A Maldição de Outono
1 I - Vilavelha
A grande maravilhosa e branca Vilavelha. Tão branca, que em determinados momentos durante o verão, a luz solar refletia na parede de suas construções, machucando os olhos de Edd. Populosa, extremamente populosa para também desgosto do menino. Mercadores de Yi Ti a Lannisporto, passavam pro Vilavelha, afim de vender e comprar produtos. O Distrito de Fallowfield era a morada dele. Ficava ao norte da imponente Torralta, uma enorme torre branca, talvez a maior construção em termos de altura em toda Westeros e sede da Casa Hightower. As ruas da cidade eram todas de paralelepípedos, o que dificultava o ir e vir de apressados quando chovia assim como as crianças desocupadas correndo em seus pés descalços.
Edd era uma dessas crianças desocupadas. Gostava muito de caminhar pelos arredores de seu Distrito, não se atrevendo a ir muito longe, por medo de desobedecer aos seus pais. Com dez anos, o rapaz de cabelos cacheados de cor castanho claro, era uma raridade entre as crianças da cidade. Muitas delas, já eram iniciadas em alguma espécie de ofício. Ajudavam os parentes na forja, ou na venda de produtos no Porto. A exceção é claramente, as crianças Hightower e aquelas filhas de grandes comerciantes, que obtêm lucros na cidade. Mas Edd jamais vira alguma criança dessa família. Brydan, ou Dan como era chamado, era também uma exceção, e um grande amigo de Edd. É ele que se aproxima do amigo, enquanto este está pensativo, brincando com a água do rio Vinhomel que passava em uma pequena faixa de areia do Distrito de Fallowfield.
— Qual é o plano? – Pergunta o amigo de pele escura e olhos negros profundos. Edd levanta os seus olhos desperto de seu devaneio.
— Que plano? – Perguntou ele.
— O que vai nos deixar ricos ora.
Edd suspirou e se jogou para trás levemente. Dan havia recentemente desenvolvido uma grande obsessão por enriquecimento, o que era justificável. Apesar de Vilavelha ser uma cidade muito rica, nem todos os seus habitantes eram. Existia um ditado corrente na cidade: “Quanto mais distante da Torre, mais vazio os seus bolsos são”. Os comerciantes faziam as suas moradas mais próximas da residência oficial dos Hightower. E aqueles que trabalhavam em seus negócios ficavam afastados nos distritos mais periféricos. Mais afastados ainda, eram aqueles que vivam do outro lado das muralhas. Pessoas maltrapilhas que procuravam entrar na cidade a todo custo. Sempre que o outono chegava, um grande fluxo migratório acontecia. Os camponeses mais pobres procuravam se mudar durante o Outono, para quando o Inverno chegasse, estivessem mais protegidos de bandidos e ladrões. O inverno também, fazia com que trabalhar nos campos ficasse mais difícil, o que impulsionava ainda mais a imigração.
Por causa disso, a Guarda da Cidade, os chamados Capa-Brancas pelo povo, havia estabelecido algumas regras duras em relação a passagem para outros Distritos. Como os Distritos periféricos ficavam mais próximos da muralha, era mais fácil de algum imigrante conseguir invadir durante a noite, quando os guardas estão mais sonolentos. Então, para passar para os distritos mais comerciais, grandes passagens com portões foram construídas, dos quais os Guardas permanecem vigiando com olhos de águia. A ideia é impedir que esses imigrantes tomem a parte comercial da cidade, pois normalmente eles ficam caminhando pelas ruas pedindo algo para comer ou alguns trocados, o que é visto como um infortúnio para os negócios.
O novo comandante da Guarda, havia até então obtido sucesso em seus esforços para conter a imigração e manter os indesejados, como eram chamados entre os mais ricos, fora da cidade. Porém, em uma de suas caminhadas por Fallowfield, Edd e Dan encontraram uma rachadura pequena o suficiente na muralha, para que uma criança pudesse passar. Prestes a chamar os Guardas para consertar a muralha, eles encontraram duas meninas camponesas, que usavam a rachadura como abrigo. Uma tinha sete anos e a outra cinco. A mais velha disse que elas eram órfãs e que haviam caminhado das Terras Fluviais até Vilavelha, afim de obter abrigo. Elas não tinham pais e haviam se juntado a uma grande peregrinação em direção a cidade natal de Edd.
