A Marota

55 Capítulo 53


Poucos dias antes das férias acabarem, mamãe nos acordou bem cedo e disse para que nos arrumassemos para ir comprar nossos materiais. Tomamos café e agora estávamos caminhando para o caldeirão furado depois de nos despedirmos de minha mãe. Ela precisava ir para o ministério, por isso não poderia nos acompanhar. Mas acho que sete adolescentes de 15 e 16 anos saberiam se virar.. Nós entramos no bar e falamos com o dono, que nos guiou até a parte detrás do bar e eu o observei sair dali, confusa.

— Uma parede de tijolos.. Legal. — eu comentei, sorrindo irônica.

James sorriu erguendo uma das sombrancelhas, pegando a sua varinha e batendo no terceiro tijolo a contar da esquerda, se afastando. Meu queixo quase caiu quando os tijolos se moveram e formaram um arco.. Esse que dava acesso a uma rua extensa e cheia de gente.

Eu nunca tinha ido até o beco diagonal. O material que usei no último ano meus pais haviam me mandado, tanto que eu precisava de uma varinha comprada por mim mesma. Lily havia me dito que a varinha escolhe o bruxo e loja nenhuma superava a Olivaras. Eu acreditava nela.. Sua varinha parecia lhe obedecer melhor que a minha.

Marlene me puxou e eu agarrei seu braço enquanto caminhavamos por entre as pessoas. Eu olhava as lojas, encantada com aquele mundo ainda novo, acompanhando meus amigos pelo famoso beco diagonal. Nós fomos primeiro na loja de livros chamada Floreios e Borrões. Lily me ajudou com os livros de Hogwarts e eu comprei um por fora sobre vampiros e lobisomens.

— O que? Eu acho interessante. — disse para a ruiva ao notar seu olhar.

Dali nós fomos até a madame Malkin — Roupas para todas as ocasiões, já que minhas blusas do uniforme estavam ficando apertadas.. Talvez eu tivesse ganhado uns quilinhos. Ela me mediu e logo eu tinha blusas novas.

— Já compramos os livros, uniformes, penas novas e tinta.. Falta a sua varinha. — Remo me disse e eu concordei.

Caminhamos pelo beco diagonal, olhando as lojas até pararmos em frente ao Olivaras. Meus amigos disseram que esperariam ali fora e eu entrei, olhando aquela loja consideravelmente grande. Tinham caixinhas com carinhas em todos os lados e eu sorri quando um senhor veio até mim.

— Bom dia, senhorita. — ele me cumprimentou e eu retribui. — Sei que iremos lhe achar uma varinha perfeita.

Eu assenti e ele foi até a estante, pegando uma delas e me mostrando.

— Salgueiro e chifre de basilisco. — ele disse e me entregou.

Era boa de segurar, flexível mas não muito. O senhor não pareceu satisfeito e pegou outra, me mostrando novamente.

— Freixo e pelo de seminviso. — me disse e me entregou.

Também era boa de segurar, mas não tão flexível quanto a anterior. O Sr. Olivaras não pareceu satisfeito ainda e me entregou outra. Eu segurei varias varinhas, mas nenhuma parecia me escolher e eu acabei me frustrando. Até que ele me entregou mais uma e eu senti algo estranho.. Meus dedos formigaram e eu senti como se ela fosse feita especialmente pra mim. O Sr. Olivaras sorriu, parecendo, finalmente, satisfeito.

— Cedro e núcleo de coração de dragão. — ele disse e eu sorri.

Era a minha varinha! Eu paguei e o Sr. Olivaras me aconselhou a usa-la com sabedoria. Sorrindo animada, eu sai da loja e encontrei meus amigos. Lhes mostrei minha varinha antes de guarda-la e voltarmos a nossa caminhada. Nosso propósito era voltar pra casa, mas eu acabei parando em frente a uma loja de animais, observando uma bela coruja cinza. Ela era linda.. Tão linda quanto a coruja negra que eu havia visto em Hogwarts.

— Você quer entrar? — Sirius parou ao meu lado e eu o olhei.

Apenas assenti e ele sorriu, dizendo aos outros para irem na frente. Ainda admirada, eu entrei na loja sendo seguida por Sirius. Tinham muitas corujas espalhadas em gaiolas ou soltas em poleiros, um aquário cheio de sapos no canto da parede, gatos correndo pela loja e uma gaiola de ratos encima do balcão. Eu sorri e fui até a coruja cinza, aproximando minha mão e acariciando suas penas. Ela era realmente linda, mas outra coisa chamou minha atenção.. Um coelhinho branco estava sozinho em uma gaiola, olhando pra mim com os olhinhos vermelhos.

