Notas iniciais
Ela bufou quando, novamente, suas costas atingiram o chão, erguendo uma poeira incomoda que parecia agarrar em sua garganta. Era injusto ele trata-la desta maneira, ou ao menos fazer o que estava fazendo. Pegou sua espada de bambu do chão, pela enésima vez, e se ergueu. Passou as costas da mão na testa, tentando tirar o suor misturado com poeira de sua pele.
-Eu já disse ruivinha, não se baseia só em ataque bruto. Luta de espadas é muito mais do que isso. – Ele suspirou, passando as mãos no cabelo. – Se você depender só de sua força em uma batalha estará fadada a perder. – Pausou, observando-a. – Assim como para quebrar minha defesa, você vai precisar mais do que brutalidade.
Elesis suspirou. O que era um treino simples, na concepção dele, já estava durando alguns dias de longos exercícios e cansaço absoluto, ainda mais porque ainda estava se habituando a dormir em acampamentos na mata.
Olhou novamente para o guerreiro no meio da clareira. A terra batida, abaixo de seus pés, continham apenas as pegadas da ruiva, mostrando que desde o começo do treino não se mexera, mesmo estando abaixo do sol escaldante. Mesmo depois de todos seus ataques. Era bem simples o que deveria fazer; somente quebrar a defesa dele.
O imortal permanecia de mãos livres e defendia qualquer golpe da espada de bambu sem problemas maiores. Porém, tudo se complicou quando reparou na dificuldade que teria pela frente. A ruiva tinha uma ótima resistência, era naturalmente forte e tinha facilidade de aprender as sequências necessárias para executar golpes, mas quando a deixou agir por si só é que ele reparou a mobilidade nula da garota.
Já havia explicado a ela, diversas vezes, que a luta consistia no movimento dos pés, quadril, braços e tórax, não só o movimento dos ombros e braços. Mas aquilo tudo não parecia entrar na cabeça ruiva, fazendo com que uma ótima discípula ficasse somente presa aos golpes básicos. Puxou uma grande quantidade de ar pelas narinas e soltou pela boca.
-Como já disse, também, ruivinha... – Começou a falar, relembrando alguns pontos. – Você está segurando a empunhadura errado. Você não vai quebrar a sua espada, — Comentou, apontando mesmo de longe os erros da garotinha. Ela afrouxou um pouco o aperto. – ela deve ser segurada intensamente, mas não violentamente. – Pausou e a observou por um tempo, sorrindo de canto. – Não se esqueça, também, de manter um espaço entre ambas as mãos, para dar mais mobilidade aos seus ataques.
Ela grunhiu. – Eu já sabia de tudo isso!
-Mas está fazendo errado mesmo assim. – Ele respondeu, dando de ombros. Elesis trincou os dentes, incomodada, depois olhou para suas próprias mãos, afrouxando o aperto mais um pouco. Assim, posicionou as mãos da maneira correta e voltou a fitar seu “tutor”.
Sieghart sorria, ela perdeu alguns momentos analisando a situação. A pose desleixada dele a enganou no primeiro momento, mas ela aprendeu a lidar. Os punhos e braços dele não cediam ao impacto da espada, muito menos quando ele agarrava a madeira e a atirava longe, independente da força que aplicasse no ataque.
Continuou a análise, observando cada detalhe em busca de um ponto fraco. Toda aquela pose desleixada se modificava perante a um ataque, seus músculos se retesavam, o ponto de equilíbrio se dividida entre ambas as pernas e todo o movimento que fazia se restringia aos seus membros – superiores e inferiores –, que eram suas fontes de força, e logo depois era atirada longe, como todas as vezes. Só então piscou, subitamente entendendo e dando um pequeno sorriso.
O moreno se arrepiou. Não muito certo se por apreensão – ele não admitiria o medo de uma criança, mesmo que ela fosse necessariamente assustadora se quisesse – ou por desejo de se ver como foco de toda a atenção da ruiva, o observando milimetricamente. Reparou então o aperto que as mãos pequenas deram no cabo da espada e a satisfação brilhar em seu sorriso e olhos. Ergueu uma sobrancelha desconfiado.
Ela correu na direção do imortal, rapidamente o atacando frontalmente com a espada. Como o previsto, ambos os punhos dele se fecharam ao redor da arma e ela abaixou-se, liberando a espada do agarre. Não esperando por isso, o moreno manteve a arma entre as mãos, porém sem mais a força necessária para atirar a ruiva longe.
