A Marota

67 Capítulo 65


JamesPotter

Depois daquela discussão entre Sirius e Jane no corredor, nenhum de nós ousou dizer uma palavra quando ele se afastou na direção contrária, alguns barulhos no outro corredor indicavam que ele, provavelmente, havia socado uma armadura. Ele precisava esfriar a cabeça, por isso eu nem fiz menção de ir atrás dele.

Ele e Jane precisavam se resolver.. Ou ficando juntos.. Ou deixando tudo aquilo pra trás. Eu sabia que Sirius gostava dela, mas precisava tomar uma atitude antes que outro fizesse isso. Eu falando sobre atitude era algo engraçado.. Eu já tinha tomado com a minha ruivinha, mas aquela ali era dura na queda. Ela era durona.. E eu só desistiria dela caso ela se apaixonasse por outro. Antes disso, a minha teoria de que ela ama a mim continua de pé.

— Acha que.. Dessa vez foi muito sério? — Remo perguntou quando voltamos a caminhar para o salão principal.

— Eu não sei, meu amigo.. Não sei mesmo. — suspirei, dando se ombros pra ele.

Nós entramos no salão principal e fomos nos sentar na mesa da grifinória. O jantar foi silencioso, pelo menos entre nós já que os alunos em volta falavam sobre coisas aleatórias. Não tinha muito clima pra falar sobre nada, não depois do climão no corredor. Voltamos os três para a sala comunal da grifinória depois da sobremesa, eu não tinha comido muito.. Bem pouco, na verdade.

Minha mente voava entre o jogo de quadribol que se aproximava, aulas e Lílian Evans. Ela sempre tinha que estar no meio.. Talvez Sirius tivesse razão, eu era um bobo apaixonado. Mas pela minha ruivinha eu seria qualquer coisa. Aquela garota mexia comigo desde que nos esbarramos no expresso de Hogwarts no primeiro dia, ela sempre foi tão linda.. E sem me dar conta, eu estava sorrindo.

— Vou falar com ela amanhã. — eu disse em voz alta e meus amigos me olharam.

— Com quem? — Pedro perguntou, parecendo totalmente confuso com a minha decisão repentina.

— Com a Lily. — expliquei, rolando os olhos pra cima.

— Acha que ela vai querer falar com você depois da discussão que tiveram por causa do Diggory? — Remo questionou e eu suspirei.

— Talvez não.. Mas eu preciso tentar. — falei, dando a senha a mulher gorda para que ela deixasse que entrassemos.

Dentro da sala, eu passei a mão pelos cabelos e olhei em volta, não achando Lily mas outras pessoas. Marlene estava sentada no sofá, no colo apoiava uma almofada e encima a cabeça de Jane. Ela parecia dormir e eu respirei fundo antes de caminhar até elas, sorrindo para Marlene e me abaixando a frente de Jane. Ela não acordou e isso confirmou que dormia.

Minha mão foi até seu rosto e eu afastei uma mecha negra dali, ela suspirou quando toquei sua bochecha. Eu pensei que seria tudo diferente quando ela passasse a viver aqui, perto de mim.. Passou tantos anos escondida da magia, longe de nós e vivendo entre trouxas. Queria que ela tivesse aceitado vir antes, talvez tudo fosse diferente. Com Sirius, com o Jordan e todo o resto.

— Vou leva-la lá pra cima. — eu disse e Marlene assentiu.

Eu segurei sua cabeça e ergui um pouco, ela acabou acordando. Os olhinhos pequenos pelo sono me encararam e também estavam vermelhos, ela, provavelmente, tinha chorado.

— James..? — ela balbuciou e eu sorri.

— Vem, vamos pro dormitório. — eu disse e ela assentiu, mesmo que ainda parecesse anestesiada demais por causa do sono.

Eu ri e a segurei por baixo dos braços, me levantando e a erguendo. Ela ficou de pé mas não se mexeu, me levando a rir novamente. Vendo que não teria jeito, eu coloquei seus braços sobre meus ombros e a ergui novamente, sentindo ela passar suas pernas pela minha cintura. Sua cabeça apoiou em meu ombro e eu rolei os olhos para Marlene, indicando as escadas para ela.

— A carregando assim, faz parecer que ela é uma criança. — a morena comentou, seguindo na frente em direção ao dormitório feminino.

— Talvez ela seja.. — eu comentei, ignorando algumas pessoas que nos olhavam e começando a subir as escadas.

