A Marota

36 Capítulo 35


Sirius Black

Eu havia mesmo dito aquilo..? Ai meu Merlin! Eu não devia! Não naquele momento.. Quando Jane saiu correndo, eu a chamei mas ela não parou, o que me fez segui-la. Eu subi todos os degraus correndo, mas não consegui segura-la antes que ela subisse as escadas do dormitório feminino. Eu, perdido, tentei subir atrás mas no meio da escada, ela se tornou em uma rampa e eu escorreguei. Suspirando frustrado, eu nem ao menos tive vontade de levantar dali, ficando deitado no final da rampa.

É, Sirius Black, sabe a sorte que você tinha? Ela sumiu assim que a irmã do seu melhor amigo entrou naquele trem. Eu fui muito rápido.. Mas me deixei levar pela sensação de ter seus lábios aos meus, seu corpo pequeno perto do meu, sua correspondência logo de inicio.. Ela queria tanto quanto eu. Eu não liguei quando o retrato da mulher gorda se abriu para alguém e logo passos se aproximaram.

— Almofadinhas? — Remo chamou, segurando o riso.

Provavelmente por ter adivinhado a minha burrice e estar tirando sarro da minha cara.

— Passagem negada. — Pontas zombou, se jogando no sofá mais próximo. — O que houve?

— Por mais incrível que possa parecer, eu acho que piorei as coisas com a baixinha esquentadinha. — eu reclamei, me levantando e me jogando em uma poltrona.

— Ah, é? E o que você fez dessa vez? Beijou ela? — Aluado perguntou, parecendo intrigado.

— Isso também.. E depois disso que a amava. — eu soltei e James se sentou rapidamente, me olhando incrédulo junto de Remo.

— Mas isso.. É algo bom, não é? Por que disse que piorou as coisas? — James se empolgou, olhando sorridente para Remo.

— Porque ela saiu correndo.. Sem dizer nada. — completei, rindo de mim mesmo.

Aluado e pontas se entreolharam, parecendo preocupados. Talves com a minha reação ou com o que havia acabado de lhes contar. Eu não sabia, apenas tentava não pensar que a reação de Jane... Foi porque ela não me ama. Isso doeria tanto.. Já dói apenas em pensar. Eu sabia que ela gostava de mim, ela mesma havia dito. Mas.. Amar? Era algo muito forte... Algo muito forte que eu não imaginava sentir por uma garota.

*****

— O plano é falar com ela? — eu questionei, olhando incrédulo para os meus amigos.

— Tem algo melhor? Um buquê? Um bilhete? Uma caixa de chocolate? Fala rápido pois ainda dá tempo de buscar. — Pontas tirou sarro, dando um tapa em minha cabeça.

— Idiota.. — eu resmunguei, esfregando o local atingido.

— Sirius Black. — a voz feminina me fez virar e encontrar belos olhos verdes me observando.

— Eae, ruiva! Tudo bem? — eu perguntei, nervoso.

Pelo jeito que ela me olhava, eu sabia que viria algo ruim.

— Olá, Evans! — James tentou mas foi ignorado pela garota que me puxou para um pouco longe.

— O que você disse é verdade mesmo? Não vai brincar com ela, vai? — perguntou, olhando bem em meus olhos.

— Eu errei, Lily, muito.. Mas eu.. Eu quero mudar isso. — lhe disse, sendo o mais sincero possível.

Ela me olhou por um tempo antes de me puxar em direção a escada do dormitório feminino.

— Vai e fala com ela.. Eu não quis acorda-la, então ainda está dormindo.

Eu sorri grande pra ruiva, lhe abraçando rapidamente.

— Mas, olha.. Se você a machucar, eu juro que te dou um pau com ajuda da Marlene. — ela ameaçou e eu ri, erguendo as mãos.