Ainda abaixada, a ruiva ergueu uma perna, desferindo um chute rápido nele, que habilmente bloqueou com a panturrilha e ela, usando-se da perna do imortal, pegou impulso para um giro completo e, em um único puxão, arrancar a espada das mãos dele e preparar-se para um golpe certeiro nas costelas.
Quando estava assustadoramente próxima de seu objetivo, ele, notando a brecha que deixara aberta, girou levemente o corpo, deixando seu pé esquerdo mudar de lugar e abaixou o braço, parando o golpe em um último momento, deixando-o acertar seu antebraço.
Elesis, que não esperava por tamanha agilidade, foi rapidamente desarmada e erguida do chão, enquanto o imortal suspirava profundamente, porém não foi atirada longe como das outras vezes.
-Sieghart! – Grunhiu – Isso não é justo!
-Claro que é. – Respondeu de volta, enquanto usava a mão livre para secar o suor da testa. Olhou de relance para a ruiva que se debatia, brava, enquanto a segurava longe do chão pela barriga. Ela tinha o dado um susto e tanto, apresentando uma ótima análise de seu adversário, afinal ela tinha, em poucos momentos, chegado à conclusão de seu maior ponto fraco: não ter que se preocupar com a proteção de pontos vitais de seu corpo. Ele definitivamente tinha o direito de estar apreensivo quanto a ela, sua mente o relembrou e ele sorriu, orgulhoso.
-Ah claro! E você vai levantar todos os seus inimigos? – Remexeu-se outra vez, tentando livrar-se do agarre.
-Oras, por que não? – E sem que esperasse, a ruiva parou de se remexer e caiu em uma gargalhada profunda. – O que foi agora?
Ela olhou para ele, ainda rindo, e depois apontou para o local que seu pé havia deslizado, deixando a marca na terra batida. – Eu consegui quebrar sua defesa!
Ele fechou o sorriso. – Você teve um golpe de sorte, não pegarei leve com você das próximas vezes. – Ela somente continuou rindo.
-
Em pensar que tudo aquilo já havia passado fazia mais de cinco anos. Elesis parou por alguns instantes, apoiando as mãos nos joelhos e tentando restabelecer sua respiração, agora, acelerada. E em pensar que mesmo depois de anos, continuavam aqueles treinos estapafúrdios que só faziam sentido na cabeça morena. Era uma situação simples, na verdade, porém, como sempre, se tornava extremamente trabalhosa e complicada apenas por envolver o guerreiro mais velho.
A ideia do treino era persegui-lo e captura-lo. A ruiva já estava só na floresta há dois dias, alimentando-se de sua própria caça e montando seu próprio acampamento. No começo achou que ia ser simples uma missão como essa, mas levando em conta que era o moreno que odiava perder e conhecia a floresta como ninguém e, portanto, não deixava rastros...
E ainda por cima era seu aniversário! Como ele poderia ter esquecido... Bufou com raiva.
As vezes pensava no por que de um homem como ele decidira treinar uma garotinha como ela. Era verdade que não sabia muito a respeito de Sieghart. Sabia que era sincero ao extremo e que tinha uma habilidade fora do comum com a espada. Porém qualquer menção que fazia ao passado do mesmo, as respostas eram excessivamente vagas e ele só falava o necessário, a deixando com inúmeras dúvidas.
Não que desconfiasse dele, pelo contrário. Tinha uma confiança cega no mais velho por tudo o que ele fizera e ainda fazia por ela. E, levando em consideração seus hormônios em ebulição e um entendimento um pouco maior no campo do amor, também era tudo isso que a fazia olhar com outros olhos para o guerreiro galanteador. Sempre que se recordava desses momentos, sentia-se imbecil por armar esperanças por algo impossível.
Balançou os fios ruivos, tentando tirar toda aquela confusão de seus pensamentos e endireitou a coluna, finalmente respirando silenciosamente, enquanto olhava ao redor.
Por que aquele homem que era uma pessoa gentil, delicado quando queria, apesar de um sarcasmo irritante e bastante arrogante, se transformava em um monstro quando queria ensinar uma lição: era repetitivo, exigente, mandão e autoritário? Somando, claro, a habilidade dele de irritá-la por coisas banais.
Suspirou outra vez e, rapidamente, tencionou os músculos ao ouvir o quebrar de galho repentinamente perto. Girou o próprio corpo, dando de cara com a espada de bambu do guerreiro que passou perigosamente perto de acertá-la. Uma nota: só quem já sentiu uma dessas acertar a pele, sabe a ardência que ela provoca.