Marlene abriu a porta do dormitório e eu entrei, levando Jane até sua cama. A coloquei sentada ali mas ela não me soltou, fazendo com que eu me ajoelhasse a sua frente com seu abraço apertado. Eu senti algo molhar meu ombro e acariciei suas costas sabendo que ela chorava. Talvez a discussão com Sirius tenha sido mesmo séria..

Depois de um curto tempo, eu a afastei e segurei seu rosto, o secando com os polegares. Seu nariz estava vermelho, assim como os olhos e as bochechas. Coloquei seus cabelos para trás e segurei suas mãos, tentando manter seus olhos nos meus. Ainda estavam chorosos e eu quis bater no meu melhor amigo por alguns segundos.. De alguma forma eu sabia que aquilo não daria certo, mas apostei mesmo assim. Na tentativa de provar a almofadinhas que ele podia sim se apaixonar e tentar dar a ele a chance de saber o que era amar uma garota só.

Mas parece que não deu certo. E tudo isso custou um coração quebrado em mil pedacinhos, o coraçãozinho da minha pequena.

— E-ele é um babaca.. — Jane disse e eu sorri levemente.

— De nós três que temos relações com garotas, Remo é o único que se salva. — lhe disse, secando mais uma lágrima que escorreu por seu rosto.

— Devia ter me apaixonado por ele.. — ela disse e eu dei de ombros.

— Não dá pra escolher.. E almofadinhas não é uma pessoa horrível. Só tem problemas em recusar um par de seios e lidar com coisas intensas demais. — eu tentei explicar e era realmente verdade.

Sirius foi criado pelos Black's, ele não conheceu o amor dentro de sua família. Pra alguém que cresceu longe de tudo isso, era difícil lidar com sentimentos. Tirando que meu amigo gostava de se divertir livremente, mas eu sabia que também não queria perder Jane.

— Por que ele tem que ser assim..? É tão difícil..? — ela perguntou, a voz trêmula pelo provável choro que ela segurava.

— O que? — eu enruguei a testa tentando entende-la.

— Gostar de mim.. — ela respondeu depois de um tempo.

Eu neguei, me levantando e sentando ao seu lado, a puxando para um abraço ladino.

— Não diga isso.. É uma das pessoas mais doces que eu conheço. Só precisa dar tempo ao tempo e encontrar a pessoa que vai te amar como você merece. — lhe respondi, beijando a sua cabeça.

Nós ficamos ali por um tempo e eu achei estanho nenhuma das meninas terem chegado. Marlene apenas abriu a porta para que eu passasse e voltou a sair, nos deixando sozinhos.

Eu achei que era costume dos Potter esconder suas fraquezas e sentimentos. Mamãe se desesperou com o sumiço de Jane, mas não demonstrou na frente de ninguém. Papai também estava desesperado, mas apenas mostrava isso quando estava na biblioteca a noite. Eu era o que acalmava Sirius durante o dia e pedia aos céus a noite para que protegesse minha irmãzinha. Mas.. Jane não se importava com isso. Eu notei que ela se segurou na frente de Sirius, mas sabia que ela choraria assim que saísse dali.

— James..? — eu a ouvi me chamar e murmurei algo em resposta. — Fica aqui?

— Eu não posso.. — eu ri, acariciando seu braço. — Primeiro, Lily me colocaria pra fora a vassouradas.

Foi a vez dela rir.

— E com as outras meninas aqui não daria certo. Poderiam pensar coisas erradas. — eu lhe disse e ela se afastou, um biquinho se formando nos lábios. — Não faça essa carinha.

Meio emburrada, ela cruzou os braços e se jogou para trás em sua cama. Aproveitei a oportunidade e levei minhas mãos a sua barriga, lhe fazendo cócegas que no mesmo instante a fizeram rir. Ela se contorceu e tentou me afastar mas eu não hesitei. Depois de algumas gargalhadas, ela conseguiu me impedir e já estava toda tortinha. Sentada agora, ela tinha um dos joelhos dobrados enquanto suas mãos seguravam meus pulsos.

Sua respiração ofegante me fez rir quando ela colocou sua testa em meu ombro. Soltei minhas mãos e acariciei seu cabelo, sentindo sua respiração se acalmar aos poucos. Eu precisava ir.. Mesmo que quisesse ficar ali com ela.

