A Marota

44 Capítulo 43


Casa.. Hoje nós voltariamos pra casa. Meu humor variava entre triste, feliz e irritada. Triste pois deixaria Hogwarts, feliz pois voltaria pra casa e irritada pois o período menstrual faz isso com as mulheres.. Ou comigo.

Minhas malas estavam prontas e eu andava de um lado para o outro na sala comunal, observando meus amigos conversarem sobre qualquer coisa. Eu queria ir logo pra casa, mesmo que meus pensamentos fossem para "não ver Brendan, Lily, Lene, Jessy, Sirius, Remo, Pedro e Ephram durante dois meses". Eu sentiria falta dos meus amigos, sentiria falta das aulas, dos estudos exagerados com a minha ruiva, das piadas horrorosas de Lene, os cálculos de Jessy, os conselhos de Remo, ver Pedro se entupindo de chocolate, a implicância de Ephram, a idiotice de Sirius e.. Bem, estar perto do Jordan. Bem perto.

— Jane, roda mais pro lado. — eu ouvi Sirius me dizer e o olhei.

— O que? — perguntei confusa.

— Roda um pouquinho mais pro lado, o chão já está bem gasto ai. — o idiota riu sendo acompanhado pelo meu irmão.

Meus olhos reviraram automaticamente e eu peguei minha bolsa junto de meu malão, indo em direção ao retrato da mulher gorda. Descer as escadas com o malão foi mais fácil do que subir, tenho certeza. No salão comunal, eu encontrei as meninas a conversarem na mesa da grifinória e me juntei a elas. Nós tomamos café e esperamos o horário em que pegariamos o trem.

As exatas 10:30am, nós nos despedimos da Prof. Mcgonagall ao encontrarmos com ela no caminho para fora do castelo. Atravessamos a ponte e logo estavamos nas carruagens que nos levariam até a plataforma onde pegariamos o trem. Eu consegui ver os marotos entrarem na carruagem de trás, os quatro juntos, como praticamente sempre estavam. Pela janela, eu observei o castelo cada vez mais longe e sorri, sentindo que a qualquer momento a saudade envolveria meu coração.

Na plataforma, nós encontramos Hagrid e eu quase chorei ao me despedir dele. Apenas segurei pois ele disse que nos veriamos em breve, não havia motivos pra lágrimas. Com a ajuda de James e meu malão, nós entramos no trem e eu fui até a janela, acenando para Hagrid e em partes para o castelo que já estava meio longe. Achar uma cabine foi fácil e eu me separei dos marotos, indo até minhas amigas.

— É bom voltar pra casa. — Lene comentou, se sentando na janela a minha frente.

— Sim! Estou louca pra ver meus pais. — Lily disse, sorrindo radiante para nós.

— Vocês vão me visitar, não vão? — Jessy perguntou, parecendo animada com a ideia.

— Claro que sim, fazemos isso todos os anos. — Lene riu e seu olhar se virou pra mim. — Está muito quieta, Jane..

— Não é nada.. — eu sorri fraco, observando o lado de fora pela janela.

— Acho que você tem se encontrado pouco com o Jordan.. — ela prosseguiu e eu a olhei confusa.

— O que quer dizer?

— Que está desanimada. Quando se encontra com ele, fica toda animadinha, sorridente. — Jessy completou pela amiga e eu revirei os olhos com as risadas.

— Não é nada disso... Eu só não estou tão animada quanto deveria estar. Mas ficarei quando encontrar meus pais. — sorri levemente, voltando a olhar pra janela.

A parte da manhã da viagem foi bastante silenciosa pra mim. Minhas amigas conversavam sobre o que fariam nas férias e eu apenas continuava a observar o horizonte pela janela. Não tinha planejado nada, apenas ficaria no meu quarto estudando ou olhando o teto. Quem sabe na biblioteca lendo algum romance ou sei lá... A senhora com o carrinho de doces passou e nós compramos algumas coisas.

A tarde se iniciou e eu continuei a observar o lado de fora. Talvez eu conseguisse vir voando em uma vassoura em setembro, estava decorando cada pedacinho do caminho. Cansada daquilo, eu me levantei no mesmo momento que Lilian.

— Vou fazer a ronda. — ela disse, arrumando suas roupas.

— Vou procurar James e Sirius. — falei, dando de ombros.

