A Minha Seleção
2 Capítulo 2 - Acabou
Notas iniciais
Depois de 10 minutos eu sai do nosso lugar de encontro. Eu não podia correr o risco de alguém nos ver saindo juntos da floresta. Eu não tinha vergonha de May, muito pelo contrario. Eu tinha orgulho de amar aquela menina.
Sabia de tudo que ela passou na vida. Conheci May numa tarde de domingo quando ela tinha apenas 14 anos e eu 15. Vi ela chorando ao sair da livraria que meu pai é dono e que o pai dela trabalha como empregado e fui falar com ela. Desde essa época eu gostava dela, mais só fui ter coragem de me declarar quando tinha 16 anos. Me lembro até hoje de eu me ajoelhando na neve fria e olhando em seus lindos olhos verdes.
Fui caminhando até chegar na livraria do meu pai que ainda estava fechada. Como eu tinha a chave resolvi abrir mais cedo e ir arrumando as coisas. Meu pai só chegava para trabalhar as 8:00 horas, então teria que ficar sozinho na loja.
O pai de May foi despedido ontem de tarde e estamos até agora tentando arrumar algum empregado. Não havia falado nada para May pois sabia que ela ficaria nervosa e com o coração na mão. E eu não gostava de vê-la assim.
Eu tentei convencer o meu pai para deixá-lo ficar, pois eu sabia que se ele não tivesse dinheiro iria para a casa de May encher ela. Mais foi inevitável.
Nós o pegamos tentando arrombar o caixa eletrônico para tentar pegar o dinheiro. Ele estava bêbado e teve que ser enxotado para fora por mim e pelo meu pai. O que foi, de uma certa maneira, uma honra. Quando eu soube o que ele fez para a May tive que me controlar para não partir para cima dele todos os dias da minha vida.
Trabalhei até as 7:00 da noite. Meu pai me liberou mais cedo e insistiu para que eu fosse conversar com Jane. Ela era uma três e meu pai, queria por que queria que eu a seduzisse para que ela se casasse comigo. Mais é claro que eu não fazia isso. Na verdade, agora eu iria até a floresta me encontrar com May.
Quando cheguei lá vi ela encostada em uma arvore perto da nossa tenda. Já havia parado de nevar e agora a neve estava começando a derreter me fazendo escorregar quase todo o tempo. Cheguei perto dela e me sentei ao seu lado.
– Oi May. – falei sorrindo. Ela, pelo contrario, nem me encarava. Era como se ela estivesse me evitando. – O que aconteceu com você?
Ela respirou fundo e fechou os olhos, parecendo tentar ter coragem para falar alguma coisa. Estranhei essa atitude dela. Por mais que ela tenha sofrido, nunca, a não ser no dia que eu a conheci, chorou perto de mim. Naquele dia que encontrei ela pela primeira vez ela secou as lagrimas antes que eu as visse descendo de seu rosto, mais vale como uma primeira vez. E agora eu vi as lagrimas.
Agarrei-a em um abraço forte falando que ia ficar tudo bem. Não sabia o motivo das lagrimas dela, mais qualquer que fosse a causa, eu ficaria do seu lado para o que der e vier.
– E-eu não consigo. – ela disse em meio de soluços. Peguei o seu rosto com as minhas duas mãos e olhei fundo dentro dos olhos verdes dela. Via insegurança e dor em sua expressão. – Eu não consigo mais. – agora sua voz estava mais firme e sua respiração tinha melhorado.
– Eu estou aqui pequena. Tudo bem. – falei fazendo carinho com o meu dedão em seu rosto. As lagrimas agora já tinham quase acabado. Ela me olhava profundamente e engoliu a seco antes de falar de novo.
– Não dá mais Zack. – ela estava com o seu casaco marrom e suas mãos estavam cobertas por uma luva furada nos dedões. Sua blusa, por baixo do casaco, era coral e ficava muito bem com seus cabelos castanhos.
– O que não dá mais? – perguntei franzindo a testa.
– Nós. – ela disse e começou a chorar de novo. Tencionei todos os músculos do meu corpo e tentei não soltar nenhuma lagrima. Disse para mim mesmo que tudo não passava de uma brincadeira e que, daqui a menos de um segundo, ela vai me agarrar e me beijar como fez quando me declarei para ela. – Eu não consigo mais ficar com você Zack.
Meu coração simplesmente parou de funcionar. Parecia um dos pesadelos que eu mais tenho em quanto durmo. Nele, sempre acontece algo com May, algo grave demais para que eu possa ajuda-la. Agora era como se eu tivesse perdido ela para sempre. Era bem pior do que morrer.
– Não fale assim. – sussurrei não conseguindo segurar as lagrimas. Eu sou homem mais não suportava a ideia de ficar se May. Sem seus toques, seus beijos, seus abraços, seus carinhos, suas ironias, suas risadas, tudo. O mundo não era nada sem ela.
– Eu preciso falar. – agora seus olhos eram firmes e eu soube que não teria volta. Minhas mãos ainda continuavam em seu rosto. – Acabou Zack.
Então ela se levantou e saiu da floresta sem olhar para trás.
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