A Marota

46 Capítulo 45


— Eles querem conhece-lo.. — eu disse, puxando minha amiga pra se sentar no banco da praça.

— Isso é bom, não é? — ela perguntou, me olhando um tanto confusa.

Quando você tem um pai ciumento e comeca a sair com um garoto, é muito difícil isso ser bom.

Já faziam quase duas semanas de férias e eu não aguentava mais. Bem no auge da minha impaciência, Lily mandou uma carta e nós combinamos de nos encontrar em um lugar que fosse bom pra mim e pra ela. Uma praça. Alguns trouxas caminhavam pra lá e pra cá, alguns casais aproveitavam o leve sol que aquecia suas peles e algumas crianças brincavam, correndo de um lado para o outro. Foi muito bom ver minha amiga depois de todo esse tempo de tortura.. Ou melhor, depois de todo esse tempo eu trancada no quarto.

— Meu pai não gostou muito da ideia de eu estar 'saindo' com alguém. — eu expliquei, olhando um pouco mais a frente algumas crianças.

— Acho que é normal.. Acha que ele vai fazer algo que soaria ruim? — a ruiva perguntou e eu dei de ombros.

— Não sei.. Ele é como o James, imprevisível. — eu a olhei e a mesma sorriu, os olhos focados a frente.

Por que ela estava sorrindo? Quando me olhou, seu sorriso desapareceu rapidamente e ela tentou disfarçar, pigarreando e passando uma das mãos pelo pescoço.

— Sei... E o que você vai fazer? — ela perguntou, se sentando de frente pra mim.

— Não sei.. Já combinamos de ele ir jantar lá em casa hoje. — suspirei, passando as mãos pelo rosto em claro nervosismo.

— Amiga, você está ferrada. — a ruiva comentou e eu choraminguei.

— Eu vou tentar manter eles longe... Só não terei opção durante o jantar. — disse e ela concordou.

Talvez eu não tivesse opção... Eu só esperava que meu pai não dissesse nada de estranho ou fizesse perguntas constrangedoras a Brendan. Esse jantar pode ser tanto uma boa quanto má ideia.

*****

Pouco tempo antes do jantar, eu estava bem nervosa. Meu pai e James estavam na sala e mamãe terminava de fazer a sobremesa enquanto eu tentava escolher a roupa que mais me agradava. Acabei optando por um vestidinho azul em conjunto de sapatilhas da mesma cor. Decidi por deixar os cabelos soltos e sorri para o resultado no espelho. Eu podia dizer que estava bonita... Aquele vestido combinava comigo.

Eu respirei fundo e sai do quarto, descendo as escadas. Quando cheguei no fim da escada, alguém bateu na porta e eu olhei para minha mãe que sorriu animada, indicando com a cabeça que eu abrisse a porta. Eu lancei um olhar a meu pai e James antes de caminhar até a porta e a abrir, sorrindo para Brendan. Ele estava tão... Bonito, ou normal. Vestido um tanto mais casual, ele segurava uma rosa vermelha.

— Cheguei atrasado? — ele perguntou e eu ri, negando. — Pra você.

Ele me estendeu a rosa e eu a peguei, sorrindo para Brendan.

— É linda, obrigada. — eu agradeci. — Entra.

Cheguei para o lado, permitindo que ele entrasse. Fechei a porta e me virei, puxando Brendan até a sala onde minha mãe havia se juntado aos dois homens da casa.

— Pai, mãe.. Esse é Brendan Jordan. Brendan, esses são meus pais, Charlus e Dórea Potter. Bem, meu irmão você já conhece. — eu disse e minha mãe se apressou a cumprimentar aquele que ela já estava chamando de genro.

— É um prazer conhece-los. — Brendan disse, deixando um beijo na mão de minha mãe e cumprimentando meu pai e James com um aperto de mão.

— Igualmente. — meu pai quase rosnou e eu o reprovei com o olhar novamente.

— Jane me disse que era muito bonito mas eu não pensei que fosse dessa maneira. — minha mãe disse e eu suspirei, coçando a nuca.

