A Marriage Is Coming
8 Capítulo 7 - "Wait, are you fucking kidding me?"
Notas iniciais

Capítulo 7 – “Wait, are you fucking kidding me?”
Abracei Dianna. A loira estava diferente da última vez que havíamos nos visto pessoalmente, há uns cinco anos atrás. Na maior parte das vezes eu conseguia ver ela e Lea, sua esposa, por transmissões que aplicativos disponibilizavam; o que facilitava a gente de se ver durante épocas corridas em que às vezes nenhum de nós poderia se locomover pra se ver. Era louco, eu ainda lembrava da época que eu e Diana havíamos cursado juntos Yale para advocacia. Sim, eu sou advogado, um pouco confuso dado meu linguajar, não é? Pois é, advogados não são os mais calmos e sucintos, somos bem escrachados quando queremos.
A loira estava com os cabelos cortados curtos, quase rentes. Os olhos brilhavam de vivacidade e alegria. Ela usava um vestido de tecido leve, branco com detalhes levemente rosados. A loira tinha uma faixa na cabeça, a deixando com um ar de mulher dos antigos tempos, semelhante a alguns de seus filmes favoritos. O filho dela – e Lea – estava sentado a mesa da cozinha, mexendo no celular. Fiz uma nota mental para depois conversar com ele. Lea tinha o cabelo muito semelhante ao de Barbra Streisand quando recebeu seu prêmio de melhor atriz da época, me lembrando assim de uma peça que eu vira com Jeff há cinco anos. Ela vestia um jeans preto simples e uma camiseta cinza de manga comprida pra aquele dia razoavelmente frio. Fiquei feliz de termos terminado tudo a tempo do casamento pra ter um dia livre.
— E aí, Alex, como está? – Perguntei e ele sorriu pra mim.
— To bem tio, o que me conta de novo além do seu casamento? – Sim, eu era tio (de batismo, pois é... quem diria que elas seriam cristãs né? E eu aqui evitando catolicismo como o Diabo evita a cruz) dele. E a gente tinha uma relação próxima, apesar da distância constante.
— Nada novo. Alguns casos que envolvem eu prender gente que faz mal a outras, mas nada novo. E com você? – Imediatamente vi Lea e Dianna se afastarem. Eu sabia o quão era complicado para o Alex se abrir com as mães, e ele sempre o fazia em caso de extrema necessidade ou problema. Eu sempre tentava mudar esse cenário, mas ele não queria preocupar as mães. E principalmente agora que ele havia iniciado o primeiro ano da faculdade de Artes, ele guardava ainda mais coisas pra si. O garoto passou as mãos nos cabelos negros como a noite, mordendo os lábios rosados que puxou da mãe loira e deu uma tossida, típica de Lea quando nervosa antes de falar algo.
— Eu não sei o que me vem acontecendo. Tem esse garoto na faculdade e ele me tira do sério, mas eu sempre me pego pensando nele e eu tento me convencer que eu não estou sentindo algo, mas eu estou. Sempre que ele começa a me provocar depois de eu falar algo que irritou ele, eu tenho vontade de jogar ele contra a parede e agarrar ele. A gente tem essa química no ar que eu não sei o que acontece, mas há momentos que eu provoco ele com vegetal e ele morde e a gente fica naquilo, um olhando para o outro, como se houvesse um desafio não falado. E nesse meio tempo eu me pergunto o que estou sentindo porque eu sinto atração por mulheres. Eu só to muito perdido. – Ele comentou e eu sorri, entendendo a confusão dele. Foi a mesma que meu pai teve que reprimir e lutar durante anos contra (talvez minha mãe também, eu ainda não havia conversado com ela sobre). Apoiei a mão no ombro dele e dei uma tossida, imitando ele, cujo percebeu e riu.
— Olha... eu sei que você já está cansado disso, mas antes de tudo...
— ... Eu devo falar com minhas mães. – Ele completou e eu ri, vendo-o sorrir de graça.
— Exatamente. E não falo por nada. Eu te digo isso porque você não conversar com elas deixa elas ainda mais preocupadas e se remoendo culpando elas mesmas por você não se abrir com elas. E eu sei que não é sua culpa, você só se preocupa que seus problemas pesem nelas, mas não irão. E assim, Dianna mais que ninguém entende o seu dilema. Vou te dar uma dica, a mesma que dei pro meu pai anos atrás: não existe só duas maneiras de amar, pelo gênero oposto ou pelo mesmo. Há milhares de maneiras e é mais que válido você buscar e usar rótulos diferentes até que encontre o seu. Somos humanos e a parte legal da caminhada da nossa vida é se descobrir, por mais louco e insano e doloroso que possa ser.