Dan se identificou com a história das meninas. Também era fruto dessas imigrações, tendo origem dornesa. Ele fora adotado por um casal já idoso, que morava em uma casa próxima a de Edd. Ele convencera Edd a fazer alguma coisa pelas meninas e era disso que o plano se trava.
— Como ficar ricos vai nos fazer ajudar as meninas?
— Com dinheiro, nós podemos comprar cavalos e comida!
Edd se levanta limpando a areia de sua roupa. E murmurou algo inteligível. Vendo que seu amigo parecia desanimado, Dan insistiu:
— Vamos Edd. Use algo que aprendeu naqueles seus livros. Você disse que um deles até mencionava uma terra onde pepitas de ouro podem ser encontradas a apenas três palmos abaixo do chão. Temos que ir para lá!
Edd cobre o rosto com as mãos em sinal de desaprovação:
— Nós estamos muito longe dessas terras Dan. Quanto tempo você acha que leva para sair de Vilavelha e ir para Rochedo Casterly?
— Alguns dias? Mas pelo mapa que me mostrou, parece ser bem perto. Pelo menos mais perto da onde o Rei vive...
Crianças de baixo nascimento como Edd e Dan não tinham o privilégio de crescer junto com um Meistre, trabalhando em sua casa. O Meistre era um erudito formado pela Cidadela, que ficava em Vilavelha. Eles servem grandes, médios e pequenos lordes, oferecendo o seu conhecimento. O acesso aos livros da Cidadela era apenas aquele que desejava estudar para ser Meistre, ou aquele com dinheiro suficiente para pagar por sua visita. A sorte de Edd é que seu pai Antorn, que era um pescador habilidoso, havia ajudado um velho Meistre a recuperar um baú de livros que havia parado nas margens do Vinhomel. Como recompensa, o Meistre havia deixado Antorn ficar com os livros, pois estes não o interessavam. “Desatualizados e mofados” murmurava ele. Estava mais contente em recuperar o grande baú de madeira.
Fora assim que Edd e seu irmão Gyle obtiveram acesso a uma parte da cultura de Westeros. Também em um momento de sorte, o avô dos meninos, foi um guarda da cidade que havia se destacado durante um período. O que fez com que conseguisse além de uma propriedade na cidade, pagar um Meistre para letrar suas filhas. E é por isso que ambos sabem ler e tem onde morar. Sua mãe os havia ensinado. Dan não havia tido a mesma sorte, era um iletrado.
— Nós não vamos para Rochedo Casterly. – Disse Edd firme.
— As meninas estão com fome. – Dan sublinhou essa última palavra com um tom autoritário.
Edd até então não havia considerado isso. A última vez que visitara as meninas, ele havia trazido um pedaço de pão velho, para elas. Aparentemente o pão havia acabado. Apesar de ser pobre, Edd nunca havia passado fome. Porém sabia que seu melhor amigo havia suportado coisas muito piores.
— Tudo bem. Nós vamos resolver isso. – Disse para acalmar Dan.
O rosto do amigo se iluminou durante um momento, voltando a ter uma expressão séria de quem estava aguardando alguma instrução. Edd apontou em direção ao Distrito de Fallowfield e eles começaram a caminhar de volta para as ruas.
— Eu não posso mais tirar coisas de casa. Mamãe já está dando por falta.
Dan permanecia em silencio e apenas concordou com a cabeça.
— Eu também não tenho nenhum dinheiro.
Novamente Dan concordou.
— E também não tenho nada que consiga trocar no Velho Mercado. – Continuou Edd enquanto os meninos já andavam pelas ruas do Distrito que estava movimentado como sempre, mulheres e crianças caminhando de um lado para o outro carregando frutas ou pedras para alguma obra. Edd fez uma curva busca para Direita em uma viela que dava de frente para a parede de trás de uma casa.
— Só nos resta, “pegar emprestado”.
Dan fez uma expressão de dúvida.
— Pegar emprestado! Nós vamos a até um comerciante, pegamos algo para as meninas, e quando formos ricos, nós devolvemos com dinheiro!
— Mas isso não é roubo?
— Não é! Até porque nós temos a intenção de devolver!
Dan parecia um pouco amedrontado e receoso. Ele era muito cuidadoso e sempre ficava um pouco arisco com as pessoas de Vilavelha. Algumas já o haviam maltratado por ser Dornês, algo que ele mesmo não entendia e muito menos Edd. Se fossem pegos “pegando emprestado”, certamente teriam graves problemas.
— Eu não sei Edd...
— DAN! Foi você que veio falando de plano. Este é o plano. Vou fazer com ou sem você! – Disse Edd com a voz firme.