— Oh, obrigado pelo elogio, Sra. Potter. Posso ver agora de onde Jane puxou tanta beleza. — Brendan me olhou e eu neguei, observando o sorriso dele.

— Tão gentil! — mamãe riu, as bochechas tomando um tom mais rosado.

Eu segurei o riso e pude notar meu pai um pouco mais agitado. Ah, o Sr. Potter era muito ciumento..

Meus pais conheceram um pouco mais Brendan e mamãe anunciou o jantar. Eu me sentei ao lado de Brendan, de frente para James que não parecia "normal". Eu esperava alguma piada sua.. Sobre a comida, sobre a minha roupa ou sobre o stress de ciúmes do meu pai. Mas nada veio.. Nada mesmo. Será que ele estava doente? Era uma das únicas explicações.

O jantar seguiu e James continuou um tanto calado enquanto meus pais enchiam Brendan de perguntas, quase não deixando o pobre garoto comer. Eles engataram em uma conversa na hora da sobremesa e eu tentei falar com James, mesmo que fosse silenciosamente. Mas, meu irmão parecia bem focado em sua torta de chocolate com morango. A pior parte foi tentar chutar ele por baixo da mesa e poder ver ele segurar o riso, já que minha perna não o alcançou. Idiota...

— Então, Brendan, o que pretende seguir quando sair de Hogwarts? — ouvi meu pai perguntar e prestei atenção neles.

— Bem.. Eu estava pensando em seguir como auror. Espero ter tirado boas notas nos N.O.M.s. — ele disse, sorrindo um pouco timido e era a primeira vez que eu o via assim.

Meu pai pareceu mais satisfeito com a resposta de Brendan e eu sorri, agradecendo por isso. Papo vai, papo vem.. Não foi tão ruim quanto eu pensei que seria. Exceto o silêncio de James que era como uma leve tortura. Quando acabamos, mamãe nos levou para a sala mas eu puxei James para o corredor, o encostando na parede e observando sua expressão indignada.

— O que foi? — perguntei, cruzando meus braços.

— Eu devia perguntar isso. — ele disse, erguendo as sombrancelhas.

— Você está estranho. — comentei, ignorando sua lógica.

Meu irmão olhou para os lados antes de se virar pra mim novamente.

— Não gosto desse cara.. Auror? Ele é da sonserina. — Jamea disse, parecendo realmente indignado com isso.

— E o que tem? — eu estava confusa, o que ele queria dizer?

— Ele não me passa confiança. — ele hesitou por um momento e eu ri.

— Você parece o Sirius falando... — eu comentei, balançando a cabeça e indo para a sala.

O resto da noite continuou agradável, mesmo depois das lógicas do meu irmão. Brendan era um garoto super legal e gentil.. Eu não entendia a implicância de Sirius e James com ele. Eles sabiam algo que eu não sabia? Ou era apenas ciúmes? Meu irmão, claramente, queria que eu me desse bem com Sirius e o mesmo insistia em ficar no meu pé. Aquilo cansava... Cansava bastante.

No final, pude perceber que meu pai havia gostado de Brendan e até mesmo se ofereceu para acompanha-lo até sua casa, já que estava meio tarde e sua casa não era tão longe. Eu não queria que ele fosse, sua presença era tão agradável e estava tão boa a conversa. Pena que ficava cada vez mais tarde e poderia ser perigoso para ele. No hall, eu parei em frente a ele e sorri.

— A noite foi ótima.. Obrigado por me convidar. — ele disse, segurando minhas mãos.

— Obrigada por vir.. E pela rosa. — lhe disse, olhando para suas mãos.

— Hey, o que foi? — Brendan segurou meu queixo, fazendo com que eu olhasse para ele.

— Não sei.. Sinto falta de Hogwarts, você precisa ir, eu vou ficar.. — falei, tentando a todo custo desviar meus olhos dos seus.

Eles continuavam intensos, como sempre. Era difícil olhar por muito tempo..

— Vamos nos ver novamente durante as férias.. — ele disse, acariciando meu rosto.

