Notas iniciais
Galera, me desculpem pela demora em responder. Alguns assuntos pessoais me prejudicaram um pouco e eu fiquei fora daqui por um tempo. Maaaas... Já estou de volta e com a apresentação de uma personagem muito intrigante na minha opinião. Leiam e se divirtam pessoal! Espero que gostem (:
Enquanto a garota misturava várias flores dentro de uma caneca, Ash observava com curiosidade a casa. Não era igual a dele. Ela era pequena, feita de madeira, com basicamente a estrutura de uma casa normal, a não ser pelo teto que tinha tamanhos irregulares em cada espaço. A casa também não tinha divisórias, não pelo menos de concreto ou que iam até o teto, mas em um canto e outro, um arranjo de toras dividia alguns cômodos. Eram quatro no total, sendo eles a cozinha, uma espécie de sala, um quarto incomum e um banheiro. A estrutura da casa era mais simples do que as da dimensão dele, porém, os objetos eram complexos e pareciam obras de arte de tanta beleza que eles tinham.

A dona da casa jogava nas feridas de Régulo, sem o menor cuidado, o líquido que ela tinha preparado. Ele já estava acordado e gemia de tanta dor. A garota zombava dos gritos dele e continuava a jogar a gosma nos pontos que os mísseis tinham machucado o garoto.

Em pouco tempo, o espanhol não sentia mais dor e ela parou de tacar o líquido nele. Todos ficaram quietos o observando e medindo o grau dos ferimentos. Não eram graves. Então ela se levantou bruscamente e colocou a caneca na cozinha. Agora a atenção dos garotos voltava-se para a jovem, mas ela permanecia imóvel de costas para eles. Depois de um momento enigmático, ela perguntou o que Darilo tinha pedido para eles fazerem.

Ash respondeu com simplicidade que era para eles salvarem esta dimensão e a deles. A jovem riu e perguntou ironicamente se ele tinha pedido para eles fazerem isso antes do jantar, mas de repente o sorriso dela sumiu e, novamente, ela assumiu uma postura misteriosa. Como se estivesse falando com uma das suas lembranças, ela os questionou sobre o que fazia eles confiarem no cientista.

Confuso com a pergunta, o inglês respondeu que ele era uma figura reconhecida no Universo deles. No meio da frase, ela o interrompeu, dizendo que não queria saber sobre o mundo deles. Ela perguntou de novo o que os fazia confiar em Darilo.

Ash ficou quieto. Desde o ano 2040 Darilo se tornou uma figura importante no planeta Terra e todos confiavam nele, afinal, ele sabia tudo, então, por que ela os questionava? Ela sabia a língua deles, portanto, ela, com certeza, sabia da existência do outro universo. Ela não conhecia Darilo? Impossível, ela reagiu de uma forma estranha de mais quando ele mencionou o nome do cientista. Por que ela fazia esta pergunta?

Régulo respondeu irritado que era porque ele sabia tudo sobre absolutamente tudo. A garota respirou fundo e olhou intensamente com seus olhos azuis para ele. A única coisa que ela conseguiu revelar foi que este era o medo dela.

Os três não entenderam o que ela queria dizer, mas antes que pudessem questioná-la, eles ouviram passos no lado de fora da casa. A garota se movimentou rapidamente e os empurrou para uma escada escondida em seu quarto. Existia naquele lugar um cômodo secreto. Quando batidas foram ouvidas da porta de entrada ela mandou, por tudo que era mais sagrado na vida deles, para não dizerem uma palavra.

A jovem foi atender a porta com uma certa ansiedade. Dois homens enormes, de pele acinzentada, com roupas pesadas, corpos cheios de cicatrizes e com os músculos rígidos como pedras entraram portando armas pesadas. Eram soldados. Eles disseram no idioma de Túrio que ouviram vozes vindo dali. A garota pareceu indiferente com eles, respondendo sem demonstrar falsidade que eles nunca aprendiam a lição. Várias pessoas se perdiam na floresta e iam perguntá-la que caminho seguir e um casal tinha acabado de fazer isso. Ela ainda completou dizendo que tinha servido um pouco de chá para eles enquanto os homens observavam desconfiados o líquido que ela jogou em Régulo.