—Tudo bem, ficaremos sozinhas. — Marlene sorriu maliciosa pra mim e eu revirei os olhos.

Com Lily, eu sai da cabine e nós nos separamos. Ela foi para um lado e eu para o outro. Aquele trem era grande... E eu levei uns minutos pra chegar a cabine dos marotos, com meus passos animados. Pela porta da cabine, eu pude ver que só Pedro estava lá. O mesmo se assustou quando eu abri a porta.

— Onde estão James e Sirius? — perguntei, já sentindo cheiro de problemas.

— Eles foram nos outros vagões. — o garoto me disse e eu agradeci, saindo sem esperar mais nada.

Dessa vez eu caminhei um pouco mais rápido, ignorando Remo no meio do caminho. Olhando cabine por cabine, eu passei pelos vagões a procura dos dois idiotas. Eu sabia que estavam aprontando... Meus instintos me diziam isso. No vagão onde estavam os alunos do segundo ano da lufa-lufa, eu ouvi uma conversa um tanto estanha. Eram vozes grossas demais pra serem de crianças de 12 anos.

— Qual é, pirralhinho, só queremos sua ajuda. — a primeira voz disse e eu reconheci de imediato como de Sirius.

— Sim, não vai dar nada não. — a segunda era com certeza de James.

— Mas.. Por que no vagão da sonserina? — a voz mais fina perguntou, parecendo um tanto confuso. — E se eu me der mal?

— Não vamos deixar ninguém te machucar. — Sirius disse e eu olhei, tentando não ser vista, conseguindo ver ele bagunçar os cabelos ruivos do garoto mais novo.

— É só passar e deixar cair. Ela vai fazer o trabalho sozinha. — James disse, tirando algo do bolso e indicando para o garoto.

O lufano olhou meio desconfiado mas pegou da mão de James e esse sorriu maroto, trocando um olhar cúmplice com o Black. Eu suspirei e abri a porta da cabine, podendo ver o segundanista guardar a tal coisa em seu bolso rapidamente.

— Jane! Saudades de mim? — o Black se levantou e eu revirei os olhos.

— O que estão aprontando? — eu questionei, pondo minhas mãos na cintura e olhando cada um deles.

— Nós? Aprontando? Como pode pensar isso, Irmãzinha? — James perguntou, se fingindo de ofendido.

Eu fiz uma carranca, indicando o garoto do segundo ano com a cabeça.

— É apenas uma brincadeira, ninguém vai sair machucado. — meu irmao garantiu, me mostrando a bomba de bosta que estava em seu bolso.

Eu tentei conter um sorriso mas esse saiu, denunciando que aquilo soava divertido pra mim. Sirius sorriu vitorioso e falou algo com o garoto que concordou, se levantando e saindo da cabine em seguida. Eu fui puxada pra fora pelos dois marotos e nós observamos o segundanista caminhar pelo corredor e entrar no vagão seguinte, deixando um James um tanto entusiasmado ao meu lado.

O que pareceram 15 segundos depois, nós ouvimos reclamações vindas do vagão e os marotos tentaram rir baixo, entrando para a cabine ao a porta se abrir. Eu observei e tapei o nariz, visto que eles estavam abanando o cheiro pra fora. Logo o garotinho da lufa lufa saiu com as mãos no nariz e eu o puxei pra dentro da cabine, fechando a porta e a cortina. Rindo, eu me sentei ao lado de Sirius e o garoto se sentou na janela ao lado de James.

— Eles ficaram loucos, era um fedor horrível. Nem sei como não me viram. — o Lufano disse, os olhinhos brilhando em excitação.

— Bombas de bosta, pequeno amigo. Pode trollar até seus amigos com elas. — James disse, dando um tapinha leve no ombro dele.

Sirius resmungou e eu ri, sabendo que James já havia feito com ele. Nós ficamos mais um pouco ali e meu irmão deu o restante das bombas em seu bolso para o garoto que eu sabia que, em breve, se tornaria um novo bruxo malfeitor. Depois nós nos despedimos e saimos, indo para o vagão da grifinoria, a cabine onde estavam Pedro e Remo. Eu sabia que Remo sabia daquilo, por isso o ignorei no corredor ou ele me seguraria lá.

