A Melodia das Águas
28 A retornança da chama
Notas iniciais
A vastidão do oceano propagava-se em todas as direções, sob as escamas flutuando no vazio, tão rasa e límpida que podiam-se observar os cardumes transitando entre o colorido dos recifes de corais. As bolhas que saíram-lhe da boca elevaram-se, além do alcance das vistas, em direção à branquitude de um eterno nevoreiro. Ouvia-se apenas os sons das profundezas.
Em simetria rítmica, erguiam-se pequenas colunas prismáticas, em cujas pontas alocavam-se luminárias translúcidas, a indicar a direção retilínea de seu destino. Conforme deslocava-se delicadamente, cada candeia respondia à sua presença, iluminando-se com a mesma nitescência azul a decorar-lhe o colo.
Ao longe, a imagem de uma construção, despontando das profundezas, assemelhava-se a uma miragem, tamanha a perfeição reticulada. Apressou-se. Era seu destino final, após a grande jornada que começara para si ainda na juventude, com os estudos sobre a antiga magia das águas.
Construída em cristal opaco e adornada por figuras marinhas já tão familiares, a morada de Teaé que existia perto de casa era apenas uma cópia imperfeita desta a esperar-lhe. Nadou através do pórtico para o labirinto, guiada por seus próprios conhecimentos, até o grande salão. Escrituras reverberavam em luz pelas paredes perfeitamente planas. A chama finalmente regressava ao lar.
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