A Mente Perfeita
7 O Início do Fim
Notas iniciais
Os garotos tentavam fazer Allena dizer mais sobre sua relação com Darilo, mas nada mais saiu de sua boca sobre isso.
Ash se lembrou do presente que o cientista tinha dado a ele e do que ele tinha dito: "O holograma só será entendido por vocês, meu querido, quando encontrarem o que eu pedi". Eles tinham encontrado, era Allena. O garoto procurou na sua mala pelo pequeno objeto em forma retangular e o levou até a sala, onde os outros estavam.
O inglês apertou um pequeno botão em cima do objeto. Diante dos seus olhos, o holograma de um Darilo orgulhoso apareceu, mas não falou nada. Os quatro ficaram esperando que ele dissesse algo, mas nada acontecia. Foi quando Allena percebeu que a mensagem só seria revelada se os garotos provassem que tinham encontrado o que ele tinha pedido.
– Fale o número um, cinco, quatro, sete. -- Os três não entenderam, era apenas uma imagem, ela não captava sons.
Irritada com a demora deles, a garota tomou o objeto das mãos de Ash, dizendo o número. Rapidamente, o holograma do cientista começou a falar com eles. Era óbvio, ele tinha o transformado.
A imagem virtual de Darilo começou dizendo que estava feliz em saber que os garotos tinham encontrado a sua querida Allena. Depois ele mandou os garotos seguirem as ordens dela sem se esquecerem do que o cientista já tinha falado. Eles podiam questioná-la, mas se ela dissesse que era o certo para se fazer, então eles fariam. Ele encerrou dizendo que acreditava nos quatro e sabia que eles dariam o melhor de si para salvar os dois universos. Então a imagem se foi e o holograma acabou.
Decepcionados, os garotos olhavam atônitos para o objeto, Darilo não deu uma palavra para ajudá-los. Allena, por outro lado, havia entendido a mensagem, era mais um dos enigmas do cientista para apenas ela entender. Apesar de ser importante, ela decidiu não revelar o significado para os garotos e eles continuaram decepcionados.
A noite chegou. Ao contrário do universo dos jovens, Túrio não tinha nenhum satélite natural, portanto, quando essa hora do dia chegava, tudo ficava completamente escuro. Naquele mundo também não existia eletricidade, por isso, a única iluminação era a base de velas e lareira e esses foram os objetos que Allena usou para iluminar a casa.
Ela não fazia questão de ser uma boa anfitriã e nenhuma cama foi montada para eles, a jovem apenas permitiu que eles montassem seus sacos de dormir na sala e como estava muito frio, os garotos entraram logo nos seus sacos. Régulo ficou incomodado em dormir no chão e colocou o seu em cima do sofá.
Allena não conseguiu dormir e fiocou na cozinha. Iluminada por uma vela, ela espetava e retirava repetidamente uma faca da mesa, mas sua mente estava longe dali, em um outro universo, em uma pessoa: Darilo. A outra mensagem secreta não saía de sua cabeça, não a deixava dormir.
O movimento dela produzia um barulho constante na madeira e o espanhol se revirava no sofá irritado com este, Kin já estava dormindo. Ash estava acordado, não por causa do barulho, o motivo era a história mal contada da garota, então, ele se levantou e foi até a mesa onde ela estava e se sentou em uma outra cadeira. Allena percebeu que ele estava ali, mas não deu atenção.
O inglês puxou a vela para o meio, agora ela iluminava os dois. Ele observou a garota por alguns instantes e então perguntou como ela sabia sobre o outro universo. Ela repsondeu sem tirar seus olhos da faca que ela sabia mais coisas que ele podia imaginar. Ash riu da resposta que não respondia nada e fez outra pergunta, como ela tinha descoberto que eles não eram daquele lugar.
A garota falou do mesmo jeito que antes, desinteressada, que na primeira vez que se viram, a voz dos três estava áspera, o que indicava que algo tinha irritado a garganta deles. De fato a poeira atmosférica tinha feito isso, mas não explicou totalmente como ela tinha descoberto. Ela continuou dizendo que era comum os habitantes de Túrio terem resquícios da poeira em suas roupas, mas a dos garotos tinha pouquíssima desta, o que mostrava que eles não eram dali, além disso, os passos deles estavam arritmados, o que indicava que eles não estavam acostumados com aquela órbita. Foi só ela pensar um pouco e ligar os pontos.