A ideia brilhante de jogar snap explosivo dentro do trem veio de Sirius e logo nós riamos de cartas explodindo. Eu até que aprendi rápido, estava indo bem. Só não tão bem quanto o próprio maroto que parecia ganhar todas. Ele havia proposto um desafio.. Se ele ganhasse três partidas contra mim, poderia me pedir o que quisesse. E se eu ganhasse, eu poderia pedir o que quisesse. Eu já estava me preparado pra pedir para ele parar de me encher o saco quando ele ganhou.

Entediada, eu olhei para o garoto a minha frente que sorria vitorioso. Antes que ele pudesse abrir a boca, os outros três marotos se levantaram.

— Bem, nós vamos dar uma volta. — eles disseram juntos e eu os observei confusa.

Eles saíram da cabine e fecharam a porta, nos deixando sozinhos ali. Quando eu me virei para o Black, não tive tempo de dizer nada. Seus lábios logo encontraram os meus e eu arregalei os olhos, tentando empurra-lo quando ele sentou ao meu lado. Ao conseguir afastar o maroto, o estalo foi ouvido e eu me afastei, ficando um tanto longe dele. Sirius riu e acariciou o lado do rosto atingido.

— Você adora me bater, não é? Estou começando a achar que é um pouco sadista. — ele comentou, se aproximando maliciosamente.

Eu coloquei minhas pernas pra cima do assento, impedindo que ele se aproximasse mais.

— Eu não precisaria te bater se você não me beijasse contra a minha vontade. — retruquei, tentando manter ele longe mas o maroto era insistente.

— Ah, Jane.. Eu sei que você também quer. — me disse, se ajoelhando no assento e tentando a todo custo abaixar minhas pernas.

— É? E como pode saber disso? — questionei, me afastando mais mas eu já estava encostada na janela fechada.

— O seu corpo me chama... Ele não chamaria se não quisesse. — sua mão escorregou do meu joelho para minha coxa.

Eu engoli seco. Suas mãos separaram minhas pernas e ele se colocou entre elas, sorrindo de lado. Seus lábios chegaram aos meus novamente e eu tentei afasta-lo de novo, mas foi em vão. Meu corpo realmente parecia atender apenas a seus toques e não a meus chamados. O que estava acontecendo?! Fazia tempo que não nos beijavamos.. Talvez fosse isso.

Eu me deixei levar, como sempre, minhas mãos subiram para sua nuca e ele aprofundou mais aquele contato. Muitas vezes o jeito que ele me beijava fazia parecer que.. Sentia algo mais do que apenas desejo. Mas não é como se fosse realmente isso. Sirius me puxou e se sentou, fazendo com que eu ficasse sentada sobre suas coxas. Suas mãos subiram para minha cintura e ele sorriu contra meus lábios, os separando por um momento.

— Como ainda nega isso? — ele perguntou, selando meus lábios novamente.

— Isso o que? — perguntei de volta, sentindo meus sentidos um tanto anestesiados.

— O que sente por mim. — seu sussurro me fez despertar e eu abri os olhos.

Sirius mantinha uma expressão séria e seus olhos queimaram os meus quando se encontraram. Eu me levantei no mesmo instante, ajeitando minhas roupas e passando minhas mãos pelo meu rosto. Ele sabia? Não podia saber.. Logo agora que eu estava conseguindo deixar esss sentimento de lado. Logo agora que eu ele estava indo embora do meu coração lentamente. Droga...

— Eu.. Eu preciso ir.. — balbuciei, me apressando pra porta.

Mas, antes que eu pudesse sair, Sirius segurou meu braço e me manteve ali.

— Jane, por favor. — ele pediu e eu afastei meu rosto antes que sua mão o tocasse.

— Não, Sirius.. Me deixe seguir me frente, me deixe esquecer tudo o que passamos. Você vai pra sua casa, eu vou pra minha e eu não quero que fiquemos desse jeito. — lhe disse, me afastando e acabando por me afastar da porta também.

— É por causa do Jordan? Jane, eu já lhe disse! Ele não gosta de você, apenas está te usando. — ele disse novamente e eu ri.

— Então, segundo você, ele não pode gostar de mim? Por que? Porque eu não sou boa o suficiente pra despertar esse tipo de sentimento? Só porque o seu coração é de pedra, não quer dizer que os de todos os outros vão ser também.