— Sirius... — eu puxei o garoto até onde a gaiola do coelho repousava.

— Olha, um coelho. — ele pareceu surpreso em ver o coelhinho e eu assenti.

Eu me aproximei e coloquei meu dedo entre as grades, rindo e o puxando ao notar que ele o morderia. Eu queria ele.. Eu sempre quis um coelho, mas nunca tive pois minha tia dizia que faziam muita sujeira.

— Pela sua carinha.. Eu vou lá comprar. — Sirius me disse e eu sorri pra ele.

Eu fiquei um pouco ali, observando o bichinho enquanto esperava Siris voltar. Eu nem ao menos notei o tempo passar até que Sirius parou ao meu lado com o vendedor.

— É uma fêmea.. Nós a achamos em um povoado aqui perto , deve ter entre dois e três meses. — ele disse, olhando a coelhinha com certo carinho.

— Podemos leva-la? — Sirius perguntou e eu olhei esperançosa para o rapaz pouco mais velho que nós.

— Claro! — ele sorriu e eu mais ainda, observando ele se afastar por um momento.

Logo ele voltou com uma gaiola menor e trocou o coelhinho, me entregando em seguida. Quando eu iria pagar, Sirius foi mais rápido e entregou o dinheiro ao rapaz.

— É um presente. — ele me disse e eu sorri timida, agradecendo.

Nós nos despedimos e saímos da loja. Eu estava radiante! Agora eu tinha minha própria varinha e meu próprio animal de estimação. Eu caminhei saltitante pela rua com Sirius em direção a saída do beco diagonal. Passamos pelo arco e a parede de tijolos se fechou atrás de nós. No caldeirão furado, nós encontramos nossos amigos e nos sentamos na mesa com eles.

— Ela é linda. — Jessy disse quando lhes mostrei a coelhinha.

— Já tem um nome pra ela? — James perguntou e eu neguei.

— Que tal Mily? — eu pensei alto, olhando a bolinha branca na gaiola.

— É um nome legal. — Lene sorriu e os outros concordaram.

Nós tomamos uma bebida e conversamos um pouco antes de retornarmos nosso caminho para casa.

O caminho pareceu mais curto do que quando fomos e logo estávamos em casa. Estavamos cansados, mas eu e as meninas fomos para a cozinha. Já era hora do almoço e mamãe havia liberado os elfos hoje. Peguei um avental e prendi meus cabelos, ajudando minhas amigas já que não sabia cozinhar muito bem. Depois de algum tempo na cozinha, eu disse que cuidaria dali e elas foram tomar banho.

— Huh, que cheiro bom. — a voz de Sirius me fez sorrir e eu o olhei.

— A Lily cozinha muito bem. — lhe disse, apagando o fogo da carne e indo até a pia.

— E você? — o Black questionou, se aproximando devagar.

— Eu sei fazer massa de biscoitos. — lhe indiquei os biscoitos na forma que faltavam apenas ir para o forno.

Eu comecei a lavar as coisas que tinhamos usado e senti ele abraçar minha cintura, deixando um beijo em meu ombro. Era quase um sonho estar tão bem com Sirius, mesmo que não tivessemos nada sério.

— Como vai ser daqui pra frente..? — ele perguntou baixinho e eu parei por um momento.

— Eu não sei.. — confessei, suspirando antes de fechar a torneira.

Eu me virei pra ele depois de secar as mãos e ele segurou meu rosto, beijando minha testa. Eu coloquei minha cabeça em seu peito e abracei sua cintura, soltando um longo suspiro.

Depois de tomar um rápido banho, eu me juntei aos outros e nós almoçamos. Lily realmente sabia cozinhar.. Estava ótimo. Depois nós assamos os biscoitos e foi a nossa sobremesa. Pelo menos meus biscoitos eram bons.. Eu sabia fazer coisas doces. Cansada, eu disse aos outros que iria dormir um pouco e subi para o meu quarto.

Suspirando, eu me deitei na cama e observei o teto. Andar pelo beco diagonal foi divertido, mas também cansativo. Me virando para o lado, eu observei Mily na gaiola. Ela estava dormindo.. Desde que chegamos. Era meio preguiçosa, dava pra perceber. Eu queria pega-la e fazer carinho, mas acho que ainda era cedo pra isso. Ela estava bem quietinha na gaiola, se eu a soltasse talvez a perdesse pela casa.

