A Marota

73 Capítulo 71


Quase uma semana se passou e agora estávamos em dezembro. Nesses últimos dias, James não me deixava ficar sozinha nem por um momento sem as garotas. Ele estava com medo que eu transasse no corredor com o Turner? Tinha muita vontade de bater nele, aquela discussão já estava acabada.

Agora era aula de feitiços e eu fui o centro das atenções quando entrei na sala junto de Marlene e Amy. Estava sendo assim a semana toda.. Eu ouvia comentários no corredor, cochichos e as pessoas me olhavam como se eu tivesse transado com metade do colégio. Qual era o problema também? A vida sexual era minha, eu não tinha cometido nenhum crime.

Okay, eu transei com o amigo do meu irmão.. Mas ainda não era um crime.

Eu suspirei e fui me sentar com Brendan. Nós não conversavamos muito, apenas o necessário caso o professor passasse algo em dupla. Mas pelo manos ele não me olhava estranho.. Na verdade, ele quase não me olhava.

A aula passou devagar, o professor apenas nos passou algumas coisas para fazermos depois. Falou sobre alguns feitiços, alguns inclusive que ele disse que poderiam cair nos N.I.E.M.s e que deveriamos estudar. Quase no final da aula, eu escrevia sobre o que o professor falava quando um pedaço de pergaminho dobrado passou por cima do meu ombro e caiu bem no meu colo. Eu a peguei e olhei confusa, desdobrando devagar.

Me encontre no corredor do quinto andar depois do jantar. Preciso falar com você, é importante.

Sirius

Eu mordi o lábio, dando uma olhadinha pra trás e vendo o maroto sentado na mesa de trás junto de James. Ele não sorriu nem demonstrou nada, apenas me olhou de volta. Eu assenti levemente e me virei pra frente, eu sentia que iria me arrepender mas arriscaria mesmo assim.

No fim da aula, eu me encontrei com as meninas do lado de fora e nós seguimos para o jardim. Tinhamos um pequeno tempo livre antes do jantar, por isso ficamos apenas ali. O tempo esfriava cada vez mais e eu sabia que logo a neblina viria seguida de muita neve. O inverno era minha estação favorita, eu gostava de usar roupas mais quentes como moletons e ter uma desculpa pra não sair do dormitório se não para as aulas.

Um grupinho de garotas passou por nós e chamou minha atenção. Elas cochichavam algo e riam, se sentando no banco que ficava de frente pra nós. Eu as observei, bufando e me preparando pra levantar.

— Ei, não liga pra elas. — Marlene me segurou, me puxando pra perto dela.

Eu me sentei emburrada, cruzando os braços enquanto sentia a garota me abraçar.

— Está ficando com a Potter também, McKinnon? — um garoto da lufa lufa perguntou ao passar por nós.

— Infelizmente, não. Por que? Você quer? Uma pena que ela não curta idiotas. — a minha amiga respondeu e as outras riram. — Imbecil.

— Por que estão todos comentando sobre isso? Nem é nada demais. — eu disse, me deixando encostar na McKinnon que apoiou seu queixo em meu ombro.

— São todos uns idiotas.. E o quase escândalo que o seu irmão fez na sala comunal não ajudou muito. — Amy disse, esticando suas pernas e se apoiando nas mãos.

— É.. Estão comentando que você foi pega no ato pelo seu irmão com o amigo dele. — Lily disse e eu choraminguei.

— Esse penteado foi péssimo também, hein.. Olha essas marcas. — Marlene empurrou um pouco a minha cabeça para o lado, avaliando meu pescoço.

Eu tirei sua mão e soltei meu cabelo, o colocando sobre os ombros na tentativa de esconder um pouco as marcas de chupão e mordidas. Não estavam tão roxas quanto a dois dias atrás, mas continuavam bem aparentes se prestassem atenção.

— Vou pular no lago. — eu falei, ameaçando me levantar mas Marlene me segurou de novo.

— Não vai se matar por causa disso. Juro que se ouvir mais um cochicho sobre isso, eu dou um murro na pessoa. — ela me disse e eu ri, a empurrando levemente.