Eu não queria chorar mas meus olhos eram traidores e minha visão já começava a embasar. Sirius não respondeu e eu fechei os olhos, respirando fundo antes de passar as mãos sobre o rosto.

— Eu já vou, Sirius... — disse, olhando para o maroto antes de passar por ele e sair da cabine.

Eu caminhei para a cabine das meninas e entrei, fechando a porta e me sentando na janela. O lugar ficou silencioso por um momento e eu sequei a lágrima que havia escorrido. Droga! Por que eu era tão chorona? Lily se aproximou e colocou sua mão sobre meu ombro, secando meu rosto com a outra mão.

— Estava com Sirius... — respondi antes que ela perguntasse.

— Por que sempre que fica sozinha com ele volta chorando? — Lene questionou, se aproximando também junto de Jessy.

— Porque não dá pra evitar.. Sempre discutimos. — expliquei, respirando fundo e tentando segurar as lágrimas idiotas.

— Ele te beijou, não é? — a morena perguntou novamente e eu assenti. — Ele não sabe que você está saindo com o Brendan?

— Claro que sabe.. Ele não se importa. — respirei fundo, me encostando no assento e passando as mãos pelo rosto.

— Eu ainda acho que ele gosta de você. — Jessy disse, dando de ombros quando eu a olhei.

— Eu duvido.. Se ele gostasse, perceberia que o que ele faz me machuca. Ele sabe, na verdade.. — falei, olhando para a janela.

O céu começava a querer escurecer e o sol já se escondia entre as árvores. Por que aquela insistência? O que ele queria? Me machucar mais ainda? Ou não se contentava em não ter conseguido de mim o que conseguiu de outras? Aquilo me perturbava, mesmo que eu tentasse parar de pensar.. Era impossível. E era exatamente isso que eu havia tentado esquecer durante os últimos meses. Era ele, tudo sobre ele ou o que tivemos.

*****

Eu não quis mais saber sobre nada e apenas percebi que chegamos quando Lily me cutucou, pegando seu malão junto das outras meninas. Eu assenti e peguei o meu, saindo da cabine com elas. O corredor do vagão estava cheio, todos saindo. Alguns apressados, outros mais calmos e alguns pareciam querer ficar e voltar pra Hogwarts. Eu bem que pensei nessa possibilidade.

Eu sai do trem tentando acalmar Lily e sua revolta pelos alunos apressados que não a ouviam. Encontramos Remo mais a frente que sorriu para nós e eu até tentei retribuir, mas acho que saiu mais como uma careta. Lilian me puxou pelo braço e quando eu vi, já estava na estação de King's Cross. A ruiva riu e eu balancei a cabeça, esperando os outros com ela. Primeiro Jessy e Lene, Remo e James e Sirius e Pedro em seguida.

— Mamãe e papai. — James me disse e saiu me puxando para o outro lado.

Que mania...

Nós fomos até nossos pais, parados em um canto a sorrir pra nós. Eu fui agarrada pela minha mãe e sorri, a abraçando bem forte. Logo em seguida meu pai. Era tão bom ve-los..

— Ah vocês parecem maiores a cada vez que os vejo. — mamãe comentou e eu ri.

— Talvez Jane tenha crescido alguns centímetros. — James brincou e eu lhe dei um tapa, fazendo ele rir.

— E Sirius? Ele vem conosco? — meu pai questionou e eu pigarreei.

— Infelizmente, não, tio.. Meus pais já mandaram alguém pra buscar a mim e Régulo. — Sirius se aproximou, parecendo realmente triste.

— Oh, uma pena, querido.. Mande lembranças a sua mãe. — minha mãe pediu e ele assentiu, recebendo um abraço apertado da mesma.

— Sentirei sua falta para me ajudar naquelas contas. — papai disse e Sirius riu, o abraçando também.

— Ei, tem a mim. — James reclamou e meu pai revirou os olhos.

— Não sinta ciúmes, pontas. — o Black disse, indo até meu irmão. — Ah, que difícil isso.. Eu não quero te deixar. De novo.

— E se eu te seqüestrasse? — James sugeriu e os dois trocaram um olhar cúmplice.

— Meninos.. — mamãe repreendeu.

— Certo... Nos vemos por ai, caro amigo. — Sirius fez uma reverência e James o imitou.

Ah, eu adorava o senso de humor maroto...

— Até mais, Pulguento. — James retrucou e eles se olharam.

