A Minha Seleção
22 Capítulo 22 - Preparativos
Notas iniciais
O dia foi um saco. Problemas com as flores pra cá, os músicos que não chegaram pra lá e mais um monte de outras coisas. Eu não tive tempo para almoçar e nem vi May pelos coredores do Palácio, o que me deixou um tanto rabugento.
Meu pai e minha mãe também estavam assim e só sossegaram quando eu disse que cuidaria de tudo até de noite. Então, fiquei atrasado para me arrumar. As famílias dos Selecionados chegaram no final da tarde e eu os recebi com muito orgulho.
No meio de todas as pessoas localizei uma mulher muito bonita com os mesmo cabelos castanhos de May e o mesmo sorriso doce. Ela estava acompanhado de um homem de barba robusta e rosto meio redondo, a única semelhança que eu achei com May foi seu jeito de ser, de andar e de falar.
Quando subo as escadas em direção ao meu quarto trombo com Tiny, uma morena simpática e com olhos levemente puxados. O engraçado é que ela está com alguns rolinhos na cabeça e vestindo um roupão. Somente um roupão.
– Oh! Príncipe Peter! – ela se assusta e coloca a mão no peito. Depois que percebe o seu estado cora violentamente. – Me desculpe eu não...
– Ahm, está tudo bem. – prendo o riso entre os lábios me forçando a não cair na gargalhada. Ela faz um reverencia e desce correndo as escadas.
Viro o corredor e vou em direção ao quarto que fica na terceira porta a esquerda. Antes de bater penso se vou encontra-la do mesmo jeito que vi Tiny e isso faz com que eu solte a risada que estava prendendo. Ainda sorrindo, bato na porta.
Ouço passos rápidos para todos os lados. Depois de mais uma batida Loren abre a porta do quarto reclamando de algo que Emily, uma das gêmeas, fez.
– Aleluia você chegou com esse roupão! – grita puxando a maçaneta com violência. Quando vê que sou eu abaixa em uma reverencia desengonçada. – Ahm, May...
– Sim? – a voz doce dela surge no ar. Sei que parece maluquice mais até posso sentir seu cheiro.
– Você tem... Ahmmm... Uma visita. – conclui Loren dando passagem para eu entrar no quarto. Emily e a outra gêmea, da qual esqueci o nome, ficam boquiabertas. Uma delas está segurando um secador de cabelo e a outra um vestido coberto por um pano.
– Um visita? Quem...? – ela sai do banheiro enrolada em uma toalha mas para de perguntar quando me vê. – Peter? O que você está fazendo aqui à essa hora?
– Uma visita? – deduzo dando os ombros. Ela esboça um sorriso provocador no rosto e... volta ao banheiro, fechando a porta bruscamente. Ouço uma risada seguida pela voz abafada de May. – Loren, diga que eu só vou falar com o Príncipe quando ele merecer.
– Alteza, ela disse que só vai falar com você quando o senhor merecer. – obedece Loren segurando o riso. As outras meninas também evitam rir.
– Diga a ela que eu a ordeno que fale comigo. – minha voz é firme mais esboço um sorriso acolhedor no rosto. Só de ouvir a voz de May meu dia já melhorou muito.
– Ele ordena que você fale com ele! – grita Loren deixando a sua classe de lado por alguns segundos. May bufa do outro lado da porta.
– Diga que ele já sabe que ninguém manda em mim! – May responde no mesmo tom. Vou até a porta do banheiro e forço a maçaneta. – Oh! O Príncipe de Illéa está tentando entrar em um banheiro quando uma menina inocente está dentro dele?!
– Vamos lá May! – bato um pouco na porta para incentiva-la. – Só quero te ver por um estante, eu estou atrasado.
– Porque não veio antes então? – pergunta cheia de segurança na voz. Reviro os olhos.
– Eu estava ocupado recebendo a sua família. – respondo com deboche na voz. A tranca é desfeita e a porta aberta, mostrando uma May seria e com o rosto branco. – Você está bem?
– Quem da minha família veio? – ela pergunta chegando perto de mim. Vejo pelo canto do olho que as criadas viraram de costas, como se fosse proibido ouvir as nossas conversas.
– Uma mulher muito parecida com você e um homem com barba e rosto redondo. – May coloca a mão na testa e enxuga o suor, desviando de mim e entrando mais a dentro do quarto. Ela começa a andar pera lá e para cá. – Mais não falei com eles. Só disse para que se sintam em casa e...
– Peter, será que podemos conversar outra hora? – franzo o cenho. – Não estou me sentindo muito disposta e ainda tenho que descansar para aguentar essa festa inteira. Por favor.
Assinto com a cabeça e me aproximo da sua testa, depositando um beijo longo e carinhoso. Antes de sair do quarto vejo que May me lança um sorriso que fala “vou ficar bem” e já me acalmo.
Rumo para o meu quarto.
***
Qual é a diferença entre azul mar e azul marinho, porque, realmente, eu não sei.
Mais, como ironia dos destino, a minha criada, Dora, sabe. E ela está nesse minuto pirando porque fizeram o meu terno de azul marinho e não de azul mar como ela havia pedido.
– Ahm essas costureiras! – ela resmunga enquanto eu estou lendo um livro sentado na cama. – Elas acham que podem de tudo só porque vestem a Familia Real! Eu falei bem claramente quando elas me perguntaram: Azul mar e não marinho. Argh!
– Fique calma Dora. Tudo vai dar certo. – falo sem animo pois, alem de já ter falado isso mais de um milhão de vezes, perdi a vontade de ir nessa festa. Me desamino só de pensar que vou ter que dançar com todas as Selecionadas e com todas as mães das Selecionadas. Alem de ter que sorrir a noite inteira!
– Como eu vou ficar calma Peter?! – ela fala o meu nome engraçado, puxando mais o “r” do que qualquer pessoal que eu conheça. – Essas exibidas vão me pagar, não...
Uma batida na porta é feita. Grito um “entre”.
Entra no quarto uma criada tímida e com ar de culpada. Ela fala para Dora que não há tempo de fazer outro terno e diz que, alem de não haver tempo, não há tecido da cor desejada. Dora bufa mais acaba se conformando.
Então, escolho um terno preto comum e coloco um lenço no bolso da fretne, por pura sugestão de Dora. Ela puxa o meu cabelo para trás e logo estou pronto para descer.
– Isso vai ser horripilante. – resmungo quando me levanto da cadeira. Vou em direção a porta.
– Não diga isso menino! A noite vai ser incrível, eu sinto isso!
– Incrivelmente chata. – digo baixinho antes de sair do quarto.
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