A Marca De Atena

18 Explodimos a casa abandonada


Notas iniciais
Os sete chegão em Roma, escondendo-se atrás de uma mansão abandonada. Mas, quando entram na casa para ter uma visão de Roma, encontram dois perigosos Titãs.

PERCY


Eu não conseguia dormir. Tinha tanto o que pensar... O que Rachel quis dizer com deixar Annabeth? Por que queriam que eu me afastasse dela? Hera, talvez. Ela me disse que Annabeth me daria problemas. Mas não está dando problema algum! Não quero ser afastado dela... de novo. Fiquei deitado observando-a no beliche ao lado. Quando fomos separados, eu tinha uma pequena lembrança de Annabeth, mesmo não sabendo quem era. Isso amenizou a minha dor. Não tinha certeza do que sentiria se fossemos afastados novamente.

Para minha surpresa, Jason, que estava no beliche do outro lado da parede, murmurou.

– Percy? – Chamou.

– Uhhmmm? – Eu disse, de má vontade. Aquela briga foi a gota d’água, e eu continuava irritado. Porém, sabia que não podia continuar com aquelas discussões, portanto resolvi cooperar.

– Desculpe pela briga. Eu... Olha, não é que eu não goste de você. É que... – Ele parecia lutar com as palavras. Eu estava mais é querendo lutar com ELE. Epa, controle-se. – Não sei explicar. Só sei que não quero que fiquemos assim o tempo inteiro. Talvez, com o tempo, possamos ser amigos.

Pensei no assunto por um minuto. O pior é que eu também não queria ficar brigando com ele toda a hora, e ele parecia sincero. Mas eu não gostava mesmo de Jason. Ele era muito suspeito. Em todos os sentidos.

– Tudo bem, cara. – Falei. Dei um suspiro pesado, e resolvi falar a verdade. – Bom, se você quer saber, eu não tenho uma boa impressão de você. Se eu tenho motivos? Não. Ou sim. Você age de forma estranha. Ou é apenas sobre mim, tirando conclusões erradas. Também não sei, mas vou concordar com você. Chega de brigas?

– Chega de brigas. – Ele deu um sorriso fraco.

Virei as costas para ele, e fechei os olhos. Alguns minutos e eu mergulhei na inconsciência.


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– ACORDA PERCY !!!!! – Gritou Leo, jogando um balde enorme de água na minha cara. Sou filho de Poseidon e só me molho quando quero, mas aquilo ali foi fatal. Não tive tempo nem pra me defender.

– CARAMBA LEO! ISSO É MESMO NECESSÁRIO? – Gritei, balançando o cabelo para todos os lados.

– Não. – Ele respondeu rindo. – Mas é engraçado. Você está parecendo um cachorro.

Annabeth já estava acordada e vestida. Jason estava abrindo os olhos, e Frank ainda roncava. Leo olhou para ele com um olhar de ‘Encontrei a próxima vitima’.

– Ei! Parou com a palhaçada! – Falei alto, para os outros acordarem. – Você não pode entrar aqui e acordar todo mundo desse jeito. Por que não chama a Piper? Ela acordaria todo mundo com um jeito muito mais fácil. Ninguém teria que sofrer.

Annabeth olhou para mim de cara feia. Péssimo comentário.

– O caso, Percy, é que chegamos em Roma. Na verdade, estávamos quase saindo daqui, já que os outros estavam dormindo em vez de vigiar o barco. – Ela disse, repreendendo.

Chegamos em Roma? Ufa. Que alivio. Continuei pensando nesse sentimento enquanto me trocava, porque sabia que quando saísse do barco a coisa seria bem diferente. Ninguém sabia onde procurar nada, e eu tinha que ficar ao lado de Annabeth a todo custo. Tentei me concentrar em outra coisa, e reparei que Arion tinha partido. Nunca vou entender aquele cavalo...

Tomamos um rápido café, e Leo parou o barco em um lugar que aparentava estar abandonado.

– Onde encontrou isso? – Perguntou Piper, apontando para o lugar.

– Parece ser um bom lugar para nos escondermos. Ainda não inventei nada que o deixasse invisível. Já pensou? Um barco voador invisível. Ele seria tipo um jato... – Falou Leo, sonhador. Leo era um cara muito inteligente, admito, por construir todas aquelas coisas incríveis. Mas tinha vezes que ele viajava DEMAIS.

– OK, vamos parar. Isso não é X-men, Leo. Então, o jato invisível fica para depois. Vamos. – Falou Frank. Dei uma risadinha, e sai na frente.