O som da porta se abrindo me fez levantar a cabeça e eu sorri para Sirius, vendo ele fechar a porta antes de caminhar até mim. Eu me sentei e segurei sua mão, o puxando para se sentar a minha frente. Sem palavras, ele afastou meu cabelo de meu rosto e acariciou minha bochecha. E de repente eu me peguei pensando.. Como seria ser a namorada de Sirius Black. Ele.. Era tão atencioso quando queria.

— Você vai continuar assim em Hogwarts..? — eu acabei soltando e ele me olhou confuso.

— Assim como? — questionou, beijando minha bochecha.

— Assim... Atencioso.. Como se... — eu interrompi a mim mesma, abrindo e fechando a boca várias vezes.

— Como se...? — ele me incentivou e eu levantei meus olhos.

— Como se eu fosse a única.

Meus olhos fecharam e eu soltei o ar, segurando sua mão e a abaixando lentamente. Sirius ficou em silêncio, ele nem se mexeu. Eu me levantei e teria me afastado se sua mão não tivesse prendido meu pulso. Olhei pra ele e o mesmo se levantou, me surpreendendo ao segurar minha cintura e me erguer. Minhas pernas rodearam sua cintura por instinto e meu corpo foi depositado na cama, recebendo o seu delicadamente.

— Você é a única. — ele sussurrou, os lábios perto dos meus.

— Não, eu não.. — tentei dizer mas ele me interrompeu.

— Shi.. — depositou um de seus dedos em meus lábios e eu estremeci involuntariamente.

Eu abri a boca e ameacei morder seu dedo, fazendo ele rir e o afastar. Eu sorri e seus lábios alcançaram os meus, me beijando sem pressa. Eu não consegui mais pensar em nada, ele sempre teve esse poder sobre mim. Eu nem notei quando a porta se abriu e alguém entrou.

— O que é isso?!

Eu me afastei de Sirius e ele se levantou, sendo seguido por mim. Meus pais estavam parados a porta. Minha mãe olhava de mim para Sirius de uma forma que eu não sabia decifrar. Já meu pai.. Não parecia muito feliz. Acho que deve ser estranho pegar sua filha na cama com o próprio primo em uma situação um tanto suspeita.

— N-não é o que estão pensando. — eu disse, passando uma das mãos pelos cabelos.

— Não?! — meu pai pareceu assustado e eu olhei para Sirius.

— Bem.. Depende do que vocês estão pensando. — o maroto disse, coçando a nuca parecendo desconfortável.

— Eu apenas penso que vi dois jovens namorando.. Problema nenhum pra mim. E pra você, Charlus? — mamãe ergueu as sombrancelhas, olhando para meu pai sugestiva.

— Eu.. — ele hesitou, olhando de mim para Sirius antes de suspirar. — Problema nenhum.

— Bem, então nós já vimos que Jane está bem e estamos indo. — minha mãe sorriu e puxou meu pai pra fora, fechado a porta.

Eu fiquei olhando a porta fechada, pensando o quão estranho aquilo foi. Não era como ser pega por Lily ou James.. Remo..? Mas sim pelos meus pais! A posição que estávamos podia indicar muita coisa e eu sei que meu pai pensou em muita coisa. Sirius riu e eu o olhei, revirando os olhos e me deitado atravessada na cama. Ele se deitou ao meu lado e nós ficamos em silêncio por um momento, ouvindo apenas nossas respirações e vozes longe.. Devia ser os outros no jardim.

— Você sempre foi pensativa assim? Sabe.. Lá onde você morava. — eu o olhei e sabia que ele tentava lembrar o nome.

— No Brasil.

— Sim, no Brasil.

Eu ri, olhando para nossas mãos que ele havia acabado de entrelaçar.

— Eu nunca falei muito.. Só quando fico animada, nervosa ou com raiva. — dei de ombros e ele me olhou.

— Por isso você sempre fala muito comigo? — perguntou e eu assenti, me aproximando e lhe dando um selinho.

— Você me irrita bastante.. — confessei o que nunca foi uma novidade.

— Hum... Se eu te fizer cócegas, você vai ficar irritadinha? — ele sussurrou e eu mordi meu lábio pra tentar conter um sorriso.

— Nem pense nisso. — sussurrei de volta, segurando sua mão quando ela ameaçou se aproximar de minha barriga.

Ele era insistente e eu acabei caindo na gargalhada com suas cócegas. Como no último romance que eu li, aquilo acabou em beijos e mais beijos.. Até mais que no livro. Talvez eu estivesse me iludindo, mas aqueles momentos eram tão bons que eu me deixaria levar um pouquinho só pra sentir um pequeno gosto daquela ilusão.. Aquela ilusão que me soava tão boa agora.