A Maldição da Alma
2 Capítulo Um
Algumas semanas atrás
— É verdade que papai vai para o Oriente? — Perguntou Ahriadine pela terceira vez — Tristan estou falando com você, quer largar essa maldita espada!
Largo a espada que ficou subitamente quente em minha mão. Eu estava na sala de treinamento praticando alguns movimentos que eu ainda não aperfeiçoara, quando Ahri entrou e começou a fazer perguntas, pensei que se a ignorasse ela entenderia a mensagem e daria o fora dali. Entretanto ela é mais teimosa que uma mula, então sem muita alternativa encaro minha irmã mais velha. Ahri tem apenas um ano a mais que eu, mas quando lhe convém ela age como uma anciã mimada exigindo respeito e atenção. Como agora.
— Sim Ahriadine, ele vai. E não, Ahriadine, ele não vai levá-la com ele. Antes que pergunte.
Ela franze o rosto quando eu respondo, sinal de que eu joguei um balde de agua fria em seus planos. Algo aliás, que faço com bastante frequência.
— Não entendo o porquê. Conheço todas as oito colônias que compõe o Império do Oriente, falo as três línguas locais, sou linda e boa de papo, posso fazer a corte como ninguém.
— Certo, mas o Oriente não é exatamente nosso aliado. Poderia acontecer de sei lá... O Imperador entra em conflito com nosso pai e você ficar no meio disso tudo. E por mais habilidosa que você seja, se algo acontecer de errado, a sua presença só vai distrair e atrapalhar.
— Bom, talvez haja riscos... Mas não sou um peso morto, sou capas de me defender, eu tenho praticado magia diariamente e sem ofensas, eu sou muito melhor do que você.
Isso era uma verdad. De nós três Ahri era a mais habilidosa com magia, ela tinha um grande repertorio de feitiços e encantos e era muito boa em manter sua magia estável. Eu por outro lado, não era ruim, mas meu foco não era ser um Mago. Eu era um guerreiro. Enquanto para Ahri magia era tudo, para mim era apenas uma ferramenta que poderia me dar vantagens em batalhas e outras pequenas coisas.
— Você só está piorando. Levar magos para o Oriente? Você sabe que lá magos nem são considerados pessoas, se alguém encontrasse você perdida e a declarasse sua, pronto, agora você teria um dono — Disse eu, e novamente Ahri fechou a cara.
Não era segredo para ninguém que Ahriadine era um espirito livre. Seu maior sonho era viajar pelo mundo aprendendo diferentes tipos de magia para aperfeiçoar seu Dom. Ela já havia estudado várias coisas, como línguas, costumes, cartografia... Mas ela era inconstante demais, confiante demais para que nosso pai permitisse que ela fosse em uma viajem a outros reinos. Por isso ela treinava bastante para passar no exame de admissão da Academia de Magia Real. Uma vez que se formasse Maga ela Academia pela lei lhe era concedido um emprego fixo na capital o qual ela poderia escolher e também claro, ela teria sua independência. Não precisaria mais obedecer nosso pai e seu Lorde, responderia diretamente ao Rei. E o Rei, bem... Não se importaria com o que uma nobre qualquer faz de sua vida. Então Ahri teria sua tão sonhada liberdade.
Ou era esse o plano que ela vinha aperfeiçoando desde que se tornou entendida o suficiente para planejar qualquer coisa.
Eu, assim como Ahri, vinha treinando também. Só que eu não tinha a mínima vontade de sair do reino. Me tornar um nômade não iria me ajudar se eu quisesse me tornar general do Exército Real, para isso eu precisava ganhar visibilidade aqui, fazer meu nome. E para isso, me dói admitir, mas coisas como habilidade, inteligência, caráter não é suficiente, é preciso ter conexões. Quanto maior o cargo que você almeja, mais influente sua conexão deve ser. No meu caso, nada menos que alguém da família real.
— Você é muito desmancha prazeres sabia? Quando você vem com o papo de se casar com a princesa eu sempre te apoio, mesmo que isso seja algo muito, mas muito difícil de acontecer. — Falou Ahri indignada.
— Olha, se você quer ouvir bajulação e ideias suicidas, recomendo que vá falar com Lucien. — Respondi já cansado do assunto e levemente irritado também.
Casar com a princesa... Não era algo impossível, até porque meus pais e a Rainha já discutiram o assunto. Nossa família é nobre, em nosso passado não há nenhuma mancha. Meu pai, Lorde Ezriel e o Rei já batalharam juntos, o Rei tem meu pai em alta conta. Outros Lordes e nobres o admiram por ser tão honrado. Não tinha nada de absurdo em unir nossas famílias. E depois que meu pai voltasse do Oriente com um contrato comercial assinado o Rei lhe concederia qualquer coisa.
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