— Amanhã temos aula.. E precisa descansar. — eu disse e ela bufou, se sentando direito.

— É.. Já podia ser sábado. — ela disse e eu tive que concordar.

— Vai mesmo a Hogsmeade com Joshua? — a pergunta me escapou antes que eu pudesse pensar.

Ela não me olhou, apenas brincou com os próprios dedos.

— Vou. — apenas disse e sorriu forçado, direcionando seus olhos a mim.

— Ele é um cara legal, só parece uma cenoura. — comentei, sorrindo ao lhe arrancar uma risada.

— Idiota.. Agora vá antes que eu não te deixe mais sair. — Jane indicou a porta e eu assenti.

— Boa noite, pequena.. Tenha bons sonhos. — sorri pra ela, beijando sua testa e me levantando.

— Amo você.. — ela deixou escapar quando me afastei em direção a porta.

Eu parei ali e a olhei novamente.

— Eu também amo você. — lhe disse, acenando e saindo.

Fechei a porta e desci as escadas, encontrando as meninas no final da mesma. Elas me encheram de perguntas e eu tentei fugir de todas elas, escapando para a escada do meu dormitório. Subi a mesma e fechei a porta, me encostando na porta e passando as mãos nos cabelos. A paz reinou por alguns minutos, o dormitório estava vazio. Eu fui até o banheiro, tomei um banho rápido e sai apenas de toalha, me assustando com a força que Sirius bateu a porta ao entrar.

— Acredita que a McKinnon me veio com sermões sobre como tratar uma garota?! — ele questionou, olhando pra mim ao se jogar na minha cama.

— Acredito, é bem a cara dela. — eu lhe disse, vestindo minha cueca seguida da minha calça de moletom.

— Eu sei como tratar uma garota.. Eu só sinto caso eu não seja o que elas esperam. — ele me disse e eu assenti devagar, me sentando na escrivaninha virado pra ele.

— Eu acho que ela quis dizer.. Em relação a Jane. Cara, você mentiu pra ela na cara dura. — eu lhe expliquei e ele bufou.

— Eu estou louco por aquela garota.. A ponto de fazer loucuras como transar com várias garotas quando na verdade queria estar transando com ela. — ele confessou, se deitando na cama e passando uma das mãos pelos cabelos enquanto observava o teto.

— Hum.. É bom saber que a minha irmã ainda é virgem. — eu lhe disse e sorri pra ele. — Devia escolher lugares melhores.

— Eu escolhi todos aqueles lugares pois.. Foram lugares onde eu quis muito ela. — ele me explicou e eu franzi o cenho. — A sala precisa.. Dois lugares ao mesmo tempo, já que eu escolhi uma biblioteca. A sala de troféus por aquela detenção maldita.. Eu quase fiquei sem descendentes, mas valeu a pena.

Ele deu uma pausa e eu tentei não rir, lembrando daquele dia icônico.

— A torre de astronomia.. O dia em que Roxanne nos interrompeu e.. Ela fica tão linda observando a floresta proibida lá de cima. — ele disse, colocando os braços atrás da cabeça com um ar sonhador. — E a floresta proibida.. Eu nunca a desejei tanto quanto naquele dia.

— Por mais estranho que seja ouvir você falando sobre a minha irmã.. Também é interessante. — eu comentei, me levantando da cadeira e indo até ele que se sentou.

— Interessante? — pareceu confuso e eu assenti.

— Ver você apaixonado. — expliquei e ele bufou, se jogando na cama novamente. — O cara que disse que nunca iria se apaixonar, era apenas diversão.

— Tudo bem, eu entendi.. Talvez o amor tenha me vencido. — eu ri com sua declaração e ele me jogou um travesseiro. — A minha promessa de nunca me casar ou ter filhos está meio abalada.

— Por que? — questionei, me sentando na cama de aluado e o olhando com atenção.

— Porque.. Porque eu quero.. Ficar com a Jane.. Sabe..? — ele fez uma careta.

— Tipo como eu quero ficar com a Lily? Passar.. Cada momento ao lado dela? — eu lhe dei um exemplo e ele assentiu. — Cara.. Você a ama?

Sirius suspirou e se levantou, passando as mãos ao rosto e olhando pra mim em seguida.

— É.. Eu a amo.. A amo mais do que a mim mesmo. Eu sou um babaca. — ele murmurou a última frase e eu me levantei, me sentando ao seu lado.