Nós não demoramos mais tanto ali, voltando para o castelo na hora do jantar. Nos sentamos na mesa da grifinória e Marlene lançava olhares ameaçadores para alguns alunos que me olhavam estranho. Comemos mais tranqüilas, ignorando os outros em volta e voltando a entrar em um papo agradável. Bem.. Um pouco desconfortável, eu estava, já que sentia o olhar do Black em mim o tempo inteiro.

Depois do jantar, eu me demorei um pouco mais para subir as escadas, entregando minha bolsa para as meninas e dizendo para que elas fossem na frente pois tinha um compromisso. Eu parei no quinto andar, andando cautelosa em direção ao corredor onde encontraria o Black. Ao virar em uma esquina, eu o vi parado ali. As mãos no bolso da calça e a postura relaxada lhe dava um ar bem Sirius Black mesmo.

— O que você quer, Black? — eu perguntei, suspirando para o garoto pouco mais a frente.

— Os boatos estão correndo, eu queria confirmar. — ele disse, se desencostando da parede e parando a minha frente.

— Que boatos? — eu perguntei, sabia do que ele falava mas fiz a sonsa assim mesmo.

— Viram James tirando o Turner do dormitório feminino no domingo.. — ele começou e eu ri soprado, o incentivando a continuar com a cabeça. — Dormiu com ele?

— Que tipo de pergunta é essa? — eu ri de verdade dessa vez, me preparando pra sair dali. — Não é da sua conta.

Eu teria me afastado se ele não tivesse segurado o meu braço.. Com um pouco de força exagerada.

— Você deu pra ele? — ele insistiu e eu o olhei incrédula com aquela expressão. — Você deu. Você transou com ele.

— Sirius, isso.. — eu tentei mas fui interrompida.

— Eu pensei que fosse diferente. — o maroto me olhou com amargura. — Mas é igualzinha a todas. Se entrega pro primeiro que aparece.

Eu soltei o meu braço com violência e meti um tapa bem forte em seu rosto. Meus olhos ardiam e as lágrimas logo caíram.

— Você.. Você não tem o direito de falar assim comigo! — eu exclamei, eu queria muito chorar naquele momento.

— Você quer todo o meu respeito, Potter? Eu sinto muito, mas você o perdeu ao se enfiar na cama com ele. — o Black continuou e eu levantei a mão pra lhe dar outro tapa mas ele segurou meu pulso. — Pode me bater o quanto quiser, mas não vai adiantar nada.

Eu puxei o meu pulso mas ele o segurava forte.

— Do que está falando..? Se todo o seu joguinho comigo também foi pra me levar pra sua cama? — eu perguntei, a voz mais trêmula que antes.

— Está enganada. — ele disse e eu ri, mesmo que as lágrimas jorrassem de meus olhos.

— Estou mesmo? Já quase transamos em quase todos os lugares desse castelo. Quer mesmo me convencer do contrário? — questionei, tentando me soltar de novo mas eu estava sem força alguma.

Eu estava com raiva dele.. Mas não sabia se era isso que estava fazendo a minha cabeça girar. A sua imagem ficou desfocada e eu continuei a tentar me soltar, sentindo que meus joelhos cederiam. E eles cederam. Eu senti que cairia ali, na sua frente, mas seu braço livre agarrou a minha cintura e ele me puxou pra cima.

— Jane! Jane, o que foi? Fala comigo. — ele pedia, sua mão agora segurava meu queixo mas eu não enxergava ele direito.

— Eu.. Eu não me sinto bem.. — lhe disse, eu estava perdendo a consciência.

Eu senti quando ele me virou e passou seu braço pelas dobras dos meus joelhos, me pegando em seu colo. Eu nem ao menos senti que ele andava, apenas me apoiei em seu peito e esperei. Vozes confusas diziam algo que eu tentava identificar mas estava difícil, ainda mais quando fui colocada sobre algo e meu último instinto foi segurar uma mão antes de não conseguir ouvir ou sentir mais nada.