Puxou sua própria espada e preparou-se para ataca-lo, só então reparando no pequeno “tchauzinho” que ele a dedicou e a silhueta se embrenhando na mata novamente. Prontamente Elesis o perseguiu floresta adentro, sabendo da inutilidade de seus atos, já que só conseguia ver um pequeno pontinho sumindo entre as árvores, porém não pode evitar o grito de raiva que rasgou sua traqueia.
-
-SIEGHART!
Ele riu. Tinha que admitir que perturbar a ruiva era gratificante, mas a única coisa que era melhor ainda era que apesar dela estar “sozinha” todo esse tempo, soube se alimentar, montar acampamento e ainda haviam vários momentos que ela chegava perigosamente perto de onde estava escondido e ele próprio não podia fazer muito barulho.
Perto do acampamento da ruiva, então, era que ele tinha que ser extremamente cuidadoso. É claro que não a deixaria sozinha na mata todo esse tempo, logo, quando se aproximava do acampamento para passar a noite, tinha que ser extremamente silencioso e cuidadoso caso contrário ela se ergueria e passaria a noite toda o perseguindo, em uma força de vontade fora do comum.
Riu baixinho, realmente, não poderia escolher pupila melhor. Assim como o esperado da família. Suspirou culpado.
Talvez depois desse treino devesse a levar a Canaban e a deixar lá, para que ela assumisse o lugar de líder dos cavaleiros canabanenses. Não que essa ideia o agradasse muito. Por ele, a ruiva o acompanharia no resto de suas jornadas para sempre, mas as coisas normalmente não são da maneira que ele esperava. Mas ela estava, sem via de dúvidas, pronta. Sabia lutar, se defender, sobreviver, apesar de ser extremamente jovem, e seu maior tutor fora o próprio imortal das lendas. Não que quisesse se gabar, claro. Sorriu divertido. Tentou, então, lembra-se das regras que ele estipulara para o treino:
Ela estaria sobre sua própria conta na floresta e teria que se virar sozinha.
O prazo é de uma semana, apenas.
Ele deveria ser capturado nesse tempo, valendo-se de qualquer artimanha.
E o treino finalizaria quando o prazo acabasse ou a ruiva conseguisse abraça-lo, qual era a forma decidida entre os dois de “captura-lo”. – O que soava um tanto irônico à sua própria realidade, resmungou baixinho.
Mexeu-se silenciosamente, ouvindo os passos arrastados da ruiva. Ela resmungava alguma coisa e armava um bico nos lábios.
Seria mentira dizer que não reparara o quanto a garota crescera, ela era alta, bonita e decidida, por mais que não aceitasse os elogios. Seu esguio corpo ainda estava em fase de crescimento, assim ela era dona de longas pernas, um busto pequeno e o começo do que viria a se tornar uma cintura curvilínea, assim como um rostinho bonito e longos cabelos ruivos. Bastante atraente aos olhos de qualquer um, mas principalmente aos olhos do imortal que já era apaixonado por ela.
Sinceramente, ele perdera diversas noites de sono apenas para observa-la dormir. Não que fosse admitir isso em voz alta, até porque deporia contra a reputação que ele construíra nesses seiscentos anos, mas é que ele tinha a sensação de que tudo estava passando tão rápido. Para o moreno era como se ontem mesmo ele tivesse resgatado a garotinha da beira do rio e, de repente, quando acordou, cinco anos haviam se passado. Suspirou.
Assim, voltou o olhar para a ruiva, que agora mantinha um pequeno sorriso nos lábios, apesar de estar resmungando alguma coisa. Ela virou-se completamente, permanecendo de costas e olhando ao redor. Talvez estivesse esperando algum ruído vindo de si.
Deslizou o pé silenciosamente pelo galho qual havia subido, escondendo-se da ruiva na frondosa árvore, tentando se aproximar para ouvi-la. E o que eram murmúrios sem nexo, começaram a fazer sentido na voz feminina.
-... Sim, eu acho que você vai cair daí. – Ergueu uma sobrancelha. Ela estava de costas, provavelmente seria um blefe, apesar de aquilo ter acentuado sua desconfiança sobre as habilidades da ruiva.
Quando ouviu um “crack” atrás de si, mal pode acreditar, dando um longo suspiro em desistência. Deveria ter escutado as pessoas quando lhe disseram que não tinha vocação para se esconder e sim para atacar.