Sem esperar mais, eu subi os degraus correndo para o dormitório. Bem devagar, eu abri a porta e espiei, vendo que não tinha mais ninguém além da garota morena dormindo em sua cama. Ela parecia serena quando me aproximei, os cabelos espalhados pelo travesseiro e a respiração calma. Encantado com a cena, eu me sentei na beira de sua cama e deixei minha mão tocar seu rosto.

— Você é tão linda.. — sussurrei e ela se mexeu, segurando minha mão e virando para o outro lado, abraçando-a.

Eu sorri e acariciei seus cabelos com a outra mão, ouvindo um suspiro seu.

— Sirius... — Jane soltou em meio ao suspiro, se virando novamente para mim.

— Eu estou aqui, meu anjo.. — lhe disse, me assustando quando ela segurou minha mão firmemente e a desceu pelos seus seios.

O que ela estava fazendo? Estaria sonhando..? Ela desceu minha mão por sua barriga até perto do fim de sua camisola. Eu tentei puxar minha mão mas ela a segurou mais forte.

— Sirius.. Por favor.. — ela disse manhosa, como se fosse um grande pedido.

— Jane, acorda. — eu lhe chamei, com medo do que poderia vir a seguir.

Ela estava dormindo!

— Jane.. Acorda! — eu a sacudi um pouco e ela abriu os olhos.

Sonolenta, ela me olhou e em seguida desceu seus olhos para o que suas mãos seguravam com tanta firmeza. Com um grito, ela me soltou e eu me levantei, observando ela se sentar na cama puxando os lençóis para cobrir o que eu já tinha visto. Jane me olhou com os olhos arregalados, a respiração mais pesada.

— O que faz aqui?! — perguntou, ficando o mais longe possível.

— Eu vim falar com você.. Mas você estava dormindo e.. Ficou falando umas coisas sem nexo. — comentei, também me afastando e lhe dando o espaço seguro que queria.

Ela pensou um pouco e suas bochechas ficaram tão vermelhas, que eu achei que ela poderia explodir. Seus olhinhos me miraram e ela pareceu um coelhinho nervoso.. Eu já havia visto um coelho nervoso? Eu não sabia. De uma vez, ela se levantou e foi até a porta do quarto, a abrindo e me indicando.

— Saia, por favor. — sua voz parecia um tanto irritada e eu a observei.

Jane usava apenas aquela fina, e um tanto mais justa, camisola, permitindo que eu visse exatamente as curvas de seu corpo. As belas pernas estavam mais expostas que o normal e eu sabia que ela não estava usando sutiã por não ver nada além das alças da camisola em seu ombro que continham algumas pintas.. Ou sardas. Era tentador... E eu não consegui desviar os olhos, sendo notado por ela que corou.

— Não meu olhe assim! — exclamou se virando de costas, o que não melhorou muito a situação.

— É.. Bem.. Eu vou indo. — gagueijei, indo em direção a porta e me segurando pra não parar no caminho e agarra-la.

Mas eu parei, ainda a olhando. A cicatriz em sua coxa me lembrou da noite em que ela descobriu que eramos animagos e Remo um lobisomem. Com um leve sorriso, eu enfiei a mão no bolso e tirei de lá o mapa do maroto, lhe estendendo.

— Seria a minha vez de ficar com ele, mas.. Talvez seja legal você dar uma olhada e conhecer alguns lugares. — disse quando ela o pegou, olhando para o mesmo.

— Mas está vazio.. — comentou, me olhando confusa.

— Quando quiser que se revele, é só dizer as seguintes palavras: — eu peguei a minha varinha e apontei para o mapa. — Eu juro solenemente não fazer nada de bom.

Os desenhos começaram a aparecer no pergaminho, revelando as palavras tão bem pensadas por nós; Os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas, fornecedores de recursos para feiticeiros malfeitores, têm a honra de apresentar: O Mapa Do Maroto.

— Caso não queria mais usar, é só dizer; Malfeito feito, e ninguém mais irá ler. — dei de ombros, observando ela olhar o mapa sorrindo.