Ash ficou impressionado com a garota e concluiu, com toda certeza, que ela tinha o gene da visão, o qual a transformavam em alguém observador. Isso o fez perguntar outra coisa, se ela era uma Nouakai.
Allena parou por um instante e olhou para o inglês dando um sorriso malicioso. Falou que a resposta era óbvia. Ash arriscou dizer que ela era como eles. O silêncio da garota e a retomada dos movimentos com a faca confirmaram.
Os dois ficaram quietos olhando para o objeto que ela fincava na mesa, ambos pensativos, enquanto isso, o barulho irritava Régulo cada vez mais. Raivoso, ele gritou para Allena parar com aquilo. Ela mandou ele ficar quieto e jogou a faca na sua direção, mas o espanhol desviou, sentindo a faca passar a centímetros do seu rosto e só parando ao se chocar com a parede. Revoltado, ele deitou novamente, pelo menos o barulho tinha parado.
O inglês e a garota continuaram em silêncio. Ele a observava com cuidado, mas ela não retornava o olhar.
– Você é do meu universo, não é, Allena? -- Ash expôs o que estava na sua mente. Ela olhou para ele intrigada e respondeu que aquilo não era do interesse dele. -- Como você veio parar aqui?
Ela continuava a olhar para ele e disse que ele estava proibido de fazer perguntas pessoais sobre ela. Então ela se levantou e foi calmamente para o seu quarto. Ele ainda a acompanhava com o olhar quando ela se deitou e apagou a luz da vela do seu quarto.
A garota foi a primeira a acordar, o dia ainda estava clareando. Ela se trocou rapidamente antes dos garotos acordarem e viu do seu quarto os três dormindo. Ash tinha caído no sono sentado a mesa, a cera da vela que iluminava os dois na noite passada tinha se esgotado. Régulo dormia no sofá, a faca ainda estava fincada na parede. Kin dormia encolhido em seu saco de dormir, ele tinha passado muito frio a noite, mesmo deitado ao lado da lareira.
Allena foi silenciosamente até a cozinha e preparou um chá. Ela sentou-se, tomando-o ainda quente. Do outro lado da mesa estava o inglês, com sua cara enfiada em seus braços. Quando ela terminou o chá, os três ainda estavam imóveis, então, a garota lavou a pouca louça que tinha feito e irritou-se ao terminar e os três ainda estarem dormindo, por isso, ela pegou uma espécie de chaleira em que ela tinha feito o chá e a atacou com força no chão. O estrondo acordou instantaneamente os garotos que olhavam assustados para Allena, enquanto ela pegava o objeto do chão e atuava, dizendo que tinha sido sem querer.
Em cerca de meia hora, os quatro estavam saindo de casa. Eles estavam armados, não era bom ficarem desprevenidos com tantos soldados, caçadores e animais Túrio.
A poeira atmosférica que estava no chão tinha congelado, tornando as pedras que eles tinham que passar mais escorregadias do que já eram. Allena andava habilidosa nelas sem a menor dificuldade. Já os garotos demoravam mais para andar e tomavam cuidado aonde pisavam.
Depois de uma longa caminhada, os garotos estavam exaustos, era difícil respirar naquelas condições e frio piorava ainda mais. De vez em quando Allena tinha que parar zangada para esperá-los. Ela perguntou debochadamente de Darilo não tinha ensinado pra eles como andar em pedras. Os garotos ficaram irritados com o comentário, mas o único a responder foi Régulo. Mal humorado, ele disse que o cientista tinha feito isso, mas nunca ensinou a seguir alguém tão idiota como ela. Quase imediatamente, ele escorregou e caiu. Allena riu alto e falou que ele tinha faltado faltado na aula nesse dia. O garoto bufou e limpou com uma folha o sangue de um arranhão que ele adquiriu na queda. Ash e Kin pararam para ver se o parceiro estava bem, mas a garota continuou, deixando-os para trás.
Eles a perderam de vista, mas suas pegadas apareciam alternadas ba poeira que já tinha descongelado e fazia uma espécie de lama cinzenta. Depois de aproximadamente sete metros, eles a encontraram.
Allena estava imóvel de costas para eles. Os garotos se aproximaram e Régulo começou a xingá-la mas ela o mandou ficar quieto. Então os três entenderam o porquê dela estar imóvel. A frente deles, um pouco abaixo da trilha, tinham oito caçadores. Eles não o tinham visto até o momento que o espanhol fslou. Então, os caçadores os viram e começaram a correr cedentos na direção deles.
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