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Elesis sorria. Não conseguia evitar esse impulso ao perceber que conseguira, sem querer, fazer com que uma das milhares de armadilhas que montara funcionasse. Quando ele dissera para ela valer-se de qualquer artimanha, montara diversas armadilhas, mas o guerreiro, de alguma maneira, sempre sabia onde elas estavam ou como evita-las no último instante.
Por isso, no dia anterior, quando ela o perseguira até esse mesmíssimo lugar e quase se matou para escalar a árvore que ele se escondera para nada, já que Sieghart pulou de onde se escondia e sumiu na mata, Elesis fez questão de danificar quase todos os galhos que ele poderia se esconder das árvores próximas de onde estava.
Era uma armadilha um tanto falha, na verdade, porque por mais que ele não reparasse, ele poderia muito bem ficar sobre um galho não danificado, mas, mesmo não levando fé em sua ideia, resolveu ir adiante.
Por isso quando chegou nesse mesmo local e notou a falta de rastros, mostrando que ele estaria, provavelmente, sobre algum dos galhos, sentiu um ímpeto gigante de gargalhar. Ele, o Sieghart que não perdia e passava treinos estranhos qual ele era sempre o vitorioso, tinha caído na armadilha mais banal que ela conseguira pensar.
-É, Sieg, parece que você perdeu. – Sussurrou, olhando ao redor, esperando para ver de onde ele cairia. – Apesar de ser uma armadilha tão fácil de evitar, creio que sim, você vai cair daí. – O barulho de galho rachando atrás de si chamou sua atenção e ela virou-se, fitando o guerreiro que pisava em falso na madeira que estava cedendo e, de alguma maneira, tentou se segurar no galho ao lado.
Assim, ficou dependurado pelos braços no galho alto que também estava quebrando. Ouviu o nítido suspiro. – Isso foi injusto, ruivinha.
Elesis riu e o observou cair, assim que os pés dele tocaram o chão, pulou sobre as costas dele, antes que o moreno conseguisse correr de novo, e passou os braços firmes por seu tórax, o apertando em um abraço, apesar de desiquilibrar ambos, fazendo a poeira levantar quando o emaranhado de corpos caiu no chão.
Assim, estavam estirados ambos na poeira. Sieghart tossiu. Ele tinha os braços esticados para frente, o rosto tocando o chão enquanto, deitada nas suas costas, a ruiva o apertava em um abraço e ria, divertida, por ganhar.
Sentiu-se divido, sem saber se estava insatisfeito por perder ou feliz por ter uma ruiva divertindo-se abraçada a ele. De qualquer maneira, apoiou os braços no chão e começou a se erguer, obrigando a ruiva a soltar-lhe, ainda em meio a risadas.
O moreno acabou sorrindo. – Você não vai perder nunca essa estranha maneira de dizer que ganhou? Quero dizer, esses ataques de riso sem motivo.
Elesis negou, balançando a cabeça levemente. – É que ganhar de você é regozijante. – Acentuou e apontou para ele, se erguendo. Sieghart somente suspirou, se erguendo com calma e batendo a poeira das roupas.
-Eu tenho que parar de pegar leve com você. – Deu um meio sorriso, fazendo-a inflar as bochechas com raiva. – É que você é uma criança, não posso esquecer-me disso. – Foi o suficiente para o punho da garota se chocar contra seu braço, o fazendo soltar uma pequena risada.
-Eu não sou criança! – Gritou possessa. Em seguida cruzou os braços, resmungando.
Ele deu de ombros, rindo. – Ah, claro. – Assim, passou por ela, começando a andar na direção do acampamento aonde deixou suas coisas. – Vamos ruivinha, ainda quero passar na cidade hoje.
Ela ergueu uma sobrancelha, alcançando os passos do mais velho. – Para que? – Animou-se com uma mínima possibilidade dele ter se lembrado de seu aniversário.
-Surpresa. – Ele piscou um olho para ela, rindo. Ela corou brevemente, desviando o olhar.
-Babaca.
-
-Finalmente um lugar que poderemos passar a noite em baixo de um telhado! – A garota esticou-se, contente, enquanto jogava a bolsa de viagem empoeirada em cima da cadeira no estabelecimento. – E comer comida de verdade também.
-Minha comida é comida de verdade, oras! – Resmungou o ruivo de volta, fazendo a garota rir. Ele então observou os outros integrantes do grupo adentrarem o lugar, depois se virando novamente para a maga e reclamando. – E também, dormir junto à natureza faz muito bem ao organismo!