— Obrigada.. — disse, olhando pra mim novamente.

Eu assenti e sai do dormitório, descendo as escadas. Lilian parecia nervosa ao lado de James e Remo na sala comunal e deu um pulo do sofá quando eu apareci no fim da escada.

— Como foi? — perguntou, me olhando esperançosa.

— Ela me colocou pra fora... — suspirei, dando um sorrisinho derrotado. — Mas eu deixei o mapa do maroto com ela.

— É uma boa, ela vai poder conhecer melhor. — James disse, se levantando também.

— Mapa do maroto? — a ruiva pareceu confusa, não sabendo do que falávamos.

— Não é nada, não.. Lily, temos que ir. — Remo mudou de assunto, puxando a ruiva pelo braço para o retrato da mulher gorda.

Eu observei eles sairem e olhei para James.

— Snap Explosivo? — sugeri, indicando as cartas encima da mesa.

— Não, temos aula e já estamos atrasados. — ele me disse, pegando sua mochila no sofá.

— Quem é você e o que fez com meu melhor amigo? — questionei, o olhando meio desconfiado.

— Deixa de ser idiota. — ele riu, me entregando minha própria mochila.

— Impossível.

Pisquei pra ele, pegando a minha gravata e a amarrando na cabeça, fazendo James rir mais ainda.

Do salão comunal, nós fomos para a primeira aula que seria transfiguração. No caminho, encontramos Pedro junto de Marlene e Jessy e juntos fomos para a aula. Me sentei no fim da sala ao lado de James e lancei um sorriso para duas corvinas sentadas ao lado, recebendo uma cotovelada de Pontas. Era inevitável.. Talvez Jane tivesse razão... Eu não posso ver um par de seios. Eu, ainda, não era comprometido e.. Hogwarts estava cheia de beldades. Mesmo que a #1 delas não estivesse ligando pra mim no momento.

A Prof. Mcgonagall começou a aula e nós iriamos treinar o feitiço Aquila Papirus. Jane chegou 5 minutos depois, dizendo a professora que dormiu mal e perdeu a hora. Se sentando ao lado de Lilian, que já havia chegado com Remo, ela pegou seu material e colocou encima da mesa. Eu já sabia aquele feitiço.. Metade dos alunos ali deviam saber. Mas nem todos sabiam fazer certo.

Eu peguei meu pergaminho e o deixei encima da mesa, esperando que a professora desse permissão para começar o "treinamento". Ela explicou como era feito e foi de aluno em aluno, mas eu podia sentir seus olhos sobre mim. Ela achava que eu não era capaz? Pois bem, vou lhe provar que sou tão inteligente quanto nas provas. A Prof. Mcgonagall parou em frente a minha mesa alguns alunos depois.

— Sr. Black? — ela me indicou o pergaminho.

Eu lhe dei meu melhor sorriso galanteador, pegando minha varinha e tocando duas vezes no pergaminho antes de pronunciar; Aquila Papirus, mantendo em pensamento que queria que a minha águia voasse e mandasse uma mensagem bem amorosa a James. Em poucos segundos, o pergaminho se dobrou em algumas partes e se transformou em uma águia, logo levantando um curto vôo até a mesa de James, já que essa era logo ao lado. Pontas a pegou e desdobrou, se pondo a ler em voz alta.

— Você é um idiota. Com amor, Sirius.

A sala inteira riu com o olhar mortal que meu amigo me lançou. Eu ergui as mãos fingindo inocência, sorrindo para a professora a minha frente quando ela pediu silêncio aos alunos.

— Muito bem, Sr. Black, tirando seu recado para o Sr. Potter. 5 pontos pra grifinoria. — ela disse e eu sorri convencido.

