A Melodia das Águas
31 O despertar de um novo tempo
Notas iniciais
Naríia decidiu-se por não deixar o mundo das águas a serviço do acaso. Era imprescindível que tomasse a habena e se fizesse presente na farfúncia do cuidar de seu povo.
Uma flor branca chegou-lhe boiando, era a materialização de uma prece. Afagou-a ao preencher-se com o mantra, a rogar pela vida, por amor e proteção. Em seguida, queimou-a em chama azul, para que a mãe desse rumo ao efeito de sua vontade.
Passos ecoaram pelo salão, despresunçosos. Uma figura alta e corpulenta de olhos angulares, tão amarelos como o resplandecer solar, carregava, com destreza, um bebê feito de luz, pequena alma ainda não nascida. A voz soou-lhe familiar.
“Vim dar-te as boas-vindas, criança”.
“Faen”. Proferiu, contente. “Estás atrasado. Dundren veio ter comigo no último verão”.
“Ele sempre é primeiro quando tratam-se de novidades... Vejo que já familiarizas-te com a dinâmica desta terra. Teaé nos foi muito cara e posso dizer que tu também o serás”.
“Quando cai a noite eu a vejo, junto às nossas antepassadas. Instruem-me em minhas tarefas”.
“O que sucede desde agora é mérito teu, porém”. O silêncio enfatizou a expressão atônita da sereia. “Anteontem, uma criança nasceu no mar. Seu nome é Glenin, das escamas verdes”.
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