A Marota

15 Capítulo 14


A dor era insuportável mas eu não ligava pra isso no momento. Ele levantou as garras novamente e eu fechei os olhos esperando o pior...

Abri os olhos e mais uma vez me assustei. Acho que vou a um psicologo depois dessa noite... Dessa vez, não só o cachorro, mas também um cervo que saiu não sei de onde estava brigando com o lobisomem.

Era uma coisa bem estranha de se ver. Mordidas, chifradas e arranhadas se passaram até que eles simplesmente foram para o salgueiro e... Entraram nele? Como assim? Meu Merlin! Eu realmente espero que isso seja um sonho mesmo eu sabendo que não é...

Eu fiquei ali, sentada no chão, com aquela dor insuportável na perna e olhando pro salgueiro. Depois de alguns minutos, três garotos saíram de lá. Se minha visão não me engana, eram Sirius, James e Pedro. Eles se aproximaram e se abaixaram a minha frente. Sirius tinha um ferimento mais ou menos parecido com o meu em sua barriga, James tinha um ao lado do corpo e Pedro... Bem, Pedro estava normal só parecia cansado.

— O que foi aquilo?! Sirius... Você... Como? James... O que está fazendo aqui?! O que vocês estão fazendo aqui?! O que está acontecendo? Me diz algo! — peço com os olhos marejados e James suspira.

— Vamos te explicar tudo. Mas agora temos que sair daqui. Consegue andar? — pergunta o mesmo se levantando e me estendendo uma mão.

— Acho que sim... — respondi segurando a mesma e me levantando com sua ajuda.

[...]

Depois de alguns minutos caminhando, chegamos a entrada do castelo.

— Não façam barulho. — pede James como um sussurro e nós assentimos.

Depois disso, James nos fez subir todas aquelas escadas e eu tive vontade de bater nele pois minha perna doía e muito. Passamos pela enfermaria mas ele não nos deixou entrar dizendo que não podíamos. A vontade de bater nele estava maior ainda quando ele nos fez subir ate o sétimo andar. Durante a trajetória, Pedro disse que precisava fazer algo e simplesmente sumiu. Paramos em frente a uma parede em frente aquelas estatuas estranhas dançando balé e do nada apareceu uma porta, como no primeiro dia de aula.

— O que estamos fazendo aqui? Nós devíamos estar na enfermaria. — digo me sentando no sofá que tinha ali.

— Não podemos ir pra lá. Temos tudo o que vamos precisar aqui. — diz James fechando a porta e indo até uma estante pegando algumas coisas.

— Okay mas vocês vão me contar o que aconteceu lá fora? — pergunto lembrando do tanto de coisas estranhas que aconteceram essa noite.

— Vamos te contar tudo mas agora eu tenho que ir buscar o Remo. Está quase amanhecendo. Sirius, não deixa ela sair daqui, já volto. — diz James e sai da sala rapidamente.

— Como assim "buscar o Remo"? Onde ele Está? — pergunto confusa e Sirius revira os olhos.

— Só fica quieta. — pede e eu tive vontade de lhe dar um soco.

[...]

Depois de vários e vários minutos, James finalmente voltou com Remo e o mesmo estava cheio de ferimentos. Eu fiquei tipo "que merda ta acontecendo?". James sentou Remo ao meu lado e pegou algumas coisas começando a limpar seus ferimentos. O silencio me incomodava e eu queria saber logo o que estava acontecendo.

— Pelo amor de Merlin, alguém me explica o que está acontecendo ou o que aconteceu a uns vinte minutos atrás? — pergunto meio nervosa e James me olha suspirando.

— Quer contar, Remo? — pergunta para o garoto a sua frente e o mesmo negou.

— Melhor você contar, James. — diz Sirius e James assente se sentando ao meu lado.

— Jane... Sei que não vai adiantar eu pedir pra você esquecer o que aconteceu hoje a noite pois sei que nunca vai esquecer. Você viu o Sirius se transformar em um cachorro e sim, aquilo aconteceu. Aquele cervo que você viu, era eu. Nós somos animagos. — diz calmamente como se eu entendesse o que era isso.

— E o que são animagos? Esqueceu que fui criada por trouxas? — pergunto e ele ri.

— Animagos são bruxos que tem a capacidade de se transformar em um animal. O Sirius escolheu o cachorro pois seu patrono tem a mesma forma. Eu em um cervo pelo mesmo motivo assim como Pedro que se transforma em um rato. — explica James e eu fiquei meio surpresa com tudo e por eles saberem conjurar um patrono.

— Tá mas e o Remo? — pergunto meio confusa e ele suspira olhando pra Remo que assentiu.

— O Remo... O Remo é um lobisomem. — diz James rapidamente.

— Co... Como assim? — pergunto um pouco (ou super) surpresa.