O resto da aula passou normal, assim como as que vieram em seguida. Na sala de defesa contra as artes das trevas pouco antes do almoço, o professor disse que conjurariamos o feitiço Patrono e eu pensei que era meu dia de sorte. Meus amigos e eu trocamos olhares significativos, ficando juntos no fundo da sala. Aprendemos a conjurar nossos patronos sozinhos e no fim do quarto ano, decidimos nos tornar animagos pra ajudar Remo e tornar suas noites de tortura um tanto mais marotas. No começo do ano letivo nós, finalmente, conseguimos e agora acompanhamos nosso querido aluado em suas "aventuras" uma vez por mês.

— Hoje treinaremos o feitiço do patrono. Quero que todos repitam comigo; Expecto Patronum. — o professor pediu, nos incentivando.

— Expecto Patronum. — todos disseram em uníssono.

— Muito bem! Agora podem praticar. Pensem em algo feliz, algo que lhes dê uma energia positiva. — nos disse, se afastando um pouco.

Eu peguei minha varinha, olhando para meus amigos. Eles sempre foram o que me fazia conseguir conjurar um patrono... Eram a felicidade que eu tinha aqui, porque pensar na minha familia não ajudava muito. Eu os observei. Remo fechou seus olhos por um momento e sorriu, logo os abrindo e conjurando o feitiço em seu tom baixo. De sua varinha, saiu um fio prateado que logo se transformou em um animal.. Um lobo.

Aluado era muito calmo, as vezes eu achava que nada o atingia além da sua condição na lua cheia. Já Pedro... Teve que repetir algumas vezes antes que seu animal se formasse, um rato. Na vez de James, ele olhou para sua ruivinha que havia conjurado uma corça. Na sua vez, ele conjurou seu famoso cervo, que "cavalgou" em direção ao patrono de Lilian. Ela riu, mas seu sorriso diminuiu ao notar que James a observava.

— Certo, certo, caros amigos... Minha vez. — eu disse, pigarreando.

Posicionei minha varinha e conjurei, observando o fio prateado se transformar em um grande cachorro, como muitos me chamavam. Eu adorava meu patrono.. Ele me representava e eu adorava cachorros! James riu e bateu no meu ombro, pensando o mesmo que eu. Eu sabia.

— O da Jane é um coelho.. Acho que combina com ela. — Aluado comentou e eu me virei.

A garota morena ria enquanto um coelho prateado a rodeava. Ela conseguiu rápido... E parecia muito feliz com isso. Seu sorriso era lindo e seus olhos brilhantes enquanto ela deixava que eles acompanhassem seu patrono. Involuntariamente, eu sorri.

— Sim.. — concordei com Remo, desviando os olhos momentos depois.

A aula continuou. Alguns conseguiam de primeira, outros levavam algum tempo, mas alguns outros não conseguiam de jeito nenhum. Talvez ainda não estivessem preparados para uma conjuração tão forte.. Não foi a coisa mais fácil pra nós também no inicio. Ao fim da aula, nós fomos para o salão principal comer.. Comer era bom e eu estava faminto.

— Eu queria um plano.. — James comentou quando nos sentamos na mesa da grifinoria.

— Plano de quê? — perguntei, começando a por purê no meu prato.

— De destruição. — ele simulou um olhar sombrio.

— Contra quem? — sorri, sabendo que ele estava brincando.

— Contra você.

— Por que me odeia tanto?

Ele riu, roubando o pedaço de empadão que eu estava prestes a levar a boca. O olhei indignado mas não tive tempo de reclamar.

— Quem me dera odiar você, almofadinhas. — James disse, tomando um gole do seu suco de abóbora.

— Por que? Você queria me odiar? — perguntei, o olhando sem entender.

— Na verdade, eu tenho curiosidade pra saber como é ser seu "rival".. Acho que o Ephram já sabe demais. — ele segurou o riso, olhando para um pouco mais a frente.

Eu olhei também e me arrependi. Jane falava com Ephram e sorria de forma radiante. Eu revirei os olhos, ainda podendo ver o loiro beijar a bochecha da minha garota antes de ir para a mesa da sua casa. Olhei para James com cara de tédio, respirando fundo para não meu exaltar.