Dan ainda parecia preocupado.
— Pense nas meninas. Além do mais, nós somos muito espertos. Nós não seremos pegos, eu prometo.
Por fim, Dan acabou concordando, e um senso de coragem e determinação passou a enfeitar o seu rosto. Edd por outro lado estava internamente preocupado, mas demonstrava coragem. Sabia quais as consequências de ser pego roubando, mas não havia outra alternativa. Não podia deixar as meninas morrerem de fome.
Os meninos caminhavam agora me direção ao Velho Mercado de Fallowfield, onde alguns comerciantes vendiam os seus produtos, normalmente o resto do que havia sido vendido em outros distritos. Eles se sentaram em uma área com sombra em frente ao mercado, onde podiam observar o movimento com calma.
— Isto é uma má ideia. – Disse Edd.
— Não podemos voltar atrás agora. – Rebateu Dan.
— Não é isso que eu quis dizer. – Edd puxou Dan pelo braço, afastando-se da multidão que estava no mercado.
— Aí! – Edd guinchou quando sentiu uma pisada em seu pé no momento que virou para sair do mercado. O responsável por aquilo era um homem alto de capa cinza que se afastou dos meninos a passos rápidos. Xingando, Edd levou Dan pelas ruas de Fallowfield, chegando então ao Portão da Guarda da Cidade que dava acesso ao Distrito de Black Banks. Este portão protegia uma ponte, pois o Rio Vinhomel cortava os dois distritos.
— O que você quer fazer? — Perguntou Dan incrédulo.
— É muito perigoso roub... quer dizer, pegar emprestado aqui de Fallowfield. As pessoas nos reconheceriam facilmente.
— Mas nós não podemos atravessar! Eu não posso pelo menos
— E você acha que eu vim até aqui, sem ter alguma ideia. Até parece que não me conhece.
Existiam duas ruas que terminavam de frente para o Portão. A rua que os meninos vieram que estava conectada a parte principal do Distrito e outra que direcionava para a parte mais baixa do Distrito e aquela que, em momentos de chuva forte, acabava ficando inundada dependendo do temperamento do Vinhomel. Nesta área mais baixa, ficava alguns armazéns, com carros de mão. Como o Distrito inundava, servia em alguns momentos como descarte de material. Edd sabia que poderia pegar um carro de mão, sem problemas.
Entrando em um dos armazéns ele corre direto ao primeiro que o vê. “Está com as rodas boas”
— Vai Dan.
— O que?
— Entra no carrinho.
Os olhos de Dan brilharam.
— Brilhante! – Ele imediatamente pula para dentro do carrinho e se encolhe. Edd agora procura algum trapo velho para que possa cobrir o seu amigo. Apesar de ser uma subida e Dan ser pesado, Edd tinha força o suficiente para carregar o carrinho acima. Pois já estava acostumado a fazer isso quando levava iscas para o seu pai, ou mesmo os próprios peixes que ele havia pego. Com Brydan agora coberto, Edd manobra o carrinho para fora do armazém, rua acima.
Edd reconhece algumas pessoas e acena para eles para não parecer estranho. “Preciso manter o disfarce”. Aproximando-se do portão ele reparou que os Guardas estavam rindo de algo. Um deles estava mais afastado e estava estoico, atento observando. É ele que se aproxima de Edd.
— Onde vai com isso rapaz?
— Meu pai está pescando em Black Banks. Estou levando o carrinho para pegar o carregamento de peixes de volta.
O Guarda semicerra os olhos, parecia um tanto desconfiado.
— Se eu me lembro bem, você estava com aquele rapaz Dornês agora pouco.
“Sete Infernos” pensou Edd.
— Onde ele está? – Perguntou o Guarda.
— Ele foi comprar algo que a mãe dele havia pedido
O guarda semicerrou os olhos novamente. “Ele não pode me acusar de nada” pensou Edd agitado. Apesar de não te o costume, Edd sempre ajudava seu pai no trabalho sempre que podia, mesmo que aquele não gostasse muito de pedir. Preferia pedir ajuda para outras pessoas pois não queria que seu filho ficasse perdendo tempo trabalhando.
— Eu... CUIDADO! – O guarda subitamente grita e corre em direção a uma barraca que estava precariamente armada. Aparentemente uma barraca se desmontou fazendo um efeito dominó em mais quatro outras barracas que estavam ao seu lado. Edd tomou um susto e com o coração acelerado, decidiu avançar o mais rápido possível para atravessar a ponte. Por causa da adrenalina Edd não estava ouvindo nada atrás de si. Talvez um guarda estivesse em seu encalço, mas não importava. O garoto consegue chegar ao portão de Black Banks são e salvo, e o melhor: sem guardas!