-Pode fazer bem para você, não pra mim. – Ela riu. – Se quiser, pode acampar nos arredores da vila enquanto eu durmo quentinha na cama do estaleiro.
-Arme, deixe-o em paz. – A loira sorriu, amável. – O que esperava ouvir de um druida, afinal de contas? – Delicadamente pousou sua própria sacola de viagem sobre a da maga, arrumando a gola da roupa depois. – O Ronan já foi arrumar os quartos, vamos achar algum lugar para comer. – Sugeriu, olhando ao redor.
-Ótima ideia, estou com tanta fome que poderia comer um boi inteiro. – Riu-se o elfo, as garotas acompanharam sua risada.
-Ryan, quando você não está com fome? – O outro ruivo perguntou, rindo, fazendo o druida encolher os ombros, sentindo-se culpado, depois soltou um pequeno bufo.
-Não é da sua conta, Jin, além do mais-... – Interrompeu-se no meio, olhando para a pessoa que tinha acabado de esbarrar em si. Não necessariamente um esbarrão, mas sim um encontrão.
-Ah, desculpe criança. – O desconhecido murmurou, depois empurrando a cabeça ruiva da garota que o acompanhava. – Isso é que dar viajar com ruivinhas mal educadas, elas empurram você nos outros...
-Não, tudo bem e-...
-Ruivinha? Mal educada? Quem você pensa que é seu... Seu... Seu espadachim de meia tigela! – Elesis bufou, interrompendo novamente a frase do elfo e apontando para o rosto do moreno.
-Hhm... Cuidado. – Ele murmurou, meio risonho. – Assim vai acabar machucando meus sentimentos. – E, ele ainda rindo enquanto o rosto corado da ruiva denotava sua raiva, eles adentraram o estaleiro sem se preocupar com os olhares que coletavam.
Depois de um longo silêncio entre o grupo, a mais baixa foi a primeira a comentar. – Eu já vi aquela fisionomia em algum lugar... – Pensativa, colocou um dedo sobre os lábios.
-Você está bem Ryan? – A loira se aproximou, tocando seu braço, ignorando o comentário anterior da maga. — Que viajantes estranhos...
-Estou bem, foi só um empurrão. – O elfo deu de ombros.
-Estou com a Arme, tenho a impressão que já vi aquele guerreiro em algum lugar. – O lutador se pronunciou, voltando ao ponto do assunto. Ambos os elfos o fitaram. – O que? Eu sei de algumas coisas!
Lire riu. – Talvez eu devesse checa-los mais tarde. – Pausou, olhando os outros integrantes. Depois voltou o olhar para o último integrante que faltava no grupo, vendo-o se aproximar com um par de chaves na mão.
-O que são essas faces tensas? – Perguntou, se aproximando. – Não gostaram do lugar?
-Não... As meninas que estão preocupadas com bobagens. – Ryan respondeu de prontidão. Em seguida completou. – E por “meninas”, me refiro ao Jin também.
-Hey! – O ruivo bradou, incomodado, depois de dar um pequeno soco no ombro do elfo, fazendo o resto do grupo rir.
-
-Ruivinha você deveria ser mais cuidadosa. – O moreno riu, cutucando-a. Elesis girou os olhos.
-Você quem acertou ele.
-Você quem me empurrou. – Ele negou, breve, e depois se afastou alguns passos. – Não saia daí, eu vou arranjar um quarto para gente. Não queremos ruivinhas perdidas por aí.
-Eu não sou mais uma criança! – Mas quando bradou, ele já estava longe, conversando com o gerente da hospedaria. A ruiva cruzou os braços, indignada, e resolveu que precisava tomar um pouco de ar fresco. Assim, arrumando a alça da mochila sobre o ombro esquerdo, voltou seus passos para o lado de fora, ficando a observar a vila.
Era uma vila pacífica, de estradas de terra e poucos comerciantes e muitos lavradores. Tinha mães gordas sentadas perto do riacho a lavar as roupas e as crianças, animais correndo pela praça e um clima agradável, bem como uma sensação de calmaria.
Se fosse perguntar a ela, aquilo não parecia em nada com Ellia. Quer dizer, estivera em muitos vilarejos e pequenas cidades, graças ao moreno que insistia em ficar mudando de lugar o tempo todo, e os lugares que conhecera normalmente estavam repletos de discórdia, miséria e pessoas com sorrisos e corações fechados. Quando perguntou a Sieghart o motivo, sua resposta foi curta e direta: as vilas estão em guerra contra Cazeaje.
