A Marota

70 Capítulo 68


Jogo de quadribol.. Era hoje, Grifinória e Sonserina. E, para a minha surpresa, Kieran era o novo batedor da sonserina. Eu sabia que não daria boa coisa assim que recebi essa notícia de James, que não parecia muito empolgado com isso. Na verdade, nenhum dos jogadores da Grifinória parecia animado em jogar contra a sonserina logo de primeira. Quando fui até o vestiário, todos eles colocavam os equipamentos em silêncio.

— Qual é, pessoal! Vocês treinaram pra isso. — eu falei, balançando os ombros de Amy que estava sentada no banco a minha frente.

— É.. Mas treinamos pra jogar com a Lufa Lufa. Cada time tem sua estratégia. — James me disse e eu suspirei.

— Olha.. Eu sei que vocês vão conseguir. São o melhor time da escola, na minha opinião. — eu disse, sorrindo pra eles e tentando lhes passar confiança. — Agora vão lá e tragam a vitória pra nossa casa.

Todos se levantaram e juntaram as mãos em um círculo. Amy agarrou a minha e a colocou junto, passando o outro braço sobre meus ombros.

— Vai, vai..

— GRIFINÓRIA!

Eu ri, saindo do vestiário junto com eles em direção ao campo. Lhes desejei boa sorte e corri em direção as arquibancadas, me sentando ao lado de Marlene que me entregou um binóculo. Ela me mostrou algo como uma gravata branca, mas nela brilhava a palavra Grifinória.

— O que é? — eu perguntei mas ela apenas me fez virar.

Ela passou o pano sobre a minha testa e o amarrou atrás da minha cabeça.

— Eu que fiz. Ficou fofinho em você. — ela sorriu e eu ri, mesmo meio confusa.

Eu voltei meus olhos ao campo, vendo os jogadores se aproximarem. James e Joshua cochichavam algo um para o outro e o Turner acabou empurrando James para frente. A Madame Hooch falou algo e James e outro garoto da sonserina apertaram as mãos. Eu pensei ter visto a sombra de um pequeno ódio mútuo entre eles e eu sabia que meu pensamento estava correto.

Madame Hooch soltou os balaços seguidos do pomo de ouro, pedindo para os jogares montarem as vassouras e soando o apito, fazendo as vassouras irem ao ar. Quando a goles foi lançada, Amy acabou deixando escapar para um artilheiro da sonserina. O primeiro ponto foi para a sonserina e nós ficamos um pouco atrás. Marlene estava aos berros ao meu lado e eu tive muita vontade de tapar sua boca para que ela ficasse quietinha e parasse de berrar no meu ouvido.

A Grifinória dominou a goles na segunda tentativa. Wilber e Amy variavam entre si, visto que três artilheiros do time adversário estava encima deles.

— WILBER LANÇA A GOLES! ROBINWOOD A PEGA E.. GOL! SONSERINA E GRIFINÓRIA EMPATADAS. — o narrador gritava e eu me levantei junto de Marlene, gritando a plenos pulmões também.

O jogo seguiu assim. Grifinória e Sonserina sempre empatadas. Estávamos agora com 90 a 80, grifinória na frente.

O Jordan parecia querer derrubar um dos jogadores da grifinória e acabou lançando um balaço bem direção de James. Esse desviou por pouco, reclamando com Madame Hooch que acompanhava o jogo de perto, mas essa não pôde fazer muita coisa já que o outro alegou que foi "sem querer". A essa altura eu xingava até a oitava geração dele, Marlene estava muito revoltada também.

O jogo continuou e ninguém fazia ponto. A goles escapuliu de Wilber e um artilheiro adversário a pegou, voando a toda velocidade em direção ao gol. Amy tentou recuperar mas um balaço fez com que ela freasse encima, por pouco não sendo atingida. A Robinwood pareceu frustrada, tentando voltar a alcançar o sonserino mas esse já estava bem encima do gol.

