A Matter Of Time
1 It\'s Just A Matter Of Time...
Notas iniciais
Enjoy :3
O cheiro de café não era mais regular. As olheiras já eram mais evidentes, e o humor já não era o mesmo.
Durante quatro anos, tudo o que ela fez, foi fugir. Fugir dum sentimento forte, que ela não tinha sozinha. Ele sentia o mesmo, e já havia dito antes.
Era só uma questão de tempo, até ele desistir, e achar alguém melhor. Afinal, ele não esperaria para sempre.
Sempre.
Lá estava a palavra para assombrá-la. Sempre era uma palavra dita com frequência por ele.
A nova capitã o enxotara de lá, e Kate não o culpava por não querer voltar. A cabeça doía-lhe, e ela largou a bolsa no chão, assim que chegou.
Não havia café esperando por ela, e isso estraçalhava-lhe o coração. Levantou da cadeira, recebendo vários olhares preocupados. Desde que voltara do hospital, não falara com ninguém, exceto seu pai.
A alimentação já não lhe dava sustância, e os ossos já apareciam no rosto. O pescoço pareceu ter dado uma alongada, pela falta de musculatura.
Na sala de descanso, Espo e Ryan riam, e quando ela entrou, os olhares redigiram-se a ela, preocupados.
- Kate...
- Eu estou bem, Espo.
Nenhuma palavra a mais foi dita. Ela pegou a primeira xícara que conseguiu ver, e colocou o café. Não quis conversar.
Quando o líquido escuro tomou conta do copo, ela saiu pela porta, a fim de terminar seus relatórios.
Os dois colegas quiseram ir atrás de Castle e pedir para ele voltar, porque só assim ela voltaria ao normal, mas também entendiam o lado dele.
Na mesa, Kate sentia a cabeça explodindo. Há mais de dois meses ela mal conseguia tocar na papelada, e não comia direito. O contato com os parceiros era pouco, e os encontros com Gates já eram diários.
- Detetive, vá para casa. — ordenou a chefe.
E os dias de trabalho eram mais curtos. Todos sabiam que ela não andava bem, e que precisava de ajuda. As horas de trabalho diminuídas eram um presente, de Gates para Beckett.
Ela não hesitou. Pegou o casaco, e foi até o estacionamento.
Por um momento repentino, achou tê-lo visto.
- Castle! — chamou ela, num grito. O homem não virou.
Era certo de que, não era ele.
Entrou no carro, sem esperanças de vê-lo mais uma vez.
Começou a dirigir, sem entusiasmo. Ficar em casa era uma coisa que ela fazia todo o tempo. Já não trabalhava oito horas — ou mais — por dia, e isso a incomodava bastante. O apartamento não era mais um local que transmitia segurança, e sim, cansaço.
Deixou-se cair no sofá, e lembrou que, ele sempre ia ao parque nas quintas feiras.
Era quinta-feira!
Levantou esbaforida, e abriu a porta com uma força descomunal.
Desceu as escadarias correndo, alcançando a porta de entrada.
Correu o mais rápido que pôde, ainda mais rápido do que quando perseguia bandidos.
Ao chegar na praça, viu o escritor sentado no balanço, rindo com uma mulher, ao lado.
- Não...
Foi demais para ela. Os olhos marejaram, e os joelhos falharam. Quando se deu conta, já estava ajoelhada na calçada, vendo os beijos apaixonados que os dois trocavam.
Ela colocou o rosto entre as mãos, e permitiu-se chorar. A dor no peito era grande, ela não podia negar.
A mulher passou por ela, e um sorriso triste abriu-se em seu rosto. Correu pela rua, sem, ao menos olhar.
O pior estava para acontecer.
A sensação, era de estar sendo pisoteada por uma multidão. Sentiu os ossos do braço esquerdo — cujo ela caíra em cima — quebrando por inteiros.
- Cas... Tle! — gritou ela. O homem virou-se para a rua, e viu-a ali, tão inofensiva, tão...
Tão machucada.
Correu até ela, e segurou-a em seus braços.
- Kate...
- Sh... Eu... Eu sei que fui uma idiota, e que... Você não esperaria para sempre, mas... Eu amo você, Rick... Eu... — e apagou em seus braços.
Seus olhos marejaram, e ele levou o rosto para dentro dos fios do cabelo dela.
A maciez era inconfundível, e o característico cheiro de cerejas...
- Kate, hang on... — sussurrou ele, passando os dedos levemente sobre as pálpebras dos grandes olhos dela.
A pele, tão macia.
Mas, ela tinha razão...
Ele não esperaria para sempre, e... Agora, não haveria mais nenhum modo, de ficarem juntos.
Ou, talvez houvesse...
Em outras vidas.
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