O mais alto deles virou de frente para a garota dizendo com tristeza que se ela estivesse planejando qualquer coisa, eles tinham ordens para matá-la. Ele balançou a cabeça afastando esse pensamento e pediu para ela não se meter em nada que o forçasse a fazer isso. Ela sorriu e se aproximou dele, acariciando o seu rosto, tranquilizando-o, o conflito dela com o governo já tinha acabado e ela era um ser pacífico agora.

O outro soldado estava desconfiado e perguntou o porquê dela colocar suas armas num lugar tão fácil de pegar, se ela não precisaria mais delas. Ela atuou por alguns instantes dizendo que tinha uma enorme paixão por aqueles objetos e os colecionava. A jovem valorizou as armas e então parou, dizendo que estava tomando o tempo deles com bobagens.

O mais alto a puxou para perto. Era óbvio que eles já se conheciam há um longo tempo e ele sabia que ela estava mentindo sobre as armas, por isso, pediu novamente para ela não fazer nada contra as leis.

Ela deu um sorriso charmoso prometendo que ficaria no caminho certo. Depois perguntou se eles queriam revistar a casa. Eles negaram e decidiram ir embora. Antes de saírem, o soldado mais íntimo com a garota acariciou o cabelo dela e pediu para ela manter a promessa. Quando eles já estavam na porta, ele lembrou de alertá-la sobre os caçadores. A comida estava escassa e eles estavam apelando para a carne humana. Ela agradeçou a preocupação e disse que tomaria cuidado. Então o homem se despediu dela, dizendo o nome da misteriosa garota. Allena.

Os garotos começaram a descer as escadas, mas ela fez sinal para eles pararem. Os guardas ainda podiam ouvir o que estava se passando dentro da casa. Eles tiveram que esperar longos minutos para poderem descer.

Quando os pés de Kin, o último a sair do cômodo secreto, tocaram o chão, ela mandou eles irem embora. Ash protestou, dizendo que eles precisavam das flores. Allena olhou intrigada e perguntou o porquê. Régulo respondeu depressa que Darilo tinha pedido. Ela riu. Então questionou ironicamente se ele pensava que iria salvar o mundo com um montinho de flores. Gargalhadas saíram da boca da garota.

O espanhol respondeu nervoso que não eram só flores. Ela parou um pouco de rir e perguntou o que mais era. Os objetos não poderiam ser revelados, mas, por impulsso, o espanhol começou a dizer. Ash o repreendeu antes que ele terminasse e fazendo com que Allena ouvisse apenas: "de fios..." mas a garota entendeu o motivo de Ash ter feito isso e afirmou que Darilo não tinha deixado eles dizerem e como eles eram bons "cachorrinhos", eles faziam exatamente o que ele tinha pedido. Régulo explodiu de raiva e correu para atacar a garota, mas antes que ele encostasse nela, uma arma estava apontada para a cabeça dele. Allena estava séria e segurava o objeto firmemente, pronta para atacar.

O garoto recuou alguns passos e apesar dela exigir que eles saíssem, nenhum deles se moveu mais. Ela gritou para eles saírem. Nenhum deles se moveu. A garota grunhiu e preparou a arma para atirar, porém, ela não poderia atirar porque Ash tinha acabado de apontar uma arma para a cabeça dela, dizendo que antes de saírem, eles pegariam as flores. Ela não se mexeu, continuava apontando a arma para o espanhol. A garota falou confiante que se ele atirasse, os soldados escutariam e antes que eles fugissem, os guardas os pegariam. O inglês respondeu no mesmo tom que se ela atirasse, os soldados também escutariam e ao invés deles que seriam apenas presos, ela seria... Como o guarda tinha dito? Morta. Ele deu um pequeno sorriso e mexeu a cabeça dizendo que se ela desse as flores, tudo ficaria bem.

Ela não falou instataneamente, os quatro continuaram imóveis. A única coisa que se escutava era a respiração forte e arritmada de Régulo. Então a garota quebrou o silêncio fazendo uma proposta. As flores pelo comando de Darilo.