A sonserina lançou, a goles iria passar direto pelo aro do meio. Mas, com uma agilidade impressionante, o Turner voou em direção a ela e girou, a chutando direto para as mãos da prima. Eu gritei, chamando a atenção do ruivo que sorriu e lançou uma piscadela. Marlene me cutucou e me lançou seu famoso olhar malicioso. Eu apenas revirei os olhos mesmo sorrindo.

O jogo continuou e a grifinória marcou pontos mais duas vezes, deixando os sonserinos extremamente irritados. Minha atenção foi para o Jordan, esse olhava para cada um dos jogadores, o taco sobre os ombros e os olhos âmbar brilhavam em malícia, eu podia ver de longe. Quando um dos artilheiros levou a bola ao gol, era claro que o Turner conseguiria agarrar. Conseguiria.. Kieran rebateu um balaço que foi na direção certa do Turner. Esse desviou mas o balaço voltou a ir na sua direção.

— O QUE?! É A SEGUNDA VEZ! — Marlene gritou, quase pulando da arquibancada lá no campo.

O balaço enlouqueceu. Acertou raspando a vassoura de Joshua e ele desequilibrou, quase caindo da vassoura. Sirius vendo o companheiro de equipe em apuros, voou rapidamente até ele e rebateu o balaço para longe, fazendo-o ir na direção do Jordan. Esse não desviou a tempo e o balaço bateu bem na sua barriga, fazendo ele desequilibrar e cair da vassoura.

O apito de madame Hooch foi ouvido e o jogo parou. O Jordan já estava no chão, inconsciente.

— BLACK! O QUE ESTAVA PENSANDO? — Madame Hooch gritou e todo o campo ficou em silêncio.

Os jogadores continuaram no ar, apenas Madame Hooch, seguida de Sirius, desceu de sua vassoura e foi até o Jordan. Ela checou seu pescoço e, aparentemente, ele estava vivo.

— Professor Slughorn, pode leva-lo a enfermaria? — Madame Hooch perguntou, quando o professor de poções foi até eles.

— É claro. — e com um aceno de varinhas, o Jordan estava imóvel no ar, seguindo o professor Slughorn para o castelo.

A mulher se virou para Sirius enquanto a professora Mcgonagall ia em direção a eles.

— Atingir um colega com um balaço? Você tem sorte que ele esteja vivo. — Madame Hooch disse bem alto mas o garoto não pareceu abalado.

— A senhora só viu quando o meu balaço o acertou? Mas e quando o balaço dele quase acertou James e Joshua? Eu estava apenas impedindo o goleiro do meu time de ir parar no gramado. — o Black disse calmamente, se apoiando na vassoura e dando de ombros.

— Não importa. Está fora do jogo. — a mulher disse, mas foi interrompida pela diretora da nossa casa.

— Não pode tira-lo agora. Não foi um acidente mas se não fosse com o Jordan, seria com o Turner. — a professora disse e, bem, ela tinha toda razão.

A Madame Hooch pareceu relutante, mas acabou cedendo.

— Está certo, você continua. Mas acho bom se comportar muito bem ou eu te tiro dos próximos jogos. — ela alertou e o garoto apenas assentiu, um sorrisinho nos lábios. — VAMOS CONTINUAR O JOGO!

As arquibancadas voltaram a fazer barulho e eu ri quando o garoto mandou um beijo para a nossa arquibancada, montando a vassoura e indo para o ar novamente.

O jogo continuou e a Grifinória permaneceu na frente. Parecia quase uma guerra sem varinhas, os artilheiros da sonserina pareciam querer se vingar, muitos investindo em Amy de uma vez só. Ela era agil e rápida, mas não dava pra passar a goles com 3 a cercando. Por isso, ela errou 3 gols seguidos quando ela era a melhor artilheira do nosso time. Marlene parecia cada vez mais indignada, berrando palavrões e mandando os jogadores adversários enfiarem coisas em lugares que seriam um pouco inadequados.