— Você viu que estragou isso no momento que falou doloroso, né? – Alex me avisou e eu assenti, vendo-o rir.
— Agora vá conversar com suas mães. Nos vemos mais pela tarde depois que eu resolver algumas coisas. – Ele foi chamando por elas. Fiquei feliz de conseguir fazer o garoto conversar com elas, era um passo importante.
Nos veríamos novamente de tarde, apesar de o prazo estar apertado e ser o último dia antes do casamento. Nervoso? Eu? Claro que sim. Porque para e pensa comigo: qualquer merda pode acontecer. Mas me recuso a pensar isso. Era bom minhas amigas terem chegado para me apoiar. Agora faltava o restante do pessoal, que já deveria estar a caminho.
.~.~.
Jeff me beijou enquanto a gente assistia ao filme que passava pela milionésima vez na televisão. E pela milionésima, eu queria assistir. Retribui o beijo e colocou a mão no ombro dele, apertando, ele captando a mensagem, me deu um último selinho e me abraçou.
— Como você não cansa desse filme? – Ele me perguntou e eu ri.
— É tão fofo e natalino! – Eu disse; o que para mim já estava justificado eu querer ver pela milionésima vez, mas pelo olhar dele não estava justificado. – Qual é... é tão legal, e tem toda essa loucura de musical. Geral dançando e cantando inexplicavelmente, é tão de boas e sem preocupação.
Ele assentiu e me abraçou mais forte encostando o nariz gelado no meu pescoço. Estremeci e me agarrei a ele, beijando seus dedos gelados.
— Você não quer tomar um chá? Hoje está tão frio que o dia está escurecendo mais rápido. – Ele negou.
— Não agora, mas obrigado. – Ele me deu um beijo na bochecha e se encostou no meu ombro. E eu soube que ele iria apagar.
Em menos de um minuto ele estava dormindo.
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Era de noite e Kurt, Sam e Johnny haviam chegado. Alguns amigos meus ou de Jeff já haviam chegado e passado na casa dos meus pais e nos dado um beijo e foram embora, dizendo que nos veríamos no dia seguinte, obviamente.
Os três meninos ficaram no sofá da esquerda e aproveitamos para colocar a conversa em dia. Jeff e Kurt haviam se conhecido após Kurt ter que processar uma empresa que estava deixando as coisas expiradas serem entregues nas lojas e isso estava causando problemas a ele e sua família. E por consequência através de Kurt e Sam que conheci Jefferson. De conhecer de verdade, não só ver ele de vez em quando, ao ir pra escola. De conhecer como amigo mesmo.
— E aí, faz tanto tempo, por onde a gente começa? – Eu perguntei e Sam e Kurt se entreolharam, sorrindo.
— Vamos começar por vocês estarem pra se casar. – Ambos falaram ao mesmo tempo e eu dei as mãos para Jeff.
— Foi ele que propôs. – Jeff disse e os dois pularam do sofá comemorando e assustando o filho que riu da cena.
— Meu Deus, meu Max cresceu. – Kurt fingiu chorar, me fazendo gargalhar.
— Calma, gente, não é pra tanto. – Eu corei, vendo o olhar dos três em mim.
— Não é pra tanto? Você por acaso se lembra de você mesmo na época do Ensino Médio? – Jeff questionou e eu ri.
— Lembrar eu lembro. Eu era bem capetinha. – Soltei, vendo-os assentir.
— Não que seja uma surpresa, já que a gente sempre desconfiou que você era o mais romântico. – Kurt disse, apontando para ele e Sam.
— É. Você podia esconder o quanto quisesse, mas você amava esse cara aqui. – Sam bateu no peito de Jeff. Eu ri e assenti, beijando a bochecha dele.
Felicidade de noivo dura pouco. Já escutaram isso? Pois é, é uma versão diferente porque Grizelda entrou em casa e sorri, dando oi para os garotos: — Oi Kurt, Sam! – Ela sorriu e então se virou para nós, fechando o sorriso. Me deu medo, admito. Desculpa, sogrinha, eu sei que vai ler isso, mas duvido que se não tiver algum lugar que escreva, você deve falar muito mal de mim. Você já até falou na minha frente! Eu ao menos tenho a decência de escrever. J — Vocês dois não vão dormir juntos hoje.
— Espera aí, que porra é essa? – Questionei, sem a menor vontade de fingir ser respeitoso.
— Temos que respeitar as tradições. – Ela respondeu, puxando o filho com ela pra fora da minha casa, saindo pela porta que havia entrado. A da frente. Encarei meus amigos, estupefato.
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