— Acho que perdi a fome. — disse, largando meu talher encima da mesa, me pondo a levantar em seguida.

— Onde vai? — pontas perguntou mas eu não respondi, saindo do salão.

Eu suspirei, passando as mãos pelos cabelos enquanto caminhava para fora do castelo. Eu caminhei em passos lentos até a ponte suspensa, onde apoiei minhas mãos nas divisas de madeira. A frente eu podia enxergar alguns pontos altos, outros mais baixos, mas mesmo sendo simples.. Continuava sendo admirável. Eu não costumava vir muito aqui, as coisas que eu sempre fazia podiam ser feitas dentro do castelo, em corredores ou em salas de aula vazias.

E não falo apenas das garotas, mas sim de marotices ao todo. Eu não sei por quanto tempo fiquei ali, observando o nada e, as vezes, alguns pássaros que passavam. Ver pássaros me fez lembrar da minha coruja.. Não a via a um tempo. Ela costumava ficar no corujal e, como eu quase nunca mandava cartas, não a via muito. Talvez eu precisasse ir lhe ver mais.. Ela era meio carente e uma ótima coruja.

— Não sabia que gostava de admirar a paisagem.. — aquela voz me fez fechar os olhos e suspirar.

— O que quer, Ephram? — perguntei, não me dando o trabalho de olhar para meu "primo".

— Estava passando e resolvi falar com você. — ele disse, parando ao meu lado.

— É mesmo? — eu ri, mesmo que não tivesse humor algum. — Falar o que?

— Eu não sou seu inimigo, Sirius.. Você sabe disso. Nós crescemos juntos, eramos uma equipe naqueles treinamentos malucos do seu pai e sempre fomos os únicos a nos opor em certas coisas das nossas familias, além de Andrômeda. — Ephram lembrou e eu sorri sem querer.

Eramos uma bela equipe.. Sempre conseguiamos dar um jeitinho de ganhar de Narcisa e Lucio, só não conseguiamos ganhar de Bellatrix e Régulo, que eram bem mais fortes que nós. Meu irmão não media esforços e Bella era fria, o que a fazia ganhar já que usava coisas que eu não ousaria usar.

— Fugir do meu pai era a minha diversão favorita. — eu comentei, ouvindo ele rir.

— Sei bem..

Nós ficamos em silêncio por um tempo, apenas ouvindo o som dos pássaros que continuavam a passar. Ephram não era como os outros.. Ele era como eu, a ovelha negra da família. Os Black e os Malfoy se juntavam nas férias de verão e meu pai torturava os mais novos com seus joguinhos psicopatas. Narcisa sempre ficava com Lucio e eu sabia o que eles faziam na parte de trás da casa. Bellatrix e Régulo juntavam suas forças e quase acabavam comigo e Ephram, já que a princesinha Roxanne ficava de fora.

Ephram, Roxanne e eu estavamos no quinto ano, óbvio. Narcisa, Lucio e Régulo estavam no sexto e logo logo estariam no sétimo. Já Bella era para estar fazendo o sétimo esse ano, mas recebeu um chamado do tal "Lorde das trevas", ou Voldemort. Faria o sétimo ano quando voltasse. Minha família era completamente devota a ele, menos eu e Ephram e exatamente por isso eramos as ovelhas negras. Pelo menos ele tinha ido pra sonserina..

— Lute por ela. — eu o olhei, percebendo seus olhos claros em mim.

Eu sabia que ele estava falando de Jane e não o entendi exatamente.

— Achei que estivessem juntos.. — ergui uma das sombrancelhas e ele sorriu.

— Jane é uma garota incrível, Sirius.. Eu gosto dela, muito. Mas não desse jeito. — ele disse, se virando para o outro lado da ponte.