— Sai daí Dan! – O garoto Dornês tira o trapo velho em cima de si.
— Vamos! – Chamou Edd correndo sem direção pelo distrito. Black Banks era menos populoso e menor do que Fallowfield, porém tinha um comércio um pouco mais sofisticado. Como novidade, este Distrito tem ferrarias e até alguns comerciantes que ousam um pouco mais vendendo joias. Existem também uma maior diversificação nas peixarias, onde mariscos e ostras podem ser encontrados.
— Comida então? – Perguntou Edd.
— Sim!
— Tenho outra ideia.
Edd leva Dan para uma barraca de frutas. Por morarem na Campina, a qualidade dos frutos era excelente. As maças e laranjas mal cabiam nas mãos de um adulto.
— Frutas são boas, mas não enchem a barriga. – Sussurrou Edd.
— Podemos pegar algumas frutas, depois outro dia levamos carne. – Respondeu Dan.
— Outro dia? Ficou maluco? Não podemos ficar roubando toda vez, nós iremos ficar marcados.
— Por isso eu disse sobre o plano de ficarmos ricos!
Edd revira os olhos e apenas acena com a mão para Dan o seguir. Eles se aproximam da Barraca do velho Hillas, que se gabava de ter as melhores laranjas da Campina em sua tenda. Edd olha para Dan, que imediatamente entende o plano. Enquanto um distraí o vendedor o outro rouba as frutas. Precisavam ser rápidos e discretos para não serem pegos.
— Pequeno Edd! Que alegria ver você aqui! – Disse o velho com sua voz rouca, porém animada. Estava sempre de bom humor.
— Olá Sr. Hillas! Como vão as vendas?
— Melhores do que nunca devo dizer! O outono é sempre uma época lucrativa para nós. Os Lordes costumavam fazer grandes estoques de comida para o Inverno.
— Sim, ninguém quer morrer de fome!
Ambos dão risada. Edd observa que Dan estava agachado em um estande de laranjas com um cesto na mão. Provavelmente havia encontrado um jogado pelo chão. “Brilhante”. Eles poderiam pegar mais frutas o que daria mais tempo para pensarem em algo para dar as meninas para comerem.
— Os imigrantes tem causados problemas?
— Não, de maneira alguma Sr. Edd. Com o trabalho da Guarda da Cidade mal os tenho visto para ser sincero. E felizmente, o restante da colheita tem sido bem protegido pelos nossos soldados. Quase não perdemos nada em saques!
— O Comandante realmente está querendo demonstrar serviço.
— Sim, mas no lugar dele eu também queria. – Ao dizer isso Hillas riu. Pegou uma maça e começou a brincar com ela para cima e para baixo.
— O que quer dizer com isso? – Perguntou Edd curioso.
— Bom, as más ou boas línguas, dizem que o Sr. Comandante procura obter o favor do Lorde Hightower.
— Bom isso era de se esperar. – Comentou Edd olhando rapidamente para Dan que pulará das laranjas em direção as maças. A agonia desceu sobre o corpo de Edd. Quanto mais tempo ficassem ali, maiores as chances de serem pegos. Ele viu que Dan estava olhando para ele e fez um sinal com a mão para que fosse rápido. Hillas reparou nisso e olhou para trás. Edd quase desmaiou ali mesmo.
— Sr. Edd. Aqui está. Você sempre é bem educado todas as vezes que passa por aqui.
O velho comerciante entrega a Edd uma maçã verde, sua fruta predileta. O garoto se sente mal por aquilo. Afinal estava roubando. “Prometo te compensar dez vezes, quando eu puder Sr. Hillas”. Com um sorriso amarelo ele aceita a maçã e a morde para não fazer desfeita.
— Sim era de se esperar. Um casamento com um Hightower, te torna automaticamente um grande senhor. – Disse Hillas retomando o assunto.
— Casamento? – Disse Edd, enquanto mastiga a maça e olhava para Dan apreensivo que já passara das maças, para os pêssegos.
— Sim. Da Sra. Alicent. Filha do Lorde Hightower.
— Eu nunca vi essa garota.
— Ela não é de sair muito. Eu só a vi quando ela foi apresentada no Grande Septo em seu nascimento. Aparentemente o senhor seu pai é bem restritivo nesse sentido.
