Notas iniciais
Olá, caro cliente. Como eu sempre peço de vocês, hoje vou fazer propaganda de uma história que gostei. Hoje é jabá é para MTimberleick e sua maravilhosa história A Queda das Espadas. Um mundo em conflito entre duas raças poderosas e virtualmente imortais, elfos contra vampiros. E não se enganem. Eu não sei quem são os vilões e os mocinhos se é que existem. Se você gosta de alta fantasia, essa para você. Dá uma conferida nesse produto. https://fanfiction.com.br/historia/787582/A_Queda_das_Espadas/ E vamos lá. Deixe seu feedback, sua crítica, sua ajuda pode melhorar a historia e me mostrar um caminho. Fora o incentivo. Façam isso não só por mim, mas para os escritores que vocês gostarem. Tenho certeza que vão amar e fortalece a amizade, aí. ^.^ Sem mais demoras, mais um capítulo para vocês.

Testemunhem.

Observe bem.

Acaso não é como um nascimento?

O ser nasce da dor, do sangue, das vísceras de outro.

É brutal e belo.

Triste e triunfante.

Sujo e purificador.

E especialmente, o mais formoso principio.

Pois, bem! “Formoso” foi exagero.

Chega de poesia, vamos aos fatos.

Razarthan vive.

Após preservar a vida dos sobreviventes do Legado de Safira, ajudando-os a formar uma barricada de corpos de cavalos, soldados mortos, escudos partidos e heroicamente se excluindo para caberem todos com segurança, o nosso “herói”, Razarthan, o sem coração, que já aceitara a morte certa, olhou a derredor e viu que não era necessário partir desta vida naquele momento.

Suas opções ainda não estavam esgotadas.

Ele poderia afinal se esconder da morte... Na morte.

Mais precisamente dizendo, no corpo do verme gigante que foi aberto de baixo para cima pelo golpe da espada Oito Olhos empunhada por Ester de Safira.

Ele correu na direção do corpo que mal esfriara e já fedia como uma fossa de repolhos estragados, que só quem já presenciou conseguirá imaginar a flagrância.

Dizem que o inferno tem um odor igual, mas, na verdade, fede menos.

Para você começar a ter uma ideia, Razarthan perdeu dois segundos considerando se não era melhor morrer. Dois preciosos segundos de nove que lhe restavam quando a tempestade vermelha já estava sobre ele.

Não tinha escolha, nem tempo de hesitar ou para sutilezas. Ele literalmente mergulhou nas entranhas entreabertas do monstro e se cobriu de sua carne putrefata, não antes de perceber que teria como companhia lá dentro, a cabeça do cavaleiro que morrera com uma piada suja nos lábios quando foram atacados. Sorria-lhe convidativamente.

Ele só achou a cabeça. O que era as vísceras do verme ou do cavaleiro já não sabia mais.

Razarthan que é o melhor no que faz, e o que ele faz às vezes não é bonito. Raramente.

Nunca. Vamos ser honestos, diferente de nosso “amigo”.

Razarthan sobreviveu naquele dia. Esse era seu "poder".

Funcionou até aquele momento.

Nas entranhas do monstro, o ladino considerou se aquele nível de fetidez não seria toxica e tentou com todas as forças espantar o pensamento.

Não dava mais para ver a cabeça do falecido companheiro, mesmo assim isso não o impedia de ter a sensação de estar sendo observado de dentro do monstro.

Esperava a qualquer momento ouvir um “olá”, entrar em pânico total e sair desesperado para a tempestade.

Provavelmente sem perceber, estava sobre uma leve influência do vidro vermelho carregado no ar.

Todavia como isso significava uma morte horrorosa, resolveu recapitular os acontecimentos mentalmente para se distrair e deu certo.

Em dado momento a tempestade cessou.

Então ele "nasceu", ou melhor, renasceu do ventre do verme gigante.

Assistido de perto pelo que sobrou do Legado.

Uma imagem muito forte, simbólica, poderosa e... Repugnante.

Se você estiver comendo, recomendo que pare agora, pois irei narrar.

...

Mentira.

Você já entendeu. Não há necessidade de ser tão rude.

