Notas iniciais
Este é penúltimo capítulo da fanfic :c É hoje que vocês descobrem quem é Ele. O capítulo intercala entre o que acontece entre o Nico e a Akira :3 Frase: "Porque no final, quando perdemos alguém, cada vela, cada oração, cada lágrima, não compensarão o fato de que a única coisa que sobrou é um buraco na sua vida onde aquela pessoa que você gostava costumava estar. - Damon Salvatore"

Deixar Nico foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Primeiro porque eu o amava, segundo porque ele não queria ficar novamente sozinho no mundo, e terceiro porque mais uma pessoa que ele gostava iria morrer.

Talvez você pense que eu tenha sido egoísta, insensível ou burra por tê-lo deixado. Mas pense pelo meu lado, não só pelo dele. Eu não queria mais levar ninguém para a morte. Já bastava o Leo. Eu não iria perder mais ninguém.

Não demorou muito para começar a ver a estreita e longuíssima faixa de areia afastada da costa, onde praias e dunas se sucediam até perder a vista. Ao longe estava Cape Hatteras Lighthouse, o farol mais alto do país. O céu estava alaranjado, efeito dos primeiros raios de sol que incidiam no horizonte. Eu estava na Carolina do Norte.

***

Quando acordei, procurei por Akira. Ela não se encontrava em local algum. O fato de ela sumir não me surpreendeu muito. Eu sabia que ela iria achar um jeito de descobrir o que aquele mapa indicava. Mas não sei o porquê partiu sem me chamar.

E se ela estivesse machucada? Por que não me falou aonde iria? Por que não havia deixado nenhuma pista? Por que não havia me acordado? Por que havia me abandonado?

Todas essas perguntas passavam por minha cabeça. Ela havia partido. Ela havia me deixado.

Tentei afastar esses pensamentos. Eu precisava acha-la, e o único jeito de ela ter sumido tão rápido era pelas sombras. Pelo menos agora eu tinha por onde começar.

***

O mapa indicava para seguir mais duzentos metros a diante, o que desembocava em uma grande rocha. Contornei-a e encontrei uma pequena passagem para dentro dela.

Você deve estar pensando que eu seja maluca de estar entrando em uma pedra e indo para a morte. Bem, talvez eu seja. Mas isso teria de ser feito, não é mesmo?

E o problema de tudo: estava fácil de mais.

Não deveriam ter monstros? Armadilhas? Emboscadas? Algo para já me matar?

Sim deveria, mas não havia nada, por enquanto.

Adentrei mais profundamente na pedra e ela seguia por um corredor inclinado. Fui descendo por ele até que a escuridão tomou o local. Tirei a adaga que Nico havia me dado do bolso e ergui na altura dos olhos. Ela emitiu um brilho bronzeado no caminho, então prossegui.

Depois de alguns metros cheguei a uma sala ampla. Havia uma passagem do outro lado da e uma bacia no centro da sala. Dentro dela havia um líquido esverdeado.

Aproximei-me da bacia a havia uma pequena taça nela. O líquido semipreenchia ela. Alguém já havia bebido parte do líquido. Era isso que eu deveria fazer?

Peguei a taça e mergulhei na bacia. Ela se encheu completamente e a bacia ficou vazia. Aproximei a taça dos meus lábios e virei. Agora não teria mais volta. Eu havia bebido tudo.

A passagem do outro lado da sala se tornou mais clara. Tentei movimentar meu corpo, mas ele estava muito pesado. Como se algo me fixasse no chão, me puxasse para baixo.

Joguei meu corpo para frente e caí no chão. Bati meus braços e ralei um dos joelhos, mas a dor não importava, eu tinha que chegar até a porta.

Comecei a me arrastar com toda a força que pude. Quanto mais me movia, mais longe a passagem parecia ficar. A claridade já estava longe, tudo estava sumindo, a escuridão estava chegando.

Seria este o efeito do líquido? Fazer os objetivos ficarem inalcançáveis? Se este era o efeito, só tinha uma coisa a ser feita: desistir.