Aquele estava sendo o jogo mais longo da minha vida quando James avistou o pomo, disparando pelo campo e sendo seguido pelo apanhador da sonserina. Os dois estavam emparelhados, lado a lado, o pomo a apenas alguns centímetros as suas frentes. Eu me levantei novamente e coloquei o binóculo no meu rosto, vendo os dedos de James quase no pomo. Mas o adversário arrancou para o lado, empurrando James que acabou perdendo o contato com a pequena bola de ouro.

— VAI, JAMES! PEGA ESSE POMO! — eu gritei, me apoiando nos ombros da pessoa a minha frente.

Eu não liguei para o olhar incomodado, balançando a bandeirinha com certa violência.

James conseguiu voltar a emparelhar com seu adversário, o pomo ainda bem acima de seus narizes. O coro da Grifinória conseguia ultrapassar o da sonserina, gritando a plenos pulmões "VAI, VAI, GRIFINÓRIA". Meu binóculo voltou a meu rosto e eu vi.. O polegar e o indicador de James se fecharam na asinha de ouro da pequena bolinha e ele freou, deixando que seu adversário seguisse sozinho.

— JAMES POTTER PEGA O POMO DE OURO! GRIFINÓRIA VENCE COM 260 PONTOS!

A arquibancada da nossa casa foi a loucura e eu gritei, batendo palmas e abraçando Marlene. Os jogadores desceram suas vassouras e pularam em James, eu acabei o perdendo de vista enquanto descia da arquibancada com Marlene. Nós encontramos Lily e Jessy no meio do caminho, elas tinham assistido o jogo? Afinal, Lily disse que não viria e Jessy acabou ficando no castelo com ela.

Marlene e eu puxamos as duas em direção ao time que já estava cercado de alunos, comemorando mais uma vitória da nossa casa. Conseguindo adentrar por entre as pessoas, eu pulei em James e o abracei forte. Quando me afastei dele, o mesmo me mostrou a bolinha de ouro que se debatia entre seus dedos para conseguir escapar. Meu irmão estava radiante, pensar que a algum tempo atrás ele estava desencorajado por conta da mudança de estratégia.

— Joguei bem, ruivinha? — James perguntou, passando a mão nos cabelos e os bagunçando.

— Nada mal, Potter.. — minha amiga respondeu e eu pude ver ela conter um sorriso.

— Vem, vamos falar com Amy. — Marlene me puxou na direção contrária, me levando até a garota loira.

Ela pulou em nós assim que nós viu e eu ri, dando batidinhas em seu braço já que ela me apertava um pouco demais. Ela nos soltou, estava radiante também. Marlene e ela estavam bem próximas ultimamente, eu até estava com ciúmes. Por isso, eu nem liguei quando a Robinwood agarrou a mão de Marlene, a puxando pra um abraço e sussurrando algo no ouvido dela.

Amy era alguns bons centímetros mais alta que Marlene e consequentemente mais alta que eu também, já que Marlene também era alguns centímetros. Resumindo, minhas amigas eram mais altas que eu, apenas Jessy era do meu tamanho.

— O que achou do jogo? — eu me sobressaltei um pouco com a voz perto da minha orelha e me virei.

Automaticamente, eu pulei no Turner e o abracei, ouvindo ele soltar uma risadinha sofrida, logo ne afastando dele.

— O balaço atingiu minha mão.. — ele mostrou a mão meio inchada. — Acha que quebrou? Porque está realmente doendo.

Eu neguei, pegando sua mão com cuidado. Eu não era a Madame Pomfrey, mas não parecia quebrada.

— Tem que ir a enfermaria. — eu disse o óbvio e ele sorriu.

— Eu preciso de um banho antes.. Depois nos encontramos na sala comunal. — ele disse e eu ri.

— Duvido. Eu vou te esperar aqui pois sei que se eu não for com você, o senhor não vai. — eu lhe disse, o virando e o empurrando para o vestiário.

Lá dentro, eu me sentei no banco perto da porta e esperei. Eu sorri e senti minhas bochechas arderem ao lembrar daquele dia no banheiro masculino. Talvez agora eu sempre lembrasse daquele momento.. Foi constrangedor, quente, bom.. Merlin..