Os músculos de Ash ficaram tensos. Uma onda gelada percorria o seu corpo. O espanhol estava rezando para que o garoto tomasse a decisão certa. Pensando rapidamente, Kin se intrometeu no trato e exigiu as flores primeiro. Hesitante, a garota aceitou.

Allena abaixou a arma cuidadosamente e seguida pelo inglês, foi até a frente da sua casa para pegar as flores que ele pediu. A arma do garoto ficou o tempo todo apontada para a cabeça dela até ela entregá-las e empurrar a arma mal humorada e com apenas dois dedos. Por fim, ela exigiu que eles disessem o comando do cientista.

Régulo pensou rapidamente e respondeu que ele tinha pedido fios e armas muito poderosas. Os três torciam para ela acreditar mas não adiantou. Ela sabia que Darilo dava ordens específicas. Nervosa pela tentativa deles de enganá-la, ela pegou a faca que estava afiando quando eles chegaram. Fez isso como uma ameaça silenciosa e eles a entenderam perfeitamente, mas ficaram quietos. Mais irritada do que antes, ela gritou para eles dizerem. Sem ter outra escolha, Ash disse exatamente o que ele tinha pedido. Fios pretos, porcelana, quatro milímetros de água do mar e flores.

A garota se surpreendeu, mas não expressou isso. Ela sabia o que aquilo significava, mas valeria a pena ajudar aqueles garotos? Darilo tinha confiado neles, deveria ter um motivo.

— Vocês são Nouakais? -- Ela perguntou quase certa da resposta. A resposta demorou para ser dada, mas enfim eles assentiram.

Allena respirou fundo, pensando na mensagem secreta por trás desses objetos. Valeria a pena ajudar aqueles garotos? Essa pergunta se repetia em sua cabeça. Os garotos estranharam o silêncio dela, mas, por medo, decidiram não incomodá-la.

Então, pela pura curiosidade, ela decidiu ver até onde aquilo a levaria e aceitou mentalmente ajudar os garotos, mesmo sem eles terem pedido. Afinal, era óbvio que eles não sabiam da mensagem secreta que estava nesses objetos.

— Certo, eu ajudarei vocês. Partiremos amanhã.

Os três trocaram olhares confusos e Régulo foi quem disse o que estava na cabeça deles. Eles não tinham pedido e não precisavam da ajuda dela. Allena analisava a faca, desiteressadas neles, dizendo que com certeza precisariam por dois motivos simples. O primeiro era que o soldado estava certo sobre os caçadores. Eles matavam qualquer ser vivo que aparecesse na frente deles e os garotos seriam uma ótima caça para eles, já que os três eram tão musculosos. Dariam comida para um mês inteiro. Um enjoo abateu Kin enquanto ela dizia isso. A ideia de ser caçado e da garota falar desse assunto com tanta naturalidade o repugnava.

Entendido o primeiro motivo, ela enfiou a faca com força na mesa de madeira e levou seu rosto em direção à eles, ponderando se realmente valia a pena revelar aquilo para eles. Ela observou os três garotos e contrariando sua intuição, decidiu contar.

Darilo costumava descrevê-la como uma pessoa única. Tinha fios pretos como a noite em Túrio. A pele tão clara e lisa como porcelana. As púpilas de seus olhos eram quatro milímetros da água azul e intensa do mar. E por fim, encantava com o contraste entre a violência que lutava e seu delicado cultivo de flores.

Era isso. Allena era o que Darilo havia pedido. Ela era a peça que faltava no quebra-cabeça para eles conseguirem salvar o universo. O cientista não tinha pedido os objetos em si, ele tinha pedido Allena, mas ele não foi direto no pedido por um motivo óbvio. Cabia a garota decidir se ajudaria os garotos ou não.

Além daquela, havia outra informação secreta naqueles pedidos, mas Allena não quis revelar para os garotos. Um dia quem sabe, ela contaria, mas agora, com os três ofuscando de surpresa, não era a hora certa.

Notas finais
Surpresa! Olha quem o Darillo queria hehe