Desci devagar. A não ser o lugar que Leo escolhera para parar, Roma era linda. Era tão... limpa. Bem estruturada. Olhei para Annabeth, e ela parecia estar olhando muito mais além. Seus olhos brilhavam. Paramos bem atrás de uma casa enorme, com uns cinco andares.

– A vista ali de cima deve ser melhor. Precisamos ter uma noção de onde ir, antes de sair perambulando por ai. Vamos subir. – Falou Hazel.

Todos concordaram, e entramos. Por dentro, a casa estava conservada. Parecia que tinha alguém morando ali. Estranho. Peguei na mão de Annabeth, só por precaução. Hoje eu seria o cara enjoativamente grudento. Ela olhou para mim, e sorriu. Subimos lentamente.

Quando chegamos no quarto andar, Jason e Piper pararam imediatamente.

– Ouviram isso? – Jason perguntou. Piper estava de olhos arregalados.

– Tem alguém ai! – Piper falou.

De fato, tinha MESMO alguém ali. Me atrevi a dar mais uma espiada, e, por sorte, não tinha ninguém. Era apenas um corredor, com várias portas fechadas. Fiz sinal para que os outros avançassem, mas Frank puxou meu pé.

– Deixa que eu vou. – Disse. Se transformou em uma pequena mosca. Ah, como eu queria ter esse dom.

Frank voou rapidamente pelo corredor, e o seguimos. Encontrou a porta que vinha o barulho, e entrou. Paramos, escutando. A voz que falava agora era de uma mulher, e ela não parecia nem um pouco satisfeita.

– Sim, mas minhas filhas não ajudariam em NADA. Não sei o que fiz de errado. Nove filhas, e nenhuma delas tem um dom que não seja baseado em história e arte. Nenhuma puxou o dom da mamãe. – Ela dizia, chateada.

– Acha que sempre tem razão. Mas escolha logo, Mnemósine. De que lado está? – Falou um homem.

– No lado da mãe Gaia, é claro! Zeus me paga! Farei com que ele esqueça de tudo, e que se lembre apenas da noite em que me enganou, que me deu como lembrança aquelas nove filhas ingratas! Sofrerá com suas piores lembranças! – A mulher chamada Mnemósine agora gritava.

Annabeth prendeu a respiração. Olhei para ela.

– Mnemósine! – Sussurrou. – É uma titânide. Tem o dom da memória, mãe das nove musas. Temos que sair daqui, rápido!

– Não podemos! Frank está lá dentro! – Hazel sussurrou, desesperada.

Não percebemos, mas as vozes haviam parado. Mal sinal.

– Então diga, deusa. Como saberemos que a hora chegou? – O homem perguntou em voz baixa.

Houve uma pequena pausa.

– Eu queria ser uma mosquinha para saber. – A mulher falou.

E então, um baque ensurdecedor. Destampei minha caneta e arrombei a porta, erguendo contracorrente. Frank havia voltado a sua verdadeira forma, mas mudava constantemente, impedindo a deusa e o homem que estava o seguindo de que o pegassem. Os dois olharam para nós. A mulher, Mnemósine, era até que... bonita. Tinha um longo cabelo castanho, e seu rosto não era nada assustador, como eu esperava. Já o homem ao seu lado tinha aparência mais assustadora. Frank voltou a ser ele mesmo ao nosso lado.

O homem riu, e tocou em um pequeno controle em suas mãos. No mesmo momento, todas as janelas foram tapadas, e a porta atrás de nós havia se transformado em uma parede de metal que eu imaginava impossível de ser quebrada. O piso também se transformava, e apenas uma parte ficou como madeira.

– QUEM SÃO VOCÊS? – Jason berrou. Todos estavam com armas nas mãos, preparados.

A mulher veio a frente.

– Ora, meu jovem. Filho de Júpiter, não? Eu sou Mnemósine. Lembre-se bem desse nome... Pode ser a ultima coisa que vá se lembrar. – Disse a mulher, com voz doce.

– E eu sou Palas, o titã. Creio que não me conheça. Sou filho de Crio e Euríbia, e fui casado com Estige. Eu era muito feliz com ela, até que o maldito Zeus declarou guerra aos Titãs, e Estige escolheu ficar ao lado dos deuses. O que ganhou? Virou um rio no mundo inferior. Grande coisa. Mas e quanto a mim? Fui lançado ao Tártaro. Agora estou livre, e minha vingança será feita!

Fiquei nervoso. Dois titãs nos prenderam em um lugar onde não teríamos a mínima chance de sobrevivência. Piper tentou dialogar.

– Olhe, pessoal. Sei que os deuses magoaram vocês, mas... Passou. Vocês não querem nos atacar. Vão nos soltar e nos deixar ir. – Ela disse. Piper era tão convincente. Os titãs olharam um pouco perdidos, mas depois voltaram ao normal. Palas arreganhou os dentes.