*****

As vozes que eu ouvia eram confusas e o cheiro forte em meu nariz me fez fazer um careta. Eu levei as mãos a aquilo e o afastei dali, abrindo meus olhos e tentando focar a minha visão. Tinham dois vultos a minha frente e eu pisquei de forma demorada, passando as mãos ao rosto e abrindo os olhos novamente, vendo mais claramente Madame Pomfrey e Sirius.

Devagar, eu me sentei na cama e olhei em volta, vendo a ala hospitalar vazia e meio escura. Minha cabeça ainda estava meio estranha e eu suspirei.

— Você está bem, Potter? — madame Pomfrey perguntou e eu assenti.

— Sim.. Eu acho. — respondi, sorrindo levemente pra ela. — O que aconteceu?

— Tem se alimentado direito? — a enfermeira perguntou, me oferecendo um pouco de água.

Eu tomei um gole antes de lhe responder, meio pensativa.

— Ultimamente, sim. Quer dizer, mais ou menos. — dei de ombros, bebendo mais ou pouco de água.

— Se não tem comido direito, pode ser que isso tenha causado a tontura. Ou também pode ser por algum estresse que está passando. — ela nos disse, se afastando lentamente. — Vai passar a noite aqui.

Eu respirei fundo, deixando o copo vazio de lado e bagunçando meu cabelo. Minha atenção foi para Sirius que estava parado ali ao lado, os braços cruzados e a expressão ainda séria.

— Você já pode ir. Obrigada por me trazer. — eu disse, virando meu rosto para o outro lado.

— Jane.. Eu não queria dizer aquelas coisas.

— Mas disse.

— Sinto muito.

— Okay.

— Pode olhar pra mim? — ele perguntou e eu o olhei, a expressão tão dura quanto a dele a prováveis minutos atrás.

— O que mais você quer? — questionei, eu só queria que ele fosse embora.

— Eu.. Eu pensei que ainda tinhamos alguma esperança. — ele confessou e eu engoli seco.

— Andou se iludindo de novo, Black? — eu pigarreei antes de falar, lhe dando um pequeno sorriso amargo.

— Jane..

— Eu não vou perdoar você a vida inteira, Sirius.. Ou você larga toda essa sua vidinha de "amar" várias garotas ao mesmo tempo por mim, ou fica com tudo isso sem mim. Porque eu não vou mais ser o seu brinquedinho permanente. — eu coloquei tudo pra fora, tentando manter seus olhos mas desviei ao sentir que os meus ardiam. — Se é só isso, você já pode ir embora.

— Jane, você não o ama. — ele insistiu e eu fechei os olhos, meus lábios tremendo levemente pela vontade de dizer "eu amo você".

— Por favor, Sirius.. Vai embora. — eu pedi, meu coração batendo rápido demais em meu peito.

O maroto não disse mais nada, demorando alguns segundos até caminhar em direção a porta. Nossos olhos se cruzaram por breves momentos antes de ele sair e fechar a porta. Eu soltei a respiração, pegando a jarra de água ao lado da cama e enchendo o copo, bebendo tudo de uma vez. Minhas mãos taparam meu rosto e eu respirei fundo novamente, soltando o ar pela boca. Meu coração se acalmando lentamente a medida que os segundos se passavam.

Por que eu o amava tanto? Por que eu o amava? Ele só tinha me machucado até ali.. Mas também tinha me feito sentir tão bem.. Droga de coração! Pra que existe a paixão? Pra destruir corações, era a única resposta. E dormir pensando naquilo foi uma péssima ideia, já que eu acabei tendo pesadelos com Sirius Black.. Nada muito fora da realidade.

*****

Sábado.. Hogsmeade.. Pelo menos dessa vez eu escolhi minha roupa. Nada especial, apenas calça jeans e um moletom. Eu iria com Ephram, ele me chamou na aula de poções de ontem. Aparentemente, Kieran não iria e meu amigo não queria ir sozinho, então iriamos os dois juntos. Talvez eu pudesse encontrar o Turner lá, longe dos olhos do meu irmão.

