
– Nós já vamos Hazel. – respondeu o meu pai pegando no braço da minha mãe. Segundo ele “o braço dela se encaixa perfeitamente no seu”, coisa de casal, vocês sabem...
Então as grandes portas da Sala de Jantar se abriram e nós entramos. Meu pai e minha mãe foram na frente, comigo, Angel e Raul os seguindo logo depois. Olhei de relance para a mesa das Selecionadas e pude ver olhos brilhando e olhos curiosos. Eu estava sorrindo falso, como faço sempre que estou em publico. Todos, sem exceção, fizeram a reverencia quando entramos.
– Bem vindas meninas e meninos! – falou meu pai com um sorriso carinhoso no rosto. Porque ele tinha que ser tão doce? – Eu, minha mulher e meus filhos estamos muito felizes em receber vocês aqui. As meninas eu digo que sejam justas na competição e aos meninos... Bom aos meninos eu digo que não magoem a minha querida filha!
O salão foi tomado de risadas. Todas falsas, com toda a certeza. Olhei de novo para a mesa das meninas enquanto todos riam e pude perceber que apenas uma morena continuava seria. Ela não olhava para frente e tinha os olhos totalmente voltados para o prato de comida em sua frente. Há algo de curioso nessa menina. Ela vestia um vestido meio coral e tinha os cabelos castanhos soltos de um lado só.
– Bom jantar a todos. – minha mãe se pronunciou, sentando-se logo depois. Agora todos estavam comendo e o salão foi tomado de conversas. Algumas risadas ecoavam pelo local, o que deixava tudo mais cansativo. Na verdade, eu queria estar dando risada!
Olhei de novo para a mesa das Selecionadas. Todas estavam conversando e sorrindo, o que me fez chegar a conclusão que talvez elas possam ser até que legais. Procurei a morena no meio da mesa e a achei conversando com uma menina de cabelos pretos. Ela estava sorrindo sem mostrar os dentes e continuava a olhando para a sua comida.
– Atenção por gentileza! – falou minha mãe se levantando depois de acabar de comer. O silencio prevaleceu no salão e ela continuou a falar. – Quero comunicar que depois da sobremesa todos vocês vão para o Salão ao lado para que possam conhecer melhor o Príncipe e a Princesa. E uma dica: Sejam vocês mesmos.
Assim que America falou isso as meninas e os meninos se levantaram, seguindo Hazel e Raphael para o salão ao lado. Respirei fundo assim que só eu e minha família ficamos no salão.
– E então? – minha mãe perguntou observando Angel e eu. Seus olhos brilhavam e ela sorria travessa. Percebi que meu pai olhava diretamente para mim.
– Foi bem mais fácil do que eu imaginava. – soltou Angel voltando a respirar normalmente. Parecia que ela tinha acabado de correr uma maratona quando os selecionados ainda estavam aqui.
– E você Peter? – perguntou meu pai sem seu sorriso natural no rosto. Isso me assustou um pouco. Meu pai sempre foi muito doce e nunca havia parado de sorrir, mesmo durante os ataques rebeldes.
– Foi normal. – respondi dando os ombros. Na verdade eu queria ir logo para o salão ao lado e conhecer aquela menina morena tão curiosa. E as outras, é claro.
– Normal é uma das únicas coisas que não foi Peter. Eu vi você olhando para a mesa das meninas algumas vezes. – falou Angel, cantarolando a ultima parte.
– Angel. – repreendeu minha mãe. – Agora tratem de ir até lá. Conheçam todos e vejam quais não tem chance alguma. E lembrem-se: não deem esperança para quem nunca vai conseguir o coração de vocês.
Então eu e minha irmã fomos para o salão ao lado. Assim que as portas se abriram o silencio prevaleceu, o que foi assustador. Passei os olhos pelo salão e encontrei varias das meninas sorrindo. Parei os olhos na morena, que desviou o olhar.
– Boa noite a todos. – falou a minha irmã com uma segurança que me fez perguntar em minha mente o que eu estava fazendo ao lado dela. Eu estava tão inseguro... — Agora nós vamos falar um pouco com todos vocês. Por favor, quando seus nomes forem chamados se dirijam até essa mini salas.
Então nós nos sentamos e, de nome em nome chamamos todos que estavam no salão. Algumas meninas se pareciam entre si, tanto em aparência quanto personalidade. Algumas eram até cansativas de se ouvir. Tinha uma lista na minha cabeça de quais meninas eu havia gostado mais.
Tinha uma que se chamava Tiny. Ela tinha olhos castanhos bem alinhados, cabelos marrons e era divertida o suficiente para não deixar a conversa morrer. Era uma cinco e tocava violão e violino. Achei ela bem parecida com a minha mãe.
Havia também Samantha, uma menina dois que tinha muita classe. Pelo o que eu me lembro ela tem um irmão mais velho que é um modelo famoso, assim como ela. Seus cabelos loiros estavam bem arrumados e seus olhos azuis quase saltavam para fora de seu rosto. A maquiagem dela estava um pouco exagerada, mais nada que a deixasse menos bela.
Sam também era incrível. Na verdade, ela era a que tinha mais me impressionado no quesito personalidade. Ela era doce, mais ao mesmo tempo não abaixava a cabeça para tudo o que eu falava. Seus cabelos pretos se davam muito bem com seus olhos azuis.
Mais a morena misteriosa ainda não tinha dado sinal de vida. Nada dela entrar por aquela porta. Sempre que eu “dispensava” alguma menina olhava para a porta fixamente. E era assim que eu estava agora.
– May Campbell, seis. – ouvi a voz de Hazel do outro lado da parede. Eles haviam improvisado duas salas para que eu e Angel ficássemos e recebemos as selecionadas mais “intimamente”, por assim dizer.
Agora seria uma seis. Não gosto muito de conversar com meninas de castas muito baixas. Eu não tenho preconceito, minha mãe era um cinco! Mas, é algo muito raro as escolhidas serem seis, sete ou oito. E o povo também não gostava muito delas.
Mais ai eu me surpreendi. Os saltos da menina faziam barulho e cada vez ela ficava mais próxima. Quando surgiu na porta eu quase cai da cadeira. Ela estava na minha frente. A morena misteriosa acabara de chegar.
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