A Maldição do Tigre - por Ren
2 Pêssego e creme
Notas iniciais
Enquanto estava pensando no meu sonho, finalmente foram me buscar para a apresentação, apesar de não gostar delas. Eu estava sempre tentando decidir o que era pior: as apresentações ou ficar na jaula sem fazer nada.
Essa vida era tão entediante. Queria poder ler um livro ou escrever poesia, ou, quem sabe, ter alguém (que não fosse o meu domador) para conversar. O Sr. Davis não era de conversar muito, mesmo com outras pessoas; ele falava pouco comigo, o que não é de se surpreender, já que sou um tigre.
Ah! Como seria bom ter alguém para conversar!
Fui tirado de meus pensamentos quando o Sr. Maurízio terminou sua fala, o holofote foi colocado sobre a minha jaula e também uma rampa para eu descer. O Sr. Davis arrumou as banquetas e mandou abrirem a minha jaula; quando as portas se abriram, um dos homens me cutucou com uma vara, isso me incomoda, mas já estou acostumado, afinal, isso acontecia toda noite. Então desci pela rampa e comecei a fazer minha apresentação.
Era sempre a mesma coisa: pular de banquetas e pela argola, rugir, correr e deixar o meu domador colocar a cabeça na minha boca. Era sempre isso, pois eu me recusava a "aprender" novos truques.
No final da apresentação, enquanto recebia os aplausos, eu senti um cheiro diferente, ele se sobrepunha ao cheiro de pipoca. Me concentrei nesse cheiro novo, tentando descobrir o que era. Ele me trazia uma lembrança, como se eu já o tivesse sentido, mas não consigo me lembrar.
Ainda estava tentando decifrar aquele cheiro quando o Sr. Davis estalou o chicote e eu voltei para a minha jaula. O Sr, Maurízio estava encerrando o espetáculo e começaram a me retirar. Quando estava passando pela porta, o cheiro ficou mais forte e consegui distingui-lo: era pêssego e creme.
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