Tomei café com as meninas e saímos as 5 do salão principal, caminhando lentamente para fora do castelo. Marlene parecia meio emburrada e não quis dizer por que. Nós paramos a entrada do povoado, Amy esperando seu companheiro atrasado, eu esperando o meu amigo também atrasado, Lily estava indo com o Diggory e eu sabia que daria algo bem complicado quando James soubesse. Já Jessy iria com Remo, ele tinha a chamado no meio da semana.. Estava tímido.

Marlene.. Marlene não tinha um par, ela ficaria comigo e Ephram. Mas eu bateria nela se a mesma continuasse com aquela cara.

Quando o par de Lily chegou, ela se despediu e se afastou com ele. Diggory era realmente bonito, mas pra mim ele soava meio convencido.. Não muito diferente do meu irmão. Irmão esse que logo chegou com os amigos dele.

— Eae! — eu disse, erguendo meus braços e acabando por levar o de Marlene junto.

— Não tem medo de levar um soco? — o Pettigrew perguntou, se referindo a cara de Marlene.

— Não, daqui a pouco ela fica bem. Não é, docinho? — eu perguntei, acariciando o rosto da garota e tirando o cabelo negro dali.

— É. — ela apenas disse.

— Acho que sei por que ela está com essa cara de quem comeu e passou mal. — Sirius provocou e a garota tentou alcança-lo mas eu a segurei.

— Então, Amy, sua companhia chegou. Leva ele. — eu empurrei a garota loira em direção ao Black.

— E você, Potter? Vai com alguém? — o dito cujo perguntou e eu o olhei.

— Sabe que não é da sua conta? — eu sorri, agarrando a mão de Marlene.

— Ela vai comigo, idiota. É a minha namoradinha. — Marlene disse, me puxando pra ela e me apertando um pouco demais.

Eu pude ouvir James e Amy segurarem a risada.

— Vamos, querida. — a garota me puxou, passando por eles em direção ao povoado.

— Mas e Ephram? — eu perguntei, dando uma olhadinha pra trás.

— Ele nos encontra depois. — apenas disse, continuando a me puxar.

Bem, ele nos encontrou. Nós estávamos sentados perto da dedos de mel, comendo alguns doces. Marlene ainda parecia mau humorada, mas voltava a segurar a minha mão ou a ficar bem próxima quando viamos Sirius e Amy. Eu não estava entendendo ela, mas não ousei reclamar. Afinal, não estava nem um pouco incomodada.

— O que ela tem? — Ephram sussurrou pra mim, quando a McKinnon foi pedir cervejas pra nós no três vassouras.

— Não faço ideia.. Acordou assim. — eu dei de ombros e nós dois olhamos para a porta ao ela se abrir.

Sirius e Amy entraram por ela e eu vi o olhar da McKinnon fulminar o Black de uma forma nunca vista antes. Já tinha visto aquele olhar antes, sim, mas.. Não... Não podia ser..

— Ela.. Está com ciúmes? — Ephram sugeriu e eu neguei lentamente.

— É o que parece. Mas.. Marlene? Com ciúmes? De quem? — eu questionei, rindo e olhando pra ele preocupada.

— Está bem na sua cara. — ele disse, erguendo uma das sombrancelhas.

— Sirius? — eu perguntei e ele revirou os olhos.

O Malfoy segurou meu queixo e virou minha cabeça pros três ao balcão. Sua mão livre apontou discreto Marlene e depois a garota loira. Eu soltei uma exclamação e levei a mão aos lábios, sentia meus olhos levemente arregalados.

— A Marlene gosta da Amy? — eu perguntei meio alto e ele tapou minha boca por cima da minha própria mão, me fazendo sentar na cadeira.

— Nunca reparou o jeitinho que elas se olham? Você é lerda mesmo ou se faz? — ele me disse e eu bati em seu braço. — Marlene está com ciúmes porque a Robinwood aceitou vir a Hogsmeade com Sirius. Mesmo eu achando meio difícil rolar algo entre eles dois.

— Por que? — eu perguntei, o olhando confusa.

— Não sei, eles são amigos desde que passaram a fazer parte do time e.. — Ephram parou, olhando na direção deles e eu o incentivei a continuar. — Olha, pergunte pra ela. Seria melhor se ela te contasse, já que são amigas agora.