— Bom Sr. Hillas a conversa está ótima, mas eu tenho que ir. – Disse Edd abruptamente ao ver que Dan já se esgueirava para longe da barraca em direção aos fundos da mesma.
— Sr. Edd, sempre uma pessoa educada. Devo dizer que é estranho te ver aqui. Quer dizer, normalmente o seu pai passaria aqui depois você. Devo me preocupar?
— Não! De forma alguma. Papai está descansado hoje. Eu vim apenas dar olhada nos estoques para ver o que estamos precisando mais.
— Sendo assim, até mais Sr. Edd! Apareça aqui novamente quando puder!
— Pode deixar senhor! Agradeço pela maça!
Edd acena com a cabeça e corre rapidamente na direção de Dan que estava agachado arrumando as frutas para não cair do cesto que era enorme e haviam muitas frutas ali. Parecia estar pesado.
— Seu louco! Como vamos levar tudo isso? – Questionou Edd querendo bater em seu amigo.
— Fique tranquilo, vamos encontrar outro carrinho. Você sempre dá um jeito.
Edd suspira em desacordo. Aquilo tinha sido uma má ideia, mas agora não poderiam voltar atrás. Ele leva Dan para a Rua das Ferrarias, onde algumas forjas se concentram. Procuravam encontra algum carrinho de madeira abandonado para fazer a viagem de volta, visto que a cesta estava pesada demais, precisando os dois a segurar.
Os meninos olham para os lados apreensivos enquanto os cidadãos de Vilavelha permanece ocupados com os seus afazeres, até que Dan avista um carrinho em uma viela sem saída.
— Calma! Vai derrubar tudo! – Disse Edd.
Eles colocam o cesto dentro do carrinho e Brydan da um tapa de satisfação nas costas de seu amigo.
— Ainda precisamos voltar. Aquele Guarda suspeitou de nós.
— Eu vou dentro do carrinho novamente. Algumas pessoas me olharam feio.
— Ótimo vou precisar fazer o dobro da força.
— Você está precisando mesmo, tá magro demais.
Edd faz uma careta pra Dan e ri. Apesar de tudo, as coisas tinham dado certo. Ou não. De canto de olho Edd percebeu que havia uma pessoa parada olhando para eles. Sabia que não era um Guarda porque não conseguia distinguir o brilho da armadura. Cutucando o seu amigo, os dois se viram para encarar o intruso. Ou melhor, a intrusa. Uma garota de altura média de pele escura, mas um pouco mais clara do que a de Dan. Tinha cabelos curtos negros e olhos cor de mel. Trajava um vestido amarelo com botas marrons. Ela segurava um bastão de madeira, mais ou menos de sua altura.
— Eu vi o que vocês fizeram. – Disse ela com a voz calma.
— Eu não sei do que você está falando. – Disse Edd tentando manter a calma.
— Vocês roubaram essas frutas do velho Hillas.
— Não roubamos! Ele nos deu! – Disse Edd mostrando o caroço da maça que havia comido, para provar.
— Porque então ele se abaixou por trás do estande e roubou elas?
— Nós não queremos problemas. Temos uma razão para isso. – Disse Brydan.
— Quieto Dornês idiota. Sim eu sei o que você é. Um ladrãozinho. É por causa do seu tipo que nós somos mal vistos aqui na cidade.
Aquilo enfureceu Dan que caminho com passos pesados para confrontar a garota. Edd ficou preocupado, sabia que seu amigo se irritava muito quando sofria esse tipo de insulto.
— É melhor se afastar se não quiser se machucar. – Falou o garoto com a voz séria.
— Você? Me machucar? – A garota ri, e com um rápido giro de sua mão ela acerta a cabeça de Dan com o bastão que cai estatelado no chão.
— Você é maluca! – Disse Edd correndo em direção a menina. Não podia fugir e deixar Dan desacordado, teria que derrubar ela de alguma forma e reanimar o seu amigo. Ele corre em direção a ela, porém ela é muito mais ágil. Com um giro para o lado esquerdo ela se esquiva da investida de Edd e acerta o pé do garoto com o bastão, fazendo-o cair. Ele caiu com o rosto estatelado no chão, não esperava aquele movimento. Nunca havia visto alguém fazer algo parecido!
A ultima coisa que ele viu ao se virar foi o bastão se aproximando de seu rosto e o barulho do mesmo em contato com a sua cabeça.
FIM DE CAPÍTULO.
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