A Melodia das Águas
23 O defrontar-se com uma lenda
Notas iniciais
A vereda por entre árvores levava às águas fundas apenas aqueles que conheciam seus truques e perigos. Três homens pintavam-lhe complicados padrões nos braços e rosto. Jarros de alabastro, cada um contendo um pouco da tinta, iluminavam o interior da a cabana feita de raízes.
As sereias do pântano não reverenciavam reis, rainhas ou quaisquer figuras únicas que representassem liderança. Usualmente tinham vidas solitárias, mas nesta noite reuniam-se, sob a luz do luar penetrando a clareira, filtrada por vitórias régias, para recepcionar a nova convidada.
Contou-lhes tudo sobre as mazelas das águas salgadas.
“Se já não nascem no mar, em breve seremos a última gente de nossa espécie”. Ouviu um homem ponderar, seus olhos escuros emoldurados pelos longos cabelos. Imediatamente um murmurinho se seguiu.
“É isso que busco evitar! É por isso que estou aqui”. Respondeu apressada, imediatamente retirando da bolsa o cordão que confeccionara e estendendo-o para o coletivo. Fez-se silêncio.
“És Unuvili”.
A voz que partira da escuridão fez o coxixo reiniciar. Provavelmente notando a confusão nos olhos da moça, outra pessoa explicou: “Conta a lenda que o deus portador da chama retornará e, em seu grande poder e sabedoria, reviverá a glória das águas”.
Naríia piscou, estarrecida.
Fale com o autor