— E você vai me deixar curiosa? — eu perguntei indignada e ele sorriu.

— É o meu trabalho. — passou a mão pelos cabelos de forma convencida e apontou a mesa a frente.

Eu olhei e ri, vendo meu irmão sentado ali com uma garrafa de whisky de fogo. Eu sinceramente pensei que só estudantes com 17 anos pudessem comprar aquela bebida, mas parece que James e Sirius tinham uma certa carta vip com a madame Rosmerta.

A porta do estabelecimento se abriu novamente e eu olhei, vendo uma ruiva adentrar o local com um garoto de cabelos castanhos quase loiros.. Amos Diggory, pra ser mais exata.

— Vai dar merda. — eu e Ephram dissemos juntos.

Lily foi com o garoto para uma mesa mais afastada, mas que continuava as nossas vistas e, aparentemente, as vistas de James. Esse encheu mais uma vez o copo e o levou aos lábios, tomando metade de uma vez só. Ephram e eu fomos pequenos espectadores daquele pequeno conflito dentro de James Potter e o.. Se é que podíamos chamar assim, romance entre Lilian Evans e Amos Diggory. Tirando Marlene, Amy e Sirius, que pareciam em uma conversa meio tensa também no balcão.

Lily sorria meio sem graça para Amos, parecendo meio incomodada com a proximidade do garoto. Era claro que ela não queria nada com ele, nem devia saber por que tinha aceitado vir com o mesmo. Mas eu sabia. Ela estava implicando com James e estava dando muito certo. Esse já estava quase no fim da garrafa de whisky de fogo, os olhos focados no casal a frente. Já o Blackinnonwood estava bem agitado também, Marlene dizia algo a Sirius e esse apenas parecia se divertir, Amy no meio dos dois parecendo constrangida.

— Certo, é agora que a gente faz alguma coisa? — Ephram me perguntou e eu assenti. — Algum plano?

— Eu vou levar James, ele só vai sair daqui se eu o obrigar. Vá até Lily e a salve do Diggory, usando a desculpa que precisa da ajuda dela pra acalmar a fera McKinnon. Ajude Lily a levar ela pra sala comunal da Grifinória que eu provavelmente vou estar lá. — eu lhe expliquei tudo e ele concordou. — Mas espere eu sair.

O Malfoy riu e concordou.

Eu me levantei e caminhei entre as mesas até a de James, segurando a garrafa quando ele ameaçou virar o restinho de whisky de fogo no seu copo. Seus olhos estavam vermelhos quando ele me olhou e eu senti que ele andou chorando antes de vir beber até não aguentar mais.

— Me deixa em paz. — ele disse, puxando a garrafa da minha mão e a levando aos lábios, tomando tudo de uma vez.

— Não, eu nasci pra nunca te deixar em paz. Agora levanta daí e vamos embora. — eu lhe disse e ele riu.

— Eu ainda não estou bêbado o suficiente. — me disse, se levantando.

Bem, não foi bem isso. O garoto quase caiu encima da mesa do lado se eu não o tivesse segurado.

— Desculpa, ele 'ta bem bêbado. — eu disse para as pessoas ali. — Você vem comigo.

— Não enche o meu saco, Jane! — James puxou seu braço de mim e se afastou em direção a porta do lugar.

Eu suspirei e olhei pra Ephram. Apenas assenti e ele se levantou, indo pro fundo do bar onde Lily estava. E eu.. Bem, eu corri pra fora do três vassouras atrás do cabeça dura do meu irmão. Ele caminhava pra fora da rua principal e eu sabia pra onde ele ia.. Eu nunca fui até lá, mas Marlene já tinha me contado sobre o lugar. O cabeça de Javali.

Eu bufei e corri atrás dele, tentando alcança-lo mas foi um pouco difícil. Mesmo bêbado ele ainda conseguia ser mais rápido. Eu o vi adentrar no bar e revirei os olhos, caminhando mais devagar até a porta do lugar, a abrindo e olhando pra dentro. Marlene me disse pra nunca vir aqui, mas James estava lá dentro.. Então eu entrei.