Logo os dois marotos se abraçavam forte e eu admirei. Era uma bela amizade... Eles se separaram e Sirius se virou para mim. Ele sorriu e eu respirei fundo, indo até ele rapidamente e o abraçando. O garoto se surpreendeu mas retribuiu de imediato, me apertando contra ele e eu pude sentir meus pés deixarem o chão alguns poucos centímetros. Ah, eu sentiria falta dele... Mesmo que minha mente dissesse que não, meu coração sentiria.

— Vou sentir sua falta. — sussurrei, passando uma das mãos por seu cabelo.

— Eu também, meu anjo.. — ele sussurrou de volta e eu sorri. — Fica bem.

Sirius beijou minha bochecha e se afastou, me pondo no chão novamente. Eu suspirei e me afastei, pondo meu cabelo atrás da orelha. Uma voz me sobressaltou e fez nosso contato visual se quebrar. Eu olhei e vi uma Lily vermelha.

— Eu sou sua melhor amiga e você nem se despede de mim. — ela reclamou e eu ri, a abraçando.

— Mãe, pai.. Lhes apresento Lilian Evans, ou a ruiva tapada. — eu ri, recebendo um tapa da ruiva.

— É um prazer, Sr. e Sra. Potter. — Lilian sorriu, cumprimentando meus pais.

— Ah, então você é a ruivinha? É um prazer, ouvimos bastante sobre você. James não para de falar. — mamãe denunciou e eu segurei o riso.

— Mãe.. — meu irmão a repreendeu, as bochechas tomando um tom mais rosado que o normal.

Lilian também pareceu um pouquinho tímida e eu intervi.

— Ela é linda, não é? Então, precisamos ir ali. — eu disse, puxando Lily que acenou para meus pais antes de me seguir.

— Seu irmão é louco, pirado! — ela me disse quando nos afastamos um pouco.

— Sim, piradinho.. Louco de amor por você. — concordei e ela me deu outro tapa.

— Até você? — perguntou e eu revirei os olhos, chamando Jessy e Lene com um aceno.

A loira e a morena logo se aproximaram e eu sorri. Eu não queria me despedir, mas sabia que era preciso. Logo seguiriamos caminhos diferentes e, provavelmente, nos veriamos apenas depois das férias. Como viveria sem as piadas horrorosas de Marlene? Sem as broncas da Lily ou os insistentes cálculos da Jessy? Logo meus olhos encheram de água e eu ri, tentando segurar.

— Eu amo vocês.. Droga, vou morrer de saudades. — reclamei e elas riram, as três me abraçando de uma vez.

— Também te amamos.. Mas são apenas dois meses, daqui a pouco estaremos juntas novamente. — Jessy disse e eu concordei.

Abracei cada uma delas e observei elas se afastarem, olhando a todo momento para trás. Lily encontrou seus pais, assim como Lene e Jessy e eu sorri, enxugando as lágrimas que tinham caído. Ao me virar, resmunguei vendo Remo e Pedro se despedindo se James e Sirius. Fui até eles e revirei os olhos, mais despedidas.

— Eu já cansei, não quero mais me despedir de ninguém. — fiz birra, cruzando meus braços.

— Se não se despedir, vai se arrepender depois. — Remo me disse e eu bufei, o abraçando. — Vamos nos ver durante as férias.. — ele disse quando nos afastamos.

— Promete? — perguntei e ele assentiu, beijando minha bochecha.

Eu me virei para Rabicho que parecia um pouco tímido. Eu sorri e fui até ele, abraçando o único maroto apenas alguns centímetros mais alto que eu. Ele retribuiu meio acanhado.

— Ah, Rabicho.. Sentirei sua falta também. — lhe disse quando me afastei.

— Eu acho que eu também.. De todos vocês. — ele disse e eu sorri.

Aquele quarteto faria falta.. Tanto em Hogwarts quanto pra mim. Por mais que fizessem coisas idiotas, eles também me divertiam a maioria das vezes. Eu os amava.

— Jane!

Eu sorri e me virei, avistando Ephram e Brendan um pouco distante. Dizendo que já voltava aos marotos, eu corri até eles e parei a sua frente, cruzando meus braços. Ah, elas nunca acabavam?

