A Menina Morte

1 A menina nova


Notas iniciais
Bom esse é o primeiro capítulo, espero que gostem, e se gostarem ou não deixem um comentário.Criticas são bem vindas.Boa leitura!

Vejo o crepitar do fogo quase extinto a minha frente, ele emana um calor em meu rosto mas não o suficiente para aquece-lo. Na mesa a frente à minha, está sentado Quíron, o Senhor D e ela, a nova garota que chegou no Acampamento.

Ela é uma menina estranha, algo nela me incomodava, não sabia se era por ela ser nova ou por ela ser diferente das outras garotas, mas sabia que tínhamos algo em comum, um destino cruel, uma mancha em nossos passados que nos levariam a um futuro horrendo, algo que provavelmente nos levaria a morte.

Ela, assim como eu, não conseguira de fato aceitar seu pai, mas provavelmente, com o passar dos dias, ela se acostume com a ideia de ser uma meio-sangue. Continuo a olha-la, ela enrola cabelos ondulados pretos como a noite com a ponta dos dedos, que são finos. Parece não comer muito, já que está ao lado de um centauro, mas não sei se é por medo ou fascinação.

Sua pele é branca como os primeiros flocos de neve que caem com o começo de um inverno, esta com um casaco de couro preto, uma blusa alaranjada, a do Acampamento, com uma calça jeans, e coturnos pretos. É magra, e tem um semblante sofredor, como se carregasse toda a tristeza do mundo, o que era possível, já que seu pai era Thanatos, o deus da morte. Mas o que mais me chama a atenção são seus olhos, médios e profundos, sofredores, de cor avermelhada, assim como o sangue.

Ela era a primeira filha de Thanatos que vejo com os olhos vermelhos como sangue, os outros tem cor de âmbar ou castanhos escuros, mas ela era diferente deles. O modo de agir, o modo de se vestir e sua beleza fascinadora e encantadora, como se chamasse as pessoas a morte e as convencesse de que aquilo era bom e fosse o melhor a se fazer.

Mal percebo que quase todos já saíram da mesa, minha irmã Hazel nem fez questão de me chamar, e se fez, provavelmente estava distraído observando a nova garota. Olho para os lado e não vejo mais ninguém em minha mesa. Decido levantar até que escuto meu nome.

– Senhor Nico Di Angelo, poderia acompanhar a senhorita Ash e mostrar-lhe o Acampamento?

– Claro Quíron, ela estará em boas mãos, prometo!

– Eu sei disso Nico, o meu problema são o Connor e o Travis Stoll.

– Cuidarei para que eles não aprontem nada com ela.

– Muito bem então.

Foi quando escutei uma voz harmoniosa soar, era como a voz de um anjo, como um sopro de vida, era a voz dela.

– Prazer, sou Akira Ash.

– Prazer, Nico Di Angelo, mas pode me chamar de Nico.

– Você é filho de quem?

– Sou filho de Hades, o deus do Mundo Inferior. Pelo que parece temos algo em comum, a morte.

– Pelo que parece sim, mas não gostaria de desejar isso a ninguém, mesmo sendo filha do deus da morte.

– Estranho uma filha da morte não gostar da morte.

– Já passei por todos os tipos de morte e perdi pessoas importantes para meu pai.

– Sinto muito se isso não é algo que você goste de falar, me desculpe.

– Não se sinta culpado, esse é o castigo por ser filha de um deus, essa é a mancha que tenho de carregar, aqueles que amo sempre se vão, de um jeito ou de outro.

Ela olhou para longe e depois para mim que a encarava.

– O que foi?

– Não sei o que digo a você.

– Não diga nada sobre este assunto, só responta uma pergunta antes de sairmos por ai, quem são os Stoll?

– São irmão gêmeos, filhos de Hermes, que aprontam com todos. Pegadinhas é o que não falta aqui no Acampamento, você verá.

– Ótimo, um pouco de diversão, coisa que nunca tive.

Percebi que ela falava a verdade, os filhos de Thanatos são conhecidos pela desgraça que carregam, matar aqueles que estão próximos a eles. Senti um aperto em minha mão quando abaixei minha cabeça, olhei para ela e esta estava sorrindo para mim.

– Então, vamos?- Ela pergunta.

– Claro, por aqui.

Apontei para a minha frente e saímos para a apresentação do local mesmo sendo tarde. Os chalés estavam todos com as luzes apagadas, o que indicava que todos já estavam dormindo, o que era raro no Acampamento, já que ninguém dormia cedo.

Mostro para ela os campos de morangos, meu local favorito no Acampamento, ela observa atentamente mas não diz nada. Passa a mão sobre os morangos, seus olhos e sua face estão iluminados pelo brilho prateado da lua, deixando-a mais bela como uma rosa vermelha no meio de uma campo de rosas brancas.

Nos dirigimos até o lago onde nos sentamos para conversar um pouco, ela olha para o horizonte, sua feição é de preocupação e de medo, mas não sei de que exatamente. Pego na sua mão que esta gelada, mas ela não parece sentir frio, ela olha para mim e eu tomo coragem para perguntar sobre ela.

– Você veio de onde?

Ela pensa um pouco, olha para os lados e então responde com um pouco de apreensão.

– Vim de vários lugares, de todas as partes. Já vivi em muitos lugares e todos eles não existem mais, onde passo a morte me persegue, por isso não devo ficar aqui, se não muitos irão morrer.

– Mas aqui você não precisa se preocupar, temos filhos de Thanatos aqui, e até hoje nada aconteceu com nenhum campista.

– Mas você não entende, tem ele, ele me persegue, não consigo me livrar dele. Ainda por cima tenho a marca dele, não consigo tirar, já tentei. Nada funciona.

– Você se refere aos olhos vermelhos?

– Exatamente, mas isso não me preocupa mais, ele não consegue me achar à um bom tempo.

– Que é ele?

– Ninguém importante, não mais, simplesmente esqueça essa conversa tudo bem?

Eu queria falar que não, queria saber sobre o que ela estava falando, o por quê de ela estar assim, mas como percebi que de nada adiantaria insistir, somente concordei com a cabeça.

Ela encostou a cabeça em meu ombro e ficamos a observar a imensidão do horizonte azul a nossa frente. Olhei no relógio e estava tarde, olhei para ela e falei para irmos para nossos chalés. Levantamos e ela me deu um beijo na face, um beijo doce como mel, um beijo que levei alguns segundos para recuperar a consciência. Seu beijo parecia com o de alguém que se foi ha muito tempo, parecia o beijo de Bianca.

Fui para meu chalé, esperando para reencontrar Akira no dia seguinte e continuar a mostrar o Acampamento. Tive uma das melhores noites de sono depois da morte de Bianca, sonhando em como poderia ser o passado e o futuro da mais nova menina, que apesar de não conhecer já me encantou, e me mudou.

Notas finais
Bom se você leu até aqui, deixe um comentário, não dói nada.Beijos