A Maldição do Tigre
27 Epílogo
Notas iniciais
"Alguns meses depois"
Os irmãos Rajaram chegaram cansados e doloridos, de treinos e de lutas. O mais novo estava ficando cada vez menos compreensivo em relação á relutância de Ren aos treinos. Porém o outro estava cabisbaixo e morto internamente. Sua razão de viver fora embora. Kadam já tinha reparado no baixo desempenho de Ren em relação aos treinos, e isso o estava preocupando. Ren nunca desistia de seus objetivos, mas agora ele nem se esforçava mais para competir. Um buraco no quarto do tigre de olhos azuis não seria tão extraordinário, pelo fato de que ele fica andando em círculos, completamente inquieto. Kishan não estava nem um pouco compreensivo em relação ao irmão.
Em mais um dia de lutas Kishan ganhava de Ren facilmente. Sua espada cortava-lhe a pele de seu irmão como se fosse brincadeira de criança. Isso estava irritando-o, era um insulto para sua competência. Ele avaliou a postura de Ren e parou. Ren estava os olhos arroxeados e pernas bambas, mas ao invés de revidar, somente estava parado esperando outra. Kishan não aguentou o que viu, foi o estopim para ele.
Um soco. Foi o que ele deu. Dois socos. Três socos. Ren estava no chão novamente. Mas se levantou cambaleante.
— Vai mesmo fazer isso? Deixar que te esmurrem sem nem ao menos fazer esforço? — berrava — Levanta e faz alguma coisa! Está tão infeliz ao ponto de se deixar ser espancado! — ele riu debochadamente — O poderoso príncipe do Império Mujulaain, o Sumo Protetor do Povo, o campeão da Batalha dos Cem Cavalos, herdeiro do trono, fora abatido por uma garota. Isso é patético.
Ren escutava tudo em silêncio. Observava o irmão berrar em sua cara, mas não se mexia.
— É repugnante vê-lo assim no chão, não se da conta de quanto isso é ridículo? — continuou — Não há nada mais patético que um tigre covarde lambendo suas feridas. Por que isso que você é! Um covarde! Um covarde que nossos pais teriam vergonha de ter como filho.
Ele cuspiu essas últimas palavras sabendo que Ren se lembraria com carinho de seus pais. E foi o que aconteceu. Ren o olhou e sorriu de leve. Ajeitou a postura e agradeceu ao irmão com um gesto da cabeça. Kishan finalmente servira para alguma coisa.
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