A cena é fácil de imaginar.

Um homem saindo das entranhas de um verme gigante como se fosse uma criança parida.

Se você precisa mesmo de detalhes, procure aconselhamento espiritual, amigo.

Retomando.

Laucel um dos homens mais valentes a pisar nas Terras Escarlates, quase regurgitou com a cena diante dele. Pelo menos um dos cavaleiros não se segurou. Ninguém o julgou por isso.

Nem naquele dia e nem nunca.

"Verme nascido de um verme" — ponderou Sir Laucel. "Pare com isso, homem" — o mesmo Laucel se repreendeu. "A ideia dele, nos salvou. Ele quase ficou para morrer". — a contragosto teve que admitir nem que fosse para si mesmo. “O desgraçado tem coragem”.

Enquanto Laucel perscrutava os arredores, percebeu enfim que a alcunha de Terras Escarlates era bem apropriada. Tudo estava coberto por um manto de areia e pó de vidro vermelho por quilômetros, inclusive ele e seus companheiros.

Menos o ladino.

O ladino estava coberto de sangue e gosma esverdeada e fedia mais do que dez chiqueiros conjugados.

Ester era a única que não parecia se incomodar com nada.

Olhou para os quatro cavaleiros que restavam e deu ordens.

— Norte, sul, leste e oeste. — disse-lhes apontando um por um. — Água. Algum oásis. Voltem ao anoitecer.

Eles se curvaram em sinal de obediência e partiram.

— Laucel! — chamou a líder do Legado e Laucel se prontificou imediatamente.

— Me ajude a improvisar uma trincheira.

Fitou o horizonte por um longo tempo até perder seus cavaleiros enviados de vista, para então, finalmente, dar sinais de cansaço.

— Vejamos o que conseguiremos recuperar dos corpos. — disse com tristeza evidente. — O dia ainda não acabou, temos muito que fazer.

Razarthan entendia os sentimentos em linhas gerais e até as questões que aquela derrota implicava.

Esse era o núcleo do Legado de Safira. Era bem certo que havia mais deles onde quer que se esconda, mas ali, mortos e derrotados por um verme gigante, controlado por uma única feiticeira, estava um grupo que ousava sonhar em desafiar o poderoso Círculo Feérico um dia, encarando uma dura realidade.

Não estavam nem de longe prontos.

Ester se afastou sem olhar para trás, escolhendo um cavalo aleatório para examinar.

Laucel permaneceu no mesmo lugar a frente de Razarthan sem se mover ou olhar para trás, apenas murmurou.

— Geovane não voltará mais. — disse o velho cavaleiro. O semblante geralmente vigoroso se voltou para o ladino agora cansado.

— Geovane? — perguntou Razarthan aturdido. — Porque ele não voltará mais?

Laucel olhou longamente para Razarthan. Começou a se mover na sua direção, e parou do seu lado direito pousando a mão em seu ombro.

— Ele e Heitor eram um casal, mas o cavaleiro era o Heitor. — apontou com a cabeça na direção do corpo do verme gigante. — Heitor está lá dentro e Geovane só entrou na companhia para acompanha-lo e se tornar digno dele. — empurrou o ladino de leve. — Me ajude a examinar aqueles corpos. — depois disso, Razarthan só o acompanhou.

Encontraram cantis de preciosa água ainda intactos. Restos de ração de viagem e alguma bebida para aquecer a noite, pois o deserto era frio ao anoitecer na mesma proporção que era quente ao dia. Encontraram algumas cobertas e lonas manchadas de sangue, porém em sua grande maioria, aproveitáveis. Juntaram tudo que puderam.

Três cavaleiros retornaram, dois deles recuperaram cavalos que debandaram e sobreviveram por milagre a tempestade.

Geovane retornou.

Foi Erick que não retornou.

Erick foi para o leste; justamente a direção que eles deveriam seguir na manhã seguinte.

Notas finais
Acho que hoje não tem rodapé, mas se eu estiver esquecendo de alguma coisa nesse ou de outro capitulo deixem nos comentários que na próxima eu coloco aqui. Grande abraço, até a próxima e voltem sempre.