A Melodia das Águas
18 O deleite de uma companhia
Notas iniciais
O doce cheiro de sinos brancos misturava-se ao frescor das hortaliças, responsáveis por alimentar toda a vida ali presente. Em um banco baixo de madeira, Naríia sentou-se enquanto a outra permaneceu erguida. Ainda não acostumara-se ao compasso que o uso das pernas exigia-lhe, por mais que suas caminhadas diurnas acompanhada de Melina já houvessem tornado-se cotidianas.
Falavam sobre as coisas da terra e as coisas do mar, ensinavam-se costumes e crenças aos quais o hábito nunca lhes exigira. Alguns dias, porém, contentavam-se com o silêncio e a lhana ciência da existência de uma companhia.
Naquele instante, vestidas com o conforto acromático que o templo as oferecera, contemplavam a quietude das pequenas ondas a lançarem-se contra a baía de pedras. A mulher de pé acariciava algumas folhas próprias para infusão de ervas.
“Com qual propósito vieste a estas terras”? Quis saber ao escorregar as mãos por longos cabelos ruivos.
“É de meu feitio. Da natureza do meu povo”. Ouviu como resposta palavras mansas, embora seguras de si. “Somos como o próprio vento, aprendemos sobre as viagens com elas próprias, prontos para sarpar assim que o acaso demanda”.
“Vem comigo”?
O olhar que caiu sobre si sorria, mas continha surpresa e contrição.
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