Uns três bruxos usando capuz estavam sentados no fundo, levantaram suas cabeças ao ouvir o sininho meio gasto da porta se abrindo. Eu conhecia eles.. Estavam em uma das mesas naquela sala, onde "visitei" o lorde deles em uma das piores noites da minha vida. Um arrepio subiu pela minha espinha e eu desviei os olhos. Uma velha corcunda estava do outro lado, ela olhava o nada como se fosse interessante. E por último, um homem sentado ao balcão ao lado de James, usava um tapa olho e os cabelos escondiam um pouco o rosto magro.

— James.. James, sério? Vamos embora daqui. — eu disse baixinho para o meu irmão enquanto o barman servia uma bebida esquisita pra ele.

— Se você quiser, você vai. Eu vou ficar bem aqui. — ele me disse, sua voz estava mais arrastada.

— Esse lugar.. — eu comecei, dando uma olhada em volta e ficando bem perto dele. — Esse lugar me dá calafrios. Eu não vou te deixar aqui sozinho nesse estado.

— Então.. Sente e compartilhe da minha dor. — ele riu, erguendo o copo antes de o levar ao lábios.

Sua careta me indicou que devia ser algo bem forte.

— Ela está com o Diggory.. Quem diria... Ela nunca saiu comigo por.. Por me achar um babaca arrogante, mas os defeitos dele ela não vê. — ele riu novamente, se virando para o homem de tapa olho. — Mulheres são uma loucura.

O homem não disse nada, parecia mais interessado no pergaminho a sua frente.

— Ela só veio a Hogsmeade com ele, não tem nada demais nisso. — eu disse, acariciando seu cabelo com uma das mãos.

— Ele não quer só isso.. Eu sei. — continuou e, bem, eu tinha que concordar.

— Eu prometo falar com ela.. E te contar. Mas vamos sair daqui, por favor. — eu pedi, virando seu rosto pra mim.

Ele me olhou por um momento e apenas assentiu. Tirou umas moedas do bolso e entregou ao barman, se levantando e se apoiando no balcão. Eu o ajudei, passando um dos braços dele pelos meus ombros e meu braço pela sua cintura. Eu lancei um último olhar para os três homens ao fundo, eles ainda me olhavam. Saímos logo dali, caminhando lentamente de volta a rua principal e em direção ao castelo. Ele pesava um pouco, ainda mais que metade de seu peso estava em mim. Seus pés tropeçavam neles mesmos.

No castelo, subimos até a sala comunal. Estava vazia, a lareira apagada. Eu o ajudei a subir as escadas do dormitório masculino e fomos direto para o banheiro. O coloquei sentado na tampa da privada tirei seus óculos, acabando por tirar os meus também já que eles escapuliam pelo meu nariz a todo momento.

A curiosidade que nos diferenciava sem os óculos, era que a minha visão era muito melhor que a dele. Eu enxergava um pouco errado sem óculos, mas ele enxergava tudo borrado. Talvez por esse fato eu gostasse de implicar com ele.

— Levanta. — eu pedi e ele ameaçou levantar, mas eu o fiz sentar novamente. — Os braços, cabeçudo.

Ele apenas o fez e eu puxei a camiseta que ele usava, a tirando de seu corpo. Me abaixei e tirei seus tênis também seguidos das meias, os deixando de lado. Eu tirei minhas sapatilhas e as deixei ali ao lado também, o ajudando a levantar e ligando o chuveiro. O coloquei debaixo dele e meu irmão reclamou.

— Quando começou a chover? — ele perguntou e eu não me contive, rindo do quão bêbado ele estava.

— Você bebeu uma garrafa de whisky sozinho.. Isso costuma acontecer muito? — eu perguntei, passando as mãos nos cabelos molhados e os tirando de seu olho.

Estava tomando todo o cuidado pra não me molhar também.

— Não sei.. A Lily não costuma sair com outros caras.. — ele disse dando de ombros. — Vem.

— James, não! — eu exclamei mas ele já tinha me puxado pra debaixo dágua com ele.