— Era eu... Ou melhor, sou eu o lobisomem que te atacou lá fora, o que fez esse ferimento horrível na sua perna e o que vira um monstro toda lua cheia. — diz Remo de cabeça baixa e eu pude sentir culpa na sua voz.

Eu estava surpresa... Podia dizer que em choque. Talvez pudesse imaginar que Sirius se transformava em um cachorro mas que Remo era um lobisomem? Isso nunca passaria pela minha cabeça nem em um sonho muito louco.

— Remo... — tento dizer mas ele me interrompe.

— Não diz nada... Melhor eu ir pra enfermaria antes que a Madame Pomfrey suspeite de algo e avise ao professor Dumbledore. — diz o mesmo se levantando e saindo dali com a ajuda de James.

Lagrimas brotaram em meus olhos e eu levei as mãos ao rosto tentando segurar o choro. Eu não o culpo por ter me machucado, pelo contrario. Tenho certeza que não foi culpa dele ter que se transformar em um lobisomem toda lua cheia.

— Ei! Calma, aconteceu a mesma coisa comigo, James e Pedro quando descobrimos... Vai ficar tudo bem. — diz Sirius e eu assinto sentindo ele me envolver em seus braços.

Tenho certeza que se fosse em outro momento eu bateria nele e o mesmo iria rir como um idiota. Mas agora parecia que o abraço dele era a única coisa que me acalmaria depois de tudo que aconteceu.

— Deixa eu cuidar do seu ferimento... Parece fundo. — diz o mesmo e eu ri curtamente.

— Acho que quem precisa de cuidados é você... — respondo olhando o ferimento em sua barriga.

— Não, eu estou bem... Ai! Não toca. — diz fazendo uma careta quando eu toquei levemente seu ferimento.

— Vai, deita ai e deixa eu limpar. — digo o empurrando fazendo o mesmo deitar no sofá.

— Mas e sua perna? — pergunta parecendo preocupado.

— Eu estou bem, já não doi tanto... Agora fica quieto e deixa eu limpar o seu ferimento. — digo e ele assente ainda meio relutante.

Bem, não consegui me concentrar muito no ferimento pois Sirius, sem camisa, na minha frente... Enfim! Ele reclamava um pouco mas me deixou limpar de uma vez. Assim que terminei, me sentei e comecei a limpar meu ferimento.

— O seu parece mais fundo... Está sangrando muito, Jane. — diz Sirius me olhando.

— Eu estou bem. Só preciso que amarre isso bem forte em cima do ferimento, está bem? — pergunto lhe entregando um pano limpo.

— Okay... — diz e eu fechei os olhos soltando um gemido de dor ao sentir ele fazer o que havia pedido.

Doeu muito. Abri os olhos e olhei pra Sirius que sorriu levemente. Ele segurou minha mão e acariciou a mesma levemente.

— Lá fora... Quando o Remo te atacou... Eu entrei em desespero. Talvez ou com certeza com medo de te perder naquele momento. Sei que o Remo mesmo não iria querer te machucar mas lá não era exatamente ele. Poderia acontecer qualquer coisa e eu não sei o que faria se acontecesse algo com você. — diz e para como se esperasse que eu dissesse algo mas na verdade eu não sabia o que dizer.

— Por incrível que pareça, aconteceu o mesmo comigo quando ele avançou em você assim que comecei a correr. Você é um idiota, e me deu um enorme susto! — digo lhe dando um tapa e ele ri.

— Ai! Que delicada. — diz e eu reviro os olhos. — Você é linda até "brava" comigo...

Não sei por que mas com isso eu corei. Sirius era um idiota que sempre conseguia me deixar envergonhada e irritada ao mesmo tempo. Ele segurou meu rosto e por impulso acabei o beijando. Na verdade, não foi por nenhum impulso, foi por vontade mesmo.

Era um beijo calmo e delicado... Eu não devia estar fazendo isso mas realmente é mais forte que eu. Era como se eu necessitasse de um beijo dele o que era bem estranho pra mim mas okay. Eu queria que aquele momento durasse pra sempre mas tudo que é bom dura pouco.

Ouvimos a porta ser aberta atrás de nós e nos separamos nos virando. James entrou e nos olhou com as sombrancelhas erguidas como se perguntasse "o que está acontecendo?" Fiz cara de que nada aconteceu e olhei para o pano em minha perna que já estava, praticamente, todo sujo de sangue.

— Não para de sangrar... — digo chamando a atenção dos dois garotos.

— Toma, coloca isso. — diz James vindo até mim e me entregando um frasco com um liquido estranho.

— E... O que é isso? — pergunto erguendo as sombrancelhas.

— Não sei... Madame Pomfrey me deu e disse que era pra parar o sangramento. — explica e eu assenti.

Desamarrei o pano em minha perna e abri o frasco pondo um pouco do líquido no ferimento. Ardeu. Ardeu muito. Meus olhos encheram de água e eu os fechei fortemente respirando fundo.