Alguém entrando no vestiário chamou minha atenção e eu levantei a cabeça, suspirando e desviando os olhos do Black. Ouvi sua risadinha baixa e o olhei novamente, cruzando meus braços e erguendo as sombrancelhas.

— Esperando o seu namoradinho? — ele perguntou, apontando para a porta do banheiro.

— Pensei que você estivesse ocupado com a sua. — retruquei me referindo a Roxanne.

— Ela largou um pouco do meu pé por causa do jogo. — ele deu de ombros, tirando os protetores dos braços. — Está mesmo levando a sério esse lance com o Turner?

— Não é da sua conta, eu acho. — eu ri, me levantando e indo até a porta, olhando os alunos voltarem para o castelo.

O resto do time seguia com o uniforme ao corpo ainda.

— Tudo que envolve você é da minha conta.. — eu me encolhi, me virando para o Black que estava bem próximo.

— Supera, Black. — eu lhe disse, o empurrando e indo pra longe.

— Eu não tenho nada pra superar.. Você tem? — ele perguntou e eu o olhei.

Ele abriu o uniforme de quadribol e o deixou escorregar pelos seus braços, os tirando das mangas e passando a mão pelos cabelos. O peito agora nu subiu e desceu quando ele respirou fundo e eu desviei o olhar, voltando a cruzar os braços.

— Ainda tem medo de não resistir? — ele perguntou e eu sabia que se aproximava.

Eu olhei pra ele, mantendo meus olhos nos seus.

— O que você quer? Que eu diga que você é um puta gostoso? Isso eu tenho certeza que você já sabe. Mas não é um corpinho bonito que vai me conquistar. Ao contrário de você, eu prefiro a beleza interior. — joguei, desviando dele ao ver que ele já estava perto demais.

Tentei passar por ele mas sua mão segurou meu braço, me puxando para junto de seu corpo e me colocando contra a parede. Eu fechei minhas mãos na tentativa de não toca-lo, virando meu rosto para o lado aposto.

— Jane.. Olha pra mim. — ele pediu mas eu neguei.

— Me solta, Sirius. — eu tentei não deixar minha voz falhar mas ela era traíra.

— Por favor.. — ele insistiu, segurando meu queixo e eu deixei que ele virasse meu rosto para si. — Faz tanto tempo que eu não sei o que é beijar os seus lábios..

— Por que será? Os lábios das outras não estão o satisfazendo? — eu tirei sua mão de meu rosto e tentei empurra-lo.

— Não como você. — Sirius disse e eu ri, só ai percebendo que estava na ponta dos pés.

Bem que nossas alturas estavam mais semelhantes..

— Agora é tarde. Me solta. — eu mandei, olhando a porta do banheiro quando o barulho do chuveiro parou. — Sirius, me solta.

— Com medo do Turner nos pegar? Ele não está nos ouvindo, mas com certeza vai poder nos ver quando abrir a porta. — o Black riu, aproximando seu rosto do meu pescoço exposto. — O que acha?

Eu me encolhi quando ele deixou um beijo ali mas isso não o parou. Eu me debati na tentativa de faze-lo me soltar mas ele me prendeu mais ainda. Quando seus lábios alcançaram os meus eu tentei deixar meu corpo alerta. Meu cérebro lutava contra meu coração, um querendo e o outro sabendo que não era sensato. Merlin, mas era tão bom beija-lo.. Droga, não!

Eu continuei a lutar, conseguindo o empurrar e me afastar. Antes que algo pudesse ser dito, eu lhe dei o tapa mais forte que consegui e me virei para a porta do banheiro quando essa se abriu. Joshua olhou para nós parecendo surpreso e meio assustado.

— Que barulho foi esse? — ele perguntou e eu olhei para Sirius.

Ele estava de costas, uma das mãos ao rosto enquanto a outra passava entre os cabelos.

— Nada.. Você terminou? — eu perguntei de volta, passando uma das mãos nos lábios e os apertando.