Eu assenti, ficando nas pontas dos pés para alcançar seus lábios, não me importando se meus pais ou James estavam vendo. Um beijo suave e inocente... Ele sorriu e me abraçou, deixando seu cheiro em mim também. Quando nos afastamos, ele se despediu de James e de minha mãe, sendo levado por mim até o lado de fora onde meu pai já o esperava. Eu acenei para ele, observando os dois caminharem pela rua até sumir no fim da mesma.

— Eu já vou.. — disse a minha mãe quando a mesma me chamou para entrar.

Ela assentiu e entrou, deixando a porta aberta atrás de mim. Eu suspirei, observando a rua deserta e um tanto escura. O poste de luz tinha uma iluminação fraca, ilumunando apenas a minha frente, deixando um ar meio sinistro. Será que alguém se arriscava a ficar naquela rua aquela hora da noite além de mim? Eu não podia fazer magia fora da escola mas eu sabia me defender. Podemos dizer que minha tia havia me ensinado algumas técnicas..

Eu sorri lembrando de minha tia, pensando em como estava com saudades dela. Ah, a saudade era inevitável... Tinha saudades do Brasil, da minha antiga escola.. Mesmo que não sentisse nem um pouco de saudade das pessoas. Saudades dos treinos para o campeonato de arco e flecha que eu não pude participar por "não ser boa suficiente", como disse a treinadora. Talvez isso também tenha sido um dos incentivos para que eu fosse pra Hogwarts.

Suspirando meio cansada de tantas lembranças, eu me virei para entrar em casa quando um barulho chamou minha atenção. Olhando um pouco mais a frente na rua, eu pude ver algo de mexer na escuridão. Não parecia ser uma pessoa.. Receosa, eu continuei a olhar. Parecia se mover na minha direção. Quando eu iria me preparar para correr pra dentro de casa, um suspiro aliviado me escapou. Era apenas um cachorro...

As orelhas baixas, ele caminhou até mim e se sentou, inclinando sua cabeça levemente para o lado. Ele não parecia ser um cão abandonado, estava muito bem cuidado. Os pelos negros brilhavam em contraste com a luz e os olhos também pareceram brilhar quando eu me aproximei e toquei sua cabeça, lhe fazendo um carinho. Ele era manso..

— De onde você fugiu? — eu perguntei, me abaixando a sua frente e olhando em seus olhos.

Tive uma sensação estranha... Como se o conhecesse. Mas eu nunca tinha visto um cachorro de perto, não aqui. Todo o meu tempo em Hogwarts não me permitiu conhecer animais que não fossem criaturas mágicas ou corujas. O cachorro choramingou e tocou meu rosto com seu fucinho, me fazendo rir por estar gelado. Ah, eu acabaria pedindo a mamãe para adota-lo.. Mesmo sem saber se ele tinha dono ou não.

— Você também está se sentindo sozinho...? — perguntei, meio que o abraçando. — Quero dizer.. Mesmo tendo pessoas perto de você.

Ele não respondeu... Claro, Jane, ele é um cachorro! Um cachorro que podia ter me mordido, mas eu tinha uma certa queda por animais.

— Ah... É melhor você voltar para o seu dono. Ou para sua casa, eu não quero que fique gripado. — eu disse e ele reclamou. — Eu já fiquei e, acredite, é horrível.

Com um sorriso, eu lhe fiz um último carinho e me preparei para levantar. Mas, antes que pudesse fazer isso, o cachorro pulou encima de mim e me derrubou, ficando por cima. Eu não tive tempo de gritar e uma mão tapou a minha boca. Espera, uma mão...?

Com o impacto, eu fechei os olhos mas os abri rapidamente, olhando para o que deveria ser o cachorro. Cabelos negros.. Foi o que eu vi. Cabelos negros sobre um belo rosto. Os olhos cinzas me observaram com atenção e eu pude sentir a pele nua dos lados de seu corpo sobre meus dedos. Minha mão subiu um tanto hesitante até seu rosto, tocando o mesmo com suavidade. Era ele mesmo..? O que..?

— Sirius..? — eu sussurrei, tirando os cabelos que cobriam seu rosto.

