A Marriage Is Coming
5 Capítulo 4 - "Oh my God, not the church!"
Notas iniciais

Capítulo 4 – “Oh my God, not the church!”
Evelyn estava diferente do que dá última vez que havíamos nos visto. Eu sentia falta da minha irmã, a gente se falava ainda menos que eu e Brett. E ver a minha irmã na minha frente, depois de três anos sem contato físico, era estranho... eu não sei explicar, mas era como se algo estivesse fora do lugar. Talvez por a gente quase não se falar e ela ter se afastado da família. Eu não sabia, mas queria conversar com ela e saber o que vinha acontecendo na vida dela, porque havia se afastado da família... tantos porquês.
Dei um abraço apertado nela. Era como se ela também precisasse daquilo, não só eu. Fiquei feliz, depois de tanto tempo sem aquele contato.
Seu cabelo, naturalmente ruivo e na cintura agora estava loiro e channel. Ela usava saltos pretos, o que a deixava maior que eu. A sua calça era boca de sino, branca, combinando com o paletó branco, enquanto a camisa dentro era preta. Ela realmente parecia a C&O que sempre quis ser, e ali estava. Poderosa, empoderada e para o meu casamento. Estávamos avançando.
— Evelyn... – Eu disse, sem saber como iniciar uma conversa. Ela sorriu igualmente desconfortável. Eu ri, achando graça de tudo. – Do que estamos desconfortáveis? Me dê um abraço que preste!
Ela me apertou nos seus braços de aulas de auto-defesa e eu apertei sua cintura.
— Eu te amo. – Soltei, e ela sorriu.
— Eu também te amo, bro. – Ela disse, dando um beijo na minha bochecha. Nos separamos, Brett abraçou ela em seguida e assim foi após todos os membros terem terminado de abraçar ela e ela ser apresentada devidamente para Anne. – Gostei de você. – Ela disse, vendo a mulher ficar visivelmente feliz.
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Nos sentamos abaixo do gazebo, olhando para o céu azul ensolarado.
— Que tal a gente ir nadar daqui a pouco? – Brett sugeriu e eu assenti, vendo meus irmãos biológicos nadando e rindo.
— A gente vai nadar pra gente mesmo ou pra você paquerar os dois? – Eu zombei e ele sorriu, dando em ombros.
— Aceito as duas ações. – Eu revirei os olhos. – Tu acredita que esses dias eu estava conversando com eles e descobri boa parte da vida deles e algumas curiosidades: Liza é de Gênero-fluído, alternando em agênero, mulher e demigirl. Enquanto ele é bigênero. Os dois são de Leão. E eles amam passar a madrugada conversando. Super me identifiquei.
— Você realmente está interessado nos dois? – Eu perguntei e ele assentiu. – Só peço para que não machuque ninguém nesse processo. E claro, nem você mesmo. Se quiser se divertir, vai fundo, mas com os dois cientes.
— Você sabe que eu não sou um player. – Ele disse e eu assenti, concordando.
—Sim, mas quando se trata dos nossos sentimentos, a gente acaba esquecendo dos outros. Experiência própria.
Ele assentiu e passamos boa parte da tarde conversando, até decidirmos ir nadar. Largamos as roupas e ficamos brincando, os cinco juntos, tirando sarro e aproveitando o clima.
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— Como vem sendo viver em Nova York perto do Brett? – Perguntei, deitando na minha antiga cama e olhando para minha irmã, vendo-a rir.
— Olha, vem sendo ótimo acompanhar a vida amorosa e sexual dele de camarote, mas a gente não se vê tanto quanto parece. – Ela deu de ombros. – Meu emprego exige muito de mim e eu sempre tenho que provar que sou a melhor e tudo mais. A gente só se encontra de meses em meses, isso quando ele tem tempo nos períodos de namoros e cirurgias.
— É tão estranho isso tudo, sabe? – Eu falei, de repente, saindo do silêncio repentino que havíamos caído.
— Sei. Eu me afastei da família e consequentemente de você. – Ela falou com um sorriso triste brotando no rosto. – Promete guardar segredo de algumas coisas pra mim?
— Claro.