— Eu te chamaria para me visitar mas eu vou pra casa dos Black, como sempre.. Roxanne te odeia, Régulo é um babaca e Lúcio não te deixaria em paz. — Ephram comentou e eu ri, entendendo perfeitamente o que ele quis dizer.

— Vou sentir sua falta, retardado. — lhe disse, o abraçando o mais forte que consegui.

— Eu também, anãzinha. — ele disse quando me afastei e lhe dei um tapa no ombro.

— Nem ouse colocar esse apelidinho nas cartas ou eu te mando um berrador. — ameacei, cutucando seu peito e ele apenas riu, segurando minha mão e deixando um beijo nela.

— Não prometo nada.

Revirei os olhos e me virei para Brendan. Esse desviou os olhos, assobiando baixinho enquanto passava seus olhos pelos trouxas que passavam.

— Brendan... — eu o chamei, segurando seu rosto e o obrigando a olhar pra mim.

— Não quero me despedir. — ele disse, voltando a virar seu rostinho para o outro lado.

Eu ergui uma das sombrancelhas, assentindo.

— Tudo bem, então.. — dei de ombros, me virando para voltar até meus pais quando sua mão segurou meu braço.

Antes que algo mais fosse dito, seus lábios tocaram os meus e ele me beijou. Eu sorri, retribuindo rapidamente. Meus braços abraçaram sua cintura e eu fiquei na ponta dos pés quando ele me puxou mais ainda pela nuca. Eu nunca acreditei nessa coisa de gostinho de despedida.. Mas agora eu entendia. Pude ouvir Ephram rir e assobiar, me afastando lentamente de Brendan. O sonserino sorriu e me abraçou, deixando um beijo no topo da minha cabeça.

— Me escreva toda semana. — ele pediu e eu concordei.

— Até o fim das férias, Jordan. — brinquei, recebendo uma risada sua.

— Até lá, Potter.

Eu os abracei por uma última vez e me afastei, correndo até os marotos novamente. Sorrindo, eu estava. Efeito Jordan, talvez. Quando eu parei perto dos garotos, todos eles me olharam. Meu cabelo tava bagunçado? Eu passei as mãos pelo mesmo mais parecia tudo okay.

— O que? — perguntei mas todos alegaram não ser nada.

— Bem, eu preciso ir. Meu pai está logo ali. — Remo indicou um homem grisalho um pouco mais a frente.

— Eu também. Narcisa deve estar desesperada pra sair de perto dos trouxas. — Sirius disse, rindo da prima que reclamava com Régulo.

— Minha mãe também já chegou.. — Pedro informou, olhando a mãe impaciente.

Eu sorri para todos, abraçando-os de novo antes de me afastar antes que chorasse. Sirius foi com Régulo e Narcisa, Remo com seu pai e Pedro com sua mãe. Olhei para James e suspirei, o abraçando pela cintura.

— Vamos? — ele perguntou, acariciando meus cabelos.

Eu apenas assenti e nós fomos até nossos pais.

— Filha, quem era aquele rapaz? — minha mãe perguntou, olhando na direção oposta um tanto curiosa.

— Quem? — perguntei de volta, também olhando para o lugar que ela olhava.

— O que estava com Ephram, que te beijou.

Eu exclamei e James riu.

— É o namoradinho dela, Brendan Jordan. — o idiota disse, reclamando com a cotovelada que levou.

— Não é meu namorado.. Estamos nos conhecendo. — expliquei, dando de ombros.

— Pareciam conhecer muito bem a boca um do outro. — meu pai disse e eu pude ver seu rosto levemente vermelho.

— Charlus! — mamãe o repreendeu e ele virou o rosto. — Seria bom chamar ele pra jantar em casa algum dia. Pra conhecermos ele.

— Tudo bem.. Eu vou falar com ele. — eu concordei, olhando para meu pai. — Papai..?

— Tudo bem, eu vou ser gentil. — disse contra gosto com a cutucada da minha mãe e eu sorri.

— Obrigada.. Ele é um rapaz legal. — eu disse, um tanto mais animada.

— Certo, me conte no caminho. Vamos. — mamãe sorriu, me puxando para seu lado.

Por mais que eu fosse sentir saudades dos meus amigos, eu acho que também adoraria as férias com meus pais. Por mais que fosse sentir falta da minha primeira casa aqui, eu adoraria conhecer melhor a casa dos meus pais e, bem, minha também. Seria divertido... Com certeza.