— Mas.. Por que está com ela, então? — perguntei, me sentindo cada vez mais confuso.

— Como eu disse, ela é uma garota incrível.. Doce e pura.

— Está com ela por isso?

— Em partes, sim.. Gosto de te-la por perto. — confessou, se virando pra mim novamente.

— Ephram.. Eu não estou entendendo onde você quer chegar. — lhe disse, cruzando os braços.

— Gosta dela, Sirius? — perguntou, ficando sério de repente.

Eu me calei. Eu gostava, fui sincero ao dizer o que disse a ela..

— Se realmente gosta dela.. Lute por ela e seja o Sirius que eu conheço fora daqui. — ele me disse, pondo sua mão sobre meu ombro.

— Não sei do que está falando...

— Você sabe. — ele apertou meu ombro, olhando diretamente nos meus olhos. — Ou você fica com a garota que gosta, ou fica com todas sem ela.

Eu não disse nada, sabendo que aquilo era verdade. Ephram deu dois tapinhas em meu ombro e se virou, saindo dali. Cara, eu era um idiota... Mas não conseguia deixar de ser. Agora pairava a pergunta um tanto difícil.. Lutar por ela podendo machuca-la e machucar a mim mesmo... Ou deixa-la em paz para que viva um amor de verdade? Eu realmente não sabia.

*****

O resto do dia foi meio confuso.. Eu não consegui prestar atenção em mais nenhuma aula, pensando na conversa com Ephram. Pensando no real motivo de ele estar com ela, no que deveria fazer, no que ela sentia e tentando resistir aos meus instintos com as corvinas. Julie parecia bem irritada sempre que nos encontrávamos nos corredores, mas eu não podia fazer nada... Não tinha nada sério com ela e nem pretendia ter. Era uma garota legal, mas possessiva. Até parecia Roxanne que, graças a Merlin, havia saido do meu pé.

Pelo menos por um tempo.

Encontrar com meu querido irmão no meio daquela tarde nas masmorras depois de uma aula de poções não era o que eu planejava. Eu não odiava meu irmão... Apesar de tudo, ele era meu irmão. Mas.. Régulo, as vezes, era tão chato quanto a minha mãe. E eu soube que algo não muito bom viria quando ele me parou.

— Irmãozinho! — ele sorriu abertamente, abrindo os braços em saudação.

— Irmãozão! — eu imitei seu gesto, sorrindo falsamente pra ele.

Se tinhamos algo em comum além do sobrenome e os mesmos pais, era o sarcasmo.

— Então, você desistiu de correr atrás da Potterzinha? Temos uma evolução? — ele perguntou, deixando suas mãos escorregarem para dentro dos bolsos de sua calça.

— Então, você já deixou de ser influenciado pelos nossos pais? Temos uma evolução? Não, espera.. Não podemos esperar uma evolução de você. — o imitei novamente, lhe dando um sorriso bem sincero dessa vez.

Régulo riu, como se achasse aquilo algo muito fofo. Eu odiava quando ele me tratava como o seu irmãozinho mais novo, só não apertava minhas bochechas pois mamãe diria que aquilo não era digno de um futuro servo de Lord Voldemort. E eu não estava brincando, ele era muito influenciado.

— Sabe, senti sua falta no natal. — ele comentou, me puxando para caminhar com ele.

— Não, você sentiu falta de encher o meu saco. Como foi? Você teve que encher o saco de Narcisa? Ela te xingou muito? — fiquei curioso, seria interessante ter visto Narcisa em um de seus surtos.

— Só um pouco.. Até que foi bom encher o saco dela e ve-la vermelha de raiva. — ele contou e eu acabei rindo.

Era até "bom" conversar com Régulo quando ele não era um chato devoto a Voldemort.. Mesmo depois do que ele tentou fazer com Jane. Nós subimos as escadas até o térreo, onde entramos no salão principal para o jantar. Sem muitas palavras, ele foi a mesa da sonserina e eu para a da grifinoria, me sentando entre James e Remo. Eu comecei a por o que queria em meu prato e a comer, não me importando com nada em volta. Apenas reclamei quando Remo me deu uma cotovelada dolorida.