— Ainda tem alguma esperança de conseguir o perdão dela? — perguntei e ele negou.

— Ela já me perdoou várias vezes, acha que faria de novo? — questionou e eu não soube o que responder.

— Eu acho que.. Você pode mudar. — eu disse lentamente, com um pouquinho de medo do que ele diria daquela sugestão.

— Acha mesmo..? — ele perguntou, um leve brilho em seus olhos foi notado por mim quando ele me olhou.

— Você é Sirius Black.. Se você realmente quiser, você consegue. — sorri pra ele e o mesmo retribuiu.

Nossa conversa acabou ali. Não só porque tínhamos chegado a algo, mas porque Remo e Pedro invadiram o dormitório. Sirius se levantou rapidamente e correu para o banheiro ao mesmo tempo que Remo, entrando e fechando a porta. Eu sabia que era apenas para implicar com aluado. Esse suspirou e deixou o livro na escrivaninha, se sentando ali e me olhando.

Remo tinha um olhar doce e inofensivo. As vezes era calmo e muito compreensivo. Mas ele também tinha o famoso olhar intenso.. Era o exato olhar que estava em mim agora. E, acredite, aquilo incomodava qualquer um.

— O que foi, aluado? — eu perguntei, tentando sustentar seus olhos mas ele acabou vencendo pois eu pisquei.

— Ele te disse algo sobre a discussão com a Jane? — ele perguntou em tom mais baixo, indicando a porta do banheiro.

Eu o chamei para sentar ao meu lado e lhe contei tudo. Remo não pareceu surpreso, ele conhecia cada um de nós até mesmo mais que nós mesmos. Era quieto e muito observador.

Assim que almofadinhas saiu do banheiro, Remo foi em direção ao mesmo e depositou um tapa na cabeça de Sirius antes de fechar a porta. Eu ri e me deitei na minha cama, tirando os óculos e os deixando encima da mesinha ao lado. Seria difícil dali pra frente entre Jane e Sirius.. Mas, lá no fundo, eu ainda tinha uma esperança que eles dois se resolveriam.

*****

— Vai lá! — meu melhor amigo me empurrou levemente na direção da ruiva e eu o olhei.

— Estou tomando coragem, me deixe. — eu pedi, passando as mãos pelos cabelos voltando a encarar as costas da Evans.

— Se ficar pensando, não vai conseguir ir. — Sirius disse e dessa vez eu tive que concordar.

— Certo.. Lá vou eu. — respirei fundo e caminhei em direção a Lily, passando as mãos nos cabelos de novo.

Ela estava de costas, conversando com Jessy distraidamente. Eu devia parar com essa mania, ela já havia deixado claro que odiava... Mas era reflexo!

— Olá, Evans. — eu chamei sua atenção, sorrindo abertamente.

A garota não se virou e eu vi seu corpo enrijecer. Os segundos em silêncio pareceram anos antes de ela se virar.

— O que quer, Potter? — perguntou, depois de soltar um longo suspiro.

— Podemos conversar? — eu lhe perguntei e ela cruzou os braços. — A sós?

Eu olhei para a Prewett e ela concordou.

— Nos vemos depois, Lily. — a loira era rápida e simplesmente sumiu.

Eu assumi seu lugar e pude ver Sirius de esquina, levantando o polegar pra mim.

— Então..? — a ruivinha me incentivou e eu pigarreei.

Eu abri a boca pra falar mas ela foi mais rápida de novo.

— Eu não vou sair com você.

— Eu não vim aqui pra isso. — o olhei meio ofendido por ela pensar que eu sempre falava com ela para chama-la pra sair.

Eu olhei para Sirius e esse me fez outro sinal. Juntou as duas mãos e fez uma carinha arrependida com um biquinho. Eu sabia o que aquilo significava e era o meu objetivo ali, não era?

— Evans.. Eu.. Fui um idiota. — eu disse, deixando que meus ombros caíssem.

Eu não queria a pose de James Potter, o apanhador da grifinoria e um dos caras mais populares desse castelo. Eu queria a pose de eu mesmo.. Apenas James Potter, mais um bruxinho que estava apenas aprendendo e que estava muito arrependido de ter gritado com ela.

— Você sempre é. — ela disse, balançando a cabeça e desviando de mim.