Ele não disse nada, fechando os olhos e eu senti algo molhar meu rosto. Logo em seguida, mais algumas gotas o tocaram e eu pude sentir os cabelos de Sirius ficarem úmidos. Estava começando a chover... Naquele momento, eu não me importei.

— O que está fazendo aqui? — eu perguntei, já que pensava que ele passaria as férias inteiras na casa dos seus pais.

— Eu não aguentei.. Não conseguiria ficar nem mais um dia naquela casa. — ele disse, sua voz estava rouca.

— Você.. Fugiu? — o olhei meio assustada, mesmo que meus olhos insistissem em pousar nos lábios avermelhados.

Ele assentiu e eu pude notar que ele não estava tão feliz... Talvez ele não quisesse fugir, sair de sua casa fugido não devia ser legal. Eu pisquei várias vezes e senti seu corpo sair de cima do meu. Sirius se levantou e me estendeu as mãos, me ajudando a levantar. Eu o abracei, pegando o garoto de surpresa mas ele logo retribuiu. Havia sentido falta dele... Mesmo que ele me enchesse o saco.

— Você trouxe suas coisas? — me separei dele e ele pareceu lembrar de algo.

— Meu malão!

Sirius me puxou, me levando até o jardim na parte de trás da casa. Eu tive que correr um pouco, entendendo porque a pressa quando vi seu malão na chuva. Ele o pegou e me puxou novamente para entrar na casa pela porta dos fundos que dava na cozinha. Lá, nós quase esbarramos na minha mãe que lavava a louça do jantar. Assim que nos viu, ela secou as mãos e as levou a boca, parecendo feliz e surpresa.

— Sirius! O que faz aqui? Está todo molhado! Jane! — ela repreendeu, puxando o garoto para um abraço.

— É bom ver a senhora novamente, tia. — o Black sorriu minimamente para minha mãe e a mesma notou que ele não estava bem.

— Você fugiu.. Quantas vezes eu disse pra não fazer isso? — mamãe perguntou, de repente parecendo aflita.

Sirius olhou pra mim e eu dei de ombros.

— Sabe, tia.. Eu não queria mais ficar lá. Minha mãe queria me obrigar mas eu não aguentei mais ela me criticando e falando de como o Régulo é um exemplo. — ele disse, soltando um suspiro cansado.

— Tudo bem, querido, eu entendo... — minha mãe também suspirou. — A essa altura Walburga já deve ter queimado você da tapeçaria da família, assim como fez com Andrômeda.

— Eu não me importo... — o garoto disse, passando as mãos pelos cabelos. — Eu.. Poderia ficar aqui?

— É claro! — minha mãe disse e eu sorri.

— Eu levo ele. — eu me pronunciei, me referindo a leva-lo ao quarto.

Minha mãe assentiu e eu puxei Sirius para sair da cozinha. Subimos as escadas e logo estavamos no andar de cima. Ao invés de leva-lo a um dos quartos de hóspedes, eu passei direito e o levei em direção ao quarto de James.. Talvez aquilo melhorasse seu humor. Eu abri a porta do quarto lentamente, sem me dar o trabalho de bater, vendo meu irmão sentado de costas em sua escrivaninha. Ele estava sem camisa, observando a chuva pela janela enquanto segurava um pergaminho que parecia ter um desenho.

— James..? Tem visita. — lhe disse mas ele não se virou.

— Se for a vizinha, diga que eu estou dormindo. — meu irmão respondeu, observando o desenho em sua mão.

— Acho que eu sou uns bons centímetros mais alto que sua vizinha. — Sirius disse, finalmente, chamando a atenção de James.

O Potter sorriu, deixando o pergaminho na escrivaninha e se levantando, indo até o amigo e o abraçando. Eu sorri, indo até onde Janes estava sentado e olhando o desenho. Eu era muito curiosa... Era uma garota desenhada junto de um pomo de ouro. Dentro do pomo tinham as iniciais L.E gravadas. Eu sabia quem era a moça no desenho e sabia que as letras significavam Lilian Evans. Meu irmão estava realmente apaixonado...? Todos os boatos que eu ouvi sobre ele ser o pegador sem coração não faziam muito sentido agora.

— Você veio pra ficar, né? Diz que sim. — James pediu, parecendo animando com a presença do melhor amigo.