Olhei para a passagem e para a escuridão. Virei meu corpo e me lancei para a escuridão. Tudo mudou: o corpo não pesava mais, a claridade estava voltando, conseguia ver a passagem novamente. Então pisquei e estava novamente de pé, com a taça em mãos, como se nada tivesse acontecido.

Dirigi-me a passagem e dessa vez nada aconteceu. Comecei a correr o mais rápido que pude por um corredor íngreme. Havia agora algumas tochas dispostas em intervalos de cinco metros.

Desemboquei agora em uma bifurcação. Qual caminho eu deveria seguir agora?

Sempre dizem para seguir o caminho direito, pisar com o pé direito, sempre o direito. Mas tudo o que me disseram sempre trouxe consequências ruins. Por que não tentar o outro lado?

Corri para a passagem da esquerda. Durante vinte minutos o cenário não mudou nada. Era só o corredor, as rochas, a terra molhada, o cheiro úmido e a escuridão.

Mas no fim do corredor havia uma escada. Sim, uma escada dentro de uma rocha! Isso indicava o caminho certo, ou uma enrascada terrível.

Comecei a descer a escada. Foram vinte degraus. Quando cheguei ao fim havia mais duas escadarias. Segui pela da esquerda e essa também continha vinte degraus, e no fim mais duas escadarias. Peguei novamente a da esquerda e tudo se repetiu novamente.

O que estava acontecendo? Seriam escadas infinitas? Fui até a parede mais próxima e peguei uma das tochas. Comecei a iluminar o caminho e o teto. Deparei-me com uma sala cheia de escadas que iam e vinham. Eram ao contrário, subiam, desciam, eram transversais, de varias cores e tamanhos.

Como eu iria achar o caminho certo?

Procurei e avistei uma passagem no fundo da sala e outra quase no teto dela. Precisava chegar à passagem do fundo, como só vinha descendo as escadas deveria ter saído da passagem do teto.

Comecei a descer cada vez mais, mas sempre havia uma escada que levava ao caminho contrário, ou que te deixava de ponta-cabeça – Não sei como não caí – e levou em torno de meia hora para chegar ao fundo da sala.

Atravessei a passagem e mais um corredor, depois de um tempo saí na maior sala que já havia visto. Havia só escuridão. O ar estava gélido e faziam meus braços arrepiarem. No centro havia um trono de ouro e um homem sentado nele. Era Ele, aquele que me atormentava. Ele era alto com pele acinzentada e velha. Os olhos eram negros e profundos. Suas vestes eram negras também e ele parecia apenas uma sombra. Então esse seria o fim.

– Até que enfim você chegou minha amada Akira. – Disse Érebo.

***

Passei duas horas nas sombras procurando algum vestígio da Akira. Até que consegui achar uma suposta localização. Cheguei a uma praia e segui até uma rocha. Achei a abertura nela e segui por ela. Cheguei à sala com a bacia e segui pela passagem do outro lado, sem nem mesmo olhar para a bacia.

Continuei pela passagem e cheguei à bifurcação e segui pela da direita. Depois de alguns metros o túnel acabava e tive de voltar e seguir pelo corredor da esquerda.

Levei quinze minutos para atravessar toda a sala das escadas e chegar ao fim. Continuei correndo pelo corredor e comecei a escutar.

– Não adianta tentar nada garota. – Disse a voz de um homem. Uma voz grossa e profunda. – Você bebeu o líquido. Quando você me fere, você se machuca.

– Isso quer dizer que se eu machuco você se machuca? – Akira disse entre suspiros.

– Exatamente criança.

– Então só tem uma coisa a fazer.

Comecei a correr mais. Já estava no fim do corredor. O que eu vi foi o homem que parecia uma sombra e Akira com uma adaga no peito. Seu corpo estava caindo. Só tive tempo de gritar:

– Não. – Gritei ao mesmo tempo em que o homem, que se dissolveu.

Notas finais
Espero vocês no próximo capítulo! Beijos, Maah!