— Tudo bem... E o Remo? — pergunto abrindo os olhos e olhando para James.

— Agora já deve estar dormindo... Se sente culpado por ter te machucado. Na verdade ele sempre se sente culpado quando nos machuca mas parece que hoje está sendo bem pior. — diz James e se senta a minha frente.

— Mas não foi culpa dele... Não vai adiantar dizer isso pra ele agora, não é? — pergunto meio frustrada e ele nega.

— Não... Nessa situação, Remo é teimoso e ninguém vai conseguir convencer ele. — diz Sirius e eu suspiro.

— Bem, melhor irmos pra sala comunal... — digo e eles concordam.

[...]

Depois de caminharmos um pouco, chegamos a sala comunal e eu me despedi deles subindo para o dormitório feminino. Minha perna já não doía tanto então subi as escadas o mais rápido possível só querendo tomar um banho e dormir.

Entrei no dormitório e fechei a porta atrás de mim fechando os olhos e respirando fundo. Quando os abri novamente, Lily estava parada a minha frente o que me assustou.

— Ai, ruiva! Você me assustou... E o que faz acordada a essa hora? — sussurro pondo uma mão sobre o peito.

— Não consegui dormir direito... Onde estava até agora? Isso é sangue? Está machucada? O que aconteceu? — pergunta a mesma rapidamente sussurrando de volta e eu ri.

— Calma, Lily! Não aconteceu nada, eu só... Caí na floresta e me machuquei. — minto dando de ombros.

— Não parece que foi isso... O que aconteceu realmente, Jane? — pergunta e eu suspiro.

— É sério, ruiva... Não foi nada demais. — tento convencer ela.

— Vou fingir que acredito... Conseguiu achar o James e os outros meninos? — pergunta me puxando pra sentar em sua cama.

— Sim... Coisas de marotos sabe? Eles decidiram se "divertir" um pouco e foram para a floresta. Não pergunta, eles são loucos. — respondo baixo vendo que Jessy havia se mexido na cama ao lado.

— E você, mais louca ainda foi atrás deles... Tá, o que mais aconteceu? — pergunta curiosa e eu ri.

— Bem... Nós meio que... Nós nos beijamos. — digo olhando para o nada lembrando daquele momento.

— Nós quem? Você e o Sirius?! — pergunta um pouco alto demais e eu tapo sua boca com a mão.

— Shii! Sim, eu e o Sirius... — digo sussurrando novamente.

— Ele te beijou ou...

— Não, eu quis... Quer dizer, eu sempre quero mas dessa vez não foi ele, fui eu que o beijei. — explico e ela sorri.

— Finalmente aceitou seus sentimentos por ele? — pergunta sarcástica e eu lhe dei um tapa.

— Não sei... Eu não devia ter esse tipo de sentimentos por ele. — respondo pensativa.

— E por que não? — pergunta cruzando os braços.

— Porque Sirius Black é um cafajeste que sai com quase todas as garotas de Hogwarts. Eu tenho medo de admitir que gosto dele e ele me machucar mais ainda, entende? E eu admito quando você admitir que gosta do meu irmão. — digo sorrindo divertida e ela joga seu travesseiro em mim me fazendo rir.

— Eu não gosto do Potter! Tira isso da sua cabeça, okay? Agora, já pro banheiro. — diz a mesma tentando mudar de assunto e apontando para a porta do banheiro.

— Okay, "mamãe". — digo irônica e levanto rindo antes que seu travesseiro me atingisse.

Peguei roupas limpas no malão e segui para o banheiro. Me despi e entrei no chuveiro sentindo o ferimento na perna arder. Tentei ignorar e continuei a me lavar.

Quando terminei, vesti minhas roupas e saí para o quarto vendo que as outras meninas já haviam acordado. Sorri pra elas e me sentei na minha cama pegando algumas coisas no malão.

— Quer ajuda? — pergunta Lilian se referindo ao ferimento em minha perna.

— O que foi isso, Jane? — pergunta Jessy parecendo preocupada.

— Eu... Tive alguns problemas durante a noite, nada demais. — digo fechando os olhos ao sentir Lily por o curativo no ferimento.

— Ah, okay... Vai as aulas? — pergunta parando na porta do banheiro.

— Eu...

— Na verdade, não... Ela precisa descansar pois a noite foi longa. — me interrompe Lily e eu a olhei.

— O que? Como assim? Eu não posso faltar as aulas! — digo meio indignada.

— Mas vai.. Você precisa dormir. Eu dou alguma desculpa ao professores, agora deita. — diz a mesma, mandona como sempre, e eu revirei os olhos me deitando.

Marlene e Jessy estavam rindo, o que me fez revirar os olhos de novo. Me virei para a parede como sempre e ouvi Lily rir baixinho levantando. Depois de alguns minutos acabei adormecendo antes mesmo delas saírem para as aulas.