— Não, espera.. — eu pedi, segurando seu braço com delicadeza. — Eu sinto muito por ter agido daquela forma na lua cheia.. Não foi culpa sua, eu fiquei muito nervoso. Foi difícil pra mim ver a minha irmãzinha ali e.. Eu descontei em você.

Os olhos esmeralda me deram atenção e pareceram perder o brilho de julgamento, dando lugar a outro totalmente novo pra mim.

— E.. Sinto muito por ter gritado com você naquele dia. Eu não devia me meter na sua relação com o Diggory, mesmo que eu o ache ridículo. — comentei, revirando os olhos e jurei ter visto a sombra de um sorriso em seus lábios.

— Tudo bem.. Está perdoado. — Lily disse e eu ergui as sombrancelhas.

— Está falando sério? — ela assentiu e eu sorri grande pra ela. — E que tal..

— Nem pensar.

— Certo. — eu me dei por satisfeito. — Nos vemos por ai, Evans.

Foi a última coisa que lhe disse, lançando uma piscadela a ela e indo em direção a Sirius.

Ela tinha me perdoado sem nem ao menos me xingar.. Isso era um avanço enorme! Agora o próximo passo seria ela parar de me chamar de Potter.. Seria difícil, mas eu conseguiria.

— Esse é meu garoto! — Sirius me disse, passando um braço em meus ombros e bagunçando meus cabelos com a mão livre.

— Não é como se ela tivesse aceitado sair comigo, também. — eu lhe disse e ele resmungou.

— Um passo de cada vez, Veadinho. — ele me disse e eu revirei os olhos.

— É cervo. — o corrigi mas ele não se importou.

— Que seja. — ele deu de ombros enquanto caminhavamos para a aula de herbologia.

As plantas de Madame Sprout me assustavam um pouco.. Elas se mexiam e faziam sons que poderiam matar pessoas. A plantação de mandrágoras daquele ano estavam a um canto e eu fiz uma careta, lembrando daquelas coisinhas gritantes. Sirius me puxou até o fim da estufa e nós esperamos que a aula começasse.

Herbologia não era a minha matéria favorita, era como poções. Eu odiava por sempre termos com a sonserina, mas aguentava pois era isso que eu tinha que fazer né. Inteligente.. Eu sou, mas não quer dizer que eu adore todas as matérias.

Logo depois de herbologia, nós tivemos um tempo livre pois a professora de adivinhações não estava se sentindo muito bem. Reunimos o time e fomos para o campo. O primeiro jogo seria em breve e precisávamos treinar o máximo que pudéssemos. Ainda não tínhamos um novo capitão e decidimos que tia Minnie decidiria quem seria o próximo. Ou seja, devíamos nos empenhar muito nos próximos jogos. E sim, eu também queria muito o cargo.

— Deixe o Turner em paz, okay? — eu pedi para Sirius ao notar os olhos do meu amigo no goleiro.

— Não tenho nada contra ele.. — ele me respondeu e eu ergui uma das sombrancelhas. — Somos todos amigos, não somos?

— Eu espero que sim. — bati em seu ombro. — Mas não olha agora.

Foi o mesmo que dizer "olha agora" pois ele virou a cabeça na direção em que o Turner estava. Com ele, Jane e Lene riam sobre algo e conversavam com o ruivo. Eu vi Sirius cerrar o punho e revirei os olhos, o puxando para nossas posições. Logo o Turner se juntou a nós e as duas garotas foram em direção as arquibancadas.

O treino começou como sempre.. Soltamos os balaços seguidos do pomo de ouro e montamos as vassouras. Eu pensei que Sirius estaria muito bravo durante o treino, mas continuou tudo normal. Mas, enquanto procurava o pomo, eu pude notar ele se achegar muito em Amy. Talvez tentando fazer ciúmes em Jane..? Mas nós dois sabíamos o "segredo" da Robinwood e aquilo não funcionária se Jane também já soubesse.

Quando o treino acabou, as duas garotas desceram da arquibancada e vieram até nós. As duas estavam bem grudadas ultimamente, talvez elas tivessem algo em comum.. Ou alguém em comum.

— Eu pensei que você fosse míope, não cego. — Jane comentou e eu revirei os olhos.

— Falou a que tem a visão perfeita. — retruquei e ela deu de ombros.

— O treino foi ótimo. — Marlene disse, olhando na direção dos outros jogadores.

Eu cerrei os olhos, um leve sorriso nos lábios.