— Então, essas coisas são o que descobri e vivi lá em Nova York, e consequentemente os porquês do meu afastamento repentino. A mamãe já sabe, só falta eu contar pro papai. – Ela respirou fundo, puxando o ar para dentro do pulmão, fazendo o peito crescer. E soltou de uma vez. – Eu engravidei numa noite de sexo irresponsável (depois de muita bebida por ter acabado entre eu e minha namorada da época), depois descobri que sou assexual e homorromântica. “O que caralhos isso quer dizer?”, você deve estar pensando, deixe que eu explico: eu não sinto atração sexual, só me apaixono por mulheres. Isso não quer dizer que eu não posso fazer sexo, até porque eu sou sexo-positivo, mas sexo e sentir atração sexual são coisas diferentes. – Ela parou para respirar e desabou em choro.
— Uau, eu sinto que aprendi mais coisa em um minuto e meio do que aprendi em um ano na escola. – Ela riu e eu me senti melhor por ver ela rindo, por mais que a maquiagem estivesse borrada a essa altura do campeonato.
— Só você pra me fazer rir nessa situação. – Ela disse e eu me fiz de desentendido.
— Eu? Só estou falando a verdade. Onde está a graça nisso, Evelyn? – Ela me mandou um cala a boca e foi minha vez de rir. Após um silêncio confortável, eu me atrevi a perguntar: — Por que não deixou que sua família ajudasse?
— Eu não sei. Na verdade sei sim. Eu estava me sentindo estranha na época, com tudo isso vindo a tona e eu me descobrindo tantas coisas após tentar recriminar tudo que eu sentia. Eu me sentia uma aberração por não sentir atração sexual e ser a “desajustada” da família e dos amigos. Todo mundo sentia atração e só tinha eu ali no meio, sem sentir atração e ao mesmo conhecendo gente nova e tendo que escutar alguns amigos meus, gays, dizendo que pessoas que não sentiam atração sexual não tinham que estar na comunidade LGBT+. E foi um processo tão turbulento e louco que eu me perdi e decidi que afastar a família seria melhor, eu cuidaria da minha bomba prestes a explodir e depois poderia resolver a merda que a preocupação com a bomba causara. A bomba no caso era eu mesma. – Ela sorriu triste.
— Nunca, jamais você foi uma bomba.
— Irmão, eu fui. E não digo por minha atração romântica e identidade assexual, mas sim por mim. Se eu não resolvesse isso tudo, como poderia deixar isso vazar? Na época eu ainda vinha aqui e tive que cuidar de todas as coisas. Para e pensa: eu, com milhões de dúvidas na cabeça, tinha acabado de se descobrir grávida por uma merda irresponsável e tinha que lidar com “amigos” falando bosta sobre algo que eu vinha desconfiando ser eu. Eu estava quase explodindo, e quando digo isso era gritando e armando um barraco, mas eu dei um tempo pra mim mesmo. Eu não matei vocês da minha vida, mas sei que ter afastado vocês não fora a melhor escolha. Realmente sei, talvez tivesse outro jeito? Porém, eu tomei uma decisão e arquei com as conseqüências e agora estou de volta. – Ela parecia que tinha se livrado de um peso enorme nas costas e eu nunca, repito, nunca havia a visto desse jeito perto de mim ou qualquer um. Ela parecia ter se achado.
— E sobre a gravidez? O que fez? – Perguntei e ela sorriu triste, me fazendo imediatamente entender.
— Você abor...
— Abortei. Na época eu não podia bancar as despesas e muito menos esperar para analisar quais eram as melhores opções. O que eu sabia era que eu queria um futuro melhor para mim. E também sabia que havia muito a ser feito para chegar onde eu queria (e estou) estar. –Eu assenti, sem julgamentos, somente a abracei, dei um beijo na bochecha molhada dela e deixei ela me apertar enquanto pronunciava o último segredo. – E eu não posso mais engravidar.
E ali nos meus braços ela chorou como nunca havia chorado na vida. Eu chorei junto dela, somente nos dois, esperando o silêncio do quarto nos abraçar.
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— Vamos para o correio? – Perguntei. – Para enviar os convites do casamento?
Ela sorriu e assentiu, entrando no carro comigo e Jeff. E juntos, fomos em silêncio para o correio, onde eu teria que pagar um preço absurdo pra chegar os convites a tempo. Ainda bem que ninguém morava fora do país ou a cinco estados de distância. Do correio saímos rindo, porque rir é o melhor remédio.
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