— Bem.. Acho que sim. — o outro respondeu, parecendo tão animado quanto o amigo.

Sirius explicou porque estava ali aquela hora e eu nem prestei tanta atenção, já que sabia. Eu não sabia que meu irmão tinha talento para desenhos, mas aquele desenho parecia muito real. Os cabelos não eram ruivos, mas eu conhecia muito bem a minha amiga pra saber que era ela naquele pergaminho. Era estranho pensar que meu irmão estava apaixonado pela minha melhor amiga... Mas... Eu estava apaixonada pelo melhor amigo dele, então estavamos quites.

Eu fiquei mais um pouco ali com eles até o sono me alcançar. Eu me levantei e estiquei os braços pra cima, chamando a atenção dos garotos.

— Eu vou dormir... E tirar essa roupa que ainda está molhada. Você devia fazer o mesmo. — disse, apontando para Sirius.

— Sim, senhora. Também estou indo para o outro quarto. — ele disse, se levantando do tapete onde sentava com James.

— Bem.. Boa noite, James. — eu disse para o meu irmão, abrindo a porta do quarto.

— Boa noite... Até amanhã e, Sirius, preciso conversar com você assim que puder amanhã. — meu irmão disse e o Black assentiu.

— Tchauzinho, Veado.

Eu ri quando James bufou e fechou a porta depois de Sirius sair com seu malão. Nós ficamos parados ali em silêncio por um tempo e eu sorri, olhando para ele.

— Fico feliz que tenha vindo pra cá. — falei e ele me olhou, sorrindo também.

— Eu também.

Silêncio novamente. Eu não sabia o que falar ou o que fazer... Talvez dormir fosse uma boa opção.

— Bom, boa noite, Sirius.. — eu disse, acenando e me virando para ir até meu quarto, mas ele segurou meu braço.

— Está tudo bem? — ele perguntou e eu entendi o que ele quis perguntar.

Estava tudo bem entre nós?

— Sim. — respondi, sem hesitar ou gaguejar.

Estava tudo bem... E ele sorriu novamente.

— Boa noite. — me disse, deixando um beijo em minha bochecha antes de puxar seu malão até a porta do quarto onde ficaria. — Aliás.. Belo vestido.

Depois disso, ele abriu a porta, entrando e a fechando. Eu balancei a cabeça, rindo sozinha e indo para o meu quarto. Fui direto até meu guarda roupas, pegando um pijama e indo para o banheiro tomar um banho. Minha roupa molhada foi posta em um lugar que não a deixasse embolada e logo eu estava debaixo do chuveiro. A água batia em minha cabeça e descia pelo meu corpo, me deixando mais molhada do que eu já estava. Água molhava.. Era óbvio.

Eu passei as mãos pelo meu rosto, subindo as mesmas pelos meus cabelos e pensando. Meus olhos se fecharam e Brendan invadiu meus pensamentos... Ao mesmo tempo que Sirius. Era errado o que eu estava fazendo com Brendan..? Eu quase o estava usando para esquecer o cara que eu gostava, já que ele conseguia fazer isso quando estava comigo. Mas eu também gostava de Brendan.. Não como de Sirius, mas ele se tornou especial.

Eu suspirei, deixando a água bater em meu rosto e me fazer parar de pensar tanto. Eu terminei meu banho e me vesti, secando o máximo meus cabelos com a toalha. Me sentei na beira da cama e observei uma foto com minhas amigas encima do criado mudo. Parecíamos felizes na foto... Havia sido tirada pouco antes do ano letivo terminar e eu decidi por em um porta retratos, deixando encima do meu criado mudo. Saudades de Lene, Jessy.. Lily..

Me deitando, eu me cobri e observei o teto por um momento. Talvez eu devesse parar de pensar... Aproveitar minhas férias... Lembrado de tudo o que fiz em Hogwarts e ansiando pelos resultados dos N.O.M.s. Com Sirius ali seria mais difícil, mas eu tentaria suportar. Fechando meus olhos eu sorri, deixando que o sono me vencesse enquanto lembrava dos momentos bons no castelo..