A Melodia das Águas

26 Que passa pela cabeça da sereia?


Notas iniciais
palavra de hoje: (por motivos de classificação indicativa, a palavra de hoje precisou ser censurada, agradecemos a compreensão) CRAVEI 200 PALAVRAS Vou admitir que a palavra de hoje me ajudou um bocado no desenvolvimento do capítulo. Impressionante. Pareceu um pouco com o que eu tava fazendo no começo e isso me animou bastante.

Auxíliada pela pérola em seu pescoço, seguiu o homem-estátua por trilhas, as quais se abriam entre as árvores, cujo percurso só era óbvio para aqueles que dominavam a habilidade de percebê-lo. A ardência em pontos do seu corpo escorria com as gotas de sangue a pingar-lhe pelas mãos e pernas.

Ainda que a altura daquele ser não fosse muito maior que a sua cintura, a voz, a murmurar canções desconhecidas, ribombava tenor. Passos imperturbados cruzavam com indícios de armadilhas, ossos com sinais de trepanação, antigas ferramentas deixadas de lado pelo pavor.

Um forte clarão irritou-lhe os olhos. Por entre a abertura no teto arbóreo, o raiar do dia divisava perfeitamente as trevas daquilo que agora não mais o era. Suspirou. Já poderia novamente guardar o colar, então segurou-o entre os dedos, a fim de retirá-lo.

“Que passa pela cabeça da sereia”?

As verbas fizeram-na cessar o movimento, confusa.

“É só isto que falas”? Esperou por uma bronca, mas ouviu uma risada grave. Finalmente pôde notar a dessemelhança daquela figura com uma estátua, senão apenas com um homem pequeno. “Procuro a Floresta de Boarin”.

Um sorriso travesso espalhou-se pelo rosto de seu interlocutor.

“Estás a pisar nela, grande guardiã da chama”.

Notas finais
E aí, o que acharam? Confiariam no moço pra tirar vocês da floresta? Sim, ela ta usando o cordão que disse que não ia usar. Ela queria tirar, mas ele não deixou. O que será que isso quer dizer?