— Vamos falar com Amy, nos vemos nos jantar. — Jane sorriu pra mim, agarrando a mão de Marlene e a puxando em direção a garota loira.

Eu observei as três por um momento, não muito interessado nelas mas os olhos perdidos ali. Sirius chamou minha atenção parando ao meu lado e suspirando ao olhar na mesma direção que eu. O olhei confuso, soou como um suspiro irritado.

— Elas vivem juntas agora.. — comentou, revirando os olhos azuis que pareciam ainda mais claros em contraste com o leve sol do fim da tarde.

— Elas são amigas..? — eu disse meio incerto e ele riu.

— Talvez.. — ele insinuou, caminhando para o vestiário.

Eu franzi o cenho e fui atrás dele.

— O que quer dizer? — perguntei, observando ele tirar a proteção de seus cotovelos.

— Quero dizer.. Que talvez, só talvez, Marlene esteja mais interessada em Jane. — ele explicou, revirando os olhos com a minha confusão. — Eu vi Marlene olhar pra Jane de forma.. Do mesmo jeito que eu olharia, entendeu?

Eu ergui as sombrancelhas meio surpreso. Marlene interessada em Jane? Certo, Jane era uma garota linda.. Afinal, ela era minha irmã. Mas eu pensei a McKinnon estivesse interessada em outra pessoa naquele momento. Ou até que tivesse algo com essa pessoa. Talvez Sirius apenas estivesse com ciúmes de qualquer pessoa próxima demais de Jane.. Só faltava ele dizer que ela e Lily tinham algo. Se a ruiva gosta de um Potter, esse sou eu.

— Cara, você 'tá com ciúmes. — eu ri quando entramos no vestiário e ele me olhou com uma carranca.

— E se eu estiver? Você vive com ciúmes da "sua ruivinha" — ele fez as aspas com os dedos e foi a minha vez de ficar carrancudo.

— É diferente. — eu disse, tirando os equipamentos de proteção.

Sirius revirou os olhos e eu fiz o mesmo, observando ele sorrir relutante antes de entrar no banheiro. Logo o som da água caindo foi ouvida e eu não conseguia ficar um segundo sem implicar com ele.

— Quer que eu chame a Jane quando o senhor estiver terminando? Assim ela vai poder admirar os seus músculos enquanto está de toalha. — eu disse, segurando a risada ao ouvir o chuveiro ser desligado.

— Vai se ferrar, Potter.

Eu não aguentei e gargalhei.

Depois se tomarmos banho e nos trocarmos, saímos do vestiário e fomos em direção ao castelo. Pouco a frente, Marlene e Jane seguiam o mesmo caminho, rindo e falando sobre algo. A mais velha tinha um dos braços sobre os ombros da minha irmã e essa mantinha um dos braços ao redor da cintura da McKinnon. Era fato que Marlene estava diferente.. Ela não costumava gostar de muito afeto, apenas quando necessário.

Elas foram direto para o salão principal. Nós as seguimos e nos sentamos na mesa da grifinória, que foi se enchendo na medida que os alunos chegavam, assim como as outras mesas. Remo e Pedro se juntaram a nós mas não conversamos como de costume. Talvez eles estivessem receosos por conta do Sirius mau humorado. Ele estava melhor que hoje pela manhã, mas eu os entendia.

O jantar passou rápido e logo nós caminhavamos para o salão principal. O assunto acabou fluindo mais, totalmente aleatório. Eu nem ao menos prestei atenção, focando meus olhos nos cabelos ruivos que se direcionaram ao corredor no terceiro andar. Tentei continuar meu caminho, mas a vontade de ir atrás dela foi muito maior. Disse para meus amigos que nos veríamos depois e segui pelo corredor, virando para o mesmo lado que a Evans.

Meus olhos a viram no meio do mesmo, em frente a biblioteca. Ela olhou para o lado oposto antes de abrir a porta e entrar, a deixando meio aberta. Eu esperei alguns segundos antes de seguir o mesmo caminho, adentrando a biblioteca e fechando a porta. Observei a biblioteca vazia, apenas algumas lamparinas acesas iluminavam o lugar. Eu sorri e segui por entre as estantes, procurando Lily.

A ruiva estava de costas em frente a uma mesa, depositando alguns livros sobre a mesma e abrindo um deles, o analisando de pé mesmo. Ela era linda até mesmo de costas.. O uniforme era um pouquinho mais solto do que o de Jane ou Marlene e eu tinha certeza que ela preferia assim. Lily nunca gostou muito de chamar atenção ou de mostrar o que tinha de belo, mas chamava mesmo assim apenas com seu sorriso e seus olhos.. E, claro, o rosto angelical.