– Acha que pode nos enganar, filha de Afrodite? Nunca mais. É a vez dos deuses sofrerem as consequências! – Palas berrou.

Frank transformou-se numa águia, enquanto Annabeth desaparecia com seu boné. Hazel e Piper investiram contra Mnemósine, cuidadosamente. Leo estava pegando fogo, literalmente. Ele, Jason e eu investimos contra Palas.

Tentei atacar por todos os lados, mas não era fácil. Apesar de não aparentar, Palas era muito rápido. Frank voava bicando os dois titãs. Investi contra Palas, e ele quase me derrubou, se não fosse por Jason. A fumaça que saia de Leo estava começando a atrapalhar.

– Leo, pare! – Falei. Me afastei um pouco deles, observando. Piper tinha um corte imenso no braço, e Hazel movia-se rapidamente, mas sem atacar. Mnemósine estava tentando apagar a memória delas. Observei mais atentamente, e não encontrei Annabeth. Não sabia onde estava. Até que ouvi sua voz.

– Hazel, o piso! Ajude! – Ela gritou. Mnemósine seguiu o som de sua voz, e eu pulei em cima dela.

– NÃO! – Gritei. Golpeei ela com contracorrente, mas pareceu não surtir efeito. A fumaça ficava cada vez mais forte, me impedindo de ver. Rolei no chão, tentando acertar a titânide.

– Jason, vá para lá! Percy, preciso de você! – Hazel gritava.

Com um chute, Jason assumiu o controle, enquanto Frank e Leo ainda estavam tentando acertar Palas. Hazel olhava para todos os cantos, procurando algo.

– Preciso me concentrar! – Ela disse.

– O que foi Hazel? – Gritei. – Annabeth, onde você está? Annabeth!

Annabeth reapareceu perto de onde Jason e Mnemósine brigavam. Seu boné havia voado para meu lado. Ela foi ajudar Jason, e eu fui indo atrás, até que Hazel me segurou.

– Não. Me ajude! Terremoto! – Ela falou.

De fato, o chão começou a tremer. Leo veio para nossa direção, e eu vi o local onde ele estava. Palas estava se reconstituindo. Frank estava com um pequeno controle nas mãos.

– Desligue! – Gritou Annabeth, com a voz abafada. Eu queria correr e ajudar, mas Hazel me segurou. Leo pegou o controle.

– Terremoto! Percy! – Hazel gritou. Eu tinha entendido agora. Ela queria que eu fizesse um terremoto? Não podia! Todos iam morrer.

As paredes de metal tinham desaparecido, e restava só a madeira desgastada abaixo de nós. Aquilo não ia durar. Palas tinha metade do tronco já reconstituído.

– Rápido! Percy, vocês irão cair no mar! Faça o terremoto! – Annabeth gritou. Ela estava com um corte igual ao de Piper, só que em vários lugares. Ela não ia aguentar. Eu não conseguia me mover. Por que estava tão impotente? Hazel desistiu de tentar me segurar.

– Agora, preparem-se para esquecer de tudo! – Mnemósine gritou, triunfante, para Jason e Annabeth.

– Leo, fogo!!! Percy, isso vai explodir perto do mar, concentre-se! – Hazel falou.

Tudo aconteceu muito rápido. Palas havia se reconstituído totalmente, pegando o controle da mão de Leo. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Leo colocou fogo, e o chão desabou. Me concentrei o máximo que pude, puxando a água para cima, com um nó no fundo do estomago. Mnemósine largou os dois, e correu para mim. Jason foi atrás, Annabeth ficou lá. Eu ia gritar para que ela corresse para perto de nós, e então Mnemósine colocou as mãos em mim, e naquele momento a casa explodiu. Fogo e água estavam no meio de toda a explosão. Leo e Hazel estavam perto, enquanto Frank voou para meu lado. Jason havia sido empurrado, e segurava Piper protetoramente. Eu tentava nos salvar, mas não ia resistir.

No meio da explosão, tentei me virar para o local onde Annabeth se encontrava. E ela não estava mais ali.

A ultima coisa que senti foi meu corpo mergulhando na escuridão do mar. “Pai, nos ajude”, pensei, segundos antes de apagar totalmente.


Notas finais
Demooooooooorou, mas enfim, chegou. E pegando fogo, literalmente. Hehe
No próx. capítulo, Percy luta contra todos os outros para ir em busca de Annabeth, sem sucesso. O mar os leva para outro lugar, que pode ser a chave para encontrar as portas da morte.
enfim, espero que gostem