E se estivessem vermelhos? Eu não queria que ele notasse nada. Já bastava Sirius sem a parte de cima de seu traje.

— Sim, podemos ir. Mesmo eu achando que você não precisa ir comigo. — ele riu, indo até sua vassoura e a guardando no seu devido lugar.

— Mas eu quero ir. Não vou arriscar que o senhor mude seu caminho. — eu lhe disse, apontando a sua careta ao usar a mão errada.

— Tudo bem então. — ele se rendeu e eu sorri satisfeita. — Sirius, você está bem?

— Eu? Sim! Claro. Eu vou tomar banho. — o Black disse, sorrindo para nós e me lançando um último olhar antes de ir para o banheiro.

Eu suspirei, sorrindo para Joshua e o puxando pelo braço para sair do vestiário. Nós seguimos caminhando lentamente para o castelo, o beijo de Sirius ainda queimava em meus lábios mas eu tentei ignorar isso, conversando com o Turner o caminho todo. E eu que pensei estar superando..

No castelo, fomos direto para a sala hospitalar. Madame Pomfrey tinha bastante pacientes, correndo de um lado para o outro. Joshua tentou usar essa desculpa mas eu o puxei, o sentando em uma das camas que sobrava e indo até a madame Pomfrey. A mulher pareceu ver Merlin ao invés de mim, me entregando as coisas necessárias para cuidar de um outro garoto. Esse tinha um olho roxo e um corte no queixo.

Eu olhei para Joshua na cama ao lado e ele ria, me fazendo revirar os olhos. Eu entreguei um pano molhado na água gelada para o garoto e ele o colocou no olho, reclamando um pouco.

— Brigas, huh? — eu perguntei, limpando o corte em seu queixo.

— Na verdade, eu fui tentar separar uma.. Acabei me dando mal. — ele riu e eu balancei a cabeça, passando o remédio sobre o corte.

Ele reclamou mas não interferiu.

— Pronto. — eu sorri, colocando o curativo no corte e me afastando. — Só mantenha o pano gelado no olho e espere a madame Pomfrey.

— Obrigado. — ele disse e eu assenti.

Eu fui até o Turner e me sentei ao seu lado no mesmo momento em que a madame Pomfrey veio até nós.

— O que você tem, Turner? — ela perguntou e eu lhe mostrei a mão dele. — Não quebrou, mas ficou bastante magoada.

Ela se afastou, pegando um copo e um vidro com um líquido. O derramou no copo e voltou a nós com um caixinha.

— Beba isso, vai aliviar a dor. Potter, enfaixe a mão dele, por favor. — ela pediu e eu assenti.

Depois disso, a enfermeira voltou ao último leito. Era o do Jordan, ele já estava acordado e reclamava de uma dor na perna. Eu revirei os olhos e voltei a olhar o Turner que tinha uma careta, havia acabado de tomar o remédio. Eu sorri e peguei sua mão, a colocando sobre minha coxa e mexendo na caixa. Passei o que parecia uma pomada sobre a área mais roxa e enfaixei, não deixando muito apertado e nem muito frouxo.

Tinha sido a mão esquerda, então creio que não teria problemas nas aulas já que ele sempre usava a direita. Eu guardei tudo de volta na caixinha e a fechei, erguendo meu rosto e me surpreendendo com o seu perto demais do meu. A mão boa subiu a meu rosto e ele afastou o meu cabelo, segurando meu rosto e me fazendo fechar os olhos quando seus labios tocaram os meus. Foi um selinho breve pois eu desviei, recebendo um selo na bochecha.

— Vocês dois! Turner, já pode ir. Srta. Potter, pode me ajudar aqui? — a voz de madame Pomfrey nos fez afastar e eu assenti.

— Fique aqui, eu já volto para irmos juntos para a sala comunal, tudo bem? — eu disse a Joshua e ele concordou.