Ele não me deu chance de fugir, me abraçando forte. A água fria molhou minha cabeça, caindo para meus ombros até chegar nos meus pés. Estávamos os dois agora igualmente molhados. Eu apenas o abracei de volta, ele estava realmente mal por causa disso com a Lily.. Nunca pensei que fosse ver o meu irmão apaixonado. Não pelas cartas que ele me mandava. Parecia mais um garoto apaixonado pela vida, interessado em tudo que estava descobrindo.

Não ficamos muito tempo ali, já que eu estava meio incomodada por estar vestida debaixo de um chuveiro. Eu me sequei um pouco antes de sair para o quarto, deixando ele sozinho tomando banho enquanto procurava uma roupa para ele se trocar e ir direto se deitar. Eu peguei uma cueca e uma calça de moletom no seu malão, sabia que ele não costumava usar camiseta.

— James? Acabou? — eu perguntei depois de alguns minutos.

— Sim. — sua voz estava um pouquinho mais firme.

Eu fui até a porta e estendi a mão com as roupas pra dentro, lhe entregando e ficando encostada na parede ali. Apenas o silêncio foi ouvido por alguns momentos e eu usei a toalha em meu ombro pra secar meu cabelo. Devia estar totalmente bagunçado.. Eu ri sozinha.

— Problemas. — eu olhei pro lado e James apenas balançou a cabeça.

Revirando os olhos, eu o puxei até sua cama e o sentei ali. Eu me ajoelhei a sua frente, não me sentaria em sua cama ou molharia tudo.

— É melhor você descansar.. Vai ter uma ressaca horrível. — eu lhe disse, me erguendo um pouco para acariciar seu cabelo.

— Eu amo você.. — ele disse quando eu segurei seu rosto, seus olhos se fechavam. — Eu fui um idiota, devia ter me largado lá.

— Eu não te larguei porque te amo. Não te deixaria lá pois do jeito que estava não conseguiria voltar sozinho. — eu disse e ele abriu os olhos.

— Sirius me acharia. — riu quando eu o fiz deitar, cobrindo ele.

— Com certeza ele iria.. — eu respondi, me lembrando do que o garoto estava fazendo.

— Jane? — ele chamou e eu resmunguei. — Obrigado.

Eu apenas sorri.

— Durma bem, meu anjo. — eu sussurrei, beijando sua testa e me acariciando seus cabelos.

James suspirou, fechando os olhos e eu fiquei ali até que ele pegasse no sono. Quando isso aconteceu, eu me afastei devagar em direção a porta, lhe dando uma última olhada antes de sair e fechar a porta. Eu desci as escadas, acabando por esbarrar em alguém no fim delas.

Sirius.

— Estava com o Turner? — ele perguntou e eu revirei os olhos.

— Não, estava com o meu irmão. Não que eu lhe deva satisfações. — eu sorri forçado, passando por ele.

— James está bem? — ele perguntou e eu o olhei.

— Bebeu demais.. — eu expliquei, lhe indicando minhas roupas molhadas. — Está dormindo agora.

— Lily?

— Exato.

— Eu o entendo.. — ele disse e eu ri, balançando a cabeça.

— Eu estou indo. — eu disse, me virando pra subir as escadas do meu dormitório mas ele segurou meu braço.

— Jane, não precisa ser assim. — ele disse e eu o olhei confusa.

— Assim como? — eu perguntei.

— Como se fossemos inimigos.

— Não somos inimigos.. Você é o melhor amigo do meu irmão, estamos agindo como sempre. — eu sorri até sincera, segurando sua mão e a tirando lentamente de meu braço. — Até depois, Sirius.

Me despedindo dele, eu subi as escadas correndo do dormitório e abri a porta sem devaneio nenhum.

— MALDITO SEJA O DIA EM QUE EU TRANSEI COM SIRIUS BLACK! — aquela frase foi solta e algo de vidro se espatifou na parede ao meu lado antes de cair no chão, apenas os cacos.

Eu olhei meio assustada para elas, Marlene estava de pé descabelada com uma Jessy e uma Lily tentando acalma-la. Assim que a garota me viu, ela abaixou o copo que segurava nas mãos e respirou fundo.