— Por que me odeia, Remuxo? — perguntei, tomando cuidado para não derrumar meu suco.

— O que conversou com Ephram? — ele perguntou, roubando minha atenção do pedaço de carne que eu cortava.

— Ah, não, Aluado.. Não vamos falar de assuntos como esse pois eu não quero perder a fome novamente. — eu lhe disse, voltando a comer.

— Foi tão ruim? — Pontas se interessou, me olhando com curiosidade.

— Não ruim.. Foi estranho. — dei de ombros, querendo deixar aquele assunto pra lá.

Meus amigos entenderam e pararam de fazer perguntas. Quando o jantar acabou, nós subimos para a sala comunal enquanto James nos contava sobre seu fracasso em tentar conquistar a sua ruivinha. Eu ri, ele apanhando sempre me fazia rir. Mesmo que não tivesse visto, mas ele estava me contando. Na sala comunal, nós encontramos três garotas a conversarem sobre algo que não pude ouvir, já que elas pararam assim que nos viram.

Jane, Lilian e Marlene nos olharam sem dar indícios do que falavam e a ruiva logo se levantou.

— Precisamos fazer a ronda, Remo. — ela disse, agarrando o braço de Aluado.

— Sim, eu já ia lhe procurar. — ele sorriu, entregando algo para Jane. — Vai te ajudar na aula de astronomia.

— Obrigada, Remo. — ela pegou o livro e sorriu para meu amigo.

Depois disso, ele e Lily sairam pelo retrato da mulher gorda. Então ela tinha problemas em astronomia.. É, Sirius Black, você não sabe de tudo. Eu decidi deixa-la em paz.. Pelo menos por hoje.

— Eu vou dormir.. — comentei, apertando o ombro de pontas.

— Eu vou daqui a pouco. — ele disse e eu assenti, indo em direção as escadas depois de dar boa noite.

No dormitório, eu me joguei na minha cama e arranquei a gravata de meu pescoço, ignorando os ruídos do vento na janela. Pedro devia estar na cozinha, enchendo o saco dos elfos para que lhe dessem doce. Solitário no dormitório silencioso, eu peguei apenas uma calça de moletom e fui para o banheiro, tomando um banho longo. Talvez eu devesse parar de pensar na Jane.. Ela é irmã do seu melhor amigo, Sirius.

"Sim, a garota que consegue te enlouquecer com apenas um olhar." — minha mente não me ajudava.

Talvez Jane Potter fosse a garota que eu sempre tive medo de encontrar, desde que descobri que podia ficar com a garota que eu quisesse sem me apegar. Se apaixonar era se apegar e eu já estava muito na dela. Eu havia dito que a amava! Droga.. Frustrado, eu sai do banheiro e sacudi a cabeça, na intensão de secar os cabelos mais rápido. James dizia que eu era idêntico a um cão quando fazia isso.. Talvez.

Sem muito esforço, eu me joguei na minha cama novamente. O teto pareceu super interessante já que eu me peguei olhando pra ele cinco minutos seguidos. Meu pai me dizia que afeto era inútil.. Eu realmente acreditei nele durante algum tempo, mas agora eu me sentia diferente em relação a isso. Era confuso, mas ainda era melhor que não sentir nada. Sentir meu coração bater mais forte ao ver alguém era uma sensação tão boa quanto ruim..

Cansado daquilo, eu me deitei de bruços e abracei meu travesseiro, permitindo que meus olhos se fechassem. Enquanto o sono me alcançava, eu consegui apenas pensar em nossas brigas, beijos e tapas. Podia ser chamada de uma relação difícil.. Mas eu esperava sonhar com aquela pequena garota, nem que fosse com ela me batendo.