Me levantei e fui até a enfermeira, parando ao lado dela e sorrindo. Eu a ajudei com algumas pequenas coisas enquanto Joshua observava, sentado na cama a rir quando eu me atrapalhava.

— Leve isso aqui para o Sr. Jordan. Vai aliviar a dor insistente. — madame Pomfrey me disse e eu suspirei, assentindo e pegando o copo de sua mão.

Respirando fundo, eu caminhei até a cama do Jordan e pude ver o seu sorrisinho. Eu queria muito bater nele.. Mas me segurei, parando ao seu lado e forçando um sorriso. Coloquei o copo encima do criado mudo ao lado e me sentei cautelosa ao lado da sua perna machucada. Ele manteve seus olhos em mim, parecendo interessado no o que eu iria fazer.

— Sua perna ainda dói muito? — eu perguntei cinicamente, fingindo que me importava.

— Um pouco.. Mas sabe que agora que você está aqui pertinho, a dor até passou? — ele disse, dando uma olhada na direção da cama de Joshua e levando seus dedos a minha perna.

Eu sorri, umedecendo os lábios e aproximando mais meu rosto do seu. Quando ele menos esperou, eu levei minha mão a sua perna e apertei o lugar magoado, fazendo ele soltar um gemido baixo e levar a mão até a minha.

— Está louca? — ele perguntou baixo quando eu apertei mais.

— Não.. Mas se você tentar algo novamente contra o meu irmão, contra Joshua ou contra qualquer um dos meus amigos, eu juro que vou perder o resto da sanidade que Bellatrix me deixou. — eu lhe disse bem devagar para que ele entendesse bem.

— E vai fazer o que, Potter? — ele questionou e eu sorri novamente.

— Você vai se ver comigo.. E eu juro que acabo com você. — fiquei séria dessa vez, dando um último aperto na sua perna antes de me levantar.

Eu peguei o copo e lhe ofereci com outro sorriso falso.

— Seu remédio.

Kieran me olhou com raiva e pegou o copo, bebendo o líquido de uma vez e evitando uma careta. Peguei o copo e me virei, indo até a madame Pomfrey e perguntando se ela precisaria de mais alguma coisa. A mesma negou e eu chamei o Turner com a cabeça, indo em direção a porta e saindo.

Ódio! Eu tinha esse tipo de sentimento ruim por aquele garoto.. Meu amigo merecia pessoa melhor, por mais bem que ele fizesse a Ephram.. Ele era mal! Muito mal.

— Hey, Jane. — Joshua me chamou e segurou meu braço, me fazendo parar no meio do corredor. — O que falou com o Jordan? Você parece nervosa.

— Eu disse que acabaria com ele caso ele fizesse algo contra meus amigos novamente. E é sério, eu torceria o pescoço dele até que ele ficasse roxo! — eu disse, enfiando as mãos por entre os cabelos e bagunçando.

— Ei, calma.. — Joshua riu e eu cruzei meus braços. — Você fica extremamente fofa nervosinha.

— Eu vou te bater. — eu ameacei e ele riu novamente, assentindo.

— Vai mesmo? — ele perguntou e eu confirmei, me encostando na parede quando ele se aproximou.

Sua mão livre segurou a minha nuca e eu deixei que seus lábios roubassem um beijo dos meus. Ele sugou meu lábio inferior e o soltou devagar, voltando a beija-lo de forma lenta. Sua língua o acariciou antes de adentrar minha boca, procurando pela minha com calma.

Flashes do vestiário invadiram a minha mente e eu soltei um gemidinho quando ele mordiscou a minha boca. Eu abri meus olhos e meu peito doeu pela velocidade que meu coração batia. Minha mente estava me pregando peças, pois eu jurei ter visto Sirius no exato lugar onde Joshua estava. Meio assustada, eu fugi do espaço entre seu corpo e a parede, levando as mãos a cabeça antes de olhar pro garoto novamente.

— O que foi? — o garoto ruivo questionou e eu olhei em volta, me certificando de que não tinha Black's ali.