— Maldito seja o dia em que você transou com Sirius Black.. Eu nem sabia que tinha transado com ele. — eu ri, chutando os vidros pra poder fechar a porta. — Mas por que essa raiva toda?

— Segundo as palavras dela: "Aquele desgraçado cafajeste é um grande babaca e um puta talarico". — Jessy disse, tentando imitar a voz de Marlene.

— Ciúmes da Amélia, huh? — eu sorri, indo até o meu malão e pegando roupas secas.

— Haha, engraçadinha. Não descobriu sozinha, né? Quem te disse? — Marlene perguntou, se sentando na cama novamente.

— Ephram. — dei de ombros, indo até elas e parando a suas frentes. — Mas me conta essa história de você transar com o Black, suas experiências sexuais são engraçadas.

— Primeiro a gente quer saber por que você está molhada. — Lily me interrompeu e eu suspirei.

— Tudo começou no três vassouras. James bebeu uma garrafa de whisky sozinho e ficou bem bêbado. Eu o trouxe pro castelo e o coloquei debaixo do chuveiro mas ele me puxou também. Eu o deixei dormindo e vim pra cá. Fim. — sorri pra elas, incentivando Marlene a falar logo com os olhos

— Tudo começou no terceiro ano. — a palhaça me imitou e eu revirei os olhos. — Ele me beijou e eu dei um chute nele.

— Sirius está muito bem acostumado a levar chutes. — Jessy comentou e eu tive que concordar.

— Enfim, nos tornamos amigos. No quarto ano, nós acabamos tendo um rolo. — Marlene prosseguiu e eu apertei os olhos. — A gente transou, é isto.

— Safada desde os 14. — eu ri e ela me jogou um travesseiro.

— Falou a santa. — eu apenas fiz um gesto exagerado com a mão. — Enfim, não rolou nada mais, foi apenas uma vez. Mas ai.. No quinto ano..

Ela pareceu receosa em contar e eu sabia por que. No quinto ano eu já estava aqui, provavelmente já tinha tido algo com Sirius e toda a história.

— Pode continuar, senhorita. — eu lhe joguei o travesseiro de volta.

— Eu estava na sala precisa, tinha discutido com Amy. Ele chegou com uma garrafa de whisky, dizendo que você era a pessoa mais teimosa que ele conhecia. Tinha discutido com o Jordan, ou algo assim. — ela deu uma pausa e eu assenti, me lembrando daquela noite. — Nós tomamos juntos e já estávamos um pouco altos.. Apenas rolou de novo.

— A melhor parte da história, é que ela ameaçou ele pra que ele não contasse nada a ninguém. — Lily disse e nós rimos.

— Então.. É por causa disso toda a implicância de vocês. — eu comentei, fingindo refletir sobre tudo aquilo.

— Em partes.. A outra parte é porque ele é extremamente irritante. — eu tinha que concordar.

— Muito bom ouvir mais uma de suas histórias sexuais. Mas agora eu vou tomar um banho e trocar de roupa antes que eu fique doente. — eu disse, pegando minhas roupas na minha cama e indo pro banheiro.

Eu não me senti incomodada com o fato de Lene ter transado com Sirius.. Aquilo podia ser um fato de que eu não ligava mais pra com quem ele dormia?

Balançando a cabeça, eu me despi e tomei um banho, vestindo a minha camisola e me olhando no espelho enquanto secava os cabelos com a toalha. Meu cabelo estava um pouco maior agora, estava crescendo bem rápido.. Eu sorri para o meu reflexo e abri a porta, saindo do banheiro e vendo o quarto vazio. As minhas deviam estar na sala comunal. Deixei a toalha as costas da cadeira e fui até a minha cama, me sentando ali.

Eu devia ir, pelo menos, jantar.. Mas eu não estava com fome. Por isso me deitei e fiquei ali, observando o teto mal iluminado. O dia tinha sido meio agitado.. Marlene e seu mau humor, a briga entre ela e Sirius, James bêbado. Meus olhos se fecharam sozinhos e, quando dei por mim, já estava sonhando com quem não devia.. De novo.