Eu me aproximei cauteloso, me preparando para lhe dar, talvez, um pequeno susto. Mas eu que fui surpreendido. A ruiva empurrou seu cotovelo para trás quando eu fiquei perto suficiente e esse acertou bem a minha barriga. Eu levei as mãos ao lugar atingido e olhei a ruiva que se virou com um sorriso.

— Como sabia que eu estava aqui? — perguntei com uma careta.

— Você não parece ser tão esperto quanto o seu amiguinho, Potter. Eu ouvi a porta fechar. — ela me disse e eu resmunguei, me jogando na cadeira.

— Sirius não é esperto, só se move por ai como uma sombra que ninguém vê. — eu disse, pegando um dos livros e o abrindo.

— O que quer, Potter? — ouvi a Evans perguntar e levantei meus olhos pra ela.

— Nada.. Só achei que estudar um pouquinho seria bom. — dei de ombros, voltando minha atenção ao livro mas não li nada realmente.

— Você estudando? É o mesmo que Marlene se interessar por isso. — ela riu e eu acabei rindo também.

— Não curto muito a teoria.. Prefiro a prática. — lhe contei, deixando o livro na mesa e me levantando.

— Sei bem.. — ela pigarreou, de repente parecendo alerta.

— Sabe, Evans.. Me faria muito feliz se você aceitasse ir a Hogsmeade comigo amanhã. — eu joguei, apoiando a minha mão na mesa e inclinando o meu rosto para o lado pra que pudesse ver o seu.

Ela abaixou a cabeça por um momento e logo me olhou.

— E quem disse que eu quero fazer você feliz? — ela praticamente sussurrou aquilo e eu sorri, mordendo meu lábio inferior.

Ela era muito difícil de conquistar.. Meu Merlin..

— Ah, vamos.. Não é tão difícil. — eu lhe disse e ela riu novamente.

— Sair com você? Deve ser mais difícil que pular no lago em dia de inverno. — ela se preparou para se afastar mas eu segurei seu braço.

Seu corpo encontrou o meu e eu a segurei junto a mim, mesmo que ela tentasse se soltar.

— Quando vai acreditar que eu amo você? O que eu preciso fazer pra conseguir apenas uma pequena chance? — eu questionei, prendendo seus olhos aos meus e ela parou de se debater.

— Que tal algo por alguém além de você mesmo? — ela disse, a pressão em suas mãos contra meu peito ainda permaneciam.

Ah, se ela soubesse...

— Como o que? — perguntei irônico, não esperava que ela respondesse mesmo.

— Como pedir desculpas ao Severo por tudo o que vocês já fizeram. — ela disse e eu ri meio alto, a soltando.

— Você só pode estar brincando, Lilian.. Sabe que eu o odeio. — lembrei a ela e a mesma deu de ombros. — Além disso vocês nem são mais amigos pra me pedir isso.

— Não somos.. Mas acho que envergonhar ele na frente da escola inteira e deixar seus cabelos rosa é muita maldade, até pra você. — Lily me disse e eu revirei os olhos.

— Eu não sou tão mal quanto você pensa. — lhe disse e ela sorriu.

— Então prove.. Peça desculpas ao Severo e eu sairei com você. — a ruiva me comprou e eu suspirei.

— Certo.. Eu vou pensar sobre isso. — eu disse e ela sorriu novamente. — Agora eu vou embora.

— Desistiu de estudar? — ela foi irônica e eu ri, balançando a cabeça.

— Com você aqui não daria pra me concentrar.. Eu volto outra hora. — eu lhe disse, beliscando seu queixo suavemente e me afastando.

A deixei ali, caminhando para fora da biblioteca. O caminho para a sala comunal foi tranquilo, incrivelmente, não encontrei nenhum monitor para me encher com detenções.

Ah, Lilian Evans.. Aquela ruivinha ainda seria minha. E Hogwarts testemunharia nosso amor, assim como quem andava por ela. Como eu tinha tanta certeza? Dizem que a esperança é a última que morre, não é? E, afinal, no fundo eu sabia que a Evans me amava. E eu a faria dizer isso muitas e muitas vezes. Merlin podia escrever.