— Nada.. Eu.. Não estou muito bem, não devo ter dormido direito essa noite. — eu inventei qualquer desculpa, passando as mãos no rosto e suspirando.

— Melhor irmos para a sala comunal. — ele disse e eu assenti.

Nós continuamos nosso caminho e eu me sentia levemente fora dali, sentia minha cabeça meio oca. Maldito Sirius Black! Isso era efeito da paixão ou eu apenas queria muito bater nele?

Na sala comunal nós nos encolhemos entre as pessoas, conseguindo chegar até onde as meninas estavam. Rolava uma festa, como sempre depois de um jogo, mas eu não estava nem um pouco animada para festas.

— Que tal um pouco de Whisky? — Amy sugeriu e eu neguei.

— Acho que vou descansar um pouco. — eu lhe disse, dando um leve sorriso para elas. — Nos vemos amanhã.

Joshua beijou minha bochecha e eu fui para as escadas, as subindo rapidamente em direção ao dormitório feminino. Adentrei o mesmo e fui direto para o banheiro, tomando um bom banho e trocado minhas roupas, colocando umas bem mais confortáveis. Eu não pretendia sair dali novamente, apenas leria um bom livro ou tentaria dormir.

E foi o que eu fiz.

Peguei um livro e me sentei na minha cama, o abrindo e iniciando a minha leitura. Eu não conseguia me concentrar, pensava na cena estranha do corredor.. Eu estava beijando Joshua, mas ao abrir os olhos eu vi Sirius. O maroto iria me perseguir até não estando ali? Não era possível que eu realmente não conseguiria supera-lo! Foi o primeiro garoto que eu me apaixonei, não devia supera-lo e me apaixonar de novo? Talvez me machucando de novo, mas minha tia me disse que era algo normal na adolescência.. Se machucar antes de achar a pessoa certa.

Bufando, eu fechei o livro e cruzei os braços emburrada, olhando para a porta quando essa se abriu. Marlene entrou pela mesma e caminhou até mim devagar, se sentando a minha frente e me olhando curiosa. Eu sabia que ela sabia que tinha algo errado.

— O que aconteceu, hein? — ela perguntou e eu choraminguei.

— Sirius.. Ele me beijou.. No vestiário do time.. E o Turner estava lá. — eu contei mas ela não ficou nem um pouco surpresa.

— Pelo que conheço, vocês dois discutiram e você deu um tapa nele depois. — eu assenti. — E o Turner não ouviu?

— Eu não sei.. Acho que não a parte da discussão. Mas ele ouviu quando eu bati em Sirius e eu desviei do assunto. — expliquei e ela balançou a cabeça.

— Jane.. Vocês tem algo muito forte os prendendo um ao outro. Não é só birra ou que ele não aceite que você tenha terminado ao invés de ser o contrário, é algo muito mais forte. — Marlene disse, tirando uma mecha de meu cabelo de meu rosto e o colocando atrás de minha orelha. — É amor.

— Amor, Marlene? — eu ri, realmente achando graça naquilo. — Você não machuca a pessoa que você ama.

— As vezes sim.. Vocês, por acaso, já pararam pra conversar sobre isso? — ela perguntou, parecendo realmente falar sério. — Claro que não, o fogo da paixão sempre ardia mais forte. Seus corpos falavam ao invés de suas bocas.

Eu cruzei os braços novamente, nunca tinha pensado naquilo..

— Jane.. Sua vida amorosa é a mais complicada que eu já acompanhei de perto. — ela me disse e eu ri. — Você quem sabe.. Se quer tentar com o Turner e deixar o passado pra trás, eu te apoio. Falarei com o Black pra ver se ele sai de vez do seu pé.

Ela beijou minha testa e se levantou.

— Nem que eu tenha que o socar. — a mesma dizia a caminho da porta e eu ri.

Com um sorrisinho, eu deixei o livro encima do malão e me deitei, suspirando e abraçando uma almofada. Eu podia não ter a melhor vida amorosa.. Mas eu tinha os melhores amigos do mundo. Tanto bruxo quanto trouxa.