Mas ali? Não, essa vila era muito mais tranquila e amável do que todas as outras que visitara. Parecia não ter nem mesmo uma pequena menção à bruxa das trevas ou todo o horror que as outras sofriam. Elesis se perguntou se era por causa da localização próxima à costa, porém longe das águas de Patusei, ou se eram os guerreiros armados que permaneciam atrás dos muros altos que contornavam a vila.
Foi tirada de seus pensamentos por uma garotinha, que puxava a barra de sua saia em busca de atenção. A ruiva voltou os olhos para ela, bem como seu melhor sorriso. Ela sorriu de volta. – Moça, a senhora também é da Grand Chase? – Ela tinha uma voz alta e fina, sardas por todo o rosto sujo de poeira e roupas novas, porém imundas. Elesis ergueu uma sobrancelha.
-Grand Chase?
-Ah, não? – O sorriso em sua face morreu aos pouquinhos, depois ela deu de ombros. – Achei que estivesse junto com o grupo de forasteiros.
-Não, não estou. – Admitiu. Terminada a sentença, pensou em permanecer quieta, mas sua curiosidade foi maior. – O que é a Grand Chase?
-Você ainda não ouviu falar sobre ela? – Os olhos da garotinha brilharam. – É um grupo de poderosos guerreiros que estão libertando o continente de Cazeaje! – Ela riu e virou-se, provavelmente atendendo ao chamado da mulher de meia idade que limpava as mãos em um avental amarelo. – Eu soube que eles estão aqui, queria saber quem são... – E acenou, correndo na direção da mulher. – Até mais!
-... Até. – A ruiva suspirou, observando-a correr até a mulher e se pegou perguntando se aquela era a mãe dela. Novamente foi tirada de seus pensamentos, dessa vez por uma mão em seu ombro.
-Elesis, tudo bem? – A voz do mais velho denotava sua preocupação. – Estou te chamando, você não respondeu.
-Estou bem. – Ela mostrou a língua e arrumou, novamente, a alça em seu ombro. – Sieg... Você sabe o que é essa tal de Grand Chase?
Ele ergueu uma sobrancelha. – Onde ouviu falar sobre eles? – Ela deu de ombros. Sieghart suspirou. – É um grupo de guerreiros de Vermécia, aparentemente estão aqui para lutar contra Cazeaje, por que?
-Achei que você tinha dito que era seu trabalho chutar o traseiro daquela bruxa esquálida. – Ele riu.
-Categórica como sempre. – Depois fez um breve afago sobre a cabeça ruiva. – Sim, é meu trabalho chutar o traseiro dela.
Ela retirou a mão dele de cima de seus fios. – Nós poderíamos nos juntar a eles, não? Assim as coisas ficam mais fáceis.
-Ruiva... – Ele suspirou, deixando o sorriso morrer. – Como eu disse, é meu trabalho. Eu gosto de fazer as coisas sozinho. É por isso também que ainda não fui resolver isso, no momento minha maior prioridade é você.
Ela o olhou feio. – Isso quer dizer que estou te atrapalhando?
-Não, isso quer dizer que ainda não fui porque priorizo você. – Ambos caíram no silêncio, apenas um observando o outro. Ele soltou outro suspiro. – Vamos. Quero tomar um banho e depois achar um presente descente para você.
A ruiva apenas ficou o observando andar na direção do estaleiro, com um pequeno sorriso no rosto. Ele tinha lembrado.
O moreno contou os passos de sua volta na direção das escadas. Esse não era um dos assuntos que queria tratar com a ruiva. Caçou com os olhos os pirralhos que vira mais cedo, encontrando-os a rir e conversar perto de uma das entradas. Elesis não poderia saber que aquela era a Grand Chase, do contrário, ela também descobriria que ele não era só Sieghart, mas sim Ecnard Sieghart, o lendário guerreiro imortal.
-Bela hora de aparecer, Grand Chase. – Murmurou, rancoroso.
Notas finais
Enfim, responderei reviews amanhã ou depois - ainda tenho que dormir porque amanhã tenho prova de final de período *sonâmbula* -, mas não deixarei de responder!
Ah é, qualquer erro avisem, não tive tempo de revisar porque estava ansiosa para postar =w=
Então, mereço reviews?
Beijos, beijos ~
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